terça-feira, 19 de julho de 2016

46 ANOS DO ROUBO DE UM COFRE QUE FORA DO EX-GOVERNADOR ADHEMAR DE BARROS, POR TERRORISTAS. EM 18 DE JULHO DE 1969

  46 a. do roubo por guerrilheiros de um cofre que fora do ex-governador ADHEMAR DE BARROS com cerca de 2,5 milhões de dólares. No dia 18 de julho de 1969, seguindo o planejamento de JUARES GUIMARÃES DE BRITO e dizendo-se policiais, os ativistas invadiram o local, na casa de ANA CAPRIGLIONE, que fora amante do político, na Rua BERNARDINO DOS SANTOS, número 2, em SANTA TERESA, no RIO. Usaram pranchas para fazer o cofre deslizar até a garagem, colocaram-no em uma caminhonete e o levaram para um “aparelho” da organização, onde o encheram de água  e o abriram a maçarico. Como o dinheiro era clandestino, ANA CAPRIGLIONE não deu queixa do roubo e, chamada a depor, negou a existência do cofre. Mas a repressão já procurava JUARES GUIMARÃES DE BRITO e sua mulher MARIA DO CARMO. Eles pertenciam a VAR-PALMARES, uma organização aparentemente forte. A VAR-PALMARES surgira no meio de 1969, da fusão da primeira VPR (VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA) com o COMANDO DE LIBERTAÇÃO NACIONAL (COLINA), pequeno grupo baseado em MINAS GERAIS, integrado, entre outros, por MARIA DO CARMO e o marido, JUARES. Um levantamento prévio para o roubo do cofre foi feito com a ajuda do hoje ministro do Meio Ambiente, CARLOS MINC, que se passou por pesquisador. A essa organização também pertencia a hoje ministra da CASA CIVIL, DILMA ROUSSEFF. Em setembro de 1969, porém, em um congresso, a VAR-PALMARES “rachou”. A maioria dos delegados se alinhou com o grupo que defendia uma posição mais política, crítica ao “militarismo”. Sete dissidentes, entre eles MARIA DO CARMO e JUARES, sustentaram prioridade para a guerrilha imediata. Saíram e recriaram a VPR. Com o racha, a parte do dinheiro do cofre que não fora entregue ao embaixador da ARGÉLIA, HAFID KERAMANE, acabou dividida entre as duas organizações.  Em 18 de abril de 1970 foi montada uma armadilha para prender JUARES e MARIA DO CARMO. Quando o carro do casal foi bloqueado, JUARES arrancou a arma da mão de sua mulher e disparou contra o próprio ouvido direito. MARIA DO CARMO foi presa e lavada para SÃO PAULO, onde foi torturada para revelar o destino do dinheiro. Ironicamente, parte dos dólares do cofre de ADHEMAR foi entregue – inadvertidamente – pela VPR à repressão, segundo MARIA DO CARMO. Ela conta que, no CHILE, o ex-sargento ONOFRE PINTO, que ficara com o controle da conta, repassou dinheiro ao ex-marinheiro JOSÉ ANSELMO DOS SANTOS, o CABO ALSELMO, acusado de, como agente duplo, ter delatado muitos “companheiros”.

40 anos depois, em julho de 2009, a ex-militante MARIA DO CARMO BRITO revela que aproximadamente 1 milhão de dólares foi devolvido à guerrilha na ARGÉLIA sob aval político de MIGUEL ARRAES. Segundo ela, o governador de PERNAMBUCO, então exilado em ARGEL, garantiu com o depositário da quantia, o embaixador argelino no BRASIL, HAFID KERAMANE, que poderia repassar o controle do dinheiro a ÂNGELO PEZZUTTI, integrante da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR). DE PEZZUTTI, o número da conta em um banco suíço foi, por ordem do ex-capitão CARLOS LAMARCA, entregue ao ex-sargento ONOFRE PINTO, que se deslocou de CUBA para a missão. “eu queria me livrar daquilo, sofri muito”, conta MARIA DO CARMO, uma socióloga e funcionária pública de 66 anos que diz não saber o nome do banco onde o dinheiro estava nem a quantia exata e pela primeira vez em quatro décadas, revela seu destino. Ela avalia que ONOFRE PINTO, integrante da lista oficial de desaparecidos políticos, tinha alguém para operar a conta na SUÍÇA. PEZZUTTI morreu em acidente de moto em PARIS, em 1975. ARRAES, que morreu em 2005, não teve acesso ao dinheiro, afirma MARIA DO CARMO, mas assumiu, com KERAMANE, um aval que ela chama de “curadoria”. Foi a partir do grupo de ARRAES que o embaixador fizera contato com MARIA DO CARMO, que usava o codinome de LIA, e seu primeiro marido, JUARES GUIMARÃES, também da VPR, conhecido por JUVENAL e planejador da ação. Depois do assalto, com dificuldades para esconder a quantia roubada, os dois levaram para o diplomata guardar a parte que a organização não utilizaria imediatamente.  

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