sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Canção do 1º BPChq

CARTA COMOVEDORA DE SILVANA LINO ACOSTA PRIETO ENDEREÇADA AO EXMº Sr. Cmt Geral da PMESP e que veio por cópia à Sociedade Veteranos de 32-MMDC.



São Paulo, 03 de junho de 2013.

Ao Comandante da Polícia Militar

Venho por meio desta agradecer imensamente á Policia

Militar do Estado de São Paulo, pelos brilhantes policias que

fizeram parte da ocorrência do dia 23/06/2008, em especial

ao SARGENTO BISCOLA  2BPTran, que através do intenso e

incansável empenho, SALVARAM MINHA VIDA.

Tudo aconteceu após eu ter ingerido uma grande quantidade de

comprimidos ( 20 comprimidos de diazepam e 14 de fluoxetina

), após ter chego de 12 horas de plantão hospitalar onde

trabalhava como auxiliar de enfermagem. Estava passando

por uma fase muito difícil, muito deprimida, e por um forte

impulso, achei que morrer seria melhor para todos. Mandei uma

mensagem para o celular de meu ex-marido, pedindo para que

cuidasse de minhas filhas e me desculpando por todo sofrimento

causado.

Através dessa mensagem, que obviamente ele achou muito

estranha, ele foi até minha casa e como não obtinha nenhuma

resposta, se dirigiu até um posto policial ( na Av. Engenheiro

Caetano Alváres c/ R. Voluntários da Pátria  se não me engano),

onde lá mostrou a mensagem ao Sargento Biscola que logo

identificou a mensagem como suicida.

O Sargento entrou em contato com a central e solicitou que uma

viatura mais próxima se dirigisse ao local. Quando chegaram

lá,( o Sargento, com meu ex-marido e meu irmão) o policial que

já havia chego, informou que eu já estava em óbito e já tinha

informado ao delegado para chamar a perícia.

O Sargento, inconformado com a situação, foi até a janela de

meu quarto, onde através de uma fresta da janela conseguiu me

ver. Com uma lanterna, ele pode ver que eu estava com os olhos

entreabertos e jogou a luz em meus olhos. Com olhos de lince e

abençoados por Deus, conseguiu ver que minhas pupilas ainda

estavam reagentes e gritou que eu estava VIVA e precisavam

entrar!!

Foi muito difícil entrar, pois a casa era toda gradeada e as

portas de ferro. Usaram um pé de cabra imenso que um vizinho

emprestou para conseguirem abrir a porta.

Fui levada para o Hospital do Mandaqui, onde realizaram uma

lavagem gástrica e fiquei internada por 10 dias.

Após esse período, fiquei cerca de seis meses sem sair de casa,

dopada pelas medicações. O Sargento Biscola, cerca de acredito

um ou dois meses depois do ocorrido, me viu na porta de casa

e foi conversar comigo. Falamos por alguns minutos e fiquei

sabendo de alguns detalhes, como o da “bendita lanterna”.

Fiquei muito tempo em tratamento, fiz terapia e era muito

difícil para mim falar a respeito de tudo isso, porque eu não me

perdoava pelo que tinha feito.

Até hoje tomo medicação, mas hoje Graças a Deus, estou ótima

e já não me importo de falar sobre o assunto.

Tentei muitas vezes entrar em contato com o Sargento Biscola

para agradecer-lhe, mas não conseguia encontrar-lo, até que

numa madrugada de insônia ( pois tenho muita ), o encontrei

através do WHATAPPS. Foi no dia 13/05/2013.

Quanta felicidade de poder agradecer a pessoa mais importante

de minha vida hoje, pois se não fosse por ele, eu não estaria

aqui.

Poder expressar minha imensa gratidão aos homens que se

empenharam tanto para poder me trazer de volta de um lugar

onde eu já não podia voltar sozinha.

Gostaria imensamente de agradecer a todos e pedir que não

desanimassem jamais de sua profissão, que sei que muitas vezes

é desanimadora, pois hoje a mídia só aponta a corrupção, a

falha, os erros...

Meu muito obrigada e minha imensa gratidão a todos!!

SILVANA LINA ACOSTA PRIETO