sábado, 23 de abril de 2016

DISCURSO PRONUNCIADO POR MARTINS DE LIMA POR OCASIÃO DO SEGUNDO ANIVERSÁRIO DA ASSOCIAÇÃO PARANAENSE MMDC E HERÓIS DA LAPA.




Caríssimo Cel. VENTURA, boa noite !
Envio-LHE o excelente discurso*** pronunciado pelo Presidente do Conselho Deliberativo MARTINS DE LIMA
da Associação Paranaense MMDC 32 e Heróis do CERCO DA LAPA, também  presidente  da AORE  Paraná.
O evento transcorreu normalmente a altura do nobre paladino.
Fraternal apreço, Mariano.
*** Peço que publique em "MEMÓRIAS... Taglianetti / Emb MMDC

Enviada: Sexta-feira, 22 de Abril de 2016 17:58
Para: mtaglianetti@uol.com.br
Assunto: ORADOR OFICIAL MARTINS DE LIMA.
Boa tarde nobre Embaixador!
Em anexo a apresentação que fiz ontem no Círculo Militar..
Abraço
Martins



ASSOCIAÇÃO PARANAENSE MMDC 32 E HERÓIS DO CERCO DA LAPA

A Associação Paranaense MMDC 32 e Heróis do Cerco da Lapa, que no dia de hoje comemora seu segundo aniversário, foi criada com vistas a enaltecer estes dois episódios históricos de nossa República. A data escolhida não poderia ter sido mais oportuna. 21 de abril – dia de Tiradentes – mártir da inconfidência, patrono das Polícias Militares e herói nacional.
Neste nosso aniversário, necessário se faz comentar sobre estes feitos.
Usando a sequência na nossa denominação, referenciamos o movimento MMDC, assim intitulado, em virtude da morte dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo ocorrida em 23 de maio de 1932 na cidade de São Paulo. Estes jovens, unidos a tantos outros, protestavam contra o governo de Getúlio Vargas, que havia sido nomeado chefe do governo provisório após a revolução de 1930.
Getúlio quando tomou posse instalou no Brasil uma ditadura: suspendeu a Constituição e nomeou interventores em todos os estados, com exceção de Minas Gerais, o que reforçou, ainda mais, o conflito com São Paulo; dissolveu o congresso nacional, os congressos estaduais e as câmaras municipais. Para interventor de São Paulo foi nomeado o Coronel João Alberto Lins de Barros, que as famílias das forças políticas estaduais chamavam pejorativamente de “forasteiro, plebeu ou O Pernambucano”. Outros o sucederam sem conseguir governar, pois a interferência da ditadura não deixava sequer o interventor escolher livremente o seu secretariado. Nem com a nomeação de um interventor paulista - Pedro Manuel de Toledo -  a irritação com o governo de Getúlio diminui. Em 23 de maio de 1932, dia trágico para os quatro jovens, Pedro de Toledo é nomeado Governador de São Paulo, rompendo definitivamente com o governo provisório.
A criação do movimento MMDC levou a união de diversos setores da sociedade paulista em prol da constitucionalização, pretendendo a volta da supremacia paulista no comando nacional e queriam, também, levar ao poder o candidato dos paulistas, Júlio Prestes, eleito à presidência, mas que não tomou posse, impedido pela Revolução de 1930.
Começou-se, então, a se tramar um movimento armado visando à derrubada da ditadura de Getúlio Vargas, sob a bandeira da proclamação de uma nova constituição para o Brasil.
Em 9 de julho, Getúlio Vargas já havia estabelecido eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte. Porém a interferência do governo federal e dos tenentes em São Paulo continuava forte.
Estes atos do Governo Provisório, porém, não evitaram o conflito.
Quando se inicia o levante, uma multidão sai às ruas em apoio. Tropas paulistas são enviadas para os fronts em todo o estado. Mas as tropas federais são mais numerosas e bem-equipadas. Quarenta mil homens de São Paulo enfrentam um contingente de cem mil soldados. 
Porém, com a não adesão dos outros estados, o plano imaginado por São Paulo não se concretizou: Rio Grande do Sul e Minas Gerais foram compelidos por Getúlio Vargas a se manterem ao seu lado e a publicidade de pretensão separatista do movimento levou São Paulo a se ver sozinho, com o apoio de apenas algumas tropas mato-grossenses, contra o restante do Brasil. 
Em meados de setembro, as condições de São Paulo eram precárias. O interior do estado era invadido paulatinamente pelas tropas de Getúlio Vargas e a capital era ameaçada de ocupação. A economia de São Paulo, asfixiada pelo bloqueio do porto de Santos, sobrevivia de contribuições em ouro feitas por seus cidadãos.
Vendo que a derrota e a ocupação do estado eram questão de tempo, as tropas da Força Pública Paulista, são as primeiras a se render, no final de setembro. Com o colapso da defesa paulista, a liderança revolucionária paulista se rende em 2 de outubro de 1932.
Na versão do governo, a Revolução de 1932 não era necessária, pois as eleições já tinham data marcada para ocorrer. Segundo os paulistas, não teria havido redemocratização no Brasil se não fosse o Movimento Constitucionalista de 1932. De qualquer forma, o término da revolução constitucionalista marcou o início do processo de democratização. Apesar da derrota militar, as lideranças paulistas consideraram ter obtido uma vitória moral. Em 3 de maio de 1933 foram realizadas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, quando as mulheres votaram pela primeira vez no Brasil em eleições nacionais. Nesta eleição, graças à criação da Justiça Eleitoral, as fraudes deixaram de ser rotina nas eleições brasileiras. Ainda, ao ver seu governo em risco, Vargas dá início ao processo de reconstitucionalização do país, levando à promulgação da Constituição Brasileira de 1934.
Como podemos perceber, a morte de Martins, Miragaia, Dráusio, Camargo e meses depois de Alvarenga, que também havia sido baleado em 23 de maio, não foi em vão.
O Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32, também conhecido como Obelisco do Ibirapuera guarda os corpos destes jovens e de outros 713 ex-combatentes.

A Associação Paranaense MMDC 32 e Heróis do Cerco da Lapa volta um pouco no tempo...
Retornando ao século19, encontraremos a bela manhã do dia 15 de novembro de 1889, quando sem troca de tiros, sem arruaças, sem protestos, sem reação popular, o Marechal Deodoro da Fonseca proclama a República em substituição à monarquia.

O sangue que não verteu neste episódio, manchou as terras brasileiras nos anos seguintes.

No Rio Grande do Sul, mesmo antes da proclamação da república, alguns dos maiores teóricos do novo regime já lançavam suas idéias. Assis Brasil, Pinheiro Machado e Julio de Castilhos. Rival a estes o advogado e pecuarista Silveira Martins que era monarquista convicto.

De tendência mais autoritária, Julio de Castilhos entendia que para se consolidar a república seria necessário passar antes por uma fase ditatorial.

Suas propostas estavam sempre alinhadas a esse objetivo. Na constituinte nacional, estas idéias não vingaram, o que não atenuou suas convicções.

Insatisfeito com a sua derrota na constituinte nacional, Julio de Castilhos esboça, quase que sozinho, o anteprojeto da constituição gaúcha, onde dá vazão às suas concepções. A Assembleia Estadual Constituinte, de maioria Castilhista, aprovou com a maioria esmagadora de votos.

Sendo eleito em 1893 para o governo do Rio Grande do Sul, Julio de Castilhos governou com mão de ferro apoiado pela constituição que havia concebido. Para Silveira Martins, defensor dos princípios liberais, o governo desenvolvido por Júlio de Castilhos feria a democracia, a liberdade e a participação política. Ele defendia o governo representativo, no qual o Poder Legislativo era o “poder por excelência”. Em vista disto os federalistas de Silveira Martins exigiam a reforma da constituição gaúcha e a renuncia do governador. Pegar em armas foi a consequência imediata.

Para a tropa federalista, chefiada por Gumercindo Saraiva, a Revolução tinha como objetivo derrotar os inimigos da pátria, contra a tirania, em prol da liberdade, da justiça, do império da lei e dos direitos individuais. Para os republicanos, defender a República, a legalidade, a ordem e o progresso do Estado.

Saraiva iniciou sua missão pelo Rio Grande do Sul, com batalhas extremamente violentas, depois avançou sobre Santa Catarina e marchavam em direção ao Paraná. Seu objetivo era chegar ao Rio de Janeiro, unir-se aos revoltosos da Armada e tomar o poder.



O Presidente Floriano Peixoto solicitou ao General Francisco de Paula Argolo para organizar o ataque aos revoltosos que estavam chegando ao Paraná. Como seu efetivo era muito reduzido, o comando da resistência legalista foi transferido para o Coronel Antonio Ernesto Gomes Carneiro, que instalou seu quartel general na cidade da Lapa, de onde organizaria a defesa das cidades paranaenses. O material bélico utilizado pelas forças legalistas era bastante precário, sendo, grande parte, herança da Guerra do Paraguai.

No dia 14 de janeiro de 1894 já se podia avistar a chegada das tropas atacantes. Em 17 de janeiro iniciaram-se os ataques.

Gomes Carneiro, com um efetivo quase 4 vezes menor, com a falta de alimentos, água, remédios e munição, sabendo que algumas cidades do estado já haviam sido tomadas, não aceitou conversar com qualquer emissário a respeito da rendição. A força legalista manteve sua resistência por longos 26 dias. A capitulação ocorreu quatro dias após Gomes Carneiro ter sido ferido em combate e dois dias após a sua morte.

Os dias em que as tropas republicanas resistiram foram o suficiente para que o Marechal Floriano Peixoto guarnecesse a cidade de Itararé, em São Paulo, e preparasse a defesa para impedir o avanço de Gumercindo Saraiva em direção ao Rio de Janeiro.

Gomes Carneiro morreu sem saber que havia sido promovido “por bravura” a General.

A Associação Paranaense MMDC 32 e Heróis do Cerco da Lapa pode parecer homenagear situações antagônicas, mas podemos perceber traços comuns em ambas.

O respeito à Carta Magna

A coragem do povo brasileiro

A rendição que é premiada com o sucesso da causa.

E que, mesmo no conflito a unidade nacional foi mantida.

Para finalizar, uma frase que, acredito, exprime a nossa gratidão pelos brasileiros que tombaram em defesa da nossa república:

"O verdadeiro heroísmo consiste em persistir por mais um momento, quando tudo parece perdido."


Nenhum comentário: