quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

GINO STRUFFALDI - PRESIDENTE DE HONRA DA SOCIEDADE VETERANOS DE 32-MMDC BUON GIORNO, MAMMA

Buon Giorno, mamma!




A canção italiana, “Quando m’ innamoro”, de autoria de Emilio Pericoli e cantada por Gigliola Cinquetti, cuja letra reproduzo parcialmente a seguir, em dois idiomas, diz:



Dicono che non só trovare un fiore

E che non hó mai niente da regalare

Dicono che c’e un chiodo dentro Il mio cuore

E che per questo non puó palpitare.



Dizem que não sei achar uma flor

E que nunca tenho nada para presentear

Dizem que tenho um prego em meu coração

E que por isso não pode palpitar.



Nas palavras seguintes, a cantora desmente o que dizem as más línguas e declara que sabe retribuir o amor que lhe dedicam.- Gigliola Cinquetti, quando lançou a canção era, além de ótima cantora, uma linda adolescente que tinha gentileza até no nome, pois Gigliola deriva-se de ‘Giglio’ que é a flor símbolo da pureza.



No entanto, há no mundo muitas pessoas que respondem perfeitamente à descrição contida no início da canção. A maioria por não ter recebido ensinamentos adequados de parte dos pais, em geral pessoas que também não receberam qualquer informação a respeito desse importante assunto.



Incluo-me nesta última categoria. Em 1930, adolescente, fui levado para a Itáiia, onde já havia morado, porque minha mãe estava muito doente e lá veio a falecer em 1931.



Durante meses, ao levantar-me pela manhã, saía de meu quarto e atravessava um hall de uns 4 metros para ver minha mãe, acamada com doença grave que a castigava com dores terríveis.



Buon giorno mamma, come stai? – Dizia isso já pensando em sair e, após uns dois ou três minutos, descia para o café da manhã e só aparecia no dia seguinte para o mesmo procedimento. Não me lembro quantos meses isso durou, pois fui estudar numa cidade a 30 quilómetros de minha casa, em colégio interno, onde me encontrava quando ela faleceu.



Muitos anos mais tarde aprendi que as pessoas idosas, especialmente as doentes, precisam de atenção, contato, apôio e carinho. Uma simples telefonada pode tirar um doente de grande sufoco emocional.



Não pensem que eu esteja carente: embora idoso e com problemas sérios de saúde, tenho toda a assistência de meus familiares, filho, filhas, netos, netas, nora e genros, maridos e esposas de netas e netos e, especialmente, de minha querida esposa com quem estou casado há mais de 72 anos.



O que sinto é um grande arrependimento por não ter ficado mais tempo com minha mãe, mesmo sem ter qualquer tipo de obrigação a cumprir fora de casa.



Se fosse hoje, após o café, subiria para o quarto dela e ficaria horas curtindo minha mãezinha, procurando amenizar-lhe o sofrimento, contando-lhe estórias da minúscula aldêia de montanha onde vivíamos, nos apeninos toscanos, ou da ensolarada cidade de Santos, onde nasci e havíamos morado durante 10 anos.



Meu sobrinho médico, que dirigia um departamento de oncologia do hospital de uma universidade federal, disse-me haver lutado muito até conseguir uma seção para idosos, o que não existe em grande número de hospitais, ao passo que em muitos deles há departamentos exclusivos para crianças.



Como vemos, o idoso é ainda um ser descartável.

Não é incomum vermos idosos mal vestidos, sujos e mal alimentados residindo em quartinhos desconfortáveis nos fundos de residências luxuosas e cujos filhos estão bem de finanças.



Questão de informação, de mentalidade, de bom senso e de altruísmo.

MEMÓRIAS DO VENTURA: 3 DE JANEIRO DE 2012

MEMÓRIAS DO VENTURA: 3 DE JANEIRO DE 2012: D I A T R Ê S D E J A N E I R O D E 2 012 – TERÇA-FEIRA. 75 anos e 7 dias de idade. Início de minhas memórias – 9 de Julho de 1950. ...