sábado, 10 de setembro de 2016

USAR DROGA É BOM PARA QUEM? - POR ISAAC CARREIRO FILHO



USAR DROGA É BOM PRA QUEM?
“Não preciso me drogar para ser um gênio; Não preciso ser um gênio para ser humano; Mas preciso do seu sorriso para ser feliz.” (Charles Chaplin).                  Por Isaac Carreiro Filho

Certa feita, um conhecido pastor, responsável pelo bem estar espiritual da sua igreja, afirmou em pleno culto que toda droga era boa e ficou reticente... Como a membresia estava perplexa diante de tal afirmação, ele passou a discorrer sobre o tema, dizendo que tudo o que Deus criara era bom, com exceção do Homem, que era muito bom. Imagine uma pessoa ser operada sem anestesia...
Logo, o problema do uso ou desuso da droga depende do fim a que o homem se propõe. Uma pessoa saudável usar droga por puro prazer para alcançar um estado de êxtase foge do campo da razoabilidade. A droga geralmente se transforma em vício, em dependência química. A coisa fica tão grave que, em casos mais agudos, o viciado é capaz de vender os objetos de dentro de casa e roubar para conseguir comprar a droga, usando muitas vezes a violência. O vício macula o viciado, preocupa toda a família e amigos mais próximos. Historicamente, dificilmente um drogado, por si só, consegue sair do vício, que custa caro, sem contar danos irreversíveis ao cérebro e ao sistema nervoso, deixando sequela (alteração anatômica ou funcional permanente, provocada por uma doença ou um acidente, não sendo congênita).
Não se pode confundir respeito aos direitos humanos com livre arbítrio (capacidade de se tomar decisões por conta própria), porque muitas vezes o livre arbítrio pode causar dano a si próprio, a terceiros e ao meio ambiente. A continuar do jeito que a coisa anda o panorama nacional vira uma verdadeira “Casa da Mãe Joana” (expressão da língua portuguesa que significa lugar ou situação que vale tudo, desordem, onde predomina a confusão, a balbúrdia, a falta de organização). Já assistiu ou vem assistindo a este filme no Brasil? (o verbo assistir no sentido de ver é transitivo indireto, exigindo a preposição “a”).
Sabe-se que há drogas lícitas como o álcool e o cigarro, mas que causam vários malefícios ao corpo humano do viciado e das pessoas ao redor. Outras drogas, em nosso país, são consideradas ilícitas como a maconha, a cocaína e o crack. O combate ao narcotráfico proporciona custos cada vez mais elevados aos cofres públicos. Devido à dificuldade do combate, à facilidade de obtenção e venda, à complacência de algumas autoridades e, principalmente, ao rápido retorno financeiro da atividade, há muitas pessoas envolvidas no narcotráfico. Mesmo assim, há defensores da liberalização das drogas no Brasil, como o conhecido sociólogo, cientista político, professor universitário e ex-presidente FHC (Fernando Henrique Cardoso) e outros que permanecem em cima do muro: não são contra nem a favor muito pelo contrário. Em contrapartida, há países onde a lei é mais severa, chegando até à pena capital para o narcotraficante pego em flagrante delito, ou seja, com a boca na botija.
As autoridades e a sociedade devem discutir, sem ideologização, esta delicada questão. Qual a situação dos países onde a droga é liberada? Como andam as pessoas usuárias da droga nestes países? Como vivem os familiares dessas pessoas? Qual a relação custo versus benefício? Existe algum custo financeiro do governo e da sociedade? E tantas outras questões pertinentes ao assunto poderiam ser levantadas.
Sem querer fazer juízo de valor ou mesmo imputar a culpa a quem quer que seja, devem-se afirmar alguns pontos: o combate às drogas dificilmente dá votos nas urnas; a sociedade, preocupada com a sua sobrevivência diária passa ao largo das grandes questões; há pessoas que não abrem mão da sua zona de conforto para ajudar na solução de problemas, se esquecendo de que também deveriam ter papel ativo no processo de melhoria da sociedade e de que parte de seus impostos são gastos para o combate a tantas mazelas, que poderiam ser evitadas com programas de prevenção, de orientação. Na caserna existe uma matéria chamada “Atitudes contrárias a vícios”, que poderia ser perfeitamente adaptada e ensinada nas escolas, nas empresas, nas comunidades, onde quer que haja agrupamentos humanos. Existe realmente vontade política? Chama a atenção um adágio popular que diz que “é melhor prevenir do que remediar.”
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), “droga é toda e qualquer substância que quando introduzida no organismo vivo provoca modificação no funcionamento do cérebro, alterando o comportamento do usuário.” As drogas produzem modificações: no funcionamento do cérebro; alteração do humor; alteração do comportamento. Drogas psicotrópicas ou psicoativas atuam no sistema nervoso central, dificultando a capacidade de pensamento, análise, julgamento e ação. De uma maneira geral, as drogas, segundo os seus efeitos, podem ser depressoras (álcool, tranquilizantes, solventes ou inalantes), estimulantes da atividade mental (anfetaminas, cocaína e crack), perturbadoras (maconha, LSD, chá de cogumelo), ou ainda mais do que um efeito.
As drogas, portanto, são substâncias químicas, naturais ou sintéticas, que provocam alterações psíquicas ou físicas em quem as consome e levam à dependência física e psicológica. Seu uso sistemático produz sérias consequências físicas, psicológicas e sociais, podendo levar ao óbito em casos mais graves, em geral por problemas circulatórios ou respiratórios: a overdose (dosagem em excesso). Além das drogas chamadas tradicionais, os especialistas incluem na lista as drogas lícitas como o cigarro e o álcool.
As principais causas para o consumo de drogas são: curiosidade, problemas, influência, falta de comunicação, timidez, temor, ansiedade, sentimento de emoções, falta de assunção de responsabilidade, rebeldia e diversão.
As principais enfermidades provocadas pelas drogas aos seus consumidores são: hepatites, cirroses, transtornos cardiovasculares, depressão, psicoses, paranoia, transtornos de apetite, úlcera, insônia, fadiga e outras.
Como não poderia deixar de ocorrer, o consumo das drogas também possui consequências, tais como: perda de sensibilidade e de interesse por tudo; prazer de curta duração; a obtenção de droga passa a ser o objetivo principal da vida: rouba, vende os seus bens, comete crimes, pois a droga é cara; graves infecções por contágio como a AIDS e a hepatite; morte por doença, overdose (dosagem em excesso) ou droga adulterada (os traficantes misturam outros produtos para a obtenção do maior lucro possível, sem ter a mínima preocupação com a saúde do consumidor). Para se justificar, o narcotraficante pode se refugiar sob as asas do seguinte argumento: “O vendedor de veneno não se responsabiliza pelo mau uso do seu comprador.” Assim como nem tudo que é legal é moral, “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm.” (1 Coríntios 6).
Caso emblemático é o da atriz catarinense Vera Fischer, internada em julho de 2011 numa clínica de reabilitação para dependentes químicos, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, porque ainda não se libertara do vício das drogas. Essa foi a sua terceira internação.
O trabalho de recuperação do dependente químico envolve uma grande dose de amor e respeito pelo ser humano. Desta forma, presta-se uma singela homenagem a todos aqueles que se dedicam a esta missão, na pessoa da incansável Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), Nobel da Paz em 1979, pelo trabalho de solidariedade para com os pobres e doentes. Enquanto teve vida possuía genuína esperança na recuperação das pessoas, verdadeira essência do amor ao próximo.
 “Não importa o quanto fazemos, mas, quanto amor colocamos naquilo que fazemos.” (Madre Teresa).

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