domingo, 9 de janeiro de 2011

OS HERÓIS ESTÃO ESQUECIDOS

“Apesar de tudo ainda existem os que teimosamente se dão pelo Brasil, sem nada esperar em troca!”
José Geraldo Pimentel
Ser soldado é saber cumprir ordens, obedecer e, da mesma forma, ter o dom de comandar com firmeza, mas dentro de um espírito de camaradagem, que fazem comandados e comandantes lutar pelo mesmo ideal; isto é: servir à pátria sem nada esperar em troca. Apenas servir com amor, e se necessário, dar a própria vida no cumprimento do dever. Isto tem unido homens e mulheres através dos tempos, quer na desdita de um movimento denominado Intentona Comunista de 1935, quando dezenas de companheiros foram surpreendidos na calada da noite e covardemente assassinados enquanto dormiam.
Mas o soldado não se abate jamais. Na primeira metade da década de 40, brasileiros fardados foram mobilizados e enviados para os fronts de batalha em terras longínquas, do outro lado do Atlântico. Muitos perderam as suas vidas, outros tantos voltaram para suas terras mutilados, ou com problemas mentais. Tiveram uma linda recepção ao desembarcarem no país. Mas muitos são discriminados até hoje, e não gozam de um acompanhamento médico em um hospital militar. Eles perguntam:
“- O que fizemos para ser esquecidos pelos nossos próprios companheiros? Deveríamos ter morrido no campo de batalha? Somos uns estorvos para os que ficaram em solo pátrio esperando que defendêssemos a pátria comum, não permitindo que o inimigo avançasse até as nossas plagas, tomassem os nossos rincões, violassem as nossas mulheres e filhas... O que fizemos para sermos esquecidos?”
Estes bravos guerreiros não estão e nunca estarão sozinhos. Outros companheiros se atreveram defender a sua pátria, abortando uma marcha onde se prendia comunizar o país. Foram à luta no cumprimento do dever. Lutaram nas cidades contra um inimigo treinado em Cuba, na Albânia, em Moscou, e outras nações comunistas que queriam expandir o seu império pelo mundo afora. Esses guerreiros não lutaram só nas cidades. Foram à luta na densidade da selva amazônica. Deram combates a guerrilheiros. Mataram e foram mortos. Os que sobreviveram padecem do escárnio dos que não enfrentaram o inimigo com o seu sangue, a sua dor, o desamparo; jogados na mata cheia de répteis e insetos venosos. Doenças tropicais. Rasparam a cabeça para controlar a infestação de piolhos. Alguns sangravam a sua hemorróida, como um animal no cio. Mas não se vexavam e nem imploram para ser repatriados para suas unidades. O dever dizia que tinha que estar à frente de sua tropa, tinha que seguir seus companheiros, tinha que comandar homens...Não capitularam. Os que ficaram pelo caminho são porque foram abatidos pelo inimigo que os tocaiavam na servidão da noite fria, ou da noite quente. Do medo. Da surpresa. Do tiro que partia de onde não imaginavam que pudesse vir a bala fatal! Os que não morreram, estão hoje pagando a ousadia de cumprirem com o dever de soldado. Servem de escárnio. Alguns companheiros se acham melhores do que eles, e dizem de peito estufado: “Não fiz parte da Revolução de 1964!”
Os sobreviventes dessa guerra suja não recebem indenizações e nem pensões milionárias. E nem são tratados como ‘heróis nacionais’! Só o desprezo e o desamparo do chefe militar que se envergonha do militar que defendeu a pátria contra um governo que desejava transformar a república brasileira, em república sindicalista.
Hoje vejo nas manchetes dos jornais a sucessora do movimento de caça às bruxas, senhora Maria do Rosário, presidente da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, que sucede o senhor Paulo Vannuchi, dizendo que lutará para que seja aprovado no Congresso Nacional a “Comissão Nacional da Verdade” (projeto de lei, PL 7.376/2010).
Deseja-se fazer justiça de um via só, punindo os militares que ousaram dar combate aos comunistas que atentaram contra a soberania nacional. Os seus crimes não são levados em conta. Os fins justificam os meios, dizem. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, apóia a aprovação desse projeto. Aplaude a sua proposta. E vai longe. Vai indicar um dos terroristas que atuaram na guerrilha do Araguaia, José Genoino, para assessorá-lo no ministério. É o prêmio por ter atuado contra as Forças Armadas. O general Santa Rosa por ter protestado contra a criação desse arremedo de projeto, foi demitido da chefia do Departamento-Geral do Pessoal (DGP), e posto em indisponibilidade até ir para a reserva. Trair a nação, pode; defender as FFAA, sofre sanção disciplinar. Essa punição foi aplaudida pelo futuro assessor do ministério da Defesa. E não fica por aí a intolerância contra os que defendem a pátria brasileira. Um cacoete, instalado no ministério da Defesa, coronel da reserva João Batista Fagundes, que representa as Forças Armadas na Comissão de Mortos e Desaparecidos,- que, diga-se de passagem, não se empenha para que militares também sejam beneficiados com a ‘bolsa-ditadura’, -muito próximo do comandante do Exército, general Enzo Peri, afirmou que não há resistência para a criação da Comissão Nacional da Verdade. Diz:
“- Que se crie a Comissão da Verdade. O militar é um cumpridor da lei.” E não fica por aí. Fagundes cita como prova de entendimento entre civis e militares o convite que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, fez ao ex-guerrilheiro e ex-deputado federal José Genoino (PT-SP). O parlamentar deverá ser assessor especial de Jobim.
“- Quer demonstração mais eloquente que essa de pacificação dos ânimos?! Convidar um sujeito que, naquela época, foi declaradamente um inimigo!” Maior sem-vergonhice do que essa declaração, só partindo de um indivíduo desprovido de caráter. Um vendilhão da pátria, que como o ministro da Defesa, deve estar a soldo da cúpula que governa o país, querendo transformar a nação num arremedo de republiqueta.
Ser soldado é sofrer na solidão! É se dar pelo Brasil, sem nada esperar em troca!”
José Geraldo Pimentel
Cap Ref EB
Rio de Janeiro, 9 de janeiro de 2011.