terça-feira, 25 de outubro de 2016

A BATALHA DE CURUPAYTY - SEGUNDA PARTE - DEPOIMENTO DO TENENTE-GENERAL MANOEL MARQUES DE SOUZA III - CONDE DE PORTO ALEGRE.

A BATALHA DE CURUPAYTY O desastre aliado na Guerra da Tríplice Aliança Parte II O Tenente-General Manoel Marques de Souza III - Conde de Porto Alegre, participou da Batalha de Curupayty na condição de comandante do 2º Corpo de Exército, vitorioso em Curuzú. Na continuidade do ataque, as ações foram sobre as posições fortificadas de Curupayty, quando ocorreu a nossa maior derrota em solo paraguaio. Este é o depoimento de Porto Alegre sobre o que ocorreu em Curupayty, constante da sua Fé-de-Ofício: “Logo depois da tomada desta posição (Curuzú) pedi um auxílio de quatro mil homens de infantaria, para poder prosseguir de acordo com a esquadra na execução do plano que em junta de guerra havíamos combinado, tomando Curupaiti e atacando Humaitá, que estava mal guarnecida de tropas. Não sendo desgraçadamente satisfeito aquele meu pedido, só em 12 deste mês é que o general Mitre aqui chegou com o seu exército argentino com a força de oito a nove mil homens, e no dia seguinte uma brigada de 2.000 homens de infantaria, que o Sr. General Polidoro me mandara. Como, porém, os argentinos não viessem prontos para realizar logo o ataque, tanta demora, como eu previra, dera lugar a que o inimigo desse um grande desenvolvimento ao seu entrincheiramento em Curupaiti, acumulando ali mais de 50 bocas de fogo, sendo uma grande parte de grosso calibre, 68 e 32, e concentrando naquele ponto a maior parte da força do seu exército. Na presença de meios de resistência tão poderosos, como eram aqueles a que me refiro, entendi eu que já não podia ter lugar o premeditado ataque conforme havíamos combinado, devendo sofrer uma modificação nas suas disposições, isto é, que em vez de ser simultâneo o ataque de Curupaiti e o das linhas de entrincheiramento inimigo sobre o Tuiuti onde está o 1º Corpo do Exército, convinha que ao ataque daquele ponto precedesse o das mencionadas linhas, para que o general Polidoro pudesse vir com o seu exército, que dista daqui menos de duas léguas, atacar pela retaguarda as fortificações de Curupaiti, ao passo que nós lhe faríamos o ataque ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DAS ATIVIDADES DA ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL/RIO GRANDE DO SUL (AHIMTB/RS) - ACADEMIA GENERAL RINALDO PEREIRA DA CÂMARA - E DO INSTITUTO DE HISTÓRIA E TRADIÇÕES DO RIO GRANDE DO SUL (IHTRGS) 150 anos da 1ª Batalha de Tuiuti – 400 anos da fundação de Belém do Pará ANO 2016 Setembro N° 184 O TUIUTI 2 pela frente, e então seria forçado a abandonar a posição, tendo dois expedientes a tomar: concentrar suas forças em Humaitá, o que não me parece provável que fizesse, porque teriam ali a sorte das que comandava Estigarribia em Uruguaiana, ou retirar-se procurando passar o Tebicuari, operação esta que, com os poderosos recursos de que dispomos por água, poderíamos malograr, embarcando aqui e fazendo desembarcar acima daquele rio uma força tal que a impossibilitasse de tentar qualquer resistência em Assunção ou de chegar primeiro do que nós a Vila Rica. Não julgando, porém, conveniente os meus colegas generais em chefe semelhante alteração no plano combinado para o referido ataque, forçoso foi submeter-me à opinião da maioria, marcando-se o dia 22 do corrente para o ataque, que deveria ser precedido de um forte bombardeio da nossa esquadra sobre o forte de Curupaiti e seus entrincheiramentos. Cinco eram as colunas dispostas para o ataque, três brasileiras e duas argentinas. A extrema direita do entrincheiramento inimigo, que é o forte de Curupaiti, e o centro do mesmo entrincheiramento, deviam ser atacados por colunas apoiadas por outras do meu exército; e a extrema esquerda, onde haviam construído um reduto abaluartado, seria atacada por uma coluna argentina que era apoiada também por outra coluna. Às 7 horas da manhã do indicado dia principiou o bombardeio da esquadra que pelo bem dirigido dos seus fogos quase fez calar os da artilharia inimiga, prolongando-se até às 11 ½ da manhã, quando o bravo vice-almirante Tamandaré veio prevenir-nos, ao general Mitre e a mim, que ia fazer os encouraçados Brasil, Barroso e Tamandaré forçarem a estacada que o inimigo havia estabelecido pouco abaixo de Curupaiti, e que mandaria cessar o bombardeio, se nós julgássemos chegado o momento de realizar o ataque. De acordo inteiramente com a opinião de Tamandaré, que estava conforme com o que anteriormente havíamos combinado, ordenamos o ataque. Ao assomarem as testas de nossas colunas, mais de cinquenta bocas de fogo, sendo muitas de 68 e 32 (mm), romperam um bem dirigido e horrível fogo que lhes abriram claros quando elas se desenvolviam em linha ao passo de carga, dando entusiásticos vivas ao imperador, à nação brasileira e ao exército aliado. O primeiro entrincheiramento inimigo, que consistia num alto de 12 palmos e 10 de fundo, com o seu parapeito guarnecido de algumas peças de artilharia de campanha, que o inimigo retirou precipitadamente, assim como a força que aí tinha, foi logo transposto. Prosseguindo, porém, o ataque à segunda linha da fortificação, que consistia num fosso, com um grande parapeito eriçado de artilharia, tendo na sua frente um banhado muito atolador e sobre o qual haviam estabelecido abatizes, impossível foi realizar o assalto, que às melhores tropas do mundo seria também impossível levar a efeito. Mesmo assim os nossos bravos soldados permaneceram até às duas horas da tarde naquelas posições, fazendo um vivíssimo fogo sobre o inimigo que ousava assomar-se e debaixo do mais vivo fogo de metralha da artilharia inimiga; até que a essa hora, dizendo-me o general Mitre que era impossível fazer avançar mais a sua coluna de ataque, e considerando-a comprometida na posição em que se achava, pedia a minha opinião acerca do que devia fazer. 3 Respondendo-lhe eu que desde que não tinham podido as nossas colunas abordar a segunda linha da fortificação inimiga, pelos embaraços insuperáveis que haviam encontrado, permanecer ali seria aumentar inutilmente o já considerável número de nossas baixas. Em consequência, ordenamos a retirada, que só às 3 ½ se pode verificar; porque além de eu mandar conduzir todos os feridos, como mortos, que se encontraram sobre o campo, custou e muito a fazer retirar os nossos soldados que estavam fazendo fogo, dizendo eles que não sabiam retirar. Para provar a ordem em que se operou tão difícil operação, bastará dizer que do inimigo não ousou um só sair de suas trincheiras para vir fazer-nos fogo.” No dia 22 de setembro de 1866 o exército aliado teve um prejuízo de 4.061 homens, sendo 2.082 argentinos, e a nossa esquadra perdeu 35 praças; no entanto, como bem disse o general Porto Alegre em sua ordem do dia no 88 de 10 do mês seguinte: “Em Curupaiti ficou ilesa a honra da Bandeira Brasileira.” Fonte: MAUL, Carlos; DE PARANHOS ANTUNES, Deoclécio; et GRAÇA, Jaime Ribeiro da. Conde de Porto Alegre – Bicentenário 1804-2004. Rio de Janeiro: BIBLIEx, 1952, 1ª Ed.; Porto Alegre: Gênesis/Metrópole, 2004, 2ª edição, comentada por Cláudio Moreira Bento et Luiz Ernani Caminha Giorgis. PRÓXIMA SESSÃO DA AHIMTB/RS No próximo dia 16 Set, sexta-feira, a partir das 1630 h, no Auditório do Museu Militar do CMS, à Rua dos Andradas, 630, com a posse do Cel Marcelo Martino Fonseca como Acadêmico (Cadeira Gen Emílio Fernandes de Souza Docca), pré-lançamento do livro “Brasil-Lutas Internas” e coquetel de confraternização. Contaremos com a presença do Cel Cláudio Moreira Bento, Presidente da Federação das Academias de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB). POSSE DE MEMBRO-EFETIVO NA AHIMTB/RS Em 05 de setembro de 2016, esta presidência empossou como Membro-Efetivo da AHIMTB/RS a Desembargadora Federal Dra. MARGA INGE BARTH TESSLER. O evento, informal, foi realizado no Gabinete da Dra. Marga, com a presença dos acadêmicos Dr. CARLOS EDUARDO THOMPSON FLORES LENZ e Cel CARLOS JOSÉ SAMPAIO MALAN. A Dra. Marga é uma diletante da História Geral e da História Militar, pelo que esperamos que possa contribuir com textos para publicação, devido ao seu interesse pelo assunto e alto nível intelectual. A seguir, imagens do evento. 4 Da esquerda para a direita, Dr. Thompson Flores, Dra. Marga e Cel Caminha, no momento da entrega do Termo de Posse. Dra. Marga, com um exemplar do livro “Brasil - Lutas Externas”, ofertado pela AHIMTB/RS, e Cel Malan. Editor: Luiz Ernani Caminha Giorgis, Cel Presidente da AHIMTB/RS. Convidamos para acessem os nossos sites: www.ahimtb.org.br e www.acadhistoria.com.b

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