domingo, 3 de abril de 2016

52º Aniversário do Movimento Democrático de 1964 - 1º de abril

52 a dos acontecimentos em Copacabana, Pôsto 6. A data é 1º de abril, mas, desta vez, o dia não é de brincadeiras. Assim, quando um grupo de carros particulares parou defronte à entrada do Forte de Copacabana e dêles saltaram quarenta oficiais armados, todo mundo viu logo que era “pra valer”. Principalmente o repórter de “O Cruzeiro”, que se encontrava numa janela do 3º andar do edifício onde funciona a TV Rio. Eram 12 horas e 30 minutos.
Vinte oficiais da Escola do Estado-Maior do Exército e vinte da Escola Superior de Guerra, chefiados pelo Coronel César Montanha de Sousa, tomaram pouco depois do meio-dia de 1º de abril, o Forte de Copacabana. A dramática operação foi considerada decisiva para a vitória das fôrças que se opunham ao Presidente Goulart. Chegando ao forte num grupo de carros particulares, os oficiais invadiram, atirando, o QG. Um oficial foi atingido na barriga. Imediatamente, uma ambulância do Hospital Miguel Couto, que acompanhara os carros, levou o ferido. Os outros se encaminharam para o portão do Forte, gritando: “Não atirem. São dos nossos!” O portão se abriu, houve apertos de mão e continências. Estava configurada a posição revolucionária do Forte de Copacabana.
O dia 1º de abril foi de tráfego congestionado, avançado passo a passo, no Rio de Janeiro.
Especialmente na Zona Sul. Quase duas horas para ir de Copacabana ao Leblon, percurso que se faz normalmente em meia hora. Madrugada de colisões.
Na praia de Botafogo três carros de passeio chocaram-se, em horas diferentes, contra postes e árvores.
No Flamengo, um carro estadual, oficial, cujos ocupantes metralharam a sede da União Nacional dos Estudantes, estava completamente danificado. Colidira com um poste, após o atentado. Na Avenida Beira-Mar, duas Kombis chocaram-se contra um poste e uma árvore. Um carro de praça incendiou-se na Avenida Brasil, do juiz trabalhista Orlando Silva Oliveira, atropelava e matava uma doméstica na Rua Haddock Lôbo.
Filas extensas na Rua Barata Ribeiro e Av. Nossa Senhora de Copacabana. Casas comerciais, mercearias, bares, cafèzinhos, restaurantes, continuavam a atender ao público, normalmente, embora devagar e em grupos, pois entravam poucos consumidores nas lojas ao mesmo tempo.
Soldados do Exército patrulhavam as ruas, nas proximidades da praia, cujo ambiente era de otimismo, com populares se manifestado:
- Isso não vai dar em nada.
(Era o lugar-comum e denominador das crises brasileiras: a inclinação do brasileiro para resolver tudo sem sangue e que a calma devia prevalecer.) Na Rua Sá Ferreira meninos e meninas iam até a praia (aproveitando o feriado escolar de fato e de direito) buscar areia para barricadas. Populares, solidários ao Forte de Copacabana, que àquela hora já aderira, isolavam, com cordas, tôdas as ruas.

À tardinha. Dois tiros vinham do Leme. Era o sinal de vitória, que acionou o gatilho da explosão popular.

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