domingo, 16 de agosto de 2015

IMAGENS DA SOLENIDADE DE 25 DE JULHO NA ASSOCIAÇÃO PARANAENSE MMDC-32 E HERÓIS DO CERCO DA LAPA - COMEMORAÇÃO DO 83º ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 32 - ENTREGA DA MEDALHA CONSTITUCIONALISTA



Discurso de MARIANO TAGLIANETTI em 25 de julho:
Sr.  Cel João Almeida presidente da ASSOCIAÇÃO PARANAENSE MMDC 32 E HERÓIS DO CERCO DA LAPA; integrantes da mesa diretora, des. Luis Renato Pedroso, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, Ilustre Gen. ANTONIO DUIZIT BRITO comandante da 5ª Região Militar, REGIÃO HERÓIS DA LAPA  nobre Gen. FLAVIO MARCUS LANCIA BARBOSA  comandante da Artilharia Divisionária da 5ª divisão de Exército “Artilharia Divisionária Marechal Setembrino de Carvalho”, Cel Sergio Luiz Tratz, comandante do Colégio Militar de Curitiba, demais integrantes militares presentes;  Adv. Antonio Lacerda Braga Neto, nesta cerimônia oficialmente convidado para representar a LAPA LENDÁRIA  DA RESISTÊNCIA HERÓICA DE 1.894, nobres professoras Maria Lambros Comninos Diretora Sócio Cultural e Kátia Maria Biesek coordenadora Cultural ambas do Círculo de Estudos Bandeirantes;  os  agraciados com a Medalha Constitucionalista oficializada pelo Governo do Estado de São Paulo através do Decreto 29.896 de 10 de maio de 1.989, que serão nominados pelo mestre de cerimônia JOEL LOBO em momento oportuno, em sequência;    Srs e Sras que nos dão a honra de sua presença.
Ao iniciarmos este evento que denominamos “NOVE DE JULHO PARANAENSE” a Associação MMDC 32 e Heróis do Cerco da Lapa rende homenagem à resistência da Lapa comandada pelo Gen. Gomes Carneiro e por SEUS HERÓIS entre os quais ressaltamos JOSÉ AMYNTAS DA COSTA BARROS.
Se a resistência lapiana de 1.894 conteve, desgastando o ímpeto das tropas da chamada REVOLUÇÃO FEDERALISTA comandada por GUMERCINDO SARAIVA, dando tempo a jovem REPÚBLICA de reorganizar-se para combatê-la, a REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE BRASILIDADE PAULISTA DE 1.932 conteve o ímpeto ditatorial dos que afrontaram a democracia.
O paralelismo que estabelecemos entre a luta lapiana de 1.894 e a guerra constitucionalista paulista de 1.932 é de que ambas vencidas pelas armas foram vitoriosas em seus propósitos.
Feita esta digressão em função dessas epopéias cultivadas por nossa ENTIDADE, passemos a considerar o “NOVE DE JULHO PARANAENSE”
NOVE DE JULHO DE 1.932 !
Data memorável da brasilidade à qual a nacionalidade deve tributar homenagem por consagrar o edifício magno da  constitucionalidade.
Não há em nossa história exemplo que se iguale à REVOLUÇÃO  CONSTITUCIONALISTA DE BRASILIDADE  PAULISTA DE 32.
Rememoremos :
A contrariedade causada aos brasileiros pelo fato de haver sido traída a revolução de 30 pelo golpe dos que haviam frustrado a nacionalidade  em sua trajetória republicana democrática, gerou a única revolução em que o povo  se levantou em armas exigindo retorno a normalidade constitucional.
Para acobertar a ditadura imposta  aos brasileiros, Getúlio Vargas garantiu o apoio do EXÉRCITO – extra São Paulo e Mato Grosso lançando calúnia difamatória,  propagando que a revolução deflagrada era separatista.
Essa calúnia foi de pronto rechaçada , pelo tribuno da revolução de 32  IBRAHIM NOBRE,  por ocasião da chegada a São Paulo em 12 de julho de 1.932 do Gen. BERTHOLDO KLINGER, entre estrepitosas manifestações de entusiasmo de imensa maré humana que ocupava a Estação da Luz e adjacências.
Verberou o inigualável tribuno: “ NÓS ESTAMOS AQUI TODOS DE PÉ EM ARMAS. CHAMAM-NOS DE SEPARATISTAS PORQUE PROCURAMOS NÃO SÓ LIBERTAR SÃO PAULO COMO TODO BRASIL, DESTE ESTELIONATO CIVIL QUE OBJETIVA FAZER DE NÓS ESCRAVOS.
NÃO SOMOS SEPARATISTAS ! É MENTIRA !
NÓS DEIXAMOS NOSSAS CASAS, NUMA COMUNHÃO ENTRE RICOS E POBRES DE OPERÁRIOS E PATRÕES PARA NOS DEFENDERMOS. NOSSAS MÃOS CALEJADAS PELO TRABALHO PEGARAM EM ARMAS, PARA QUE SOBRE A SEPULTURA DE NOSSA DIGNIDADE NÃO COLOCASSEM UM EPITÁFIO DE LAMA. MAS UMA GRANDE CONSOLAÇÃO RESTA : - O EXÉRCITO DE CAXIAS, DE OSÓRIO, ESTE EXÉRCITO GLORIOSO QUE GARANTIU NOSSA INTEGRIDADE TERRITORIAL, HONRA DE NOSSA PÁTRIA, ESTÁ AO NOSSO LADO, PERSONIFICADO NA PESSOA ILUSTRE DE VÓS GEN. KLINGER.
ESTAMOS DISPOSTOS A DERRAMAR NOSSO SANGUE EM DEFESA DE SÃO PAULO E DO BRASIL, DISPOSTOS A MORRER PARA QUE POSSAMOS CHEGAR AO  RIO E SANEAR O CATETE. REPARE V. EXA., NAS NOSSAS FRONTES, ONDE EXISTEM AINDA SINAIS DA COROA DE ESPINHOS, DO NOSSO FLANCO LANCEADO, NA NOSSA TÚNICA RASGADA, NO NOSSO CORPO FLAGELADO POR TANTOS SOFRIMENTOS.
O NOSSO MOVIMENTO É DO BRASIL CATÓLICO, DISCIPLINADO E FORTE CONTRA A ANARQUIA EM QUE  QUERIAM QUE VIVÊSSEMOS.
QUEREMOS QUE SEJA RESPEITADA ESSA CONSTITUIÇÃO QUE A DITADURA RASGOU, QUEREMOS QUE EM TODO BRASIL TODOS POSSAM VIVER COMO CIDADÃOS E NÃO COMO BAJULADORES.”
Insignes senhores, grande orador grego afirmou “ NA GUERRA A PRIMEIRA VÍTIMA É A VERDADE “, foi o que aconteceu...
Após 85 dias de luta com 70.000. civis engajados – contingente possuidor  de brasileiros de todos os rincões -, a exemplo dos paranaenses de Castro e  Sengés, com mais de mil mortos, foi assinado em dois de outubro o armistício.
Dessa luta cívica de repúdio a ditadura encontramos no poema de JOSÉ MARIA AZEVEDO PAIVA, declamado neste NOVE DE JULHO DE 2.015,  no  solo da resistência de CRUZEIRO a exaltação àqueles heróis que derramaram sangue pelo ideal democrático republicano ultrajado.
Ei-lo :
As trincheiras da Mantiqueira / Nas serras altas da Mantiqueira / Ainda se vêm trincheiras esquecidas / Restos de ferros enferrujados / Cartuchos inertes abandonados / Nesta manhã fria e nublada / do mês de julho / Na imensidão dessa serra / Parece que o tempo parou / Nos cumes desta serra / E nos pequenos vales / Ouço vozes de homens gritando / A matraca com seu som assustador / O canhão ruge mais alto que o trovão / É a revolução / A morte caminha com todos os batalhões / Vejo soldados perdidos / Soldados feridos / Soldados chorando / Soldados desaparecidos / Soldados cantando / Soldados heróis / Vejo os batalhões marchando / Com a bandeira das treze listras / Soldados cantando a canção da Revolução / Seguem rumo à última trincheira / A trincheira que não se rendeu / De repente tudo se fez silêncio / Já não ouço o barulho da metralha / no horizonte aparecem as silhuetas / De soldados sumindo no infinito / Os soldados morreram ? / Não, nunca morreram ! / Continuam vivos / Em algum lugar / Que Deus guarde  estes heróis / Que sempre voltam / Nas manhãs frias de nove de julho ! / Viva a Revolução de Constitucionalidade de Brasilidade Paulista de 1.932 ! / Viva São Paulo ! / Viva nove de julho !
Essa a verdade que contraria os detratores da Revolução de 32. Salientemos que o verdadeiro historiador revela aos pósteros verdades históricas tendo por horizonte  o contexto em que esses fatos se desenrolaram.
O sangue derramado alicerçou a Constituinte de 34 . A Constituição gerada acolheu, entre outros direitos, o voto feminino. Paradoxalmente ao devolver aos brasileiros a legitimidade constitucional, elegeu também o ditador, legitimando-o.
Essas considerações dão idéia do significado da REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE BRASILIDADE PAULISTA DE 1.932. muito obrigado.
Em Curitiba 25/07/2.015









































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