sexta-feira, 2 de outubro de 2015

DISCURSO DO PRESIDENTE DA SOCIEDADE VETERANOS DE 32-MMDC NA SOLENIDADE DO 83º ANIVERSÁRIO DA CESSAÇÃO DAS HOSTILIDADES DO MOVIMENTO CONSTITUCIONALISTA DE 1932 - OBELISCO DO IBIRAPUERA.

83 a. da CESSAÇÃO DAS HOSTILIDADES DO MOVIMENTO CONSTITUCIONALISTA DE 32.
2 DE OUTUBRO DE 2015

 Neste santuário dos HERÓIS DE 32, aberto ao público em 9 de dezembro de 2014, após um restauro que deixou o Monumento Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 32 nas mesmas condições de sua inauguração em 1960, quando aqui estive como cadete do antigo Centro de Formação e Aperfeiçoamento, atualmente Academia Militar do Barro Branco, reverenciamos hoje os 817 participantes daquela EPOPÉIA, desde o Governador PEDRO DE TOLEDO,os comandantes do Movimento Constitucionalista de 32, até os mais simples soldados.

Em 2 de outubro de 1932, às 15:30 horas, o CORONEL EDUARDO LEJEUNE, o MAJOR MÁRIO RANGEL e o CAPITÃO JOÃO FRANCISCO DA CRUZ, todos da FORÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO, apresentaram-se diante do GOVERNADOR PEDRO DE TOLEDO, comunicando-lhe que ele estava deposto, que o CORONEL HERCULANO DE CARVALHO E SILVA havia sido nomeado GOVERNADOR MILITAR DO ESTADO e que terminava a luta. Diante desses fatos, elaborou-se um documento, encabeçado pelo próprio PEDRO DE TOLEDO, sempre altivo, com minudentes e corajosas explicações “AO POVO DE SÃO PAULO”. Houve inconformismo popular, difícil de ser contido.

Na frente de batalha, mesmo diante da situação totalmente adversa, alguns soldados não aceitaram o final das hostilidades. Não concordando com aquele epílogo, o CORONEL EUCLYDES DE FIGUEIREDO pretendeu resistir, com uns poucos e obstinados combatentes. Mas, todos foram presos doze dias após.

 IBRAHIM NOBRE, exaltado, fez um desabafo: “A Revolução não deveria terminar assim. Depois que fossem os filhos, iriam os pais. Depois que eles morressem, iriam as irmãs, as mães, as noivas. Todos morreriam. Mais tarde, quando alguém passasse por aqui, neste SÃO PAULO deserto, sem pedra sobre pedra, levantando os olhos para o céu, haveria de ler, no epitáfio das estrelas, a história de um povo que não quis ser escravo”.

Com as esperanças perdidas, porém com a dignidade conservada, os líderes civis e militares da Revolução foram presos. Arbitrariamente, a Ditadura remeteu-os na direção do Nordeste, pelo navio-presídio “PEDRO I”, do qual foram transferidos para o “SIQUEIRA CAMPOS”, em RECIFE. Esperava-os o exílio, no acolhedor PORTUGAL.

83 anos passados, lembramos os grandes feitos dos nossos três irmãos gaúchos sacrificados em SÃO JOÃO; daquela moça loira que aos ombros de dois rapazes fazia ondear a bandeira paulista no Centro da Capital Federal, RIO DE JANEIRO; os artilheiros afogados e metralhados no RIO AMAZONAS; daquele herói juvenil paraense, PAULO CÍCERO TEIXEIRA, lutando uma noite inteira e morrendo com o dedo no gatilho; daqueles estudantes baianos feridos na Faculdade de Medicina; dos 48 mil voluntários paulistas; dos quase 300 mortos nas fileiras da FORÇA PÚBLICA, a maioria filhos de outros Estados; daqueles outros 330 voluntários que deram seu sangue pela causa constitucionalista; daquelas heróicas mulheres curitibanas; das 72 mil mulheres paulistas que deixaram o lar para servir à Revolução; dos jovens que deram sua vida pela causa da redemocratização do país, como ALDO CHIORATTO, DRÁUSIO, OSCAR, DILERMANDO DOS SANTOS. Que sejam lembrados neste dois de outubro também os voluntários gaúchos que formaram em SÃO PAULO o BATALHÃO BENTO GONÇALVES; e também os mineiros, que a exemplo dos gaúchos, organizaram o BATALHÃO TIRADENTES; dos heróis matogrossenses de PORTO MURTINHO (centenas deles foram degolados em lutas crueis contra as forças da legalidade), COXIM, TRÊS LAGOAS; dos voluntários do PARANÁ; do BATALHÃO GOIANO; da FRENTE ÚNICA do RIO GRANDE DO SUL; dos estudantes de BELAS ARTES do RIO; dos heróis de ÓBIDOS, no AMAZONAS; dos de SOLEDADE, no RIO GRANDE DO SUL; do Batalhão de garimpeiros de MATO GROSSO; dos constitucionalistas de ARAPONGA, em MINAS; dos combatentes pela causa paulista de CASTRO e SENGÉS, no PARANÁ.

Quero frisar com essas palavras o caráter nacional da Revolução Constitucionalista de 1932, afastando de uma vez por todas o mito do separatismo que pairava sobre SÃO PAULO, fruto de uma bem urdida manobra de GÓIS MONTEIRO, chefe das forças ditatoriais.

Acredito mesmo que o tempo fez esquecer toda essa gente que lutou ao lado de SÃO PAULO. O momento dessa solenidade de 2 de outubro é o ideal para agradecermos aos nossos irmãos do BRASIL que comungaram conosco o ideal de Direito, da luta pela constitucionalização do BRASIL, conspurcada pelo governo ditatorial de VARGAS.

Nosso sincero pleito de gratidão a todos aqueles que lutaram pelo BRASIL e daqueles que no nosso tempo veneram os HERÓIS DE 32.

Na lembrança saudosa de JOSÉ MANGO, falecido nesta semana em RIBEIRÃO PRETO, aos 102 anos de idade;
Na esperança de tempos melhores para nossa Nação, como querem os 22 participantes vivos da Revolução de 32 e a Sociedade Veteranos de 32-MMDC,
PEÇO AOS SENHORES PRESENTES A ESTA CERIMÔNIA UMA SALVA DE PALMAS A TODOS QUE LUTARAM HÁ 83 ANOS PASSADOS PARA QUE PREVALECESSE O IDEAL DE DIREITO DO NOSSO PAÍS. 


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