sábado, 8 de agosto de 2015

PEÇA ORATÓRIA PROFERIDA PELO DESEMBARGADOR JUBILADO EX-PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ LUÍS RENATO PEDROSO, PRESIDENTE EMÉRITO DA ASSOCIAÇÃO PARANAENSE MMDC-32 E HERÓIS DO CERCO DA LAPA NO EVENTO "NOVE DE JULHO PARANAENSE", REALIZADO NO CÍRCULO DE ESTUDOS BANDEIRANTES, EM 25 DE JULHO DE 2015, CURITIBA, PARANÁ, NA QUALIDADE DE PARANINFO DOS AGRACIADOS COM A MEDALHA CONSTITUCIONALISTA, DA SOCIEDADE VETERANOS DE 32-MMDC

Peça oratória proferida pelo Desembargador Jubilado Ex-PresidentedoTribunal de Justiça do Estado do Paraná LUÍS RENATO PEDROSO,  presidente emérito da ASSOCIAÇÃO PARANAENSE MMDC 32 E HERÓIS DO CERCO DA LAPA no evento “NOVE DE JULHO PARANAENSE”, realizado no CÍRCULO  DE ESTUDOS BANDEIRANTES, em 25/07/2.015, Curitiba, Estado do Paraná,  na  qualidade de  paraninfo dos agraciados com a MEDALHA  CONSTITUCIONALISTA:

“SOCIEDADE VETERANOS DE 32 – M.M.D.C.
DISCURSO DE AGRADECIMENTO;
“A gratidão é a memória do coração” (Antístenes, filósofo grego).
Ilustrada Mesa Diretora da Solenidade “,
Distinguidas Damas.

É-me honroso e gratificante participar desta significativa  solenidade, como, seguramente o é para todos os eminentes companheiros agraciados por tão importante comenda.
A Sociedade Veteranos de 32, conhecida pela sigla MMDC. em homenagem aos jovens estudantes mortos no evento, incorporou-se, hoje, definitivamente, no histórico de nossas vidas.
Conta a história que, “A revolução de 1.932 – foi um movimento de insurreição contra o governo federal provisório chefiado por Getúlio Vargas, ocorrido de julho a outubro de 1.932, em São Paulo. Os paulistas exigiam a convocação da Assembleia  Constituída prometida por Getúlio Vargas em sua campanha pela Aliança Liberal e durante a Revolução de 1.930. Ela refletia os interesses das oligarquias paulistas, tendo suas  raízes na tradição liberal democrática da sociedade urbana paulista. Derrotados em 1.930, defendiam a imediata  instalação de uma Assembleia Constituinte”.
“Vargas foi acusado de retardar a elaboração da nova Constituição”.
“Em 9 de julho de 1.932 teve início a rebelião armada, proclamada pelo ex-governador paulista Júlio Prestes e pelo interventor federal Pedro de Toledo, que aderira à campanha constitucionalista. Milhares de voluntários civis  se apresentaram e foram incorporados aos batalhões regulares das forças estaduais” (Excertos do opúsculo “Região Heróis da Lapa” – 5ª. RM -5ª DE – “A História”, páginas 108 usque 109).
Rememorando o episódio histórico cuja reverência hoje prestamos, bem avaliamos o seu alto sentido cívico e democrático,  ensejando a lembrança do magistério de ilustre empresário e velejador italiano, Ernesto Bertareli, que colhi in “Pensamentos de todos os tempos”, de meu ilustre colega e confrade Jeorling J. Cordeiro Cleve,  segundo o qual “A medida da grandeza de uma pátria não é a geografia, é a história”.
E o acontecimento de 1.932, partido do espírito patriótico e democrático do povo paulista oportuniza que recordemos, outrossim, o empreendedorismo dos filhos de São Paulo, verdadeiros construtores da civilização paranaense.
E, para tanto, invocamos o maior de todos os filhos da terra araucariana, o saudoso Governador Bento Munhoz da Rocha Neto, em magistral discurso pronunciado na Sessão de abertura do V Congresso Nacional de Jornalistas, de 8 de agosto de 1.953, tão atual, verbis: “No Paraná, neste momento, quando há cem anos  nos desligávamos da Província de São Paulo, no Paraná se está construindo um resumo, uma  síntese de todo o Brasil. É que nós nos honramos de nossa ascendência paulista. Sentimos, como nos velhos bandeirantes, aquele instinto pioneiro de construtores de civilização, mas não estaremos jamais, a todos os momentos, exibindo a nossa ascendência. Nós queremos nos honrar pelo que nós mesmos estamos realizando, pelo espetáculo que apresentamos a todo o Brasil. Nós honramos a nossa ascendência. Temos de fato, no Paraná, a grande tradição da convivência com todas as culturas do mundo, temos aqui recebido estrangeiros oriundos de quase todos os países, principalmente da Europa, que vêm de terras gastas e cansadas de séculos, vêm para aqui construir mais do que a própria pátria: vêm construir a pátria dos seus filhos. Neste instante, o Brasil está ajudando o Paraná,  pelas correntes humanas que para aqui estão convergindo: são homens do sul, de Santa Catarina e do Rio Grande , são homens que tem a tradição da cultura do café, de Minas e de São Paulo, são seus velhos sonhos e que nós, brasileiros do Paraná,  recebemos com a alma aberta, conscientes do dever moral que nos assiste à nós, brasileiros do Paraná, de receber esses brasileiros de outros Estados, dando-lhes, tudo para que eles não se sintam estranhos dentro da própria Pária”.
E, por aí prossegue o sempre lembrado Bento Munhoz da Rocha Neto, em palavras nossas, definindo o nosso Paraná como verdadeira “Síntese do Brasil”, herança inegável do pioneirismo paulista.
Com tão magistral evocação, nós, os agraciados da “Terra dos Pinheirais”, berço da mais antiga Universidade do Brasil, emocionados, louvamos, exaltamos e agradecemos a honraria que recebemos, guardando-a no coração, porque, sem dúvida alguma, “A gratidão é a memória do coração”.
Curitiba, 25 de julho de 2.015.
Luís Renato Pedroso

Desembargador jubilado, presidente emérito do Centro de Letras do Paraná e vice-presidente do Movimento pró-Paraná”.

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