quarta-feira, 9 de novembro de 2016

MOVIMENTOS SEPARATISTAS NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

MOVIMENTOS SEPARATISTAS NO MUNDO CONTEMPORÂNEO Luiz Ernani Caminha Giorgis Os movimentos separatistas no mundo são históricos e recorrentes. Muitos países contemporâneos se formaram através do separatismo, conquistando assim suas independências. Na contemporaneidade, persistem muitos movimentos, originários de regiões cujos habitantes, autóctones ou não, lutam para se separar de suas “metrópoles”, entendendo, muitas vezes erroneamente, que possuem capacidade de “caminhar sobre suas próprias pernas”. Buscam a autonomia, mas esbarram na relutância das nações mães que alegam impossibilidades constitucionais temendo também que outros movimentos possam surgir e causar a desagregação da nação como um todo. O problema, portanto, é o precedente, que pode se tornar amea- çador. A seguir, alguns movimentos separatistas no mundo atual. - País Basco, na Espanha e na França; - Catalunha, na Espanha; - Galiza, na Espanha; - Córsega, na França; - Curdistão, na Turquia, no Iraque, no Irã, na Armênia e no Azerbaijão; - Quebec, no Canadá; - Caxemira, na Índia, no Paquistão e na China; - Taiwan, na China; - Tibete, na China; - Saara Ocidental, no Marrocos; - Texas, nos Estados Unidos; - Sardenha, na Itália; - Escócia, no Reino Unido; - Irlanda do Norte, no Reino Unido; - Chechênia, na Rússia; - Ossétia do Sul, na Rússia; - Daguestão, na Rússia; - Somalilândia, na Somália; e - Palestina, em Israel. Nos ocuparemos, neste trabalho, de dois movimentos, o da Catalunha e o do País Basco, ambos na Espanha. Eles são muito antigos, mas atuais, recorrentes e consistentes. ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DAS ATIVIDADES DA ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL/RIO GRANDE DO SUL (AHIMTB/RS) - ACADEMIA GENERAL RINALDO PEREIRA DA CÂMARA - E DO INSTITUTO DE HISTÓRIA E TRADIÇÕES DO RIO GRANDE DO SUL (IHTRGS) 150 anos da 1ª Batalha de Tuiuti – 400 anos da fundação de Belém do Pará ANO 2016 Novembro N° 189 O TUIUTI No caso do País Basco, o movimento chegou à luta armada através da organização Euskadi Ta Askatazuna (ETA), surgido em 1959 e que significa “Pátria Basca e Liberdade”. Na Catalunha, não há luta armada atualmente. O movimento emancipacionista entende que é possível obter sua separação da Espanha através de gestões políticas, plebiscitos e ação dos seus representantes no Parlamento espanhol. O País Basco Esta região é situada no norte da Espanha, como mostra a figura abaixo. (Fonte: Google imagens). Um dos contenciosos é que a área da Província Basca ultrapassa a fronteira com a França e abrange uma região a sudoeste deste país. A área possui um total de 20.000 Km², sendo 90% na Espanha e 10% na França. É uma região relativamente autônoma e possui mais de três milhões de habitantes. Historicamente, os bascos (do latim vasco) estão na Península Ibérica há mais de quatro mil anos, tendo resistido a diversas invasões, preservando, entretanto, os seus costumes e a sua cultura, inclusive o idioma, o euskariano, que é de origem celta, não tem nada a ver com o espanhol e é um dos mais antigos da Europa. Denominam-se a si próprios “euskaldunak” e seu “país” é chamado de Bascônia. Representam eles 6% da população espanhola. Conforme Therezinha de Castro, o núcleo geo-histórico da Bascônia foi o Reino de Navarra. Muitos bascos, ao longo do tempo, emigraram, sendo que a maior parte se dirigiu para a Argentina. Eva Perón e o ex-presidente Pedro Eugenio Aramburu Cilveti, assim como o expresidente do Brasil General Emílio Garrastazú Médici, eram de origem basca. A Batalha de Roncesvalles (778 d.C.) é um marco importante na história dos bascos, quando estes venceram Carlos Magno. A região passou a fazer parte da Espanha a partir do século XV, após os bascos terem descido dos contrafortes do Pirineus e a ocupado. Na época pré-republicana, o País Basco havia alcançado a autonomia. Durante a Guerra Civil Espanhola de 1936/39, o ditador Francisco Franco exerceu duríssima repressão ao País Basco, restringindo quaisquer movimentos de independência e proibindo o idioma. Isto, entretanto, provocou ainda mais o sentimento de autonomia e liberdade basco. Com a saída de Franco do poder, retornou a relativa autonomia, o Parlamento próprio e o sistema tributário independente. A nacionalidade histórica é reconhecida pela Constituição Espanhola. A religião é católica mas adaptada à cultura religiosa dos bascos. A população renegou a ação violenta do ETA até este depor as armas em 2011. O ETA continua a existir. O povo é favorável à independência mas contrário às ações terroristas. A Catalunha A Catalunha em vermelho, no NE da Espanha. Fonte: Google. O povo catalão originou-se da mescla de gregos, romanos, godos e franceses. É aparentado com os provençais, e a região só foi incorporada definitivamente à Espanha após a Campanha do Roussillon, no século XVIII. Distingue-se por uma língua própria, o Catalão, diferente do espanhol e do castelhano. O povo possui um acendrado sentimento de independência e dinamismo (Barsa, vol. 4, p. 136). Os catalães não se sentem espanhóis, em face das suas origens étnicas e culturais. O grupo guerrilheiro emancipacionista ETA, de origem basca, também atuou na Catalunha na década de 1980, onde fez 55 mortes no total e no conjunto dos Países Catalães, matou 60 pessoas. A presença do ETA fez com que nascesse o Grupo Armado de Libertação (GAL), financiado pelo estado espanhol. Atualmente, as gestões são somente políticas. Há pouco houve um plebiscito onde a maioria decidiu pela não separação da Espanha. Conclusões A Espanha é uma colcha de retalhos de povos reunidos em torno do núcleo de Castela. Mas existem, no total, dezessete regiões autônomas. Aparentemente, a manutenção do regime monárquico espanhol tem a sensível missão de manter a unidade territorial espanhola, não tolerando quaisquer movimentos emancipacionistas, sob pena da Espanha inteira se ver às voltas com um maciço movimento independendista de graves consequências. Na verdade, a Europa passa por um renascimento das reivindicações autonomistas em vários países. Parece uma volta aos tempos dos ducados, reinos, condados, principados, cidadesestados, dos quais ainda sobraram resquícios como Andorra, Mônaco, Liechtenstein, Luxemburgo, San Marino, etc. São tantos esses movimentos que, caso vitoriosos, a Europa se transformaria em verdadeira colcha de retalhos. Fontes bibliográficas e eletrônicas: - Enciclopédia Barsa, volume 4. - CASTRO, Therezinha. Os sete países bascos. In: Revista A Defesa Nacional, Rio de Janeiro. http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09 /27/internacional/1443387513_04560 7.html brasilescola.uol.com.br/geografia/movi mentos-separatistas-espanha-bascos catalaes.htm LIVROS ADQUIRIDOS NA FEIRA DO LIVRO A AHIMTB/RS adquiriu na atual Feira do Livro de Porto Alegre duas obras de importância. São elas: MAGNOLI, Demétrio et BARBOSA, Elaine Senise. O MUNDO EM DESORDEM – Liberdade versus Igualdade – 1914-1945. Rio de Janeiro: Record, 2011, 1º Volume. MACKEY, Sandra. OS IRANIANOS – Pérsia, Islã e a Alma de uma nação. Rio de Janeiro: BIBLIEx, 2008. Os livros foram adquiridos em preços de ocasião, tendo o primeiro custado 14,90 e o segundo 30 reais. A primeira obra visa esclarecer o que é o mundo atual, tendo por base a primeira metade do século XX e o final da 2ª Guerra Mundial com o advento da Guerra Fria. A segunda obra visa o atual Irã, fazendo uma retrospectiva desde a época do Império Persa, passando pela influência do Islã na grande nação. As capas estão abaixo e as obras estão, desde já, à disposição dos integrantes da AHIMTB/RS na nossa biblioteca localizada nos altos do Museu do CMPA. Editor: Luiz Ernani Caminha Giorgis, Cel AHIMTB/RS lecaminha@gmail.com Acesse os nossos sites: www.ahimtb.org.br www.acadhistoria.com.br

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