sexta-feira, 14 de novembro de 2014

MAX FERREIRA MANDA UMA MENSAGEM PARA DILMA

Querida Dilma,
Em primeiro lugar, gostaria de lhe felicitar pela vitória na eleição. Não que isso seja algum motivo de alegria para mim, mas, manda a educação e os bons modos que eu assim o faça.
E, veja bem, essa infelicidade que sua recolocação no Palácio do Planalto me traz não tem nada a ver com o fato de eu nunca ter votado em ninguém que envergasse as cores do PT ou de nenhum outro partido-membro do famigerado Foro de São Paulo. Também não tem nenhuma relação com minha afinidade ao PSDB desde quando, em 1989, eu vi em Mário Covas a única figura capaz de governar o Brasil, entre os ratos e morcegos que infestaram o primeiro pleito direto depois da redemocratização.
Minha tristeza ao fim desta eleição é ímpar. Não me senti assim em 2002, nem em 2006 ou 2010. Minha tristeza não é por você, nem pela nefasta organização criminosa que você representa e chama de partido. Minha tristeza é em me conscientizar de que a maioria dos meus patrícios já não presa mais pela ética, pela verdade, pelo jogo limpo. Viraram discípulos do Adhemar de Barros do século XXI. A versão pós-moderna do “rouba, mas faz” é o “rouba, mas distribui”.
Entretanto, cara Dilma, me sinto obrigado a lembrar-lhe que o doce sabor da vitória de anteontem não tardará em cair sobre seu colo como um fardo pesado e amargo. Você terá que lidar com a pior das heranças: a que você mesma lhe deixou.
Tivesse o Aécio vencido essa eleição, você teria garantido meses de diversão, ao vê-lo se desdobrar para recolocar no rumo uma economia que, paradoxalmente, combina crescimento pífio com inflação alta e tentar enxugar um estado inchado e aparelhado com o enxerto da “companheirada” em todo posto possível de nomeação. Você assistiria de camarote os malabarismos que ele teria que fazer para destinar recursos ao nosso falido sistema educacional a partir de um orçamento comprometido com programas assistencialistas que primam por administrar a pobreza em vez de erradicá-la.
Entretanto, cara Dilma, a eleita foi você e você terá que matar esses leões sob os olhos atentos de uma oposição que se fortaleceu sobremaneira neste sufrágio. Ali, na casa ao lado, você vai ter o acompanhamento bem próximo dos neófitos Romário e Anastasia, que chegam ao senado juntamente com os já experientes Serra e Jereissati a juntar-se com Aécio, Álvaro Dias e Aloisio Nunes que lá já estão e continuarão pelos próximos quatro anos.
O que não havia acontecido em 2002, 2006 e 2010, aconteceu agora: A oposição tem um líder. Um nome capaz unir as forças de praticamente todas as vertentes oposicionistas. Um nome que, diferentemente de Serra e Alckmin, soube fazer oposição direta e incisiva, sem esconder as cores, a bandeira e o passado de seu partido. Querendo ou não, cara Dilma, a sombra de Aécio no senado se projetará sobre seu gabinete no Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos.
Porém, cara Dilma, não será de Aécio ou da nova oposição por ele representada, a maior sombra que pairará sobre seu governo. A maior das heranças que você deixará para você mesma foi conquistada no transcorrer deste último pleito. Ao protagonizar a campanha mais baixa, suja, caluniosa e sem escrúpulos da história, atacando Eduardo, Marina e, finalmente, Aécio com denúncias vazias, calúnias e difamações pessoais, você transformou 50 milhões de eleitores - de que, em um pleito normal, você teria apenas a indiferença - em seus completos desafetos. A partir de hoje, cara Dilma, você terá que governar para os 50 milhões que te elegeram sob a densa e perturbante sombra dos 50 milhões que preferiram Aécio a despeito dos ataques virulentos a ele desferidos. Além desses, não se esqueça, há os outros 30 milhões que não queriam Aécio, mas também não queriam você como presidente.
Ainda não terminei, cara Dilma. Falta a cereja do bolo. Além de todos estes pontos, você terá, claro, que encarar a nuvem negra de denúncias e evidências de corrupção na Petrobras. Um esquema de corrupção que mereceria o bordão “nunca antes na história deste país” recorrente na boca de seu mentor.
Não pense, cara Dilma, que a emblemática capa da revista (que você quis censurar e cuja sede seus asseclas tentaram pilhar) fez alguma diferença para mim ou para qualquer brasileiro com um mínimo de discernimento, afinal, quem seria capaz de acreditar que os dois principais beneficiados pelos esquemas não sabiam o que estava acontecendo? A única hipótese de você e seu mentor desconhecerem o esquema seria assumir a completa incompetência de não saber o que se passa sob suas barbas. Aí você pode escolher o que quer ser, cara Dilma: convivente ou incompetente?
Desejo-te sorte na condução do nosso país. Desejo mesmo, do fundo do meu coração, pois, para quem não tem competência ou princípios, o único esteio que resta é a sorte.
Nós, que votamos em Aécio e ficamos - usando seu termo favorito - estarrecidos com sua campanha e com a sua eleição, seguiremos te observando de perto. Você terá 50 milhões de pares de olhos e ouvidos atentos a cada detalhe, a cada ato de seu governo. Você será a participante solitária de um “Big Brother” de quatro anos de duração. Se não resistir, é simples: É só pedir para sair.
Cordialmente,
Max Ferreira

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