domingo, 5 de junho de 2011

OS HERÓIS ESQUECIDOS E OS HERÓIS DA ATUALIDADE

OS BOMBEIROS. Doc. nº121 – 2011


WWW.FORTALWEB.COM.BR/GRUPOGUARARAPES

MEUS DEUS! Estamos com os olhos em 1963. Teresina. Polícia Militar revoltada. Exército agindo com toda cautela para não agredir os companheiros de farda. Causas imediatas: fome e politicagem. A oposição mandando até boi para que a greve não parasse. O Eminente e grandioso Bispo Don. Avelar Brandão Vilela, que homem, atuando com sua força moral. Prisões feitas. Volta a calma e o coordenador do atual GRUPO GUARARAPES foi designado para comandá-la. Rebenta a revolta no RN. Mesmas causas. Vai comandar o amigo que perdeu grande parte da mão na explosão da bomba colocada no aeroporto dos GUARARAPES. Era a esquerda querendo o Poder pela força. ERA TERRORISMO, MESMO.

Já se passaram 47 anos e o mesmo quadro no RIO de Janeiro. Lá no Piauí a fome matou três filhos de um soldado. Aqui não sabemos. Se o bombeiro morrer, defendendo a sociedade, a família ficará com uma pensão miserável, mas se foi um preso todos os direitos lhe serão dados e cada filho menor ganhará acima de 800 reais. EM TODA CONFUSÃO ONDE SE ENCONTRA O GOVERNADOR, PARECE QUE É COINCIDÊNCIA, EM PARIS.

Que os bombeiros não poderiam fazer greve, sim, mas o governador não precisa morar em Paris. O grave é que ele nunca foi a um quartel. Nunca mandou um cartão de agradecimento nos dias das mães, mas para os chefetes politiqueiros não deve faltar nada. Será que o governo sabe quantos policiais morreram no ano 2010? Por que aparece dinheiro para eleição e não aparece para evitar os desastres dos morros?

O GRUPO GUARARAPES não aceita que morro seja lugar de bandido como soldado de Polícia é desqualificado na escala social. Tudo isto é falso. São famílias inteiras dignas que poderiam entrar em qualquer lugar do Brasil. Parece, sim, que lugar de bandido é a Casa Civil da República. Quantos escândalos e nenhum preso. As revoltas dos bombeiros e de outras categorias são muitas vezes as reações contra a corrupção direta ou indireta existente no País.

Alguém pode justificar as razões LÓGICAS porque um escolhido, pelo Deus do Palácio, para ser Conselho da Petrobrás, ganhe 70 mil reais por mês, uma sessão por mês e um bombeiro 900 reais como saiu no jornal? Algo está errado e é por isso que acontece as revoluções. Falta justiça.

É COM TRISTEZA QUE ESTAMOS VENDO O QUE VIMOS EM 1963. É COM TRISTEZA QUE ASSISTIMOS A POLITICAGEM DOMINAR NOVAMENTE O BRASIL. A CANALHA VAI À PARIS E O POLICIAL MORRE NA DEFESA DA SOCIEDADE.

O ROUBO CAMPEIA. A MORTE RONDA. A MENTIRA DOMINA. OS CRETINOS GOVERNAM. A SOCIEDADE SOFRE. O POLICIAL MORRE. O BOMBEIRO APAGA O FOGO. AS FORÇAS ARMADAS CALADAS. E OS POLITIQUEIROS ATRÁS DE CARGOS E A NOSSA PRESIDENTE, PARECE, SE ENTREGA AO EX-PRESIDENTE.

ASSIM, O BRASIL AFUNDA E O MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO ACABA ESCREVENDO BRAZIL COM Z.

VAMOS REPASSAR! A INTERNET É A NOSSA ARMA!

ESTAMOS VIVOS! GRUPO GUARARAPES! PERSONALIDADE JURÍDICA sob reg. Nº12 58 93. Cartório do 1º registro de títulos e documentos, em Fortaleza . Somos 1.795 civis – 49 da Marinha - 474 do Exército – 51 da Aeronáutica; 2.369. In Memoriam 30 militares e dois civis. Batistapinheiro30@yahoo.com.br. WWW,fortalweb.com.br/grupoguararapes. 8 DE JUN - 2011

INDIQUE AMIGOS QUE QUEIRAM RECEBER NOSSOS E-MAILS. OBRIGADO

REPASSE. O BRASIL PRECISA CONHECER A VERDADE!


MAJOR PM WALDEMAR relembra, com muita propriedade, de um episódio que aconteceu em janeiro de 1961, onde houve em SÃO PAULO uma rebelião dos bombeiros, por causa de campanha salarial não atendida pelo governador, na época, CARVALHO PINTO. Baseado em fatos vividos naqueles dias, que constam de minhas memórias, encaminhei para o GBB uma matéria intitulada HERÓIS ESQUECIDOS!. Esses mesmos heróis merecem ser lembrados nos tempos atuais, pois agora temos outros heróis no RIO DE JANEIRO. É lógico que talvez muita gente os considere baderneiros, mas para mim vejo o movimento como algo inerente a uma causa que não se resolve com palavras e sim com ações. Podem ser punidos, expulsos, mas não deixam de ser homens de valor por abraçarem um justo movimento em busca de algo que beneficiaria todos. Vejam vocês que basta metroviários, bancários, professores e outras classes entrarem em greve e prontamente tudo se resolve com “acordos”. Na PM não se pode fazer isso porque é proibido e, sendo proibido, nunca seremos atendidos!


Diz o MAJOR PM WALDEMAR:

Coronel Luiz Alves, Coronel Corrêa de Carvalho é sempre um prazer, mesmo virtualmente, conversar com os senhores. Encontrei em meus artigos o texto do Coronel Mário Ventura sobre o ocorrido, onde também consta o do senhor Cel. Corrêa de Carvalho e um meu.

Como sabemos, todo fato sempre tem várias versões. Creio que entre os oficiais do Grupo, provavelmente, uns ou alguns deles, em especial os que militaram no Bombeiro e quem sabe até vivenciou o momento, possa nos trazer mais pormenores.

Pelo que me consta, não houve mortes. Também tenho certeza que fomos apenas dois Guardas Civis a entrar no Q.G. dos Bombeiros. Quanto às punições e demissões perdoe me o Coronel Luiz, creio também não ter havido, pois houve uma anistia e caso elas tivessem acontecido, com certeza , os bombeiros não aceitariam passivamente. De minha parte fiquei oito dias preso, dois na Guarda e o resto no Regimento de Cavalaria.

Como disse há várias versões e a minha pode estar errada.

Em meu último E-mail, disse sobre as más notícias de nosso dia a dia. Hoje completou a semana com a revista VEJA. De cada cinco páginas duas é sobre corrupção e violência no mundo.

O Rio de Janeiro está no seu limite. Nossas fronteiras escancaradas. Nossa corrupção generalizada. A mentira não é exceção, virou regra. O BASTA! que já deveria ter sido clamado , está cada vez mais distante. Não sei qual será o fim disto.

Caros Coronéis, amigos oficiais, Nosso Moderador, tenham todos uma boa semana.

Sent: Friday, January 14, 2011 12:33 PM

Subject: Fw: [grupobarrobranco] HERÓIS ESQUECIDOS

Nosso Moderador, Coronel Ciapina, nosso sempre presente, Coronel Corrêa de Carvalho. Ao ler a matéria postada pelo Sr. Coronel Mário Fonseca Ventura, aliás, registro aqui, como é impressionante a marca deixada na ativa, e agora também na reserva, pelo Sr. Cel. Mário Ventura. È unanimidade! Excelente comandante, humano, inteligente, bom ,sem ser" bonzinho". Não tive a oportunidade de com ele trabalhar, mas todas as vezes em que seu nome é referido, em nossas trocas de email, (Oficiais do GBB.) é, só elogios. Feliz o homem que pode deixar uma História como esta na Corporação e tal herança para seus filhos, netos.e oxalá seus bisnetos. Com meus setenta e dois anos de vida, quase três décadas na inatividade, não tenho porque estar bajulando quem quer que seja, mas tenho e temos que dar o valor aos que por ele fizeram jus.

Por que entro eu nessa passagem de janeiro de 1961?

Um colega e eu estávamos fazendo patrulhamento à pé, na Praça Clóvis, fardados, e por volta das 21.00 horas vendo o movimento no interior do Quartel dos Bombeiros, sugeri ao meu colega que entrássemos. Ele topou, e lá fomos .

Um Capitão nos recebeu, e perguntou o por que de estarmos alí? respondi que se de manhã. Quando a Guarda Civil soubesse, sem dúvida iríamos ter um bocado de adesão. Ele achou boa a idéia. Fomos tratados super bem, acompanhei o diálogo da Dep. Ivete Vargas, com os oficiais.

Quando amanheceu, antes que os Guardas Civis soubessem que lá estávamos, eis que o Exército, fecha o portão de entrada e posicionam as ponto 30 e ponto 50 para o Quartel.

Não houve absolutamente temor dos que lá estavam. Com calma e altivez, tomaram a decisão de deixarem o Quartel. A mim , um Capitão colocou uma escada no forro e mandou que eu saísse pelo telhado. O outro guarda saiu no fundo de uma ambulância. Saí pelo telhado, cai na rua Tabatinguera, e quando cheguei em minha pensão, lá já estava o serviço reservado da Guarda. Não deu outra. Cana!.

Fui transferido depois para o Regimento de Cavalaria, ainda preso e interrogado por uns “paisanos" que entenderam que não havia em mim nenhum propósito ideológico, simplesmente o fato de que eu não julgava certo, estarem os Bombeiros quase sozinhos, a brigar por uma causa de todos nós.

Se não houvesse a Anistia, babaú meu emprego, e para a felicidade dos senhores, não estaria aqui com esse Blá blá, bla.

A empreitada valeu. O Governador Carvalho Pinto, nos deu um aumento que mudou nosso padrão de vida.

Pessoalmente, nas idas e vindas, acabei dando com os costados em um Batalhão de Santos. Apresentei me ao Cmt. Major Malvásio. Olhei e disse lhe: conheço o sr. Ele: de onde ? Eu: não foi o sr.que colocou um guarda pelo forro, tal, e tal?. Olhou para minha cara, reconheceu no ato. Enquanto estive em Santos, aonde ele ia, fazia questão de me levar. Ninguém entendia nada, pois até então o Major Malvásio, tinha um " quezinho " com guardas . Mudou. Como esta vida da suas voltas!.

Me orgulho dessa passagem, e por ter sido um graozinho entre aqueles bravos bombeiros, inclusive a determinação dos oficiais, dentre eles nosso saudoso Coronel Malvásio.

Nosso Nobre Cel. Mário deve ter esses registros. Fiquem na Paz do Senhor.

From: carvalhorama@gmail.com

To: grupobarrobranco@grupos.com.br

Sent: Friday, January 14, 2011 3:48 AM

Subject: [grupobarrobranco] HERÓIS ESQUECIDOS

Amigos / Irmãos do GBB,

Agradeçamos ao Amigo / Irmão, Coronel Mario Fonseca Ventura, o privilégio de termos nele um verdadeiro relicário das memórias (DIÁRIAS) de nossa Corporação e da História de São Paulo e do Brasil.

Como "projeto de calouro do Cepezinho", fui testemunha de muitos desses fatos (lembro-me bem dessa bandeira preta no topo da escada magyrus e de um canhão do EB apontado para a entrada do Quartel do CB, na Praça Clovis) pois estava fazendo uns reparos de dentes por ter ficado em observação nos exames de saúde.

Corrêa de Carvalho

De: Mario Ventura

Data: 13 de janeiro de 2011 22:59

Assunto: HERÓIS ESQUECIDOS

Para:

MEUS AMIGOS (AS)

Sei que os tempos são outros. Mas considero o episódio de 1961 algo que deve ser do conhecimento de todos.

CORONEL PM MARIO FONSECA VENTURA
carvalhorama@gmail.com




Caros Amigon / Irmãos,





Apenas para reforçar o que diz o Amigo / Irmão Waldemar (mesmo que desnecessário por ele mesmo ter estado por lá!) assim como para sugerir ao Amigo / Irmão Luiz Alves para pesquisar mais algumas fontes sobre os fatos (eu estava apenas ingressando na Força Pública, mas acompanhei com muito interesse e até "convivi", já no "velho CFA", com parte dos oficiais presos, numa clausura provisória antes de seguirem para Itaipu e outros destinos).





O Cmt Geral que assumiu foi o Coronel EB Oldemar Ferreira Garcia e ninguém morreu nem houve invasão, mas, sim. intervenção federal (sem necessidade de uso de força: não houve resistência) a pedido do Governador Carvalho Pinto.





Lembro-me, ainda candidato a bicho, de uma estarrecedora manchete de jornal pendurado numa banca: "ATIREM PARA MATAR", como ordem do governador à sua segurança (no Palácio dos Campos Elíseos) então feita pela Guarda Civil. Isto na véspera ou no dia de um panelaço que seria (ou foi) feito pelas famílias dos milicianos grevistas (aqui os neurônios restantes me falham).





É possível que o Amigo / Irmão MARIO VENTURA "Alves Caminha" tenha mais alguma curiosidade fática do episódio.





Forte abraço.





C de Carvalho
Amigos Coronel Correa de Carvalho e Major Waldemar


Como sabiamente os dois Amigos falaram, esse assunto carece de mais fontes, pode ser até que os meus amigos que estiveram lá, podem ter tido uma visão diferente dos fatos ou eram também todos mentirosos, o que posso dizer mais é que estes fatos estão registrados no Acervo Publico do Estado, quando foi catalogado pelos espelhos e planilhas do DOPS, que também foram tendenciosas, conforme esta abaixo.

Se a intervenção federal não foi a tomada do comando a força, deve ter sido uma grande festa e é por isso que muitos ainda gostam dos coroneis eb daquela época.

Forte abraço

luiz alves

Do AESP:

"Deputados do PTB como Ivete Vargas, Frota Moreira e Luciano Lepera[1] visitaram os manifestantes na Praça Clóvis Bevilacqua. Um oficial-médico da FP em conversa com um ao investigador do DOPS, teria dito: não adianta! Desta vez o governo e o exército ganharam a parada! Vamos ver, porém, a próxima, como será; agora que temos o apoio do povo e do operariado[2].

O protesto dos policiais se agravou ainda mais, quando dois bombeiros morreram, em serviço no dia quinze, e o Exército antecipou o enterro deles para evitar tumultos, embora tenha havido protestos políticos. No cemitério, um oficial do corpo de bombeiros discutiu com investigadores do DOPS, uma vez que indignado, com a presença deles, exigiu-lhes retirada, pois sabia que estavam ali apenas para coletar informações que poderiam ser utilizadas contra membros da Força.

Ainda no dia quinze, o governador convocou a SSP para analisar os acontecimentos. O IIº Exército cercou o QG dos bombeiros e assumiu o comando da tropa. Os deputados Frota Moreira e Ivete Vargas, foram visitar QG dos bombeiros em apoio aos soldados, além de vários sindicatos e das Ligas Camponesas[3].

No dia dezesseis, houve passeata pacífica a favor da FP, porém momentos de tumulto ocorreram quando policiais tentaram agredir guardas da polícia feminina e um comissário do Juizado de Menores, pois queriam retirar cerca de cem crianças do protesto. Outra passeata iniciada, em apoio à FP, na Praça da Sé, foi realizada no dia vinte, com cerca de 800 pessoas, inclusive com a presença de líderes comunistas e deputados[4].

O Centro Social da Guarda Civil aderiu ao movimento grevista e distribuiu nota assinada pelo inspetor-chefe de divisão José Castilho[5]:

(...) se solidariza com co-irmã Força Pública e desmente declarações do senhor Diretor da Guarda Civil publicada no Diário da Noite de 14 de janeiro, pois elas não interpretam a realidade econômica reinante na corporação.



Dessa forma, um guarda de alta patente violou as normas disciplinares da GC ao afrontar, diretamente, seu diretor em público. Vários guardas-civis se apresentaram ao quartel dos bombeiros em solidariedade à greve, e 26 foram presos[6]. Tais fatos denotam que parcela da GC também era politizada, pois não receava demonstrar firme posicionamento político e apostava na pressão política junto ao governo para conquistar suas reivindicações.

No dia dezessete, o QG da Força Pública foi ocupado pelo Exército. Os policiais ficaram presos, nos quartéis, sob mira de fuzis, enquanto a FP permanecia em greve. 400 dos 600 homens do batalhão Tobias Aguiar não se apresentaram, e 700 oficiais foram presos na Academia do Barro Branco. As tropas do Exército permaneceram nas ruas de São Paulo, e em Santos, o Exército prendeu 50 oficiais.

[1] Luciano Lepera era membro do PCB, mas se candidatou pelo PTB nas eleições para deputado estadual, para o mandato de 1959-1963.

[2] AESP, DOPS, 50-D-18, Pasta 9. Relatório do Departamento de Investigações, 14 de jan. de 1961.

[3] AESP, DOPS, 50-D-18, Pasta 9. Diário Popular, 16 de jan. de 1961.

[4] AESP, DOPS, 50-D-18, Pasta 9. Diário de São Paulo, 17 de jan. de 1961.

[5] AESP, DOPS, 50-D-18, Pasta 9, Diário Popular, 16 de jan. de 1961

[6] AESP, DOPS, 50-D-18, Pasta 9, Diário Popular, 16 de jan. de 1961. AESP, DOPS, 50-D-18, Pasta 9. Relatório do DOPS de 16 de jan. de 1961.
Meus amigos


Não poderia me calar ante a lembrança do MAJOR PM WALDEMAR. O caso dos bombeiros do RIO é algo muito serio e que poderá se repetir novamente e, talvez, de maneira muito mais trágica. Acabo de colocar em minhas memórias a mensagem do WALDEMAR e inclusive acabei de lançar no meu blog. Precisamos nos sensibilizar com essas ocorrências, pois elas já aconteceram em SÃO PAULO. Não só o episódio de 1961, quando eu era cadete, mas também o de fevereiro de 1988, quando eu era Tenente-Coronel. Em 1988 fui promovido a Coronel e designado Comandante da Unidade CPA/M-1, justamente onde aconteceram os fatos. Abrimos Conselhos de Justificação para os oficiais e Conselhos de Disciplina para as praças. Somente quem viveu aqueles meses terríveis é que poderão aquilatar o que de mal advém de atos não considerados pelas autoridades governamentais na época certa. Mas também há registros de fatos idênticos em outros Estados. Os bombeiros do RIO estão há meses lutando por melhores salários. O governo demonstrou total insensibilidade nesses manifestos e agora culmina por prendê-los e até ameaçá-los com expulsão. Imagine o drama que isso causará para aqueles que serão imolados nessa causa. Serão vítimas simplesmente ou serão heróis por terem a coragem suficiente de lutar por seus semelhantes em situação de aflição por um salário irrisório? Para nós cabe acompanhar de perto os acontecimentos, pois poderá haver desdobramentos perigosos daqui por diante. Já reformado há quase vinte anos deveria ficar quieto em meu canto, pois os tempos são outros. Acontece que tenho a consciência viva de que ainda poderei ser útil de alguma maneira, principalmente na continuidade de minhas memórias que lanço agora em blog para o conhecimento de todos. Não pretendo ganhar nada com isso, mas sim ajudar os pósteros a ter um comportamento mais adequado, mais coerente com seus cargos. Hoje é muito comum fazer do cargo público motivo para enriquecimento e projeção, sem pensar nos seus semelhantes. Deveria ser bem diferente: eles estão a serviço do povo e não o povo está a serviço deles. Verdadeira inversão de valores.
Meu amigo Coronel Luiz Alves, faço 73 em agosto do corrente. Em uma rápida recapitulada tenho várias ações, atitudes, que me fazem envergonhar e que não posso voltar lá atrás e muda lãs. Nada grave, coisas da imaturidade.

DIZ O MAJOR PM WALDEMAR:
Nesta dos Bombeiros, não me vejo como um azarado, como o senhor diz. Embora com apenas de 22 para 23 anos fiz o certo e repetiria o gesto fosse ele por um causa justa, como aquela. Meu ideal não era político embora muitos dele imbuídos aproveitaram a ocasião, como acontece ainda hoje, MST. Carajás, ou se mais próximo e que nos dizem respeito o movimento da Polícia Civil, com a qual nos confrontamos. Quantos da esquerda ou políticos não fizeram suas aparições.

Meu posicionamento político é claro, sou de centro direita e caso não o fosse, não estaria tão indignado com tanta barbaridade, pois são os da esquerda que assim preferem, por motivos óbvios.

Ficar preso por oito dias e ter o resultado alcançado, foi um orgulho, embora com um mínimo de participação.

Mandela ficou 27 anos em uma prisão. Não perdeu seu ideal e conseguiu mudar um quadro secular, o do racismo. Ver seu objetivo realizado, tenho certeza estar ele recompensado. É justamente isto que me faz pensar. Como um homem dentro de uma prisão consegue esta mudança , e nós homens livres, responsáveis pelo País , pelos nossos filhos e netos , continuamos omissos, ante tanta avidez dos poderosos tirando dos menos favorecidos o mínimo necessário à sobrevivência.

Coronel Mário Ventura, obrigado pela deferência. Quando escrevi sobre o senhor isto que aí está, não o conhecia pessoalmente, Após nosso encontro em Indaiatuba passei a admirar esta sua grande qualidade, a modéstia, a humildade, que faz do senhor um brilhante ser humano. Este brilho é luz. É da Alma. Isto simplesmente não passa, marca.

Coronel Luiz Alvez, Também sou seu admirador .É bom lidar com pessoas transparentes. Quantos foram os comandantes que muitos de nós trabalhamos, que eram sorrisos e tapinhas nas costas, mas na hora do vamos ver, vinha aquela famosa frase " se vira " .

Reitero meu desejo de boa semana a todos.
O flagelo dos nossos heróis bombeiros!


Ao ver as fotos dos bombeiros recolhidos na Corregedoria da Polícia Militar (PM) em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, para onde 439 foram conduzidos na manhã de sábado, presos no Quartel Central do Corpo de Bombeiros, no centro do Rio de Janeiro, logo me veio à memória os meninos de rua que diariamente os vejo atirados em calçadas como uns cães vadios, muitas vezes sem a proteção de uma marquise, dormindo ao relento.

O quadro é visto em qualquer ponto da cidade do Rio de Janeiro. As horas se passam, 12, 13, 14 horas, e lá permanecem, cobertos com uns trapos imundos, pele encardida, rostos magros, o retrato da fome e da miséria. Alguns se atrevem a abrir os olhos, e levados pelo chamamento do estômago, levantam-se e caminham trôpegos na direção de um cruzamento de rua, à frente de um sinal de trânsito.

- Uma moedinha. Qualquer coisa. Ainda não comi nada hoje! Implora o garoto, que é a própria imagem de um morto que saiu de uma tumba.

Assim me pareceram os nossos bravos soldados do fogo. Um amontoado de homens atirados pelos cantos de recintos fétidos, para onde foram jogados como uns trates imprestáveis. Confesso que meu coração apertou. Segurei as lágrimas!

Por que nós brasileiros somos tão esquecidos com os nossos heróis! Não nos damos conta que são esses homens que hoje no desespero da fome, sobrevivendo com um salário de miséria, surgem, como por encanto, numa retenção de trânsito, para socorrer uma vítima que foi atropelada, que está presa nas ferragens de um carro. Um socorro que é quase automático. E aí assistimos as vítimas sendo imobilizadas e transportadas rapidamente para o hospital mais próximo.

E com que alegria esses homens ficam ao perceberem que chegaram em tempo de salvar uma vida! Uma vida que poderá também ser salva dentro de um lago, no leito de um rio, nas ondas bravia de um mar. Se é o fogo que se alastra e tem uma pessoa presa dentro de um carro em chamas, ou no interior de um prédio, pode contar que o bombeiro não pensará duas vezes para salvar essa vítima. É parte de seu trabalho salvar vidas. Até uma criança às vezes vem ao mundo nas mãos de um bombeiro transformado em um médico obstetra.

É o dever que os levam a ter múltiplas capacidades, múltiplos corações para abraçar a todos que precisam de sua ajuda. E o que nós fazemos em troca de tanta dedicação? O que se passa pela cabeça do governador do estado do Rio de Janeiro para agredir com palavras estes homens valorosos? Chamá-los de ‘VÂNDALOS’ porque brigam por um aumento de salário; dinheiro que dê-lhes garantia mínima de sustentabilidade para a sua família?

Os bombeiros neste momento de luta por melhores condições de vida, querem apenas ter a tranqüilidade de poder sair de casa sem a preocupação outra, senão com a de salvar vidas!

Nesta refrega por melhores salários uma criança morreu. A mãe abortou, desesperada ao ver o esposo bombeiro ser conduzido preso para fora da cidade do Rio de Janeiro. A mãe de outro bombeiro não resistiu à emoção e enfartou. Duas vidas perdidas!

Não salvamos estas vidas. Nós as matamos!

Paremos de maltratar quem nos ajudam a sobreviver!

José Geraldo Pimentel

Cap Ref EB

Rio de Janeiro, 05 de junho de 2011.

RALPH UM DOS HEROIS ESQUECIDOS

A TOMADA DOS CAMPOS ELÍSIOS



Em 1967, fui convidado a dar aulas de Educação Moral e Cívica em um ginásio, matéria esta que a Revolução havia “ressuscitado”. Um dos requisitos era apresentar o Atestado de Antecedentes Políticos.

Nenhuma dificuldade, pensei e o requeri ao Departamento de Ordem Política e Social, DOPS. Qual não foi a minha surpresa quando ao receber tal atestado, pois este acusava que eu tinha antecedentes.

Procurei um delegado, amigo meu daquele Departamento, e juntos fomos até o fichário. Numa enorme sala atravancada de imensas prateleiras, encontramos o meu prontuário e dentro dele, num papelucho verde escrito à mão, constava: respondeu a dois IPM por rebelião, em 1961.

_Ah! Aquela rebelião...



Era o ano de 1961, nós havíamos saído de um governo de arrocho geral para entrar em outro, que era, praticamente, a continuação do anterior, pois este governador, o professor Carvalho Pinto, havia sido Secretário da Fazenda de Jânio Quadros. Ambos haviam elegido como meta principal a “restauração das finanças públicas” e quando isto acontece se reduzem drasticamente as verbas de investimentos e se cortam as despesas de custeio. A Força Pública foi uma das eleitas para sofrer estes cortes.

Vivíamos numa situação de penúria franciscana em todos os setores: a nossa frota de transporte de tropa se constituía de uns poucos caminhões com mais de vinte anos, o que nos obrigava a longos deslocamentos a pé, não só pela falta de viaturas, mas, também, pelas constantes quebras; as viaturas leves não passavam de meia dúzia de jipes, além dos velhos carros dos comandantes dos batalhões; a tropa andava mal vestida, pois raramente recebia as peças de uniforme, mesmo aquelas mais básicas; a falta de efetivo obrigava ao emprego de escalas de serviço cada vez mais apertadas, com horários de vinte e quatro de serviço por vinte e quatro de folga, também conhecido por vinte e quatro por daqui a pouco, pois era comum a folga ser intercalada com serviços extras de guardas de honra, prontidões, repressão a grevistas etc, acabando por se transformar, de fato, em apenas o intervalo entre dois serviços – no entender de alguns comandantes, a folga não era um direito, mas uma concessão; a situação financeira de todos era calamitosa, chegando o soldado a ganhar menos que o salário mínimo - foi à época em que ocorreram mais suicídios, especialmente de oficiais.

Como a nossa mão de obra era barata e disciplinada, não rejeitando nenhuma missão, era utilizada para um cem número de atividades, que nada tinham a ver com as nossas funções, destacando-se, como exemplo, o batalhão formado para cortar os laranjais do Estado atacados de canto cítrico, o que reduzia, ainda, mais o minguado efetivo. Ante a carência de oficiais, a Administração decidiu pela compressão do curso de duas turmas da Escola de Oficiais: os alunos, que terminariam o curso em dezembro de 1957, o fizeram em agosto e a nossa turma, que sairia em dezembro de 1958, foi declarada Aspirante a Oficial a 21 de abril. Entretanto, o governo no seu pragmatismo amoral, decidiu que se os Aspirantes podiam fazer tudo o que os tenentes faziam ganhando menos, para que os “promover”. Assim, chegamos a ter Aspirantes de três turmas distintas: os primeiros colocados da minha turma foram promovidos a tenente no começo de 1961, quando já havia as turmas de Aspirantes de 59 e 60.

Por estas e outras razões, ocorreram inúmeros atos de “rebeldia” coletiva de oficiais, que geravam prontidões constantes, forma adotado pelo Comando para evitar as reuniões de oficiais. Outra medida era prender os oficias e remetê-los para Unidades do Interior, como foi caso em que mais de cinqüenta oficiais foram mandados para o 5° Batalhão de Taubaté.



Era uma tarde quente, de uma terça feira de janeiro, por isso coloquei a farda, saia e blusa – calça de gabardine cinza chumbo com a túnica branca de linho, - e me despedi de minha mulher antes de partir para a Assembléia Legislativa, afirmando que voltaria para o jantar, mal sabendo que só voltaria para casa quase um mês depois.

Havia uma grande dose de razões para esse meu otimismo: líderes do PTN,( Partido Trabalhista Nacional), partido majoritário e de sustentação do Governo, haviam garantido a aprovação do projeto de lei que concederia um bom reajuste nos nossos vencimentos, por isso todos os oficiais de folga compareceram à Assembléia, que ficava no antigo Palácio das Indústrias, no Parque D. Pedro II.

. A sessão começou por volta das três horas da tarde com o plenário cheio de oficiais, todos fardados, mas o tempo era em discursos protelatório. Questionados, os deputados do PTN disseram que somente poderiam votar a nosso favor com o aval do líder do partido, o deputado Emílio Carlos, que ninguém sabia onde se encontrava. Um grupo de oficiais passou a correr pelos quatro cantos da cidade à procura do dito cujo em buscas infrutíferas. A discussão varou a noite e já praticamente amanhecendo o dia, com o clima tenso, em que quase ocorreram agressões entre deputados e oficiais, a sessão foi suspensa, sem que o projeto fosse votado. A DPM, (Departamento de Polícia Militar), tropa disciplinar da Força Pública, cercou o prédio e a maioria dos oficias foi para os seus quartéis combinando-se uma reunião para à tarde, pois na quarta feira à tarde não havia expediente. Entretanto, os oficiais do Corpo de Bombeiros, chegando ao Quartel, decidiram parar o serviço e recolher toda a tropa destacada para a “Central” na Praça da Sé. Conclusão: outra prontidão acompanhada da intervenção do Exército no CB.

No sábado, pela manhã, os Bombeiros foram autorizados pelo Coronel interventor, a retornarem aos seus quartéis.Quando a tropa do 1º Grupamento ia saindo, alguém gritou: “Vamos para o Palácio”, e todo efetivo do Corpo de Bombeiros, com as respectivas viaturas, dirigiu-se ao Palácio do Governo, que ficava nos Campos Elísios, cercando-o. Nós, do Batalhão de Guardas, o antigo BG, ao qual pertencia a guarda palaciana, recebemos ordem de mandar reforço para garantir a segurança do Palácio. Quando o reforço pedido preparava-se para o embarque, quatro oficiais se postaram à frente da tropa, os tenentes Catalano, Plínio Vaz, o Aspirante Aquiles Craveiro e eu, conclamando-a para que não fosse participar da repressão aos Bombeiros rebelados. Ante a indecisão dos soldados, um sargento antigo saindo de forma gritou:

-Os tenentes já não deram a ordem, o que vocês estão esperando? Vamos desarmar.

E o reforço não saiu.Ao tomar conhecimento do fato, o Comandante do Batalhão determinou que nós quatro nos recolhêssemos presos ao alojamento.

A notícia da rebelião dos bombeiros correu como um rastilho de pólvora e oficiais de várias Unidades também decidiram paralisar os serviços, o que levou o Comando do II Exército a intervir em toda a Corporação, determinando a prisão dos rebelados e o seu recolhimento a Quartéis do EB, sendo que posteriormente todos foram todos levados para o Forte do Itaipu, na Praia Grande.

Quando nós quatro estávamos embarcando no ônibus, que trazia presos os oficiais do Regimento de Cavalaria com destino às Unidades do EB, as praças, que estavam em forma no pátio do quartel ouvindo o Comandante, saíram em peso para a rua e cercando o ônibus gritaram: “Se os tenentes forem presos nós também vamos”.Ante tal impasse, o Comandante mandou, novamente, que nos recolhêssemos presos ao alojamento.

À noite, durante a revista do recolher, nós, escolhemos os sargentos com mais liderança e os orientamos para que na manhã seguinte não houvesse ninguém no quartel e assim foi feito: à revista da manhã, só se encontravam uns poucos deserdados que não tinham nenhum canto para onde ir.

Conclusão: respondemos a dois Inquéritos Policial Militar, (IPM), mas como todos estavam de acordo que a situação da Força Pública não podia continuar como estava, os Inquéritos foram arquivados, pois que foram conduzidos de modo a não se concluir por crime, mas, apenas, por falta disciplinar: tomamos quinze dias de prisão, evidentemente, fazendo serviço, dada a carência de efetivo.

Mais tarde, os oficiais que foram presos no Forte Itaipu foram anistiados: nós, não.



O delegado, tomando o papelucho verde de minha mão, o amassou e o jogando fora disse:

“Agora você não tem mais antecedentes políticos”.

Ralph Rosário Solimeo – Cel PM ref.


Prezado Coronel Corrêa,

Complementando as mensagens anteriores e desta feita checadas em fontes primárias é o que segue:
A inquietação e o descontentamento da Força Pública já ocorria no ano de 1959. Tal situação perdurou durante o transcorrer do ano de 1960. No dia 08 de novembro de 1960 o Maj Médico Alberto Figueira Duarte acompanhado do Capitão Sérgio Vilela Monteiro (Asp 46) e do Tenente Jatir de Souza (Asp 49) fizeram na Assembléia Legislativa seus pronunciamentos críticando o descaso do Governador para com a Força e seus componentes. Isso resultou na prisão desses Oficiais e desencadeou a reação da Oficialidade. A evolução da crise e a pressão das tropas se agravou com o posicionamento dos Sargentos, que em assembléia no Clube dos Subtenentes e Sargentos, com significativa presença, decidiram hipotecar incondicional apoio e lealdade aos seus Oficiais. Ante o estado de rebeldia que crescia, o Comandante da Força, Coronel Geraldo Rangel de França, colocou, em 12 de novembro, o cargo à disposição. Naquela noite o Governador se reunião em caráter de emergência com o Comandante do II Exército, General Stênio de Albuquerque Lima, solicitando intervenção na Força e a designação de um Oficial para assumir o Comando, visto que predominava entre os Coronéis da FP simpatia pelo movimento. Foi designado para tal função emergencial o General Altair Franco Ferreira que assumiu o comando no QCG às 03:15 do dia 13 de novembro de 1960. O General permaneceu no comando até 24 de dezembro de 1960 quando a situação já estava sob controle, data em que passou o Comando para o Coronel do Exército Oldemar Ferreira Garcia. Com a crise controlada e atendimento das principais reinvidicações dos "rebelados" o movimento começou a se esvasiar findando em janeiro de 1961. Quanto aos Oficiais e Sargentos punidos consta haver sido anistiados, embora alguns se ORGULHEM dessa punição em seus assentamentos.
Prezado Coronel Corrêa creio ter completado o comentário.
Um grande abraço
Alvaro







 

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