domingo, 9 de outubro de 2011

MEMÓRIAS DO VENTURA: 9 DE OUTUBRO DE 2011

MEMÓRIAS DO VENTURA: 9 DE OUTUBRO DE 2011: D I A N O V E D E O U T U B R O D E 2011 – D O M I N G O. 74 anos, 9 meses e 12 dias de idade. Início de minhas memórias – 9 de julho de...

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MARIA CECÍLIA NACLÉRIO HOMEM - REPORTAGEM NO JORNAL DA TARDE DE 9 DE OUTUBRO DE 2011

MEMÓRIAS DO VENTURA

Ao ler o JORNAL DA TARDE, nesta manhã, deparo com uma reportagem com a historiadora e pesquisadora MARIA CECÍLIA NACLÉRIO HOMEM, conselheira da SOCIEDADE VETERANOS DE 32-MMDC e membro do CONSELHO CÍVICO E CULTURAL DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL.

Na página 12D – VARIEDADES – do JORNAL DA TARDE

MARIA CECÍLIA NACLÉRIO HOMEM, Historiadora e Pesquisadora

UMA GUARDIÃ DE MEMÓRIAS

A historiadora MARIA CECÍLIA NACLÉRIO HOMEM dedica-se a estudar os patrimônios de São Paulo desde a década de 70. Seu último projeto mapeou as características do bairro HIGIENÓPOLIS.

(marcela.silva@grupoestado.com.br)

Professora aposentada e historiadora, a paulistana MARIA CECÍLIA NACLÉRIO HOMEM tem uma missão: garantir que o patrimônio histórico e arquitetônico paulista seja preservado, ainda que em forma de memória por meio de suas teses e livros. Empenhada na tarefa desde a década de 70, sua maior aflição é ver, ano a ano, casarões antigos serem demolidos. E não são poucos. “O concreto predomina”, lamenta ela, que vive de referências datadas, mas não revela a do próprio nascimento. “Um hábito adquirido com minha avó”, brinca.

MARIA CECÍLIA anda orgulhosa com seu recém-lançado livro HIGIENÓPOLIS – GRANDEZA DE UM BAIRRO PAULISTANO (EDUSP). Garante até que as características do bairro são tão nobre que nem foram abaladas pela polêmica da estação de metrô, em maio deste ano. O episódio colocou moradores e freqüentadores em pé de guerra, e terminou num irônico churrasquinho no meio da rua. Decadência? “Não mesmo”, diz ela.

Você mora em HIGIENÓPOLIS? Qual a sua relação com o bairro?

Cresci na VILA MARIANA e hoje moro na BELA VISTA. Morei em HIGIENÓPOLIS por 7 anos e, na época, tive o luxo de trabalhar perto de casa, com arquitetos da pós-graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. Sou admiradora do bairro.

E por que se mudou dele?

Fui morar na ESPANHA e PORTUGAL. Percebi como os europeus valorizam seus patrimônios históricos. Já em SÃO PAULO, as pessoas não valorizam seus patrimônios, porque não conhecem a história. Me dói ver casarões, como os da Avenida PAULISTA, abandonados e saber que alguns paulistanos nem sabem que o D. PEDRO I está enterrado bem aqui na capital (no Museu do Ipiranga).

Qual foi o primeiro patrimônio que você pesquisou?

Voltei para o BRASIL na década de 70, com a vontade de fazer algo para mudar esse cenário. Comecei pesquisando sobre a VILA PENTEADO, na casa onde hoje funciona a FAU. Depois, estudei a história do bairro e parti para o Edifício MARTINELLI, meu tema de mestrado nos anos 80. Depois, na década de 90, fiz doutorado sobre nossos palacetes do século 19.

Esses palacetes ainda existem?

Pouquíssimos. Uns quatro de pé. No CAMPOS ELÍSEOS, Avenida PAULISTA, VILA MARIANA e HIGIENÓPOLIS. Este último é a capa do meu livro. Os poucos patrimônios históricos preservados da cidade foram doados pelas próprias famílias. Aqui se pensa muito em negócios. Hoje, predomina-se o concreto, sem um critério arquitetônico.

Qual é o melhor de HIGIENÓPOLIS?

O bairro preservou suas características. É um verdadeiro mostruário eclético da arquitetura da cidade. Tem um terreno plano, é muito arborizado e residencial. E isso tudo é um luxo numa cidade como SÃO PAULO. Além disso, a população, apesar de ser flutuante, é muito culta.

Há quem diga que o bairro está em decadência. É verdade?

De maneira alguma. Principalmente, por ter preservado estas características tão importantes. O bairro evoluiu de maneira muito positiva. Mas, neste ano, moradores protestaram contra a instalação da estação de metrô e o caso culminou até em protestos de quem era favorável. Alguns moradores estavam apavorados, porque, de uns anos para cá, o bairro passou a ter assaltos e a cracolândia foi se aproximando. Mas penso que um metrô seria ótimo para o bairro.

Quais bairros mais perderam suas características?

A MOOCA, que era um dos bairros industriais da cidade. Os prédios velhos foram quase todos destruídos. O mesmo vem acontecendo com CAMPOS ELÍSEOS, que é um museu a céu aberto, BARRA FUNDA e BRÁS.

Mesmo aposentada, continua pesquisando. É missão de cidadã?

Com certeza. É o que me realiza.