terça-feira, 12 de outubro de 2010

DESCARACTERIZAÇÃO DE UMA INSTITUIÇÃO

PREZADISSIMOS AMIGOS




Eleições. Feriados. Dia das Crianças, 2º turno, enfim uma série de acontecimentos últimos fazem com que nossa atenção seja desviada de maneira que a Assembléia Geral marcada para dia 14 de outubro na Associação dos Oficiais da Reserva e Reformados da PMESP seja completamente esquecida pela maioria. Mas o 14 de outubro está às portas e a discussão de uma reforma estatutária põe a perigo a Associação onde todos são iguais.

Acontece que essa história de todos são iguais é uma tremenda balela, um sofisma que engana. Ninguém é igual a ninguém, nem perante a lei. Quem está no Poder não vai preso também. Caso os nossos Códigos fossem obedecidos metade da população brasileira estaria atrás das grades. Quem tem dinheiro não vai preso também. Há idéias simplistas como de amigos meus que dizem: "você está contrariado com o estado de coisas da AORRPM, basta sair da Associação". Outros acham que na reserva o soldado se iguala ao oficial e, portanto é viável que a Associação dos Oficiais da Reserva e Reformados possa aceitá-los como sócios. Já aconteceu o absurdo de um tenente se candidatar a presidente da Associação e muita gente aceitar o "inaceitável" com a conversa de que todos são iguais. Na hipótese de que esse tenente viesse a se tornar presidente como é que ficaria a situação de um oficial superior ter cometido um crime na Associação (aliás, como já aconteceu). Qual a moral do suposto presidente em aplicar a lei estatutária?

Nos últimos meses tenho sido procurado no sentido de esclarecer qual é o Regimento Interno que vigora na AORRPM. Isso porque presidi uma Assembleia Geral que aprovou o novo Regimento Interno em 31 de agosto de 2006. Acontece que esse Regimento apresentado à Assembleia, naquela data, não foi entregue à mesa diretora para a assinatura legal. Meses depois, cobrado por mim o regimento para ser assinado recebi a informação que haveria necessidade de novas modificações e isso foi ficando para as calendas. Agora, em 2010, quatro anos passados, foi-me entregue para assinatura um regimento que não é aquele de 2006, com várias modificações. É claro que não o assinei. Portanto, para todos os efeitos a Assembléia Geral que está tratando das modificações estatutárias não poderá se valer do Regimento de 2006, porque esse não existe legalmente. Deverá prevalecer para todos os efeitos o ainda Regimento de 5 de junho de 1984, de acordo com o Boletim Informativo numero 15 da Associação. Nas últimas eleições na Associação foi assim, face a impropriedade daquele Regimento que deveria ser assinado em 2006 e que, por razões que desconheço, não me foi oferecido para a devida assinatura da mesa diretora dos trabalhos.

Os meus amigos naturalmente vão se indagar: "o que eu tenho com isso?" É justamente porque me manda a consciência que estou encaminhando esta mensagem. Todos nós, temos, de alguma maneira, algo a ver, pois somos oficiais da PMESP e essa situação atingem as nossas raízes. Repito que ninguém é igual a ninguém. Muito menos numa Instituição onde IMPERA a hierarquia e a disciplina. Basta verificar a história da humanidade e perceber que mesmo nos países socialistas quem está no poder é que realmente manda. Portanto a nossa triste AORRPM está numa situação igual. Ali não há mais distinção de hierarquia e vários oficiais já me disseram que isso é assim mesmo. Não concordo e o bom senso deverá prevalecer. Se é uma Associação de Oficiais como vamos aceitar os sargentos como sócios? Repito mais uma vez que não tenho nada contra os sargentos, mesmo porque também fui sargento. Apenas tenho a convicção que não é legal misturar as classes da polícia militar e permitir a grande promiscuidade que impera naquela Associação. Isso seria o caos. Sei que alguns companheiros (companheiro no bom sentido) vão me aconselhar a deixar a Associação. Mas não farei isso enquanto houver campo para a luta. Num país em que o poder escolhe um poste para ser presidente; investe alta soma de dinheiro público numa candidatura de quem não era credenciado a ocupar o alto posto da Nação e nós aceitamos tal acinte como normal, é bem possível que numa infeliz Associação as coisas também corram para uma situação parecida. Estamos caminhando para o abismo e pouca gente dá conta disso.

CORONEL PM MARIO FONSECA VENTURA

SECRETÁRIO DA SOCIEDADE VETERANOS DE 32-MMDC