domingo, 27 de fevereiro de 2011

AOS COMANDANTES DO BICENTENÁRIO - EXALTAÇÃO À POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO Eu te exalto – Polícia Militar do meu São Paulo e te sinto minha glorioso de tuas glórias orgulhoso de tua História... eu te exalto na visão esplêndida de tua origem heróica de tua caminhada magnífica de teu testemunho de raça... Nasceste num momento de Pátria balbuciante... marcada para ser forte pra crescer...pra amar... marcou-te a fronte audaz Feijó – o Homem inteiro sagrou-te a alma sábia... Tobias de Aguiar! e seguiste a picada aberta das Bandeiras cresceste com São Paulo na cava das trincheiras teu vulto se estendendo por sobre a Pátria inteira... Eu te exalto – Polícia Militar do meu São Paulo e te contemplo... carregando o pavilhão verde-dourado pelos campos sagrados de minha terra machucado pela sanha paraguaia... carregando o pavilhão verde-dourado na santa guerra da paz e da união quando irmão se levanta contra irmão... e te encontro nos pampas e no norte nas praias, nas cidades, nos sertões... em Vaza-Barris distante na senda de Camisão... e choro contigo em Venda Grande... eras ainda uma criança... e São Paulo era batido e com Feijó caia pela vez primeira... Eu te exalto – Polícia Militar do meu São Paulo Gloriosa Força Pública de São Paulo de 32! Lembras-te? Como fostes grande? Alegra-te! Como sofrestes... Lembras-te? São Paulo de 32... São Paulo vergastado pela tirania Pisada e traída a terra dos Andradas Humilhado como nunca o pendão das treze listas... SÃO PAULO SE LEVANTA e... caminha... TODO! Lembras-te? Eras tu, Polícia Militar, que à frente caminhava a transmitir força a comunicar confiança... e o que possuias, então? por arma – Coragem por lema – Direito por escudo – Verdade por divisa – Pátria Eu te admiro – Polícia Militar do meu São Paulo quando teus ideais se identificam e se confundem com os ideais da gente paulista... Eu te admiro, sobretudo quando ofereceste em holocausto de dor o melhor que possuías o sangue de teus filhos derramando sobre a Pátria a seiva da redenção... e eu me lembro de Marcondes Salgado e eu me lembro do Major Marcelino tombados no amanhecer da luta no desespero terrível de salvar esta nação... Eu te exalto e te saúdo Polícia Militar do meu São Paulo... nos teus 150 anos de existência e hoje te contemplo na grandeza , nas dimensões incríveis desta terra de Paes Leme... e eu te encontro a cada passo nos teus filhos por aí em todo canto, por toda parte velando por todos nós... guardiães silentes, serenos trazendo no garbo, nos gestos, todo um passado de honra e, na fineza do trato, um toque muito gaulês... e eu te encontro, a cada passo na solidão dos que edificam, na incompreensão dos que constroem, no anonimato dos que servem... e te encontro também na confiança dos que crêem, na justiça dos que entendem, na compreensão dos que sabem... Eu te exalto – Polícia Militar do meu São Paulo, e te sinto minha... glorioso de tuas glórias, orgulhoso de tua História... Maria Izabel de Carvalho Cunha Bauru, dezembro de 1980

Caríssimo Amigo, Mario Ventura,

Louvável essa iniciativa, cuja menção me faz noticiar a você que minha Turma "Fortaleza" (calouros de 1961) teve a honra de, na segunda feira passada, dia 21, abrir o portão da Academia para os calouros de cinquenta anos depois.

Receba, como nossa homenagem, em primeira mão, o texto que foi lido para os novos cadetes da PM e seus Pais.

Foi oferecido a cada novo Aluno Oficial, um exemplar da "Exaltação à Polícia Militar do Estado de São Paulo", escrita pela Professora Maria Isabel de Carvalho Cunha, de Bauru, por ocasião do sesquicentenário da Corporação, que também anexo para seu conhecimento ou lembrança.

Reitero meus cumprimentos pelo seu valoroso trabalho.

Abraço fraternal.

Corrêa de Carvalho

Assim que receber fotos da solenidade, enviarei a você.

Aos Comandantes do Bicentenário,

        Nem tentem imaginar o enorme desafio que é falar-lhes hoje, tendo na retina e na memória a imagem deste mesmo pátio sagrado, há exatos cinqüenta anos! Daqui a outros cinqüenta, talvez em outro lugar, muito mais amplo, vocês compreenderão perfeitamente.

        Cada um de nós veio matutando para escolher ao menos algum fato exemplar vivido ao longo dos nossos trinta anos de serviço, acrescidos da experiência de mais vinte, como cidadãos e chefes de família.

        Se nos déssemos apenas um minuto para cada ano, certamente seríamos daqui expulsos, sob acusação de torturá-los sob o sol ardente.

        Recebam esta fala como simbólica microssíntese da história de nossas vidas, pois vimos falar-lhes com o carinho e com o amor que os avós costumam ter por seus netos.

Para terem o direito de aqui estar hoje, vocês dispenderam grande esforço, provaram méritos nos planos físico, intelectual, psicológico, emocional. Tiveram sua vida pregressa esmiuçada pela rigorosa investigação social. São vencedores, portanto!

Quem recebe a divina dádiva de nascer já tem aí a sua primeira grande vitória, porque aquele microscópico espermatozóide, que conseguiu chegar na frente, fez de cada um o grande vencedor, entre milhões que corriam para a vida!

É claro que vocês venceram outras vezes, quando superaram o medo, por exemplo, de deixar de engatinhar para por-se de pé e dar os primeiros passos, festejados por seus Pais, mas, com certeza, a vitória de hoje é a segunda verdadeiramente grande de suas vidas!

Orgulhem-se dela! Estão ingressando numa Instituição que já os convida para celebrar, em vinte anos, como comandantes de 2031, o seu bicentenário, e uma organização que dura esse tempo tem provada a sua fundamental importância social.
Ela é um cadinho do Brasil, pois entre os seus cento e trinta (pausa...) mil de 2011 (ativos e veteranos) há de todas as raças, de todos os credos, de todas as origens.

Sua história confunde-se com a história do Estado e da Nação. Várias iniciativas pioneiras nacionais são de nossa gloriosa Polícia Militar, como a criação da previdência, no fim do Século XIX. É nossa a pioneira Escola de Educação Física do Brasil, fundada em 1910.

Quando cantarem a “Canção da Polícia Militar”, reverenciem os seus autores, ambos Soldados da Milícia Paulista, com destaque para o grande poeta Guilherme de Almeida, autêntico revolucionário paulista de 1932. Procurem saber o significado de expressões como “130 de 31”, “ao nosso julho da clarinada”, “sob as Arcadas”, “glória em Canudos” e a bendita e consagradora “Paulistas por mercê de Deus”!

Vocês agora têm o privilégio de freqüentar a única “faculdade” do País que outorga a graduação Bacharel em Ciências Policiais de Segurança e da Ordem Pública e, ao longo da carreira, poderão alcançar os lauréis do mestrado e do doutorado, tudo isso erigido pela inteligência e pelas vivências de cientistas e técnicos das mais diversas áreas do saber, porque, conforme a profecia do “príncipe dos poetas brasileiros”, os “130 de 31”, multiplicando-se por mil e um, vêm constituindo um quadro de recursos humanos do mais alto nível.

Quando nós ingressamos, há apenas meio século, o candidato ao alistamento na Força Pública era submetido, na parte intelectual, a uma singela prova com problemas contendo as quatro operações aritméticas, mais um ditado simples, a título de linguagem.

Hoje, a formação do Soldado é feita na Escola Superior, assim como a do Cabo e a do Sargento, constituindo, com a Escola de Educação Física e a Academia, o Sistema de Ensino da Polícia Militar, face à Lei Complementar 1036, de 11 de janeiro de 2008.

Se, para liderar operacionais de nível fundamental, era necessária, já em 1961, a formação de profissionais de destacado nível de saber, é óbvio que, para comandar intelectos de nível superior, exigir-se-á muito mais dos Chefes que esta “Escola de Comandantes” vai construir, através da geração de vocês.

A vida é feita de escolhas e vocês terão, como nós tivemos, exemplos de como se deve e de como não se deve fazer. A escolha será sempre pessoal e a responsabilidade, pelos ônus e bônus dela decorrentes, também.

Vocês serão julgados e, no futuro, irão também julgar, por isso não desprezem nem uma migalha dos ensinamentos que lhes serão passados, em sala e em campo, como base de suas futuras decisões.

Aprendam a seguir idéias: não sigam homens! A história tem exemplos de líderes carismáticos, cegamente seguidos, que, num momento de péssima escolha, levaram milhares à desgraça. Se aprendermos a sempre avaliar as idéias, mesmo as de quem é rotulado como mau líder, jamais correremos o risco de perder uma idéia verdadeiramente salvadora, por visão preconceituosa de quem a teve.

Muitos de vocês, senão todos, devem ter ouvido a história do Brasil contada por mestres formados sob as mais diversas ideologias, algumas voltadas para a desconstrução da verdade. Sejam perspicazes, recebam as aulas com atenção e busquem na internet, nas bibliotecas, nas hemerotecas, os documentos da época da nossa geração, para conhecerem a realidade dos fatos.

Há cinqüenta anos, ingressamos neste pátio com a Força Pública sendo alvo de uma greve por salários iniciada por Tenentes, principalmente do Corpo de Bombeiros, a que se seguiu a adesão de outros oficiais e também praças. A conseqüência imediata foi uma metralhadora apontada para a entrada do Quartel da Praça Clovis Bevilacqua e a assunção do Comando Geral pelo Coronel do Exército Oldemar Ferreira Garcia.

No mesmo ano, em agosto, Janio Quadros renunciava à Presidência da República e, finalmente, tivemos a nossa Declaração de Aspirantes em dezembro de 1964, apenas dez meses após a Contra Revolução de 31 de março.

Somos, pois, Aspirantes, Tenentes, Capitães, do período mais turbulento da história recente do País, contemporâneos de heróis de verdade, como o nosso Capitão PM Alberto Mendes Junior, o Soldado do E.B. Mario Kozel Filho e muitos outros.

Valorizem as sábias lições que terão com Professores, Instrutores e Comandantes, e tenham especial humildade para explorar o rico aprendizado que se pode haurir do relacionamento com os nossos operacionais e com a comunidade, mesmo e principalmente com os de nível mais modesto.

A Polícia Militar abre portas para todas as áreas do conhecimento. Preparem-se para a oportunidade futura de atuarem como instrutores e professores, pois “quem ensina, aprende ao ensinar, e quem aprende, ensina ao aprender” (Paulo Freire).

Em nossa “Festa da Espada”, em 15 de dezembro de 1964, dos dezenove Aspirantes, quinze eram de São Paulo e quatro da Polícia Militar de Mato Grosso. Mas, ao longo da nossa formação, contamos com vinte e um integrantes, dos quais quinze estão presentes.

Faleceram o Coronel PMMT Amylton Sá Correia, que freqüentou também o Curso de Bombeiros para Oficiais em São Paulo e foi o fundador e primeiro Comandante do Corpo de Bombeiros de seu Estado, e o Dr Atayde Souza Lopes, que, depois de atuar alguns anos como oficial, foi vitorioso em concurso para a magistratura federal. Nosso preito de saudade a ambos os Companheiros.

Não podemos deixar de destacar, em sua ausência por problemas de limitação de saúde, a figura do Coronel PM Orivaldo Cardoso Filho, que encerrou sua carreira, na Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, como seu Comandante Geral.

Nossa pequena grande Turma tem muitos feitos de que podemos nos orgulhar, mas, para concluir, mencionaremos apenas algumas singelas atitudes.

Um de nós, enquanto Capitão Comandante de Companhia no Interior, numa época em que sede de PM era sempre fundo de Delegacia de Polícia, tomou a decisão de abrir uma porta no muro dos fundos, justificando seu ato com a necessidade de dar à Polícia Militar a dignidade do endereço próprio. O Coronel PM José Hamilton Port foi esse Capitão.

Outro, ainda no seu primeiro ano de Aluno Oficial, representou dignamente a Escola de Oficiais na Semana Euclidiana de São José do Rio Pardo, em tradicional concurso de redação sobre a obra de Euclides da Cunha. Este mesmo valoroso Companheiro, já na reserva, foi baleado por um marginal que assaltara nas imediações de sua residência, o que lhe impôs a necessidade de adotar uma vida mais reclusa, sem perder a lucidez.

Tomando conhecimento desta cerimônia apenas ontem, pois trabalhávamos com a hipótese de tê-lo representado por um dos filhos, decidiu comparecer com toda a sua família o Coronel PM Orlando Aurélio Santos.

A revista “O Quinze”, que era editada a cada turma concluinte do Curso, teve a participação da nossa Turma “Fortaleza” em três edições (uma em 1963, duas em 1964). Nas duas últimas, o Presidente do então Centro Acadêmico era o nosso hoje Coronel PM Paulo José Ballatka Rahnig, que, entre muitas belíssimas ações, como oficial, foi responsável por maravilhoso trabalho como Comandante do “Corpo de Intérpretes” da Corporação, que beneficiou uma legião de milicianos com bolsas de estudos de idiomas em vários institutos. Está aqui representado por seu filho, Ricardo Rahnig.

Gratidão é o sentimento que mais abre corações e é assim que queremos encerrar: agradecendo ao nosso Comandante Geral, Coronel PM Alvaro Batista Camilo, pela honra da presença e pela lucidez de comando, que o fez merecedor da inédita manutenção no Comando Geral, mesmo com a mudança de Governo; ao Comandante da Academia, Coronel Airton Alves da Silva, pela gentil acolhida a todos nós; aos nossos homenageados in memoriam, Coronel Romeu de Carvalho Pereira e Capitão Alaor Godoy, respectivamente do Centro de Formação e Aperfeiçoamento e da Escola de Oficiais, e Coronel Edson Tenório dos Santos, presente, nosso Comandante de Pelotão no Primeiro Ano de Curso Preparatório.

Aos novos Cadetes e aos seus Pais, nossa mensagem de esperança, de fé, no futuro brilhante reservado aos seus filhos, para a continuidade da renovação e do aperfeiçoamento da segurança da sociedade paulista e brasileira.

Só sucesso, sempre!

 EXALTAÇÃO À POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO

Eu te exalto – Polícia Militar do meu São Paulo
e  te sinto minha
glorioso de tuas glórias
orgulhoso de tua História...
eu te exalto
          na visão esplêndida
                              de tua origem heróica
                              de tua caminhada magnífica
                              de teu testemunho de raça...
Nasceste num momento
de Pátria balbuciante...
                     marcada para ser forte
                     pra crescer...pra amar...
                     marcou-te a fronte audaz
                     Feijó – o Homem inteiro
                     sagrou-te a alma sábia... Tobias de Aguiar!
                     e seguiste a picada
                     aberta das Bandeiras
                     cresceste com São Paulo
                     na cava das trincheiras
                                                 teu vulto se estendendo
                                                 por sobre a Pátria inteira...

Eu te exalto – Polícia Militar do meu São Paulo
                                                 e te contemplo...
              carregando o pavilhão verde-dourado
              pelos campos sagrados de minha terra
              machucado pela sanha paraguaia...
              carregando o pavilhão verde-dourado
              na santa guerra da paz e da união
              quando irmão se levanta contra irmão...
e te encontro nos pampas e no norte
nas praias, nas cidades, nos sertões...
                                        em Vaza-Barris distante
                                        na senda de Camisão...
e choro contigo em Venda Grande...
eras ainda uma criança...
                       e São Paulo era batido
                       e com Feijó caia pela vez primeira...

Eu te exalto – Polícia Militar do meu São Paulo
Gloriosa Força Pública de São Paulo de 32!
Lembras-te? Como fostes grande?
             Alegra-te!
             Como sofrestes... Lembras-te?
São Paulo de 32... São Paulo vergastado pela tirania
                 Pisada e traída a terra dos Andradas
                 Humilhado como nunca o pendão das treze listas...
SÃO PAULO SE LEVANTA e... caminha... TODO!
Lembras-te? Eras tu, Polícia Militar,
                                     que à frente caminhava
                                     a transmitir força
                                     a comunicar confiança...
e o que possuias, então?
                          por arma – Coragem
                          por lema – Direito
                          por escudo – Verdade
                          por divisa – Pátria
Eu te admiro – Polícia Militar do meu São Paulo
                              quando teus ideais
                              se identificam e se confundem
                              com os ideais da gente paulista...
Eu te admiro, sobretudo
                      quando ofereceste
                      em holocausto de dor
                      o melhor que possuías
                                                    o sangue de teus filhos
                                                    derramando sobre a Pátria
                                                    a seiva da redenção...
e eu me lembro de Marcondes Salgado
e eu me lembro do Major Marcelino
                                        tombados no amanhecer da luta
                                        no desespero terrível
                                        de salvar esta nação...
Eu te exalto e te saúdo
Polícia Militar do meu São Paulo...
                                    nos teus 150 anos de existência
e hoje te contemplo
                     na grandeza , nas dimensões incríveis
                     desta terra de Paes Leme...
e eu te encontro a cada passo
                              nos teus filhos por aí
                              em todo canto, por toda parte
                              velando por todos nós...
                              guardiães silentes, serenos
                              trazendo no garbo, nos gestos,
                                         todo um passado de honra
                                         e, na fineza do trato,
                                         um toque muito gaulês...
e eu te encontro, a cada passo
            na solidão dos que edificam,
            na incompreensão dos que constroem,
            no anonimato dos que servem...
e te encontro também
            na confiança dos que crêem,
            na justiça dos que entendem,
            na compreensão dos que sabem...

Eu te exalto – Polícia Militar do meu São Paulo,
                     e te sinto minha...
                     glorioso de tuas glórias,
                     orgulhoso de tua História...

Maria Izabel de Carvalho Cunha
Bauru, dezembro de 1980