segunda-feira, 21 de novembro de 2011

MEMÓRIAS DO VENTURA: 21 DE NOVEMBRO DE 2011

MEMÓRIAS DO VENTURA: 21 DE NOVEMBRO DE 2011: DIA VINTE E UM DE NOVEMBRO DE 2011 - SEGUNDA-FEIRA. 74 anos, 10 meses e 25 dias de idade. Início de minhas memórias – 9 de Julho de 195...

HERÓIS e heróis - Por JOSÉ GERALDO PIMENTEL - CAPITÃO Ref EB

Heróis e heróis


Em 1964 quando as tropas comandadas pelo General Olympio Mourão Filho se deslocavam de Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro, os cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras foram armados e colocados na Rodovia Presidente Dutra (BR-116) para bloquear as tropas do 1.º Exército que subiam a Serra das Araras. O comandante da AMAN era o general-de-brigada Emílio Garrastazu Médici. Ele comandou pessoalmente a tropa de jovens futuros oficiais, fazendo o 1.º Exército estancar a marcha contra as tropas do general Mourão Filho. Naquele dia histórico iniciava-se a integração nacional de todo o Exército Brasileiro em torno de um único objetivo: consolidar a vitória sobre o governo que tinha sido deposto no dia 31 de março de 1964.

Enquanto a tropa do General Olympio Mourão Filho marchava em direção ao Rio de Janeiro, um avião se deslocava da Base Aérea de Santa Cruz, pilotado por um herói da Segunda Guerra Mundial, o aviador Rui Moreira Lima. O sobrevôo sobre a tropa o fez ver que lá embaixo haviam homens de verdade, e não os alemães que o fizeram ser uma estrela nos céus da Itália. Pela primeira vez na vida o herói deu meia volta e retornou à base com o seu avião carregado de bombas.

Ganharam de fato e de direito a batalha os cadetes da AMAN.

Aos que não se acovardam diante de situação de extremo perigo, os meus mais calorosos aplausos.

Vocês jovens cadetes fizeram bonito ao longo da carreira militar. Em seus currículos não consta nenhum momento em que tenham medrado diante do perigo. O Exército e a nação brasileira agradecem a sua intervenção naquele momento que serviu para unir ainda mais a instituição militar.

Os anos passaram-se. Os simpatizantes do governo deposto João Goulart não se deram por vencidos, e voltariam ao teatro de operações. Desta feita dispostos a implantar uma república do proletariado no Brasil. De armas nas mãos iniciaram uma onda de terrorismo e guerrilhas, levando intranqüilidade aos quatro cantos do país. Assaltos a bancos, cofre de residência particular, paióis de munição de unidades militares e da Polícia Militar de São Paulo. Seqüestros de embaixadores, assassinatos de militares estrangeiros que cursavam ou estavam em trânsito pelo país. Justiçamentos de um tenente da Polícia Militar de São Paulo e um garoto que dera informações para as tropas que combatiam os guerrilheiros no Araguaia. O garoto foi esquartejado vivo na frente dos familiares pelos assassinos. Carro bomba e maleta com explosivos detonados em porta de quartel militar e saguão de aeroporto civil, deixando um rastro de mortos e feridos.

Estes assassinos hoje se julgam heróis nacionais, e tentam reescrever a história. Seus crimes estão sendo compensados com gordas indenizações e pensões milionárias, sem desconto de Imposto de Renda. Os únicos a gozarem este privilégio no país.

Os familiares das vítimas nada recebem, e quando tal acontece, é quantias irrisórias.

Esses ex terroristas e ex guerrilheiros, e os que vestiram uma farda um dia e atentaram contra seus companheiros, se dizem os salvadores da pátria. Em suas cabeças doentias, não são bandidos e assassinos. Criminosos são os militares e elementos do estado que reprimiram sua sanha criminosa.

Os perdedores da batalha dos anos 64 / 74 contam agora com uma chamada Comissão Nacional da Verdade, sancionada esta semana pela presidente da república, com a qual pretendem justiçar os que lhes impuseram uma derrota na luta fratricida. A comissão que será conduzida por indivíduos indicados pela presidente da república, uma ex terrorista, não vai querer investigar os seus próprios crimes.

Ai pergunto: onde andam os comandantes militares das Forças Armadas? Medraram como o Major-Brigadeiro-do-Ar Rui Moreira Lima? Reconheço que não se pode ser herói as 24 horas do dia. Mas as 24 horas do dia e por toda a vida, tem-se que ser fiel às FFAA, nunca traí-las!

José Geraldo Pimentel

Cap Ref EB

Rio de Janeiro, 19 de novembro de 2011.

 

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