quarta-feira, 29 de junho de 2016

O DIREITO DE PENSAR - POR ROBERTO GONÇALVES

 O  DIREITO  DE  PENSAR

Quando criança, ouvi o desabafo, indignado, de meu pai, em relação
à classe política brasileira, após saber que o governo de São Paulo
seria disputado por Jânio Quadros e Adhemar de Barros, dois ícones
do populismo paulista. Guardei para sempre suas palavras proféticas,
quando afirmou que " o Brasil derrotou duas vezes a candidatura
presidencial do estadista Rui Barbosa, colocando no Catete nomes
insignificantes que a história apagou. E hoje, São Paulo, coração do
Brasil, está confinado a populistas coléricos, como Jânio, e
populistas bonachões, tipo Adhemar. E o povo, sempre apaixonado pelos
falsos
Messias, incapaz de pensar a política ".
Uma reflexão da década de 50 que desafia o pensamento acadêmico até
hoje, com as mais diferentes interpretações do fenômeno analfabetismo
político que permeia a cabeça brasileira. A única convergência é que
política não é a praia de nosso povo, fazendo dele vítima preferencial
de sua própria ignorância.
Na certeza do risco zero de indignação popular, os poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário deitam e rolam no exercício de suas funções,
protegidos pela alienação política do povo.
Como sonhar é a legítima defesa do espírito, ouso transformar um sonho
que nasceu na infância em idéias, objetivando reduzir a ineficiência e
os crimes dos três poderes:
1) Extinguir o Senado Federal, prendendo imediatamente Renan
Calheiros, um dos maiores facínoras da política brasileira e hoje
blindado pela situação e oposição, além dos três poderes, escapando,
sistematicamente, até pelo buraco da fechadura.
2) Acabar com todos os tipos de imunidade, transformando todos
cidadãos iguais perante a lei e sujeitos a cadeia na primeira
instância.
3) Eliminar todos os tribunais intermediários, ficando apenas o STF,
composto por onze desembargadores incorruptíveis e de notório
saber jurídico.
4) Acabar com todos cargos comissionados, nos três poderes, nos
Municípios, Estados e União.
5) Vender o máximo de estatais, ficando apenas com as de comprovada
importância estratégica, caso da Petrobrás. E acabar, para sempre, com
a intromissão política nas estatais, dobrando a fiscalização nos
funcionários de carreira, senão eles acabam substituindo os políticos
na
saborosa arte de roubar as estatais.
6) Reduzir a representatividade dos Estados na Câmara Federal, ficando
cada Estado com três deputados obrigatórios, acrescentando mais um a
cada um milhão de eleitores.
7) Acabar com a eternidade dos recursos, inimigo número um da
 verdadeira justiça, porque fonte de morosidade. Condenado em primeira
instância apela ao STF e a decisão do Supremo não tem mais apelação.
8) Enquadramento do Judiciário e Ministério Público que exorbitam de
suas funções, caso da perseguição a Gazeta no Paraná, corporativismo
e autoritarismo amplamente repudiado pela mídia e pela opinião pública.
Nosso judiciário não é um Altar dos Deuses e precisa ter a humildade de
saber que recebem seus salários do contribuinte brasileiro.
9) Reduzir o executivo para treze ministérios: Educação, Justiça,
Defesa, Agricultura, Saúde, Transporte, Relações Exteriores, Fazenda,
Social, Comunicações , Tecnologia, Cultura e Ética. O novo Ministério
da ética englobaria todas ações públicas em favor da luta de mulheres,
negros, índios, gays, etc., além de coordenar todas ações dos
ministérios no
campo da ética.
10) Implantar o Parlamentarismo, já com a Câmara dos Deputados enxuta,
com no máximo 300 Deputados.
                                E, por vias da dúvida, continuar
acreditando em anjos, duendes, gnomos e Papai Noel. Afinal somos o
país dos sonhos.
E sonhar ainda é a mais legítima defesa do espírito !

Roberto Gonçalves é Cientista Político

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