sábado, 24 de março de 2012

24 DE MARÇO DE 2012 CULTO ECUMÊNICO PELA ALMA DE GINO STRUFFALDI, REALIZADO NO MONUMENTO MAUSOLÉU U


Local: Monumento Mausoléu Obelisco
Data: 24 de março
Hora: 10h
MC: Markus Runk

ROTEIRO
Autoridades presentes, familiares do Capitão Gino Struffaldi, senhoras e senhores bom dia!
Heróis de 32  que aqui repousam, na quinta-feira, dia 15 de março de 2012, as 4h30 da manhã, mais um herói da revolução veio ao encontro de vocês.
Gino Struffaldi, nasceu em 14 de Junho de 1914, na cidade de Santos, filho de Germano Struffaldi e Amélia Taliani. Com 18 meses de idade foi com seus pais para a Itália, na região da Toscana, no pequeno paese chamado Gavinana no alto da montanha pistoiese - cuja fundação remonta ao ano de 1100 de nossa era. Para sua terra retornaria ainda várias vezes, inclusive para fazer o curso técnico quando adolescente. Com 18 anos entrou para o Exército Brasileiro, sentando praça no Forte de Itaipu, em São Vicente, onde teve oportunidade de se posicionar do lado de São Paulo na Revolução Constitucionalista. Dizia Eu não faço floreios a respeito da minha participação. Eu estava na ativa e o meu comando se solidarizou com a revolução e eu fui junto. Depois fui percebendo o movimento da população e me entusiasmei!
Último ex-combatente a presidir a Sociedade de Veteranos de 32 MMDC, quem teve o prazer de conhecê-lo sabe que só havia bondade e força de vontade no coração dele. Com um corpo e uma mente extremamente forte e saudável levantou a Sociedade Veteranos de 32 MMDC, participando orgulhosamente de todos os eventos durante seus 6 anos de presidência. Não à toa, ele foi aclamado presidente de honra e teve como homenagem em vida, a mudança do nome do núcleo Romão Gomes para núcleo Gino Struffaldi em 7 de julho passado.
Mas, como a única certeza que temos nesta vida, ela um dia retorna...
Retorna e é recepcionado por seus familiares e pelos heróis que aqui já repousam no monumento que ele tanto venerava e amava: o Mausoléu ao Soldado Constitucionalista.
E hoje, homenageamos o eterno menino de 32 com um ato ecumênico.
Pedimos a todos para que se postem de pé para que possamos ouvir o Hino Nacional Brasileiro
[HINO]
Ouviremos neste instante as palavras da família Struffaldi.
Chamamos primeiramente o filho, Aldo Struffaldi
Em nome da Família Struffaldi quero agradecer aqui a todos os presentes neste dia em que elevamos nossos pensamentos a Gino Struffaldi que foi chamado ao Oriente Eterno depois de cumprir uma longa e profícua jornada entre nós.
Nosso pai Gino, como foi dito, esteve por diversas vezes na Itália, e sempre fez questão de divulgar a cultura italiana, seus costumes e sua gente. E , particularmente, a região de sua aldeia natal, a pequena cidade de Gavinana, situada  nas montanhas de Pistoia, no norte da Itália.
Há uma música, típica da região de montanha, muito conhecida na colônia italiana, que meu pai gostava de cantar e sempre incentivava outros a fazerem o mesmo: Chama-se La Montanara, ou seja, A montanhesa, a moça que vive nas montanhas.
Resumidamente a letra dessa música diz assim:
Lá em cima pelas montanhas, entre bosques e vales dourados, entre os ásperos penhascos,
ecoa um cântico de amor.  A montanara o-he se ouve cantar, cantemos a montanara e quem não a sabe?  Lá em cima nos montes com seus riachos de prata, uma cabana coberta de flores. Era a pequena e doce morada da filha do sol.
O mesmo sol que ele Gino, agora, certamente está desfrutando no plano celestial
Ouçamos agora a canção La Montanara.
 [LA MONTANARA - cantada]
Ouviremos neste instante o neto Denis Volkmann Struffaldi
Bom Dia a todos,
Querida vó Dinorah, meu pai Aldo, minhas tias  Yara e Gina, demais parentes e amigos da família e todos aqui presentes,
 Quero dizer que os nossos pensamentos agora unidos pelo laço do amor, gravitam para Deus e recaem em forma de bênçãos sobre o nosso querido avô Gino Struffaldi.
Temos plena certeza que a vida continua bela e majestosa em outra dimensão, onde a felicidade é perene.
Assim, imantados por esse fluxo divino, agradecemos a companhia amorosa e a oportunidade de convivência por todos esses anos com  nosso avô Gino, exemplo de dignidade e de imenso amor por toda a nossa família.
Foram mais de 73 anos em companhia da nossa querida avó Dinorah, e seus exemplos têm sido a baliza mestra de nossas vidas, motivo de união, da solidariedade e do espírito de felicidade que nos une.
Muito Obrigado vô Gino, que Deus o ampare e ilumine nessa sua nova jornada.
Que assim seja,
Graças a Deus!

Leremos agora a última carta enviadas pelo eterno menino de 32 à edição do Jornal 32 em Movimento e que foi publicada na edição de dezembro de 2011, disponível no site da Sociedade www.sociedademmdc.com.br
Buon Giorno,  mamma!
A canção italiana, Quando m innamoro,  de autoria de Emilio Pericoli e  cantada por Gigliola Cinquetti,  cuja letra traduzo parcialmente a seguir:
Dizem que não sei achar uma flor
E que nunca tenho nada para presentear
Dizem que tenho um prego em meu coração
E que por isso não pode palpitar.
Nas palavras seguintes, a cantora desmente o que dizem as más línguas  e declara que sabe retribuir o amor que lhe dedicam.-  Gigliola Cinquetti, quando lançou a canção era, além de ótima cantora,  uma linda adolescente que tinha gentileza até no nome, pois Gigliola deriva-se de Giglio que é a flor símbolo da pureza.
No entanto, há no mundo muitas pessoas que respondem perfeitamente à descrição contida no início da canção. A maioria por não ter recebido ensinamentos adequados de parte dos pais, em geral pessoas  que também não receberam qualquer informação a respeito desse importante assunto.
Incluo-me nesta última categoria. Em 1930, adolescente, fui levado  para a  Itália, onde já havia morado, porque minha mãe estava muito doente e  lá veio a falecer em 1931.
Durante meses, ao levantar-me pela manhã, saía de meu quarto e atravessava um hall de uns 4 metros para ver minha mãe, acamada com doença grave que a castigava com dores terríveis.
Buon giorno mamma, come stai? Dizia isso já pensando em sair e, após uns dois ou três minutos, descia para o café da manhã e só aparecia no dia seguinte para o mesmo procedimento. Não me lembro  quantos meses isso durou, pois fui estudar  numa cidade a 30 quilómetros de minha casa, em colégio interno, onde  me encontrava quando  ela faleceu.
Muitos anos mais tarde aprendi que as pessoas idosas, especialmente as doentes, precisam de atenção, contato,  apoio e carinho. Uma simples telefonada pode tirar um doente de grande sufoco emocional.
Não pensem que eu esteja carente: embora idoso e com problemas sérios de saúde,  tenho toda a  assistência de meus familiares, filho, filhas, netos, netas, nora e genros, maridos e esposas de netas e netos e, especialmente,  de minha querida esposa com quem estou casado há mais de 72 anos.
O que  sinto é um grande arrependimento por não ter ficado mais tempo com minha mãe, mesmo sem ter qualquer tipo de obrigação a cumprir fora de casa.
Se fosse hoje, após o café, subiria para o quarto dela e ficaria horas curtindo minha mãezinha, procurando amenizar-lhe  o sofrimento, contando-lhe estórias da minúscula aldeia de montanha onde vivíamos, nos Apeninos toscanos, ou da ensolarada cidade de Santos, onde nasci e havíamos morado  durante 10 anos.
Meu sobrinho médico, que dirigia um departamento de oncologia do hospital de uma universidade federal, disse-me haver lutado muito até conseguir uma seção para idosos, o que não existe em grande número de hospitais, ao passo que em muitos deles há departamentos  exclusivos para crianças.
Como vemos, o idoso é ainda um ser descartável.
Não é incomum vermos idosos mal vestidos, sujos e mal alimentados residindo  em quartinhos  desconfortáveis nos fundos de residências luxuosas e cujos filhos estão bem de finanças.
Questão de informação, de mentalidade, de bom senso e de altruísmo.


Teremos  agora a participação do Padre Carlos, da Paróquia Paróquia Nossa Senhora de Lourdes
[PADRE CARLOS]
Teremos agora a participação do Cel Neves representando a comunidade espírita 
[CEL. NEVES]
Teremos agora a participação do Major Evandro dos PMs em Cristo
[MAJOR EVANDRO]

Os Jovens de 32! Poema do príncipe dos poetas Paulo Bomfim, que o nosso querido presidente de honra declamava com uma verdadeira paixão em todos os eventos. Ouviremos agora este mesmo poema como homenagem a ele e a todos os veteranos de 32 que aqui descansam.
onde estais com vossos ponchos,
os fuzis sem munição,
os capacetes de aço,
os trilhos do trem blindado,
o leme de vossas vidas,
a saga de vossos passos... onde estão?

em que ossário vossa audácia
fala aos que dormem por fuga,
em que campo vossa morte
clama aos que morrem em vida,
em que luta vosso luto
amortalha os tempos novos?

voltai daquelas trincheiras,
voltai de vosso martirio,
voltai com ou sem aqueles ideais,
voltai com o sangue que destes,
voltai com os brios de julho,
voltai ao chão ocupado,
voltai à causa esquecida,
voltai à terra traida,
voltai , jovens soldados...
apenas ...voltai !
O jovens de 32!

Ouviremos agora as palavras do Presidente da Sociedade Veteranos de 32 MMDC, Cel. Mario Fonseca Ventura
[DISCURSO VENTURA]
Olho para trás e vejo que valeu a pena, com esta frase dita pelo eterno menino de 32 finalizamos, ao som da Marcha Paris Belfort, o ato ecumênico em homenagem ao Capitão Gino Struffaldi, que faleceu aos 98 anos no dia 15 de março de 2012 e que hoje olha por nós.

Eu, Markus Runk, diretor do Cerimonial da Sociedade Veteranos de 32 MMDC e em nome da Sociedade agradeço a presença de todos e  fiquem com Deus
[LA MONTANARA orquestrada]
[FIM]