segunda-feira, 30 de maio de 2016

SEGURANÇA PÚBLICA E POLÍCIA - AUTOR: CORONEL PM NILSON GIRALDI

“SEGURANÇA PÚBLICA E POLÍCIA”®
Autor:- Nilson Giraldi




Introdução:
No ano 1, quando Jesus nasceu, a população do nosso planeta está calculada em 300 milhões de habitantes (mais ou menos a população dos Estados Unidos hoje). Para dobrar e chegar aos 600 milhões demorou 1.600 anos, isto é, só no ano de 1.600 a Terra atingiu os 600 milhões de habitantes. Em 1960 atingiu 3 bilhões de habitantes. Para dobrar e chegar aos 6 bilhões demorou apenas 39 anos, portanto, em 1999 a Terra já estava com 6 bilhões de habitantes. Agravante: Países pobres como o Brasil dobraram sua população em 30 anos. Agravante: A mulher analfabeta brasileira tem em média sete filhos; a instruída em média 1,3. Agravante: A Terra já está com aproximadamente 8 bilhões de habitantes quando, de acordo com cientistas, não tem condições de abrigar, em situação satisfatória, mais de 1 (um) bilhão. Se todo o planeta consumisse o que consome a classe média baixa brasileira seriam necessários três planetas Terra produzindo. Já são em torno de 2 bilhões de famintos. E a população do Planeta, como um todo, continuará aumentando; possivelmente até o ano de 2.050 quando se estabilizará já numa situação caótica e mais complicada ainda, principalmente porque até lá a população dos países mais pobres continuará crescendo enquanto as outras se estabilizarão bem antes, ou já estão estabilizadas, e até retrocedendo, sem falar que grande parte será uma população de idosos sem condições para o trabalho, e com os recursos naturais do Planeta exauridos.  
Analisem bem esses dados e tirem suas conclusões.
Obrigado
Giraldi


Segurança Pública e Polícia:
Sem saber que é Segurança Pública é impossível entendê-la, estudá-la, discuti-la, organizá-la, aperfeiçoá-la e fortalecê-la.
Afinal, que é Segurança Pública?
Segurança Pública é tudo aquilo que o Estado faz ou manda fazer para dar segurança ao cidadão.  Que está direcionado para a segurança do cidadão. Ex.:- Manutenção dos criminosos perigosos encarcerados; iluminação pública; sinalização de ruas, avenidas e estradas; transformação de bairros problemáticos em bairros educadores, perícia forense, ministério público, punidade, etc. Nada disso, e de muito mais, não é problema de polícia, mas é Segurança Pública.  
E Segurança Pública não é só questão “policial penal” como os leigos julgam ser; é, na sua quase totalidade, questão “social educacional”; também “policial penal”, mas em escala reduzida. Portanto, segurança Pública é muito mais problema “social educacional” do que “policial penal”; só se torna “policial penal” quando o “social educacional” falha, inclusive, em vários estados, não mais é usado o termo “secretaria de segurança pública”, mas “secretaria de defesa social”; e a própria Lei reconhece isso, pois quando um criminoso é condenado a pena tem como finalidade puni-lo, mas também ressocializá-lo; uma vez ressocializado não se tornará mais um problema “policial penal”.
E Segurança Pública é problema da União, dos Estados, dos Municípios, da Sociedade, das Pessoas.
E Segurança Pública não é política de governo; é política de Estado.
Caso Segurança Pública fosse apenas problema de polícia, como afirmam os leigos, então poderíamos fechar os Tribunais; não condenar os criminosos; acabar com os presídios; jogar os códigos penais e processuais fora; não investir no social e na educação; não iluminar as ruas; não manter os criminosos perigosos encarcerados; acabar com o Ministério Público; etc., pois nada disso teria como objetivo e finalidade dar segurança ao cidadão, portanto, não seria segurança pública. No entanto, como tantas outras coisas, também fazem parte da Segurança Pública; como a polícia, também integram a Segurança Pública.
Portanto, segurança pública não é “a polícia”, e a “polícia” não é a segurança púbica, mas como muitos outros setores está na segurança pública integrada e inserida formando um só bloco para dar segurança à população.
Pelo fato de tratarem de forma errada a Segurança Pública do nosso País “achando” que só a polícia é responsável por ela, temos a seguinte consequência: Excluindo Honduras e Venezuela, que são países pequenos, o Brasil passa a ser o país mais violento do mundo. Tem em torno de 30 assassinatos para cada grupo de 100 mil pessoas por ano, enquanto a média do mundo não chega a 5; e, com relação aos policiais brasileiros esse número é nove vezes maior, isto é, são em torno de 270 policiais assassinados, por ano, para cada grupo de 100 mil deles.  
Portanto, não só os integrantes da sociedade, como também os integrantes das polícias brasileiras, e estes em muito maior proporção, são vítimas fatais dessa violência fora os que vão terminar seus dias numa cadeira de rodas ou amparados por um par de muletas também vítimas desses mesmos agressores; só a Polícia Militar do Estado de São Paulo tem mais de 3.000 policiais nessa situação, além de outras sequelas gravíssimas, principalmente psicológicas e psiquiátricas. Isso não ocorre em nenhuma outra parte do Planeta.  
Policiais de países de primeiro mundo que tomam contato com essa violência afirmam que “não teriam condições de trabalhar aqui e que não sabem como o policial brasileiro o consegue”. Ser policial em país de primeiro mundo é fácil.  
E a tendência dessa violência, como um todo, é piorar, caso se insista em tratar a Segurança Pública da mesma forma como tem sido feito até agora, isto é, sempre da mesma forma esperando obter resultados diferentes. “Fazer sempre a mesma coisa esperando obter resultados diferentes é insanidade” (Albert Eistein).
É muito cômodo dar à “Polícia”, em especial à “Polícia Militar”, a condição de única responsável pela Segurança Pública como se ninguém mais por ela tivesse responsabilidade. Isso é injusto! Ilógico! Não está correto! É desconhecer a realidade!     
Na realidade Segurança Pública é uma corrente com mais de 60 elos, todos transversalizados e dependentes uns dos outros; cada um com suas missões; responsabilidades compartilhadas. E é bom lembrar que “nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais fraco”.
A polícia é apenas um elo dessa corrente.
Cada elo que não funciona sobrecarrega o da polícia, em especial o da Polícia Militar. A polícia, sozinha, não vai a lugar algum.
E porque a polícia, principalmente a militar, é tão cobrada como se fosse a única responsável pela Segurança Pública?
Porque é o único elo que trabalha no meio do povo, visto pelo povo, 24h por dia, todos os dias do ano, faça sol, chuva, frio, calor, e em todas as situações de intempéries e circunstâncias adversas, à qual 100% desse povo têm acesso, inclusive em domicílio. Para ter uma idéia da sua importância suponham tirar a Polícia Militar das ruas por 24 horas e calculem quais seriam as consequências.
Lembramos ainda que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a profissão policial é a segunda mais perigosa do mundo e, no Brasil, a mais perigosa. 
E essa sobrecarga que se dá à Polícia Militar faz com que seus integrantes (e ela própria) vivam estressados e no limite; e ainda deles se exigindo a perfeição, e que nunca falhem, como se a falha não fosse própria do ser humano e está presente em todas as profissões (“Na vida só não falhou quem nunca viveu”; “VIDA = RISCO”). Não confundir “falha” com “erro”; “falha” é involuntária, “erro é voluntário”.
Para entender melhor que é “Segurança Pública” e “Polícia” basta imaginar um time de futebol:- “O time da Segurança Pública”. Os jogadores são os elos que compõe a Segurança Pública, cada um com suas missões e, conforme foi retro explicado, todos transversalizados e dependentes uns dos outros; responsabilidades compartilhadas.
E qual a posição que a polícia ocupa nesse time?
É o goleiro, a última barreira.
Pode um time jogar só com o goleiro? Pode uma corrente ter um só elo?
Isto é, pode a polícia atuar sozinha?
No entanto é mais fácil, simples, prático, “politicamente correto” responsabilizar um só elo ou apenas o goleiro (polícia) pela Segurança Pública que toda a corrente e/ou os outros jogadores. Conforme já foi retro afirmado isso não está correto. É injusto!
E quais seriam os outros jogadores (elos) da Segurança Pública?
Muitos; citaremos apenas alguns, como:-
“Combate às causas da violência e da criminalidade” (a polícia não atua nessas causas, mas nas suas consequências, portanto, enxuga o chão com as torneiras abertas. E quais são as causas da violência? De acordo com as neurociências “toda criança que sofrer violência, ou presenciar violência, se no futuro tiver estímulos será uma profissional da violência. E onde isso ocorre? Na quase totalidade das vezes dentro dos próprios lares. Provocada por quem? Na quase totalidade das vezes pelos próprios pais. Assim, parte dos lares brasileiros se tornou fábricas de violentos; parte dos pais artífices dessa violência; e ainda reclamam dela. Nenhuma criança nasce violenta ou criminosa, é o meio em que vive e a forma como é tratada que a transforma. E quais seriam as “vacinas” para evitar tamanha tragédia? Amor e educação para com as crianças! Como se ama? Como se educa? Essas respostas estão em outro trabalho nosso; também com base nas ciências e nas neurociências).
“Justiça em todos os sentidos” (justiça trás paz; injustiça trás revolta e violência).
“Investimentos sociais e educacionais” (sem esses investimentos jamais haverá uma boa segurança pública. Conforme foi retro afirmado segurança pública é muito mais problema “social educacional” do que “policial penal”; só se torna “policial penal” quando o “social educacional” falha).  
“Investimento na polícia” (quem exige tem que dar os meios. A Polícia Brasileira tem o que necessita para melhor servir e proteger a sociedade? Não! Ver o que falta à Polícia Brasileira, em especial à militar, para melhor servir e proteger a sociedade, ao final desta matéria).
“Famílias e lares sólidos” (a família é a célula mater da sociedade. Sociedade, ou parte dela, doente é conseqüência de famílias doentes, e nenhuma polícia do mundo consegue curar uma sociedade doente (ou parte dela). A maior alegria de um filho é ver seus pais se amando; a maior tristeza de um filho é ver seus pais brigando. Os casais brasileiros são os que mais brigam no mundo; a criança brasileira é a que mais apanha no mundo; a criança brasileira é a mais estressada do mundo; e o Brasil é o país mais violento do mundo. Uma simples constatação de causas e efeitos, pois essas circunstâncias desenvolverão, nessas crianças, condições férteis para a violência e a criminalidade).
 “A escola como complemento à educação do lar” (raramente ocorre).
“Espiritualidade” (quem tem Deus no seu coração segura seus ímpetos de violência e criminalidade. Quando Deus está presente em todos os atos da vida de uma pessoa o crime e a violência desaparecem. “Espiritualidade” é ter Deus em tudo que pensa, fala e faz).
“Irresponsabilidade de pais” (pais existem, em grande quantidade, que não fazem a sua parte relacionada à Segurança Pública, mas exigem que outros o façam. Não têm tempo para seus filhos; Não amam seus filhos através da palavra, do tato e do olhar. não educam seus filhos (“educar é ensinar para a vida”); não participam da vida dos seus filhos; não lhes impõe regras e limites com objetividade; não conversam com os filhos; não se divertem com os filhos; não são modelo, exemplo e referência para seus filhos; não oram com seus filhos; não trabalham a autoestima dos seus filhos; não respeitam seus filhos; muitas vezes espancam seus filhos; gritam com seus filhos; impõe-lhes castigos físicos e psicológicos; educa-os através do medo e da ameaça quando filho tem que ter respeito pelos pais e não medo, acabando por lhes desenvolver personalidade deturpada, dificuldade de raciocínio harmonioso e lógico, e visão deformada do mundo que poderão levá-lo ao crime, à violência e às drogas. Portanto, esses pais são artífices da violência e do crime; são coautores da violência e do crime).
“Participação das prefeituras” (levando, principalmente à periferia, que normalmente é marginalizada, saneamento básico, água, energia elétrica, esgoto, calçada, guia, sarjeta, asfalto, iluminação pública, esporte, cultura, lazer, educação, e outras necessidades, a fim de dar autoestima à população. A falta de autoestima é um dos fatores que desencadeia a violência e a criminalidade. Não fornecer alvará para locais geradores de violência, etc.).  
“Transformação de bairros problemáticos em Bairros Educadores” (onde todos os esforços públicos e privados são unificados para promover o capital humano dos moradores desses bairros).
 “Desemprego” (provocando desespero de muitos que acabam partindo para a criminalidade e a violência).
“Políticas públicas em benefício dos jovens ociosos, principalmente nas periferias” (ociosidade é estímulo ao crime e à violência; “cabeça vazia é oficina do Diabo”).
 “Falta de políticas públicas, em harmonia com a sociedade, para tirar os menores das ruas” (infelizmente, os menores que vemos hoje nas ruas, maltrapilhos, “abandonados”, pedindo dinheiro, muitas vezes já usando drogas, serão os criminosos de amanhã. Essa é uma realidade muito triste, mas, no entanto, facilmente solucionável pelos poderes públicos em harmonia com a sociedade que, também, infelizmente, na maioria das vezes, fecha os olhos como se nada tivesse com o problema. Cidades que tiraram seus menores das ruas dando-lhes condições de vida digna e educação tornaram-se as cidades com o menor índice de violência e criminalidade do nosso País).
“Crises econômicas” (a violência e a criminalidade acompanham as crises econômicas, no mesmo sentido).
 “Exclusão social” (estímulo para que muitos partam para o crime e a violência como uma forma de se vingar dessa situação).
 “Ausência de autoestima” (quem não tem autoestima não estima ninguém; é uma das causas da violência e da criminalidade).
 “Álcool” (álcool e violência caminham de mãos dadas. 22% da população brasileira bebem álcool em excesso, isto é, são alcoólatras).
“Leis Penais e Processuais” (sem leis à altura das suas necessidades a Polícia e a Justiça não terão sustentação do seu trabalho; não haverá segurança pública à altura das necessidades da sociedade. Nossos códigos penais e processuais são da década de 1940; estão desatualizados).
 “Impunidade” (a impunidade é o maior incentivo à violência e à criminalidade. No nosso País só 1% dos autores de homicídios, roubos e estupros cumpre pena. “Manter os lobos soltos é penalizar as ovelhas”).
 “Certeza do cumprimento da pena por parte do condenado” (isso não ocorre; e é um grande estímulo ao crime e à violência. O criminoso sabe que “se for condenado” (após muitos anos de processo) irá cumprir apenas uma parte (e pequena) da pena a qual “poderá” ser condenado).
 “Reincidência criminal” (a do Brasil é a mais alta do mundo, pois a impunidade estimula a repetição do crime, e a repetição do crime gera experiência que, por sua vez, condiciona o criminoso a continuar a praticá-lo tornando-se um ciclo vicioso do qual o mesmo não mais terá interesse de abandonar).
 “Sistema criminal” (o nosso é velho, ultrapassado, anacrônico; não funciona).
“Sistema prisional” (também é velho, ultrapassado, anacrônico; não funciona).
“Ressocialização do condenado” (dificilmente ocorre; normalmente o condenado sai da prisão pior do que entrou).
“Vagas carcerárias necessárias” (não existem. O déficit de vagas carcerárias, no País, chega a 60%. “Manter os lobos soltos é penalizar as ovelhas”).
“Presídios, inclusive federais, em número suficiente” (não há; isso leva a que a maioria dos nossos presídios se transformou em depósitos de encarcerados).
“Presídios femininos em número suficiente” (não há).
“Celulares no interior dos presídios” (facilitando encarcerados comandar o crime e a violência do lado de fora).
“Concessão de indulto” (medida justa, mas por falhas das leis também é concedido a quem não o merece, fazendo com que beneficiados já saiam cometendo novos crimes)
“Saída provisória” (medida justa, mas por falhas das leis também é concedida a quem não a merece. Parte dos beneficiados sai e comete novos crimes. Portanto, concedida de forma incorreta colabora para a insegurança do cidadão. Boa parte dos beneficiados nem volta para as prisões).
“Regime semiaberto” (medida justa, mas por falhas das leis tambem é concedido a quem não o merece, fazendo com que parte dos beneficiados já saia cometendo novos crimes. Boa parte dos beneficiados não regressa às prisões, e parte para novos crimes)
 “Liberdade condicional” (medida justa, mas por falhas das leis tambem é concedida a quem não a merece, fazendo com que muitos já saiam cometendo novos crimes)
 “Progressão da pena” (medida justa, mas por falhas das leis tambem é concedida a quem não a merece, provocando sua concessão a criminosos que, mal de veem livres, voltam a cometer novos crimes. Raramente o criminoso cumpre mais de 1/6 da pena à qual foi condenado e é posto em liberdade).
 “Idade entre 14 e 24 anos” (é o período em que a violência e a criminalidade se apresentam com maior intensidade. É a idade da odisséia. É aqui que o Estado, a sociedade, e as pessoas têm que concentrar ainda mais sua atenção. Quanto mais velha uma população menos violência existe nela).
“Sociedade consumista, materialista e competitivista” (boa parte das pessoas vive numa sociedade consumista, materialista, exibicionista e competitivista onde Deus foi substituído por dinheiro e bens materiais e, para atingir seus objetivos, essa parte da sociedade não mede as formas de fazê-lo, e as conseqüências dos seus atos, advindo, daí, o crime e a violência. A “necessidade” de consumo de jovens, por exemplo, faz com que cheguem a matar para conseguir um simples tênis de grife, ou algo parecido. Não é proibido ter dinheiro e bens materiais, mas Deus vem antes).
“Consumo de drogas – Dependência química” (alimentando o tráfico, o crime e a violência. Se não houvesse consumistas não haveria traficantes. As drogas estão acabando com parte da nossa mocidade; com parte das famílias brasileiras; com os pais dos adictos, pois se tornam codependentes dos filhos. Dependência química não tem cura, mas tem controle, como a pressão alta, o diabetes, etc. O dependente químico, através das drogas, perde os sentimentos, isola-se, torna-se agressivo, muda totalmente seu comportamento, desaprende a viver e, quando não tem dinheiro para comprar drogas furta-o, rouba-o, inclusive dos próprios pais; vende o que encontrar pela frente. No entanto, devemos ajudar o dependente químico na sua recuperação e não afundá-lo ainda mais para as drogas. Nenhuma família consegue recuperar um dependente químico seu; para isso o melhor caminho é a internação, por no mínimo seis meses. Infelizmente, no nosso País não há campanhas públicas sistemáticas, constantes, objetivas, e por todos os meios de divulgação, contra as drogas, pois a prevenção é o melhor remédio).
“Prevenção” (é preciso reforçar o lado da prevenção; a começar de dentro dos lares).
“Perícia forense” (principal fonte de prova para qualquer condenação. Sem ela as provas contra os acusados se tornam frágeis. É, por exemplo, o mecanismo mais perfeito para apurar crimes de tortura. No entanto ela é incipiente em quase todos os Estados Brasileiros. Não possui materiais e tecnologia de ponta. Faltam peritos. Falta investimento e equipamentos de ponta para a demanda existente. Precisa ser moderna. Não é constitucionalizada. Não existe lei federal que a norteie. É heterogênea em todo o Brasil. Em virtude disso órgãos estranhos a tem contaminado de forma sistemática).
“Criminalística e medicina legal” (sem elas as provas contra o acusado também se tornam frágeis. Necessita estar á altura das necessidades da Justiça).
“Ministério Público” (é ele quem dá vida às Leis; sem ele o trabalho da polícia não avança; a Justiça não é aplicada; o criminoso não é condenado. Infelizmente o número de Promotores de Justiça está muito aquém das necessidades da sociedade).
“Número suficiente de magistrados” (a média do mundo é de 1 magistrado para cada 8.000 pessoas; no Brasil a média é de 1 para 28.000 pessoas. Milhões de processos estão mofando nas prateleiras dos tribunais brasileiros enquanto os criminosos que lhes deram origem continuam soltos, cometendo novos crimes, e aguardando julgamentos que demorarão anos para serem realizados, se é que serão, e outros tantos para as sentenças transitarem em julgado).
“Juiz da infância e da juventude em número suficiente” (não há).
“Excesso de recursos” (tudo vai parar no STF saturando seus ministros e a Justiça).
“Pesquisa e gestão sobre Segurança Pública” (praticamente não existe. Essa pesquisa é imprescindível para nortear, aperfeiçoar, dar rumos à Segurança Pública).
“Diagnósticos importantes” (Segurança Pública tem que ser tratada como questão “social educacional” e não “policial penal”. Com base nos diagnósticos é que se aplicam medicamentos, isto é, diagnosticado o lado doente da Segurança Pública verifica-se que é necessário para curá-lo).
“Inclusão da Segurança Pública na área de conhecimento e pesquisa” (tem que ser transdisciplinar, transversalizada, e não isoladas. Sem isso é impossível tratar de forma correta a Segurança Pública).
“Colaboração da sociedade para com as instituições policiais” (sem essa colaboração, incluindo denúncias, a polícia terá dificuldades em fazer a sua parte).
“Políticas agrárias, habitacionais e trabalhistas” (se não forem corretas provocarão violência, criminalidade, e a insegurança do cidadão).
“Descuido das pessoas” (atraindo a violência e a criminalidade contra si).
“Fiscalização rigorosa, por parte dos órgãos federais, das fronteiras, portos e aeroportos, a fim de evitar a entrada de drogas e armas no país” (polícias estaduais não atuam nessas áreas, mas acabam sendo vítimas, como toda a sociedade, da fragilidade dessa fiscalização. Sem drogas não haveria as organizações criminosas que infestam o País, e o número de armas nas mãos dos criminosos seria drasticamente reduzido).
 “Personalidade perversa, por parte de criminosos, causando insegurança aos cidadãos de bem” (“personalidade perversa” é provocada pelos traumas recebidos pela criança, principalmente dos pais, quando da formação da sua personalidade, cuja parte principal se estende até 0s 6 ou 7 anos de idade. Nenhuma criança nasce violenta ou criminosa, é o meio em que vive e a forma como é tratada que a transforma. Como já foi retro afirmado, boa parte dos lares brasileiros se transformou em indústria da violência; boa parte dos pais seus artífices. É necessário dar amor e educação às crianças; investir no social e na educação para que isso seja evitado).
“Prepotência dos que tem contra os que não têm” (gerando violência dos que não têm contra os prepotentes).
“Humilhação” (gerando vingança de quem é humilhado).
“Ostentação” (provocando a revolta dos que não têm).
E muitos outros “jogadores” todos fazendo parte do “time da Segurança Pública”; assim como a polícia (o goleiro) o faz.
Quais desses setores (elos) retro citados são da responsabilidade da polícia?
Cada jogador que não cumpre suas obrigações sobrecarrega o goleiro (a polícia).
O goleiro (a polícia) sozinho não vai a lugar algum.
Se a sociedade pudesse ver, com clareza, os outros jogadores do time da Segurança Pública em atividade, como vê a polícia, ficaria, em grande parte, decepcionada com as atuações de muitos desses jogadores, e passaria a cobrar mais, exigir mais deles, e não apenas do goleiro (da polícia) como o faz atualmente.
Por falta desses conhecimentos a quase totalidade das pessoas deseja policiais por todas as partes; transformar o País num Estado Policial.
Ledo engano. Polícia não constroi uma boa sociedade; o que constroi uma boa sociedade são as famílias sólidas, investimentos sociais e educacionais. Todos os jogadores que compõe o time da Segurança Pública atuando de forma efetiva, transversalizada, integrada, e dependentes uns dos outros; cada um cumprindo com suas missões; responsabilidades compartilhadas, entre eles o goleiro (a polícia).
E uma boa Segurança Pública não se obtém da noite para o dia, mas através de muitos anos de esforço e dedicação por parte do Estado (Nação, Estados, Prefeituras), da Sociedade e das Pessoas.
Por falta de um bom time (de uma boa segurança pública) a população, desesperada, tem partido para a via rápida:- Em torno de 70% dos seus integrantes querem que o policial mate os criminosos (desde que não sejam membros da sua família); em torno de 50% querem que o policial pratique tortura contra pessoas suspeitas (desde que não sejam parentes seus); e esses estímulos são um perigo para o policial que se deixa contaminar. Na hora do seu julgamento o policial estará sentado, sozinho, no banco dos réus, e aqueles que o estimulou a matar e praticar tortura estarão em casa tranqüilos tomando uma cervejinha e se divertindo; nem testemunha sua aceitarão ser.
Essa parte da sociedade precisa parar com esses estímulos, e também assumir suas responsabilidades.

Solução para a Segurança Púbica Brasileira: Que cada um dos “jogadores” retro mencionados, e outros que também estão jogando, mas não foram mencionados, façam a sua parte. Deixar apenas o “goleiro” (a polícia) como único responsável pelo time (pela segurança pública) é, no mínimo, um absurdo; um tremendo desconhecimento da realidade; uma forma vil e ultrajante de desmoralizar uma classe que, embora não seja perfeita, como todas as outras também não o são; que vai além dos seus limites; que não tem o que necessita, a partir de leis que garantam seu trabalho para servir e proteger a sociedade; que tem em torno de 270 integrantes seu, para cada grupo de cem mil, assassinados por ano, quando em defesa da sociedade, quando o da sociedade, como um todo, é de em torno de 30; merece um pouco mais de consideração e respeito por parte de quem assim não a vê.

E o que falta à Polícia Brasileira, em especial à Polícia Militar Brasileira, para melhor servir e proteger a sociedade e seus próprios integrantes? (Obs.:- O termo “polícia militar” aqui usado é genérico).
            “Que cada elo (cada jogador) faça a sua parte”.
            “Falta efetivo” (nenhuma polícia militar brasileira tem o efetivo necessário. Especialistas internacionais recomendam 1 policial na atividade fim para cada 250 habitantes em sociedades violentas como a do Brasil.  Nova York tida como modelo e exemplo para o mundo, cuja violência está muito aquém da brasileira, tem 1 policial para cada 180 habitantes. O Brasil, como média, tem em torno de 1 para cada 600 habitantes. Na atividade fim não se somam os policiais que estão de férias  e licença prêmio (em torno de 12% do efetivo total), os empregados na administração, os afastados por problemas de saúde, os que estão freqüentando cursos, os que exercem funções estranhas à sua instituição policial, os do quadro de saúde, os que estão de gala, nojo, e licença maternidade, bombeiros, os que estão fazendo escoltas, os que estão depondo nos tribunais, etc. E o efetivo disponível tem de ser distribuído pelas 24 horas do dia; 365 dias por ano).
            “Faltam leis que deem sustentação ao seu trabalho” (e não só ao trabalho das polícias militares, como das outras polícias, e da Justiça).
            “Faltam materiais e tecnologia de ponta” (sem essas ferramentas a polícia militar ficará tolhida para cumprir com suas obrigações. “Quem exige tem que dar os meios”).
            “Salário digno para os policiais” (a fim de evitar seu desespero e da sua família que irá, certamente, influir na sua atuação com a finalidade de servir e proteger a sociedade e a si próprio. A função policial é a mais complexa, difícil, perigosa, estressante e mal compreendida do mundo; o salário do policial tem que estar à altura da função que exerce).
            “Investir e valorizar o policial; dar autoestima ao policial” (é preciso investir e valorizar o policial; dar autoestima ao policial. Do policial tudo se exige quase nada se dá. Reconhecer seu bom trabalho. Não generalizar falhas individuais como sendo coletivas. Qual categoria não as comete? “Na vida só não falhou quem nunca viveu”. “VIDA = RISCO”. Acrescentar a matéria “Investimento e Valorização do Capital Humano do Policial” em todos os currículos de formação,  e aperfeiçoamento e manutenção; ela tem como finalidade ensinar o policial militar a estar de bem com a vida; a ter amor pela vida, a ter paz e, assim, prestar um melhor serviço à sociedade e a si próprio. Totalmente baseada nas ciências e nas neurociências essa matéria tem 100% de aprovação, com louvor, por parte dos policiais; sempre com aplausos finais em pé).
            “Investir, profissionalmente, no policial que está na ponta da linha” (é através do policial que está na ponta da linha que a sociedade julga a instituição policial a qual pertence, e não pelo que ela tem ou executa na retaguarda. Não adianta ter professores doutores, Ph.Ds, na retaguarda, muitas vezes cheios de condecorações e medalhas, se na “ponta da linha” não houver policiais competentes, eficientes e profissionais).
            “Que as polícias militares cumpram apenas suas obrigações constitucionais” (em média 60% dos seus atendimentos não são da sua obrigação, mas de outros “jogadores”).
            “Falta doutrina” (a existência de doutrina fortalece a polícia militar; a inexistência enfraquece).
            “Mostrar à sociedade quem é a polícia militar” (a sociedade não conhece a polícia militar, por culpa da própria polícia militar; e esse é um dos motivos pelos quais parte da sociedade não tem simpatia pela polícia militar. A polícia militar é uma empresa de prestação de serviços; seus clientes são os integrantes da sociedade, e esses clientes devem ser chamados para dentro dessa empresa para ver como ela funciona e se prepara para servi-los e protegê-los. Não é com divulgação de frases de efeito e dados que se consegue isso. Tem que colocar formadores de opinião, e segmentos representativos da sociedade, no “olho do furacão”, inclusive participando de instrução junto com os policiais militares, de preferência das que colocam a vida em risco e podem provocar tragédias).
 “Mostrar à sociedade quem é o policial militar” (que o policial militar antes de ser policial é um ser humano. Ser humano que chora, ri, ama e é amado. É pai, filho, esposo, irmão, amigo, Tem família; não sai do nada e volta para o nada como muitos pensam. Tem sentimentos; não é uma máquina insensível. Tem dignidade. Tem limitações como todas as pessoas. É gente! Que também falha como todos os seres humanos falham; repetimos:- “Na vida só não falhou quem nunca viveu”. “VIDA = RISCO”. Não confundir “falha” com “erro”; “falha” é involuntária, “erro” é voluntário. E, também repetindo:- A função policial é a mais complexa, difícil, perigosa, estressante, e mal compreendida do mundo).
“Que os Direitos Humanos do policial militar, em face da complexidade e risco do seu trabalho, são mais amplos que os da população em geral” (o policial é o único profissional que dá sua vida para defender a sociedade. Necessita de equipamentos, treinamento, materiais e tecnologia de ponta, à altura das suas necessidades para isso. Ser tratado com respeito e dignidade. Não viver sendo estimulado a matar como pretende boa parte da população, que acha que “bandido bom é bandido morto”. Essa parte da população precisa compreender que o policial não pode atuar fora da lei; se assim o fizer será mais bandido que os próprios bandidos. O policial necessita ter e sentir que tem direito aos Direitos Humanos, já que estes são universais, amplos e irrestritos).
“Preparar o policial para não se contaminar pelos que o estimulam a matar” (caso isso ocorra, na hora do seu julgamento estará sozinho no banco dos réus, e aqueles que o estimularam a matar estarão em casa, tranqüilos, talvez tomando uma cervejinha; nem testemunhas do policial em julgamento aceitarão ser. Para o agressor apenas a Lei!).
            “Muitas vezes falta treinamento correto” (treinamento não é gasto, é investimento; uma polícia é conseqüência do seu treinamento; da qualidade dos seus professores; professores imbecis geram policiais imbecis que por sua vez gerarão uma polícia imbecil. Professores respeitosos geram policiais respeitosos que por sua vez gerarão uma polícia respeitosa. “As pessoas tendem a agir da mesma forma como são tratadas”. É aqui que está o segredo para a construção de uma boa polícia. Trate mal o policial que ele tratará mal a sociedade; trate bem o policial que ele tratará bem a sociedade).
            “Deixar, de uma vez por todas, de “importar” instrução das Forças Armadas”, principalmente de tiro.  (as Forças Armadas são preparadas para matar o inimigo; destruir o inimigo na hora em que ele menos espera e isso é normal para elas. Polícia não tem inimigo. Polícia é uma empresa de prestação de serviço para servir e proteger a sociedade (como outras o são); seus clientes são os integrantes da sociedade os quais tem que ser tratados com educação e respeito; para o agressor a Lei. E aqui vai um adendo:- Preparada e estando condicionada para matar, destruir o inimigo, especialmente a hora que ele menos espera, as Forças Armadas não devem ser usadas como polícia, ter poder de polícia; suas missões são totalmente diferentes).
            “Treinamento idêntico às polícias fardadas e civis em áreas de atuação comum” (o principal deles é sobre o uso da força e da arma de fogo; maior problema de todas as polícias do mundo. Em torno de 95% de todos os problemas graves de uma polícia são causados pela má aplicação do uso da força e da arma de fogo. E qual seria esse treinamento? De acordo com o “CICV”; “DDHH”; “Polícia Comunitária Internacional”; “SENASP”; especialistas e organizações nacionais e internacionais, incluindo da ONU; policiais de modo geral; autoridades, etc., é o “Método Giraldi”®, totalmente científico e baseado nas neurociências, e que está à disposição de todas as polícias e policiais de forma gratuita. Reduz em 100% a morte de pessoas inocentes provocada por policiais em serviço, tambem daquelas contra as quais não há necessidade de disparos (agressores). Reduz em mais de 96% a morte de policiais em serviço; os outros quase 4% são as fatalidades, quase impossíveis de serem evitadas (execuções). Reduz em 100% a perda da liberdade do policial em virtude do uso incorreto da sua arma de fogo).
            “Manutenção e constante aperfeiçoamento de um “Serviço de Inteligência e Informações”, o mais profissional possível, com policiais, materiais e tecnologia de ponta à altura das suas necessidades” (sem um serviço de inteligência e informações nessas condições, profissional e capaz, qualquer polícia permanece amadora e acaba atuando na base do improviso).
            “Que polícia é ciência” (e como ciência deve ser preparada, ensinada, treinada e aplicada).
            “Maior e mais efetiva integração entre as polícias” (essa integração as fortalece e é útil para a sociedade e para as próprias polícias).
            “Integração dentro das próprias polícias” (isso nem sempre ocorre provocando divisões prejudiciais ao seu trabalho e à sociedade).
            “Integração e maior proximidade entre a polícia militar e a sociedade” (imprescindível!).
            “Colaboração da sociedade” (por falta de aproximação entre polícia e sociedade raramente ocorre; muitas vezes por culpa da própria polícia e policiais. “As armas infalíveis para o policial militar conquistar a o respeito, a simpatia, e a colaboração da sociedade são a educação, o sorriso, a humildade e o profissionalismo; para o agressor a Lei!”).
            E outras faltas.

Nilson Giraldi
Nilson Giraldi
Cel PMESP - Professor - Educador
Especialista em:
“Educação” - "Segurança Pública e Polícia" - "Uso Progressivo da Força"
"Gerenciamento de Crises" – “Negociação" - "Polícia Comunitária"
 “Direitos Humanos” – “Direitos Humanos do Policial”
“Violência: Causas, Estímulos, Soluções, Medidas Preventivas”
"Investimento e Valorização do Capital Humano do Policial" - “Relacionamento Familiar e Humano”
“Qualidade de Vida” - "Drogas, Dependência e Codependência Química"
“Armamento, Material e Tiro” - “Competições Esportivas de Tiro”
Autor do "Método Giraldi"®
“Neurociências a elas relacionadas”
Professor, Assessor, Consultor e Palestrante nacional e internacional dessas áreas
Todo o seu trabalho é gratuito

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