quinta-feira, 27 de setembro de 2012

MORTE DO VETERANO WADY CALIXTO





ia Alice Brunelli

15:48
para mim

Prezado Cel Ventura,eh com grande pezar que lhe dou a noticia!! Estou tranquila ele foi muito bem cuidado,ate um mes atraz quando teve pneumonia e, foi internado por apenas 3dias,pois "surtou" no hospital(o que eh normal na idade dele) Ate entao ,andava c/sua bengala, cantava ,contava sobre a Revoluçao ,enfim ficou bem ate perto do fm !!! Neste ultimo mes, chamava muito pelo Sargento 26! Gostaria de saber quem foi esse sargento???? O velorio dele tera inicio hoje as 17,30hs,sera na ACESF,e, o enterro amanha as 9hs. estou tentando conseguir uma bandeira do EST. de SAO PAULO. Gostaria muito que o SR estivesse presente ou algum representanre do M.M.D.C. SAudaçoes Maria Alice Calixto Brunelli Meus telefones: 43-33378028 ou cel:96675555

ESTIMADA MARIA ALICE Ele combateu o bom combate e foi transferido para o batalhão lá de cima..Qual é o endereço da ACESF?


para Marinei, Sociedade
MARINEI

É com o coração partido que noticio a morte do nosso herói

WADY CALIXTO, que nos deixa na data de hoje.

Encaminhar a mensagem da MARIA ALICE a todos os nossos

associados e amigos

O nosso número de combatentes vivos diminui para 37.





---------- Mensagem encaminhada ----------

De: Mario Ventura

Data: 27 de setembro de 2012 17:17

Assunto: Re: morte de Wady Calixto(revolucionario de 1932)

Para: Maria Alice Brunelli Distrito de Rifaina/SP – Domingo, 28 de agosto de 1932


Um pequeno vilarejo da região do município de Franca, localizado na fronteira do Estado de São Paulo com Minas Gerais, é palco de uma ousada manobra paulista que visa à invasão do território mineiro.

A tropa constitucionalista que age no local é formada por adolescentes que fazem parte da ascendente “mocidade integralista”, liderada pelo jornalista, filósofo e intelectual Plínio Salgado, fundador da Ação Integralista Brasileira, um movimento que acredita na prosperidade do Brasil através da união e do nacionalismo exacerbado.

O batalhão constitucionalista-integralista tem como principal meta sitiar a cidade mineira de Uberaba, para tentar colocar o inimigo em posição defensiva, idéia que fracassou em tantas batalhas ocorridas em nas outras fronteiras de São Paulo até então.

Porém, como não poderia ser diferente, a dificuldade enfrentada pela mocidade de Plínio Salgado nos campos de Rifaina, principalmente com a aviação legalista, é tanta, que os paulistas são forçados a cavar trincheiras e estacionar a tropa nos limites do Estado. A missão, a partir deste momento, passa a ser impedir a passagem do inimigo e a tomada de Franca.

O início da construção de uma grande trincheira tem início. Com muitos quilômetros de distância, é natural que alguns segmentos dela fiquem prontos com maior rapidez e outros acabem demorando demais, em razão da falta de experiência dos muitos voluntários que constituem o grupo.

Tendo conhecimento deste ponto fraco, as forças da ditadura Vargas não perdoam. Após algumas horas de tranqüilidade no trabalho na trincheira, Wady Calixto, de 18 anos, um dos “camisas verdes” (nome pelo qual eram chamados os jovens integralistas, por causa de suas maneiras de se vestirem), escuta e avista ao longe a rápida aproximação de uma esquadrilha inimiga.

Ao perceber a chegada da aviação do Exército de Minas Gerais, Calixto pula dentro da trincheira e observa atento a ofensiva. O que chama a atenção do integralista são seus companheiros que permanecem fora do abrigo. Dezenas deles. Rapazes que não conseguiram concluir a trincheira a tempo e agora estão à mercê dos rivais.

Não há piedade. O ataque é fulminante e cruel. Calixto vê, a mais ou menos 1 quilômetro de distância, inúmeras bombas serem jogadas sobre a sessão inacabada da trincheira, onde estão indefesos aproximadamente 30 paulistas. As bombas, contudo, não explodem. Elas não são feitas com pólvora e ferro, mas sim de uma espécie de plástico no formato de uma sacola, que contém querosene, álcool e outros líquidos altamente inflamáveis.

A partir de um pavio em chamas, esses artefatos, semelhantes ao chamado “coquetel molotov”, pegam fogo ao tocar o solo e incendeiam tudo que está num raio de 100 a 200 metros de distância. “Aquelas sacolas enormes, cheias de combustível, causavam um desastre tremendo, era um incêndio enorme. Não sei como se podia carregar aquilo num avião, porque, naquela ocasião, os aviões podiam levar uma ou duas pessoas no máximo”, afirma o veterano da Revolução Constitucionalista, Wady Calixto, aos 94 anos de idade. “Estava fazendo um barulho danado. Morreram ali 38 ‘molecões’ companheiros nossos”, relembra ele emocionado do pior dia de sua vida.

A horrível cena que se segue, com a queima dos combatentes vivos, ao som de gritos de desespero, piora no instante em que as tropas federais vindas do município mineiro de Sacramento aproveitam a investida da aviação para realizar um assalto à trincheira paulista.

Começa um tiroteio intenso de fuzis, bombas e rajadas de metralhadora. Uma luta aberta pela sobrevivência se desenrola. A coragem dos constitucionalistas é colocada à prova e não falha. Calixto vê um de seus companheiros, outro “camisa verde”, de nome Mário, sair do abrigo e correr na direção do inimigo. Ele é atingido. “Aí eu arrisquei com o ‘Joãozinho’. Fomos nos arrastando para ajudar o Mário depois que ele caiu”, conta o ex-combatente. “Mas, quando chegamos lá, vimos que ele já estava morto. Nós o pegamos e viemos o arrastando até a trincheira. Depois que tudo passou, o sargento nos deu dois dias de cadeia por termos arriscado a vida. As coisas que nós vimos: Caírem companheiros, vê-los morrer, era dureza demais”, completa angustiado o veterano.

Por 76 anos o nome do mandante daquele bombardeio, que infligiu a maior dor da vida dos integrantes daquele batalhão, ficou gravado na memória de Wady Calixto: Brigadeiro Eduardo Gomes, ninguém menos do que o patrono da Força Aérea Brasileira, consagrado pela Lei 7243 de 6 de novembro de 1984, e que foi promovido à patente máxima de Marechal-do-Ar. “O brigadeiro Eduardo Gomes matou mais de 30 ‘molecões’ com aquelas sacolas cheias de querosene e, anos depois, quando ele concorreu com o Eurico Gaspar Dutra para a presidência da República, eu tive vontade de falar tudo isso para ele. Eu tinha vontade de gritar! Tive vontade de gritar tudo quando ele tentou ser presidente do Brasil!”, se exalta Calixto.

Memórias de um integralista

Filho de um imigrante sírio, Wady Calixto nasceu na cidade paulista de Ribeirão Corrente, comarca de Franca, em 10 de janeiro de 1914. Seu pai e tio fugiram para o Brasil, ambos com 18 anos de idade, após o assassinato de oito de seus parentes no Oriente Médio.

Foi na cidade de Franca que Wady cresceu e foi educado. Ele cursou o ensino fundamental no Colégio Champagnat, onde passou oito anos como aluno interno.

Também no interior, Wady prestou o serviço militar no “Tiro de Guerra”, onde se tornou reservista e aprendeu a manusear armas de fogo com um sargento de sobrenome Baptista.

Conforme a relação entre São Paulo e o Governo Provisório ficava cada vez mais insustentável, Wady, após concluir o ensino fundamental, foi para a capital do Estado para realizar o ensino médio, já com a idéia de se alistar para a iminente revolução que estava para acontecer. “Eu, o Mário e o ‘Toninho’ viemos para São Paulo correndo. Nós nos alistamos imediatamente e ficamos esperando ordens”, diz Calixto.

Na cidade de São Paulo, Wady encontrou no integralismo de Plínio Salgado e na força do general do Exército Isidoro Dias Lopes um idealismo pelo qual decidiu lutar a favor. Era o ideal de exaltação do nacionalismo da “mocidade integralista”, em parte influenciado por ideologias fascistas vindas da Europa.

Os “camisas verdes” usavam gravatas pretas e, no braço esquerdo do uniforme, o desenho da letra grega maiúscula Sigma, o símbolo maior da Ação Integralista Brasileira, cuja principal idéia era manter a união da federação brasileira, sem aceitar nenhuma forma de separatismo, e acreditando que, através do forte sentimento de patriotismo, o país se tornaria a maior potência do mundo.

Entre outros símbolos que marcaram os integralistas estava a saudação que era feita com a mão direita erguida, enquanto se dizia “Anauê”, palavra provavelmente originária da língua Tupi que significa “Você é meu irmão”.

Wady Calixto não hesitou em vestir a camisa verde logo ao chegar a São Paulo, onde se envolveu com muitas manifestações integralistas. “Eu me lembro de ver o general Isidoro Dias Lopes discursando na Praça da Sé. Ele gritava que não admitia bandidos que assassinavam e depois eram livrados pelo advogado na frente do juiz. Ele berrava mesmo que não eram necessários presídios para dar moradia, comida, bebida e segurança para bandidos”, afirma o veterano convicto. “O general Isidoro era um líder militar estimado e pregava que o bandido tinha que ir preso pelo guarda, ser julgado pelo delegado, e se ele fosse assassino de criança ou mulher, tinha que pendurá-lo na forca.”

O ex-combatente, porém, não se lembra de muita coisa sobre o líder de seu antigo movimento, Plínio Salgado. “Eu o conheci sim, meu Deus do céu! Gostava muito dele, mas não sei de que forma ele desapareceu!”, exclama Calixto. “Mas os integralistas comandados por ele eram um espetáculo fora de série! O sentimento de brasilidade entre nós era grande, não tenho dúvida alguma”, acrescenta.

Entretanto, as manifestações dos “camisas verdes” sempre causavam muita agitação, o que funcionava como forma de espezinho a ditadura nos dias que sucederam a Revolução Constitucionalista. O episódio do qual Wady melhor se recorda ocorreu nas escadarias da Catedral da Sé, quando após um ato integralista no centro da cidade, a cavalaria da polícia tentou reprimir a ação dos adolescentes.

No meio do tumulto para escapar de uma provável prisão, Wady e cerca de 80 rapazes da mocidade integralista se refugiaram na catedral, onde o frei Gregório Gino lhes ajudou a fugir. “O padre, um sujeito de idade, subiu a escadaria correndo, abriu um saco cheio de bolinhas de gude e jogou tudo nos degraus. Os guardas foram tentar subir com os cavalos, escorregaram e caíram todos ali”, sorri o ex-revolucionário. “Depois o padre nos levou para um túnel oculto que terminava num porão enorme. Ele fechou tudo e nós ficamos escondidos lá durante 8 horas. Ele praticamente salvou mais de 80 ‘molecão’. Aqueles cavaleiros todos caíram e não sei de onde o frei tirou tantas bolinhas de vidro.”

Tanta perseguição viria a fazer com que a mãe e a avó de Wady tingissem as camisas verdes do ainda rapaz integralista para que ele não fosse reconhecido. “Mamãe era contra. Um dia eu voltei para casa e vi que ela tinha tingido todas as camisas de azul”, diz o veterano.

“Ele não era comunista, mas sim integralista. Ele queria o bem da nação, tanto é que a igreja apoiava Plínio Salgado”, afirma a filha de Wady, Maria Alice Calixto, de 70 anos. “Na época, as idéias de Plínio Salgado eram fantásticas, mas hoje ele nem se elegeria vereador”, completa Alice.

Ao mesmo tempo em que seguia no integralismo, Wady Calixto cursava o ensino médio no Colégio Arquidiocesano. “No colégio Marista fiquei interno durante muito tempo. Depois me tornei bacharel em Ciências e Letras.”

Segundo Maria Alice, seu pai tem o hábito de se referir ao Colégio Arquidiocesano como ‘Marista’ porque era o nome pelo qual a escola era mais chamada na época. “É um dos colégios dos irmãos Marista”, explica. “Lá meu pai foi companheiro, de sentar no mesmo banco, do homem que hoje é arcebispo em Maringá”, acresce.

Naquela época, uma das melhores recordações de Wady é do dia em que deixou a revolução e retornou para casa. “Voltei depois de 28 dias de a revolução ter acabado. Nós estávamos escondidos em muitos lugares, porque a meninada tinha medo das conseqüências, e os que contribuíram para nos esconder foram os padres católicos. Eles ajudaram demais”, diz ele. “Quando voltei para casa a gente via mamãe chorando e, de repente, aquele alegria tremenda que não tinha nem tamanho”, ri.

Hoje em dia, Calixto se orgulha de ter feito parte da Revolução Constitucionalista, mas espera que os motivos que levaram São Paulo a pegar em armas em 32 não voltem a sondar o Brasil. “Acho que era necessário defender o direito do povo, como até hoje é necessário”, avalia o ex-combatente. “Mas já foi, o tempo passou todo. Tomara que nunca mais tenha nada daquilo no Brasil. Tomara que nós tenhamos presidentes fora de série, como Juscelino.”

A vida longe de São Paulo

Em 1937 Wady deixou São Paulo e foi para a cidade paulista de Ituverava, onde se casou com Iolanda Pirro, com quem teve quatro filhos. A primeira providência da esposa foi jogar fora tudo que o veterano possuía do movimento integralista. “Ela achou que eu estava abusando demais”, Calixto dá risada.

A partir do casamento, a vida do ex-combatente passou a ter menos manifestos e mais trabalho. Dessa forma, Wady conseguiu um emprego no Banco do Brasil, mas que não durou muito tempo, pois, segundo o veterano, ele acabou fazendo uma “palhaçada”. “Fiquei no Banco do Brasil somente um ano e pouco porque eu fiz uma tremenda palhaçada. Dei um empurrão no prefeito que apareceu na agência porque eu achei que ele estava falando besteira, mas ele era um palhaço para mim”, confessa. ”O meu gerente, que era meu co-cunhado e meu padrinho de casamento me pôs para fora.”

Para Maria Alice, a sorte de seu pai foi sair do Banco do Brasil, pois ele foi trabalhar como fazendeiro algodoeiro, numa propriedade que adquiriu em Mato Grosso, aonde veio a ganhar muito dinheiro. “Ele tinha 600 mil alqueires na Chapada dos Guimarães”, expõe a filha do veterano.

No entanto, Wady perdeu tudo quando um incêndio atingiu a plantação de algodão num momento em que ele já havia adiado diversas vezes o momento de fazer o seguro da propriedade. “Lá devia ter mais de 300 mil arrobas de algodão. Joguei fora a fazenda que eu tinha e não chorei não, nunca olhei para trás. Ninguém perdeu um tostão. Foi um erro meu”, diz o veterano orgulhoso. “Graças a Deus que os meus funcionários receberam até o último tostão, apesar de que se ainda estivesse tudo inteiro poderia ser uma salvação fora de série para muita gente.”

Desde 1947 o ex-combatente mora na cidade de Londrina, no Estado do Paraná, entre 18 netos e 17 bisnetos. Ao pensar na ramificação de sua família, Wady considera-se um homem realizado. “Sinto-me uma maravilha. É gratificante. Meus netos são uma maravilha, meus bisnetos são uns amores”, agradece Calixto, que possui um carinho especial por duas netas. “A Natália está fazendo 22 anos e está no 2º ano de Direito. Já a última neta, a Iolanda, de 20 anos, que tem nome da minha esposa, está fazendo o 1º ano de Direito.”

9 de julho e 2 de outubro de 2008

No dia 9 de julho de 2008, Wady Calixto foi um dos 21 veteranos da Revolução Constitucionalista a desfilar na parada do 76º aniversário do movimento, realizado na avenida Pedro Álvares Cabral, em frente ao Mausoléu do Soldado Constitucionalista. Para ele, a comemoração foi uma “maravilha”. “No desfile do Ibirapuera o que tinha de carro do Estado, da Prefeitura, era um mundo. A coisa mais bonita que eu vi foi o Exército com seus cavalos e cachorros, mas o que mais me impressionou foi a quantidade de carros que o Estado tem.”

Já no dia 2 de outubro de 2008, na cerimônia religiosa dentro do Monumento Mausoléu, realizada no histórico dia do cessamento das hostilidades entre legalistas e paulistas, o ex-combatente foi condecorado com a Medalha Pedro de Toledo, da Sociedade Veteranos de 32 – MMDC.

O recebimento desta honra, nas palavras do coronel da Polícia Militar subcomandante, Daniel Barbosa Rodrigueiro, tem um altivo significado. “Ostentar a Medalha Pedro de Toledo é motivo de orgulho. Mais que um metal forjado e modelado, ela é o símbolo dos ideais de liberdade manifestos em 1932.”

Segundo Wady, esta foi a segunda medalha que ele recebeu, sem contar o pin de lapela da Sociedade Veteranos de 32, que afixaram em seu paletó durante o desfile cívico de 9 de julho. “A primeira medalha que recebi foi no tempo do integralismo. Só agora recebi a segunda”, explica o veterano, mostrando sua conquista com muito orgulho e felicidade.

A medalha passou a ser sua inseparável companhia, assim como a foto de Nossa Senhora Aparecida, que deixa sempre guardada no bolso da camisa, da mesma forma que faziam quase todos os soldados constitucionalistas em 1932. “Jesus Cristo, São José e Maria Santíssima formam a bendita trindade. Sou adepto principalmente de Nossa Senhora Aparecida e carrego sua imagem para toda parte”, conclui o veterano ao mesmo tempo em que revela uma fotografia de sua esposa, Iolanda, anexada às figuras de Jesus, Maria e José.