quinta-feira, 19 de novembro de 2015

NÃO DÁ PARA ENGOLIR TUDO - GENERAL AUGUSTO HELENO PEREIRA - MEUS CRÉDITOS A CARLOS VENTURA

 Não dá para engolir tudo - AUGUSTO HELENO PEREIRA


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Carlos Ventura

Carlos Ventura


 HELENO PEREIRA

interessante a opinião do general
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AUGUSTO HELENO PEREIRA

Não dá para engolir tudo

16/11/2015  02h00

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Jornalistas odeiam censura e cerceamento à liberdade de expressão, mas
alguns se assustam quando chefes militares da ativa fazem colocações
verdadeiras e oportunas sobre a conjuntura nacional.

Vale recordar que os profissionais das três Forças se dedicam, durante
a carreira, ao estudo de problemas brasileiros e à avaliação da
conjuntura internacional.

Além da Universidade Militar (quatro anos), cursam, como capitães, a
Escola de Aperfeiçoamento (um ano); depois, mediante concurso, já
oficiais superiores, a Escola de Comando e Estado Maior (dois anos);
e, por último, durante um ano, um pós-doutorado, na área de política e
estratégia.

Saem da teoria e vivem os problemas "in loco". Residem,
invariavelmente, nos lugares mais inóspitos do território nacional,
particularmente na Amazônia, onde, quase sempre, só os "milicos" se
fazem presentes. Conhecem o país como poucos. Pagam impostos e são
obrigados a votar.

Importante notar que a incapacidade de boa parte dos governantes lhes
custa caro. Por conta disso, distribuem água no Nordeste; constroem e
reparam estradas e pontes; ocupam comunidades para reprimir o crime;
monitoram, sozinhos, boa parte das imensas fronteiras; retomam
invasões ilegais; cuidam de inúmeras comunidades indígenas
abandonadas; cobrem deficiências do sistema de saúde; gerenciam
catástrofes; combatem a dengue, entre outros.

Ou seja, os militares cumprem qualquer missão, além de suas tarefas
constitucionais. Ainda assim, são mal remunerados e dispõem de
orçamento destroçado. Por motivos óbvios, não podem se organizar em
sindicatos, nem fazer greves.

Os chefes militares exigem de seus comandados dedicação integral, até
em fins de semana e feriados, sem qualquer remuneração extra. Devem,
portanto, mantê-los inteirados da situação.

O general de Exército Antônio Hamilton Martins Mourão construiu sua
carreira pautado pela lealdade, retidão e respeito aos subordinados.
Soldado exemplar, líder inconteste, nunca se permitiu mentir, blefar,
caluniar ou se omitir.

Desafio que apontem qualquer inverdade nas palavras que Mourão dirigiu
a outros militares, em atividade interna. Um dos slides de sua
palestra informava que "a maioria dos políticos de hoje parecem
privados de atributos intelectuais próprios e de ideologias, enquanto
dominam a técnica de apresentar grandes ilusões que levam os eleitores
a achar que aquelas são as reais necessidades da sociedade".

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, julgou que
esses são assuntos institucionais que cabiam a ele, comandante,
abordar. Pediu a transferência de Mourão do Comando Militar do Sul
para outra função, na secretaria de Finanças, igualmente nobre,
compatível com o posto que ocupa. Assunto encerrado. Princípios de
hierarquia e disciplina. Simples assim.

Fica a dica: autoridades civis, que conduzem os destinos do Brasil
(aquelas que enfiarem a carapuça), se querem evitar esse tipo de
desconforto, comportem-se com um mínimo de dignidade, competência e
probidade, evitando tantas mentiras, escândalos e roubalheiras. Não dá
para engolir tudo.

Esquerdopatas, fiquem calmos. São outros tempos. As Forças Armadas
seguirão apolíticas e apartidárias, mas, pelo que levam na alma,
jamais serão bolivarianas.

Os castrenses não pensam em tomar o poder, nem pretendem violar as
instituições do regime democrático em que vivemos, ainda que pleno de
imperfeições.

No entanto, não somos robôs descerebrados e insensíveis. Guardamos,
tanto quanto vocês, o direito e o dever de espernear contra tantos
desmandos e falcatruas.

Brasil, acima de tudo!

AUGUSTO HELENO PEREIRA, 68, general da reserva do Exército, é diretor
de comunicação e educação corporativa do COB - Comitê Olímpico do
Brasil. Foi comandante da Missão das Nações Unidas no Haiti (2004 e
2005)

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