terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

CARTA DO PRÍNCIPE DOM BERTRAND DE ORLEANS E BRAGANÇA À SUA SANTIDADE O PAPA FRANCISCO



Quo vadis, Domine?
Reverente e filial Mensagem
a Sua Santidade o Papa Francisco
do Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança
Movimentos que combatem obstinadamente a propriedade privada, inclusive por meio de ações violentas, são convidados a participar de reuniões em importantes organismos da Santa Sé e um deles é recebido pelo Pontífice.
Dirijo-me a Vossa Santidade em meu duplo caráter de Príncipe da Casa Imperial do Brasil e ativo participante da vida pública de meu País, para lhe externar uma grave preocupação concernente à causa católica no Brasil e na América do Sul em geral.
É bem conhecido dos brasileiros o fato de que foi a instâncias do Papa Leão XIII, e apesar dos previsíveis inconvenientes políticos que daí adviriam, que minha bisavó, a Princesa Isabel, regente do Império, assinou a 13 de maio de 1888 a Lei Áurea, abolindo definitivamente a escravatura no Brasil. Custou-lhe o trono, mas valeu-lhe passar à História como A Redentora, e receber das mãos do Papa a Rosa de Ouro, em recompensa
pela sua abnegação em favor da harmonia social e dos direitos dos mais desvalidos.
Movido pelo mesmo senso de justiça e devotamento ao bem comum de meus antepassados,honro-me em ter dado início e animado durante 10 anos a campanha Paz no Campo, a qual promovea harmonia social no agro brasileiro. Tarefa tanto mais imperiosa quanto, nas últimas décadas, o meio rural do País vem sendo notoriamente conturbado por uma sequência de invasões de terra, assaltos, destruição de plantações, desapropriações confiscatórias, exigências ambientalistas descabidas e insegurança jurídica.
No cerne dessa agitação agrária — que é o principal empecilho para o pleno desenvolvimentoda agricultura e pecuária brasileiras, responsáveis por 37% dos empregos no Brasil 2 e por cerca de metade dos novos empregos criados no primeiro semestre de 2013 — encontram-se o Movimentodos Trabalhadores Sem-Terra, mais conhecido pela sua sigla MST, e a organização internacional La Via Campesina
.
[1] Dirigente nacional do MST aproveita-se de seminário convocado por organismo da SantaSé como tribuna para insuflar a luta de classes
Por isso, foi com consternação que tomei cnhecimento do convite enviado pela AcademiaPontifícia de Ciências ao Sr. João Pedro Stédile, coordenador nacional do MST e representante da Via Campesina, para participar como observador de um seminário organizado pela referida Academia, em Roma, no dia 5 de dezembro de 2013, sobre emergência das pessoas socialmente excluídas, com as despesas de viagem pagas pelo Vaticano, segundo declarou o próprio favorecido.
Essa consternação difundiu-se nosis variados meios católicos, pois, como era previsível, oconhecido agitador do MST aproveitou-se do evento como tribuna para promover, uma vez mais,seus princípios errôneos e falsas soluções, ambos baseados na premissa marxista da luta de classes e na utopia de uma sociedade coletivista.
Com efeito, apenas dois dias após o simpósio realizado nas dependências da Santa Sé, o Sr João Pedro Stédile proferiu uma palestra para os militantes da ultra-esquerda altermundialista italiana, num antigo teatro de Roma por eles ocupado. Na palestra, reproduzida pela Agência de Notícias Adista ele faz apologia de seus métodos ilegais. Segundo disse,“a estrada das mudanças pela via institucional parece decisivamente bloqueada” ; e até gabou-se de que“tudo o que o MST tem conquistado no decurso de seus 30 anos de vida
é devido à prática das ocupações de massa”, ou seja,da violação sistemática da propriedade privada no meio rural.
A necessidade desse recurso à ilegalidade e até à violência por parte do MST decorreria, segundo Stédile, do fato de que“no atual contexto histórico, a correlação de forças a nível de luta declasses é bastante desfavorável às classes trabalhadoras” — ou seja, às esquerdas que usurpam a representatividade do setor operário.
Stédile admite inclusive que“o mundo vive um período de refluxo do movimento de massa” que afeta ao próprio MST, devido a que“as condições da luta de classe resultam mais difíceis: as massas percebem a impossibilidade de uma vitória, e se voltam para trás”
.
[2] “A curva da luta de classes será mundial ... e a terra tremerá”
Mas ele afirma que essa falta de apoio popular  não deve desencorajar as forças da esquerda.
Apelando à“escola dos marxistas históricos britânicos”, o líder dos invasores de propriedades espera que o atual período de refluxo seja também um“período de resistência... prelúdio de um processo de retomada”
.
Esse período de resistência — que segundo ele poderá levar alguns anos” — deverá servir para“aprender as lições da luta de classes no decurso do tempo”
. E o MST deve aproveitá-lo para sua“formação política”, valorizando e estudando Marx, Lenin, Gramsci, mas também os brasileirosPaulo Freire, Josué de Castro e tantos outros”, disse Stédile a seus ouvintes altermundialistas italianos.
Permita-me, Santo Padre, frisar a ameaça com a qual Stédile concluiu sua arenga: assinalando que é preciso que “a classe trabalhadora se reúna a nível internacional”, mas que isto seja feito porfora das ONGs e dos FórunsSociais — dado que estes teriam fracassado na tarefa de“organizar o povo” —, indicou que agora é preciso reunir“todos os movimentos sociais do mundo”em um“outro espaço”de confrontação ao capital financeirointernacional. Dessa forma, concluiu, “a curva daluta de classes será mundiale, portanto, quando começar a fase de ascensão, será assim por todaparte.
E a terra tremerá
.
[3 ] Stédile gaba-se de ter conseguido apoiono Vaticano e Leonardo Boff se regozija comisso
A terra por enquanto não treme. Mas não posso deixar de me perguntar, Santo Padre, qual a razão de que esse paladino de uma utopia revolucionária tão visceralmente anticristã e promotor daviolação sistemática das leis tenha sido convidadopela Pontifícia Academia de Ciências. Pois é obvio que, sendo as classes populares
cada vez mais infensas à pregação revolucionária, o interesse do líder do MST e dos revolucionários em geral só pode ser a sua pretensão de utilizar-se da Igreja Católica e de organismos da Santa Sé como companheiros de viagem nessa utópica aventura (daí o apelo a estudar Gramsci, o grande ideólogo dessa estratégia).
É o que admite o próprio J.P. Stédile em entrevista concedida logo após sua palestra no Teatro Valle Occupato gabando-se de ter conseguido“motivar a que o Vaticano nos ajude com a Via Campesina e como movimentos sociais a organizarmos no próximo ano diversas conferências”
.
Ele espera, ademais, que se estabeleça“de agora em diante um diálogo maior do Vaticano comos movimentos sociais”, cujo resultado seria que“em nossos países [...] as igrejas locais ouçam os povos e não o Núncio apostólico, que é um burocrata a serviço de não sei quem ”(destaques meus).
É assim que ele retribui o convite e a passagem aérea que diz ter recebido do Vaticano...
Quais seriam os membros dessas“igrejas locais”que assim desqualificam o representante daSanta Sé a pretexto de ouvir“os povos”, senão os adeptos da Teologia da Libertação?
É bem sintomático o tom eufórico com o qual um dos mais publicitados corifeus dessa corrente,o ex-frade Leonardo Boff, comentou aincursão do Sr. Stédile no Vaticano
Boff manifestou seu gáudio pelo fato de que“os pobres e excluídos”— na verdade, os líderes extremistas de esquerda — sejam agora“convocados a Roma, junto à Sé Apostólica, para falarempor si mesmos”
. Destacou que“o tema fala por si:A emergência dos excluídos. Isso nos remete aum tema central da Teologia da Libertação ainda nos seus primórdios:A emergência dos pobres
Segundo o ex-religioso, o simpósio em questão pode significar“o começo de uma nova vontade de reinventar
[sic]a Humanidade
”. Como isto lembra o mito do “homem novo” coletivista, sonhado por Marx!
[4] Mensagem de saudação a organização internacional responsável poratos de vandalismo
Tudo quanto anteriormente foi exposto, Santidade, é de molde a chocar milhões de católicos brasileiros que conhecem de perto o passado de violência, de crime, de destruição e de miséria que oMST e aVia Campesina
têm deixado atrás de si no decurso de 30anos de ocupações ilegais de terrase de domínio totalitário sobre os militantes que reúnem em seus acampamentos.
Esses brasileiros ficarão ainda mais desconcertados quando tomarem conhecimento de que, além do convite enviado a João Pedro Stédile para participar do referido seminário da Pontifícia Academia de Ciências, Vossa Santidade gravou em vídeo, nessa ocasião, uma mensagem de saudaçãoaos integrantes da ViaCampesina
.
Talvez Vossa Santidade não tenha sido informado de modo cabal, mas essa organização subversiva ficou tristemente conhecida dos brasileiros em abril de 2006, através do pranto comovedor, diante das câmaras de TV, da pesquisadora Isabel Gonçalves, que viu um meritório esforço de 20 anosde investigação científica aniquilado pelo ataque vandálico de 2.000 militantes dessa organizaçãocontra a empresa Aracruz Celulose
, no Rio Grande do Sul
7
. Os invasores, em operação perfeitamente sincronizada, depredaram grandes estufas experimentais, sistemas de irrigação, viveiros de mudas,incendiaram instalações e destroçaram modernos equipamentos de laboratório.
Pode Vossa Santidade calcular o quanto soará inverossímil, aos milhões de telespectadores que assistiram estarrecidos o pranto desconsolado da cientista, saber que Vossa Santidade, nesse vídeo,
estimulou a Via Campesina a“seguir adelante”— precisamente o que a cientista não pôde fazer, ou
seja, prosseguir com suaspesquisas meritórias!
8Esse procedimento da Via Campesinanão foi o único, Santo Padre.Para não me estender demais, aduzo apenas outro exemplo. Em junho de2008, membros da organização destruíram as pesquisas daEstação Experimental de Cana de Açúcar de Carpina, na Mata Norte,órgão ligado àUniversidade Federal Rural de Pernambuco(UFRPE). Por volta das 4 horas da madrugada, cerca de200 integrantes daVia Campesina
chegaram ao local em dois ônibus e renderam o vigilante da estação. Em uma ação rápida, que durou cerca de uma hora, destruíram plantações experimentais nocampo e pesquisas doCentro de Vegetação para Experimentos
. Nos locais havia pesquisas da referidaEstação Experimentale de estudantes de mestrado e doutorado.
De acordo com o diretor da unidade, Djalma Eusébio, o prejuízo científico e tecnológico é incalculável:
“Eles destruíram plantas que faziam parte de pesquisas de melhoramento genético que duram mais de dez anos. Havia pesquisas que estavam sendo desenvolvidas há mais de dois anos e foram completamente destruídas. Não há como recuperar o prejuízo”, disse. Os manifestantes fugiram antes de a polícia chegar e
deixaram duas bandeiras no campo.
Quanto às destruições operadas peloMovimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra(MST) durante suas invasões criminosas, seria preciso escrever um extenso livro para relatá-las. Poupo aVossa Santidade esse dissabor.
[5] Como interpretará a Via Campesina o estímulo do Papa Francisco de “seguir adelante”?
Os integrantes daVia Campesina provavelmente interpretarão suas palavras de“seguir adelante”como aplicáveis a suas ações delituosas acima descritas. Neste caso, elas estariam em nítido contraste com as categóricas palavras com que seu predecessor, S.S. João Paulo II, retomando o ensinamento de Leão XIII, condenou, em três oportunidades, entre 1991 e 2002, as ocupações ilegais de terras.
Em particular, a advertência de João Paulo II aos Bispos do Regional Sul l da CNBB, em visita ad limina apostolorum, em março de 1995, quando reiterouo ensino tradicional da Igreja:
“Recordo, igualmente, as palavras do meu predecessor Leão XIII quando ensina que ’nem a justiça, nem o
bem comum permitem danificar alguém ou invadir a sua propriedade sob nenhum pretexto
(Rerum Novarum 55). A Igreja não pode estimular, inspirar ou apoiar as iniciativas ou movimentos de ocupação de terras, quer por invasões pelo uso da força, quer pela penetração sorrateira das propriedades agrícolas”
10(destaques meus).
Advertência que S.S. João Paulo II reiterou em novembro de 2002, com as seguintes palavras:
“Para alcançar a justiça social se requer muito mais do que a simples aplicação de esquemas ideológicos originados pela luta de classes como, por exemplo, através da invasão de terras — já reprovada na minha viagem pastoral em 1991”
11
.
[6] Líder cartonero argentino considera que a propriedade é um roubo e sonha com um socialismo fortemente planificado É de se admitir, entretanto, que Vossa Santidade não tenha tido conhecimento dos fatos delituosos envolvendo a Via Campesinano Brasil, e que as palavras“seguir adelante”não passem de uma
forma estilizada para concluir sua saudação.
Porém — seja-me permitido dizer com todo o respeito — minha perplexidade seria maior na eventualidade de Vossa Santidade não saber perfeitamente quem é Juan Grabois, argentino militanteda “esquerda popular” peronista, também convidado pela Pontifícia Academia de Ciências, não só para ser um dos organizadores do referido seminário, como também para ser o primeiro de seus relatores. Ou seja, aquele que daria o tom ao subsequente colóquio.
Articulador da rede decartoneros — os catadores de papel de Buenos Aires — no chamado  Movimento de Trabalhadores Excluídos, bem como um dos fundadores daConfederação dos Trabalhadores da Economia Popular, esse advogado e militante da esquerda peronista não esconde suasconvicções abertamente marxistas.
Em artigo para AgendaOculta.net 12, Grabois sustenta que a“acumulação originária” de riqueza das classes abastadas “provém de algum grande crime”que“o tempo não lavará jamais”. Para ele, tal riqueza particular é necessariamente fruto de “saque, escravidão, rapina, contrabando, evasão de capital, tráfico de pessoas, tráfico, usurpação, calote, corrupção, malversação de fundos públicos...”
.
E acrescenta: “São estes, e não outros, os métodos que tem no cardápio todo aspirante a burguês”
. Nessa qualificação inclui os trabalhadores da economia informal que, quando bem sucedidosem seus esforços, passam ipso facto, segundo ele afirma, de autoexplorados a exploradores e estabelecem, também eles, “sistemas pericapitalistas de acumulação baseados no delito, na exploração, na escravidão e na violação de todos os direitos sociais”de seus colaboradores e parceiros.
Ou seja, todo proprietário particular seria um ladrão pelo simples fato de ser abastado: é a velha tese de Marx e Proudhon. Vossa Santidade notará que uma simplificação tão grosseiramente unilateral, um tal ódio de classe ao chamado “burguês” e à propriedade privada, como à livre iniciativa e ao sistema salarial, está nos antípodas do pensamento da Igreja, e não pode senão desembocar no “socialismo real”.
É precisamente o que propõe o ideólogo dos cartoneros argentinos:“A construção de uma economia popular solidária, austera, não consumista”, a qual pressupõe um“marco estratégico”definidamente socialista e estatizante: só quando a economia seja“socializada e planificada”
13, disseele, se poderá realizar a“sociedade sem explorados nem exploradores”, o que implica“uma intervenção fortíssima do Estado”
14
. Tal intervenção será abrangente e omnímoda: “regulando, planificando, complementando e subsidiando as unidades produtivas populares”
15
.
Cabe perguntar: no que se diferencia esse modelo de uma volta à defunta União Soviética?...
Veneno marxista num invólucro humanitário: tais são as ideias básicas desse advogado revolucionário. Entretanto, Vossa Santidade convidou seus cartoneros a subirem no palanque da Praia deCopacabana, durante a Via Sacra da Jornada Mundial da Juventude16, além de lhe tributar outros gestos de acolhimento, como a audiência que lhe concedeu17, por duas horas, no mês de agosto passado,em sua residênciade Santa Marta.
Envolveriam estes gestos de Vossa Santidade um apoio à linha traçada pelo ideólogo Juan Grabois? Eis minha filial e respeitosa pergunta.
[7] Nos recintos do Vaticano ecoam as elucubrações anticapitalistas de Karl Marx Naturalmente o Sr. J. Grabois aproveitou sofregamente a tribuna inaugural do seminário de 5 dedezembro para apoiar suas análises no marxismo, e “explicar” ao Cardeal Turckson, da Comissão Justiça e Paz, e aos demais participantes do evento, que Marx tinha razão, apenas não anteviu todosos desdobramentos ruinosos do capitalismo!
Santo Padre, não abusarei do tempo de Vossa Santidade resumindo a palestra de Grabois, intitulada
Capitalismo de exclusión, periferiassociales y movimientos populares
18. Apenas assinalo que ele retoma velhos chavões marxistas sobre o“caráter estrutural da exclusão”, que para ele“surge das entranhas do sistema econômico financeiro global”, como“consequência de estruturas humanas injustas”
. Por isso considera necessário“analisar o capitalismo na sua fase atual”globalizada, bem como“os novos antagonismos sociais que ele gera”. Esta questão, segundo o advogado marxista, já foraabordada por Karl Marx no capítulo XXIII deO Capital. Contudo o que Marx não previu, disse ele, é que, no mundo globalizado, um segmento crescente da população ficaria de fora do processo produtivo formal, constituindo a“massa marginal”dos“trabalhadores excluídos”que, para sobreviver, entram na esfera econômica da informalidade e constituem “o sujeito social mais dinâmico desta etapa histórica”. Frei Betto, citado porGrabois, qualifica os trabalhadores deste setor como“pobretariado”[sic!].
[8] MST eVia Campesina, paradigmas do novo “pobretariado” que pratica a ação direta
como ferramenta de libertação Esses trabalhadores informais seriam supostamente movidos pela aspiração por“um mundo sem exploração do homem pelo homem, onde cada qual receba segundo sua necessidade e contribua segundo sua capacidade” (princípio marxista bem conhecido). Ou seja, seriam todos comunistas em
potencial, utopistas marxistas puros, ainda quandonão explícitos! E esta clamorosa inverdade, Santo Padre — que seria risível se não fosse terrível — custa entender que tivesse sido pregada em recintos da Sé Apostólica...
Nessa palestra, Grabois retoma a velha dualidade marxista opressor-oprimido, para dizer que hoje emerge um novo proletariado prestes à rebelião, constituído pelos“descamisados do século XXI, os desempregados, os cartoneros, os indígenas, os camponeses, os migrantes, os vendedores ambulantes, os sem teto, sem terra, sem trabalho”. Este pobretariado se apresenta com novas formas de articulação e novos meios de ação, diz
Grabois, entre os quais destaca“diferentes formas de ação direta”, termo eufemístico cunhado pelosanarco-sindicalistas franceses do início do século XX para indicar ilegalidade e violência. O emprego, hoje, dessa
estratégia da“ação direta” decorreria do fato de que, enquanto os operários industriais“contam com a greve como principal ferramenta, os excluídos só podem se fazer ouvir através de piquetes, mobilizações e outras formas de luta que costumam ser criminalizadas”
.
Como paradigmas dessa“ação direta”, o ativistacartonero menciona precisamente os movimentos convidados pela Pontifícia Academia de Ciências para participar do seminário por ela organizado: o Movimento de  Trabalhadores Excluídos (MTE) da Argentina (na pessoa dele próprio, JuanGrabois), bem como o Movimento dos Sem Terra (MST)do Brasil (representado pelo Sr. J.P. Stédile),o qual “forma parte da Vía Campesina, com mais de 100 organizações em todo o mundo”, com sedecentral na Indonésia.
[9] Apologia de uma nova sociedade coletivista e igualitária
O mais inacreditável, nessa contundente palestra, é que o Sr. Grabois insiste no fato de que,
embora na economia informal popular“os meios de produção necessários estão ao alcance dos setores populares”, isso não conduz a que tais meios se“explorem coletivamente”e possam gerar“relações sociais que sejam horizontais”— em suma, para se chegar a um regime comunista.
Então é preciso que também a economia informal seja controlada pelo“poder popular”
— ou seja, por novos sovietes. Daí nasceria“uma nova sociedade”, que, como facilmente se percebe, identifica-se com o mais puro comunismo.
Tanto mais que, se o modelo dessa“nova sociedade”é o dos assentamentos controlados peloMST, convém não esquecer o que Miguel Stédile (filho de J.P. Stédile), da coordenação nacional do MST, declarou à revista
Época (n° 268, julho de 2003):“Queremos a socialização dos meios de produção.Vamos adaptar as experiências cubana e soviética ao Brasil”
19Santidade, para meu coração de católico e brasileiro resulta inexplicável que nos recintos sagrados da Cidade do Vaticano tenha ressoado uma tal apologia do comunismo — com sua ideologia fundada na negação da propriedade privada e na luta de classes — feita pelo Sr. Grabois 76 anosdepois que o Papa Pio XI houvesse condenado esse sistema antinatural como “intrinsecamente perverso”
20
!
[10] Ademais da Pontifícia Academia de Ciências, Stédile e Grabois põem suas esperanças
no Pontifício Conselho de Justiça e Paz
Sobretudo não deixa de causar perplexidade que o advogado que proferiu semelhante discurso
tenha sido convidado, por Vossa Santidade, para uma audiência privada no dia seguinte. E que, no
curso dessa audiência, tenha sido gravada a saudação já mencionada para La ViaCampesina, e mais
um vídeo de promoção doMovimento de Trabalhadores Excluídos, fundado e animado por um militante neomarxista convicto.
É compreensível, pois, que a Via Campesina, o MST e o MTE se tivessem apressado em darpublicidade a esses eventos, como“um acontecimento sem precedentes”, num comunicado conjunto
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amplamente difundido na mídia, no qual se insiste em que a “atividade foi coordenada pelo chanceler da Academia,[Arcebispo] Monsenhor Marcelo Sánchez Sorondo, a pedido do próprio Francisco”
.
O comunicado sublinha que,“finalizada a jornada, Stédile e Grabois mantiveram uma prolongadareunião com o Cardeal Turkson, presidente do Pontifício Conselho de Justiça e Paz, na qual intercambiaram opiniões sobre diferentes questões sociais e discutiram alternativas para dar continuidade ao diálogoentre Igreja e movimentos populares”
.
Desses encontros com prelados da Cúria Romana, o MST e o MTE esperam auferir inúmeras vantagens. O mesmo Grabois afirmou, em entrevista para a Radio Vaticano
22
Nós temos que globalizar aluta (...). E eu creio que nesse âmbito, inclusive o ConselhoJustiçae Paz, com uma pessoa como ocardeal] Turkson, vai nos dar uma mão”. Disse também acreditar que“embora pareça um pouco
estranho”, a Pontifícia Academia de Ciências“também está disposta a acompanhar, no que lhe cabe, as reivindicações, as nossas posições, nossas lutas, inclusive fortalecer os processos de organização. Sempre num ambiente de diálogo, de paz, de convivência, de respeito pelas instituições”
.
Quanto às promessas de paz e de respeito pelas instituições, pelo menos no que concerne ao MST, sinto-me no direito de qualificá-las de hábil dissimulação para melhor angariar o apoio da Santa Sé.
Mas, se a Pontifícia Academia de Ciênciasrealmente se comprometeu a contribuir para fortalecer os processos de organização dos chamados“movimentos sociais”, como asseveraram esses líderes doMST e do MTE, não surpreende que o comunicado conjunto afirme que ambos os movimentos partilham a“renovada sensação” de ter recebido “um importante apoio em sua luta”, e que“se abre uma novaetapa na unidade global do campo popular”
. É como quem dissesse: agora sim, poderemos tornar realidade a convocatória de Marx e Engels:“Proletários de todo o mundo, uni-vos!”
Certamente esta“nova etapa”não pressagia nada de bom para o Estado de Direito e a alardeada democracia nos nossos países. Pois, segundo o mesmo comunicado conjunto do MST e do MTE,“a democracia formal ou burguesa falhou. As formas de representação estão em crise e não respondem aos interesses dos povos. [...] Há necessidade urgente de desenvolver novas formas de participação popular nos três poderes e novas formas de representação política, em todo o mundo. Uma democracia que, além de formal, seja real”
.
Em outras palavras, o duo MST-MTE propõe o estilo de “democracia popular” que vigora em Cuba
ou na Venezuela chavista. Ou seja, uma ditadura de fato, e tanto mais perigosa quanto esses dois “movi-
mentos sociais” aspiram a amordaçar a imprensa livre:
“A construção de uma democracia necessita democratizar, em primeiro lugar, os meios de comunicação”
, afirmam eles de modo eufemístico.
[11] De onde provém a esperança desses extremistas de esquerda de contar com o apoio de
organismos da Santa Sé?
Não posso deixar de me perguntar, Santo Padre, com profunda apreensão e até com angústia: de onde provém a esperança desses extremistas de esquerda, de contar com o apoio de organismos da Santa Sé para levar a cabo seus planos revolucionários e ditatoriais?
Tudo parece indicar que eles dão por certo que estaria havendo uma mudança de orientaçãodoutrinária da Santa Sé. Um indício disso é que o comunicado do MST-MTE registra o fato de que “todos os participantes fizeram reiteradas referências à Exortação Apostólica Evangelii Gaudium” e a seus “categóricos e esclarecedores conceitos sobrea situação dos excluídos e a matriz excludente da economia global”
.
Outro indício é que a própria Rádio Vaticano, em transmissão de 22 de janeiro último, juntou-se às comemorações dos 30 anos de fundação do MST23. E para isso franqueou seus microfones ao padre Savio Corinaldesi, missionário xaveriano, para o qual o MST é “uma luz”. Este sacerdote, utilizando expressões de um radicalismo fora do comum, chega a dizer que o MST é“odiado, execrado e combatido por aqueles que odeiam, execram e combatem o povo”. E, em seguida, faz uma convocatória para que o povo se organize: “Mas, ainda hoje, há uma mensagem que todos devemos escutar é pôr em prática: o povo sabe resolver os seus problemas, e o faz quando se organiza ” (destaques meus).
Como não ver, nessa esdrúxula transmissão daRádio Vaticano, uma triste e rejeitável sequela do que se passou na Pontifícia Academia de Ciências?
[12] A questão social não é meramente econômica, mas principalmente moral e religiosa
Para evitar quaisquer mal-entendidos, esclareço a Vossa Santidade que de modo algum considero o atual hipercapitalismo globalizado como panaceia econômica, e que, como católico, deploro, entre outros defeitos graves da presente economia mundial, que os benefícios básicos do progresso material não tenham ainda alcançado muitas parcelas da população. Mas esta não é uma questão meramente econômica.
Ensinou Leão XIII que a chamada “questão social” é principalmente uma questão de ordem moral e religiosa. Disse o Pontífice:“Alguns professam a opinião, assaz vulgarizada, de que a questão social, como se diz, é somente econômica; ao contrário, porém, a verdade é que ela é principalmente moral e religiosa; e, por este motivo, deve ser sobretudo resolvida em conformidade com as leis da moral e da religião”
24
.
Assim sendo, uma intervenção bem sucedida da Hierarquia Eclesiástica no campo econômico esocial deveria partir da denúncia dos dois vícios que estão na origem de todas as desordens e revoluções modernas: o orgulho e a sensualidade
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Esses vícios alimentam os dois erros fundamentais e aparentemente opostos de nossa época: o utopismo coletivista e o liberalismo individualista. Porque, de um lado, geram o sonho anárquico-igualitário de uma sociedade sem governo, sem classes e sem leis; e de outro lado, estão na raiz do liberalismo moderno, o qual recusa toda referência a uma verdade objetiva, a valores absolutos, a uma lei superior e, por isso, conduz à “ditadura do relativismo”, oportunamente denunciada pelo então Cardeal Ratzinger
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Assim, na raiz mais profunda da crise antropológica pela qual passa hoje a humanidade, não está simplesmente a negação de direitos fundamentais do homem, mas resulta da negação da primaziade Deus na organização da sociedade humana. Todo o resto é mera consequência.
[13] Restauração da civilização cristã
A atual sociedade, de inspiração laica, menospreza os bens da alma. Ela penetrou como um veneno o Ocidente a partir da recusa da ordem austera e sacral que vigorava na Cristandade quando, segundo as luminosas palavras de Leão XIII, “a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, oscostumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil”
Assim, conforme igualmente aos ensinamentos de São Pio X, um verdadeiro retorno à ordem na sociedade humana supõe a restauração de todas as coisas em Cristo — o belo lema de seu pontificado: Instaurare omnia in Christo
(Ef. 1,10) — e a retomada do ideal cristão de sociedade, que ele magistralmente enunciou. Face à “anarquia social e intelectual” que grassava no início do século XX, o santo Pontífice assinalava a verdadeira saída:
“A cidade não será construída de outra forma senão aquela pela qual Deus a construiu; a sociedade não se edificará se a Igreja não lhe lançar asbases e não dirigir os trabalhos; não, a civilização não mais está para ser inventada nem a cidade nova para ser construída nas nuvens. Ela existiu, ela existe; é a civilização cristã, é a cidade católica. Trata-se apenas de instaurá-la e restaurá-la sem cessar sobre seus fundamentos naturais e divinos contra os ataques sempre renovados da utopia malsã, da revolta e da impiedade”
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No que concerne ao reerguimento e à regeneração das classes operárias, São Pio X já insistia em que “os princípios da doutrina católica são fixos”e, citando Leão XIII, sublinhava a necessidade de “manter a diversidade das classes, que é seguramente o próprio da cidade bem constituída, e querer para a sociedade humana a forma e o caráter que Deus, seu Autor, lhe imprimiu”29 (destaque meu).
Ao mesmo tempo aquele grande Pontífice denunciava a perversidade que há em “pretender a supressão e o nivelamento das classes”sociais — tal como o fazem o MST e o MTE — e em trocar as bases naturais e tradicionais da sociedade humana pela promessa de“uma cidade futura edificada sobre outros princípios”30, notadamente os do igualitarismo.
[14] Os pobres rejeitam a pregação revolucionária e anelam pela ordem verdadeira
Portanto, não serão os programas altermundialistas de cunho “ecológico” e neomarxista dos ditos “movimentos sociais”, que irão resolver a crise econômica atual e reduzir a pobreza no mundo.
Se o problema é o da emergência dos excluídos, Cuba é precisamente o contra-modelo a ser evitado a qualquer custo, sob pena de transformaro mundo todo numa sociedade de miseráveis, estessim, excluídos: excluídos do bem-estar, excluídos da vida política, excluídos da cultura, excluídos daliberdade de viajar e, sobretudo, excluídos de praticar sem entraves a religião católica na Ilha-prisão!
Os pobres não querem para si um tal pesadelo. E, por isso mesmo, poucos se deixam iludir pelos devaneios de um MST ou de um MTE, ainda queestes se revistam, em sua pregação revolucionária, com as roupagens falsamente cristãs de uma Teologia da Libertação de orientação claramente marxista.
É muito significativo que, em 2009, uma sondagem do Instituto de pesquisas Ibope 31 tenha mostrado que 92% da população brasileira considera ilegais as invasões de terras promovidas pelo MST; e 72% dos ouvidos julgam que o poder público deveria utilizar a polícia para cumprir ordens judiciais de retirada dos invasores. Para mais de 70% dos entrevistados o MST prejudica o desenvolvimento econômico e social, a geração de empregos e os investimentos nacionais e estrangeiros.
Mais significativo ainda, para 85% dos brasileiros o direito de propriedade privada é essencial ao
País: clara amostra de que os povos rejeitam o comunismo e sua miséria.
A demagogia da esquerda, Santidade, pode encontrar ressonância nas redações de certos jornais e TVs, em meios acadêmicos, na nomenklatura dos partidos políticos... e até — dói constatá-lo — em certos meios eclesiásticos; mas ela não engana a grande maioria do povo, que cada vez mais se distancia dela.
[15] Rotundo fracasso da reforma agrária: em vez de favorecer, prejudica os pobres
Comprovação disso é que, entre as reivindicações mais constantes dos movimentos imbuídos dessas ideias revolucionárias sempre esteve a implantação de uma reforma agrária radical, que eliminasse a grande e média propriedade, reduzindo todo o arcabouço rural de uma nação a pequenas áreas de terra que, aliás, em grande parte nem sequer seriam propriedade de seus detentores, mas sim de cooperativas fortemente estatizadas.
Ora, apesar da fenomenal propaganda feita em seu favor e dos rios de dinheiro nela aplicados, a reforma agrária fracassou no Brasil. A situação econômica e social nos assentamentos de reforma agrária é tão grave, que até ministros do governo reconhecem que a grande maioria deles se transformou em autênticas“favelas rurais”. Reconhecimento tardio, poisessa expressão havia sido cunhada muitos anos antes pelo Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, em sua luta contínua por alertar os brasileiros para esse desfecho inevitável. Inevitável, sim, pois tudo que contraria a ordem natural cedo ou tarde termina em desastre. Por isso, dizem com razão os franceses: Chassez le naturel, il revient au galop
.
Não foi, pois, por falta de advertência. Desde o início da década de 50, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira havia notado que a propaganda revolucionária soprava no sentido da reforma agrária, a qual por fim se consubstanciou em projetos concretos no final da década. Por isso escreveu e lançou, em1960, em coautoria com dois Bispos e um economista, o livro Reforma Agrária — Questão de Consciência, no qual profetizou que ela desfecharia no fracasso. Foi o marco inicial de uma luta quecomportou a publicação de vários livros, manife
stos e declarações, bem como campanhas públicasde divulgação e abaixo-assinados, durante as quatro décadas seguintes, até seu falecimento em 1995.
Hoje, estudiosos e profissionais competentes glosam o fracasso da reforma agrária. Assim, ainda há poucos dias, o Prof. Zander Navarro, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em artigopublicado num grande matutino paulista 32, descrevendo o êxodo rural quese verifica de norte a sul do Brasil, escreveu: “E há os assentados, que deveriam ser expressivos.Afinal seria um conjunto de 1,25 milhão de famílias
em 8,8 mil assentamentos,ocupantes de 88 milhões de hectares, quase equivalentes à área total de Mato Grosso.
Mas a reforma agrária é um rotundo fracasso:
boa parte dos beneficiários desistiu, deixando rarefeitos os assentamentos, em especial do meio do País ‘para cima’, sobretudo no Nordeste e no Norte”.
Enquanto os assentamentos de reforma agrária, criados na onda dessa agitação agrária, nada produzem, vivendo das esmolas do Estado, um competente perito da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa)
33
observa que a tecnologia tem ajudado aos pequenos, médios e grandes agricultores, e acrescenta: “A produção agrícola do Brasil alimenta 1 bilhão de pessoas”
34
. Outro estudo registra que“o preço da cesta de alimentos caiu pela metade entre 1975 e 2010”
35, o que explica ofato de que,“na década de 1970, a família média brasileira gastava cerca de 40% da renda familiar em alimentos. Atualmente, esse valor não passa de 16%”
36
.
[16] Quo vadis, Domine?
Vossa Santidade, agindo com calculada prudência, vai definindo aos poucos os rumos do seupontificado. É natural que os fiéis acompanhem com atenção os passos que vão sendo dados nessesentido.
Diante das inevitáveis perplexidades que toda mudança de rumo naturalmente produz, compreende-se que muitos façam, no interior de seus corações, a pergunta que, segundo a legenda, o próprioSão Pedro fez quando, fugindo da perseguição de Nero, encontrou Jesus Cristo que vinha em sentido contrário:
Quo vadis, Domine?
— Aonde vais, Senhor?
Ao ouvir a resposta de Nosso Senhor de que Ele se dirigia a Roma para ser novamente crucificado, São Pedro entendeu que o momento havia chegado de ele próprio sofrer o martírio. E, assim,submeteu-se ao suplício com grande humildade, pedindo aos algozes que o crucificassem de cabeçapara baixo — segundo piedosa tradição — porque não se considerava digno de que sua morte igualasse em todos os pormenores à de Cristo.
Assim, em vista dos fatos acima pormenorizadamente descritos, e das perplexidades por elessuscitadas, um fiel poderia ser levado a dirigir ao Papa Francisco idêntica pergunta — Quo vadis,Domine?
Seria legítimo fazê-lo? Em que condições?
O Código de Direito Canônico consagra, no cânon 212
§ 3, o pleno direito de todo fiel à respeitosa exposição de sua opinião,nessa ou em outras matérias:
“Os fiéis, segundo a ciência, a competência e a proeminência de que desfrutam têm o direito e mesmo, por
vezes, o dever de manifestar aos sagrados Pastores a sua opinião acerca das coisas atinentes ao bem da Igreja, e de a exporem aos restantes fiéis, salva a integridade da fé e dos costumes, a reverênciadevida aos Pastores, e tendo em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas”
.
Faço-o, pois, nesta REVERENTE E FILIAL MENSAGEM, convencido de que Sua Santidade receberá a presente manifestação com paternal benevolência, e como uma leal contribuição para o êxito de suaexcelsa missão no governo da Santa Igreja.
* * *
Reafirmando uma vez mais a minha obediência irrestrita e amorosa não só à Santa Igreja como ao Papa, em todos os termos preceituados pela doutrina católica,peço a Nossa Senhora Aparecida,Rainha e Padroeira do Brasil, que ilumine Vossa Santidade e ajude todos os católicos latino-americanos a permanecer fortes in fide, nas suas convicções católicas e em sua rejeição ao extremismo de esquerda, de maneira que esta Terra de Santa Cruz continue a ser cada vez mais, junto com as nações irmãs da América Espanhola, o Continente da Esperança, sob as bênçãos de sua querida padroeira, Nossa Senhora de Guadalupe.
Osculando o anel do Pescador, peço humildemente a Bênção Apostólica, in Jesu et Maria Bertrand de Orleans e Bragança
São Paulo, 8 de fevereiro de 2014
,
Campanha  Paz  no Campo vem se notabilizando no Brasil pela defesa dos princípios da propriedade privada e da livre iniciativa, segundo os ensinamentos contidos nos documentos do Magistério tradicional da Igreja.
2
http://www.feedfood.com.br/agronegocio-corresponde-37-dos-empregos-gerados-no-pais/
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http://exame.abril.com.br/economia/noticias/recorde-de-exportacoes-no-agronegocio-aumenta-demanda-por-
profissionais
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http://www.adistaonline.it/?op=articolo&id=53494
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http://www.wsftv.net/Members/focuspuller/videos/joao-pedro-stedile-1/view
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