sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

REZA BRAVA - PROBLEMAS EXISTENCIAIS - CRÉDITOS AO ROBERTO GONÇALVES



                          REZA  BRAVA

Estou entre os cronistas que obedecem a vontade de seus leitores
mais fiéis.Durante a semana, andando pela rua, parando nas padarias,
buscando jornais na Livraria Cultura ou fazendo as necessárias compras
nos shoppings e supermercados, vou falando com as pessoas a respeito
das coisas que escrevo.
A maioria pergunta qual o próximo artigo, sempre torcendo para que
seja político, de preferência exaltando o Juiz Sergio Moro e
denunciando Lula,
hoje o maior vilão da nação brasileira.
Já tive uma centena de amigos petistas, hoje tenho apenas meia dúzia de
pessoas do bem que ainda enveredam pelo caminho subjetivo do
pensamento que nega o racionalismo, acreditando que o Brahma não é o
dono do Sítio de Atibaia, do triplex em Guarujá e ganha fortunas com a
força de seu pensamento, dando palestras pelo mundo inteiro.
Hoje não quero falar sobre o Brahma, personagem que cada dia mais deixa
de ser objeto de análise política, enveredando pelo triste caminho da
policial. Excetuando as pessoas carentes de racionalismo, ninguém mais
acredita que o Brahma escapará das grades de Curitiba.
Isto posto, vamos falar de objetividade e subjetividade, questões que se
colocam durante todo transcorrer de nossas vidas.
De vez em quando converso com algum amigo ateu, da mesma maneira que
encontro amigos evangélicos, muçulmanos, espíritas, católicos,
budistas, umbandistas, o diabo a quatro.
A riqueza da vida é ter muitos amigos, de todas tendências políticas,
de várias religiões ou ausência de religiões, de várias matrizes
ideológicas e de tudo que possa enriquecer o debate sobre a condição
humana. Nada é mais rico e profundo que debater o drama da
humanidade..
Com o padre, conversamos a respeito da fé, base de sustentação. Sem o
mito da fé, nenhuma religião se mantém por dois minutos.
Com o amigo historiador, ficamos sabendo, pelo ângulo racional, quais
pilares foram construídos pelas mãos dos homens, naquilo que chamamos
civilizações.
Pelas palavras sábias do amigo filósofo, você saberá que existiu e
ainda existe (embora não pareça) a curiosidade existencial e a beleza
do pensamento.
Com o amigo formal, sofremos a rigidez da vida burocrática, da mesma
forma que descobrimos o desenho da conversa solta com o amigo boêmio.
Cada pessoa de nosso relacionamento tem sua própria terapia para
amenizar os problemas da vida. Alguns acreditam no sabor etílico,
popular "copoterapia", como o mais curto caminho da alegria !
Muitos conhecidos, nem sempre amigos, tem certeza que ganhar dinheiro
é a mais poderosa terapia do universo, fortalecendo nosso pobre espírito
na "rica" sociedade capitalista.
Há os que recorrem à cultura do corpo, malhando, freneticamente,
acreditando que a musculação produz saúde mental.
Muitos tentam a terapia do trabalho, dando a ele o corpo e a alma,
para não sobrar tempo de pensar na vida. Vários praticam a fuga pelo
sono,
fugindo dos conflitos e da rotina, acreditando que dormindo, escapamos
do sofrimento cotidiano ou reduzimos os transtornos da mente estressada.
E tenho muitos amigos que praticam o exercício da oração. Peço perdão
aos ateus radicais, mas rezar é uma manifestação terapêutica do
espírito.
Com a oração, as pessoas vão empurrando a vida, mas fortalecem seu
mundo de esperanças.
Se a oração não tivesse efeito positivo na mente das pessoas, já teria
desaparecido da face da terra.. Mais que a simbologia da procura, a
regra é um apelo. E quem pede e suplica, acaba acreditando na súplica.
E crer na
oração é praticar um ato terapêutico. O momento da reza provoca
intensa vibração na mente das pessoas, gerando bem estar e sensação de
missão
cumprida.
Assim sendo, podemos afirmar que rezar é válido !
Também é muito importante que as pessoas lessem bastante. A pessoa
esclarecida procura, no racionalismo, respostas adequadas para seus
problemas existenciais.
E não precisa tanto de reza brava !

roberto gonçalves é cientista político

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