sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

53º ANIVERSÁRIO DA DIRETORIA DE SAÚDE DA PMESP - NOTA ALUSIVA

Nota alusiva ao 53º Aniversário da Diretoria de Saúde
Bom dia.
 A preocupação com a saúde dos militares remonta ao início da civilização e a formação de exércitos.
Equipes militares de saúde, constituídas por médicos, dentistas, farmacêuticos, médicos veterinários e enfermeiros, desempenham grande papel na manutenção de condições sanitárias adequadas para suas tropas. Cabe lembrar que nas Guerras Napoleônicas, assim como em outras, havia mais baixas causadas por doenças e epidemias que propriamente ferimentos em batalhas.     O tratamento mais comum para ferimentos graves, tratáveis à época, era a amputação de membros. Cirurgiões reutilizavam os mesmos instrumentos inúmeras vezes sem mesmo lavá-los. Enquanto 45.000 soldados sucumbiram em ação, um número dez vezes maior de inacreditáveis 505.657 soldados morreram por doenças.
As Guerras Napoleônicas, no entanto, trouxeram grandes avanços à medicina militar. O Baron Dominique Jean Larrey, considerado por muitos como o pai da medicina de combate, plantou os fundamentos do resgate médico como nós conhecemos hoje, através das suas ambulance volante, as ambulâncias voadoras.
Podemos fazer um paralelo do resgate de soldados feridos do campo de batalha com o nosso sistema de resgate de acidentados no trânsito das grandes cidades. Rotinas desenvolvidas a partir do campo de batalha passam a ser amplamente utilizadas no mundo civil. Não por acaso, equipes de resgate, incluindo-se os médicos, frequentemente são militares, e no Estado de São Paulo, Oficiais Médicos da PMESP foram pioneiros na introdução do resgate.
Larrey foi também um dos pioneiros no conceito de trazer suporte de saúde para a linha de frente da batalha. Esses conceitos foram utilizados posteriormente nas unidades médicas móveis das forças armadas norte-americanas.
Neste diapasão, formamos recentemente o primeiro grupo de instrutores brasileiros de Suporte de Vida em Ambiente Tático (PHTLS militar) em parceria com o Colégio Americano de Cirurgiões e a Faculdade de Medicina da USP, sendo este curso pioneiro no Brasil, e nesta data, por uma feliz coincidência, começamos a segunda turma no Centro Médico, formada por Oficiais tanto do QOS como do QOPM e praças,  e os convido a presenciarem uma atividade que ocorrerá aqui ao lado, no campo da querida APMBB, por volta do meio-dia.
Equipes brasileiras de saúde militar participaram de importantes momentos da nossa história: Guerra do Paraguai, Revolução Constitucionalista de 1932 e Segunda Guerra Mundial.
Cabe salientar a atuação do Prof. Dr. Alípio Corrêa Netto. Além de sua experiência como médico militar na epopeia constitucionalista de 1932, fez carreira universitária galgando o cargo de Professor Catedrático de Cirurgia na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Alistou-se na FEB e teve atuação destacada a ponto de receber elogios diretos do General Mark Clark, comandante do 5º Exército Americano e das forças aliadas na Itália. Coube ao então Major Médico Alípio Corrêa Netto comandar o 32nd Field Hospital, em Valdibura, no sopé do Monte Castelo, apesar de ser uma unidade americana.
A evolução da saúde militar seguiu o desenvolvimento tecnológico dos exércitos e da medicina civil. No entanto, em muitos casos, necessidades criadas no campo de batalha e a ação pioneira de equipes militares de saúde criaram conhecimentos que passaram a ser aplicados no mundo civil em tempos de paz.
A Polícia Militar do Estado de São Paulo, com cerca de 150.000 homens entre ativos e inativos, conta com uma Diretoria de Saúde e o Quadro de Oficiais de Saúde (QOS) que dá suporte à seleção, cuidados de saúde em todos os níveis, perícias médicas e medicina tática.
As atividades das equipes de saúde militares incluem (sempre baseadas nos princípios de melhor gestão): atendimento primário preventivo em todos os policiais militares do Estado de São Paulo; atendimentos em níveis secundário e terciário nos Centros Odontológico, de Reabilitação e Médico (com Serviços de Pronto Socorro, UTI, ambulatórios e cirurgias eletivas em várias especialidades médicas); remoções de policiais militares enfermos; realização de perícias médicas para o ingresso na corporação e na avaliação de capacidade laborativa durante todo o período de trabalho na instituição, assim como pareceres sobre invalidez temporária ou permanente e seus aspectos indenizatórios, além do acompanhamento da tropa em grandes operações.
Enalteço também o trabalho dos demais Oficiais Médicos Veterinários e Farmacêuticos, assim como toda nossa equipe de praças, com atividades multidisciplinares.
A característica singular de nossa atuação, calcada nas melhores práticas médicas e no controle dos processos periciais, com perfeita identificação com os valores institucionais, permite que a PMESP tenha um dos menores índices de absenteísmo no Estado de São Paulo (sempre abaixo de 2%, sendo mostrados os meses mais recentes nas tabelas abaixo), quando comparado com outras Secretarias de Estado.
Destaco também as funções de medicina tática junto à tropa em grandes eventos, catástrofes e em missões específicas da Polícia Militar. Exemplos recentes foram permanências diuturnas junto com a tropa no incêndio em Alemoa (Santos) assim como no acidente com os contêineres da Localfrio no Guarujá, e o apoio prestado para a Secretaria de Estado da Saúde no atendimento a população com dengue e na recente enchente em Franco da Rocha.
Cabe salientar ainda o público progressivamente maior a ser atendido, decorrente da maior longevidade da população. O policial militar padece das mesmas doenças crônicas que acometem a população civil, e é vítima de traumas graves com frequência maior do que esta.
E o motivo do nosso trabalho é este: o policial militar!
Agente de segurança, convivendo continuamente em situações de alto risco, sempre em busca de proteção da vida humana, e aqui, porque não dizer, um profissional da saúde, muitas vezes o primeiro agente para atender a população nesta área. De forma similar ao profissional de saúde, parafraseando um texto do Professor Doutor Luiz Decourt, o policial militar é a pessoa que realiza seu trabalho como um ato de solidariedade e de afeto; com dádiva não apenas de técnica, mas ainda de tempo e de compreensão; que sabe ouvir com interesse, transmitindo ao cidadão em apuros a certeza de que sua narração é recebida como o fato mais importante desse momento. Trazendo amparo para os que não têm amparo; com certeza de apoio dentro da desorientação, do pânico ou da revolta que a doença chamada insegurança traz.
São vários os agradecimentos, próximo do final deste diálogo com os senhores e senhoras: Ao Excelentíssimo Cmt Geral e demais Integrantes do Alto Comando da Instituição, preocupados com a valorização do policial militar, atentos à política de saúde, sempre de portas e corações abertos, felizmente sadios, diga-se de passagem. Falando em Alto Comando, faço uma menção honrosa ao Comando de Policiamento de Choque, Diretorias de Pessoal, Educação e Cultura e Finanças e Patrimônio. Vocês são formidáveis!
Aos Comandantes e integrantes do Centro Médico, Centro Odontológico, Centro de Reabilitação e Departamento de Medicina Veterinária, companheiros na árdua e não menos prazerosa missão da saúde, minha gratidão eterna pelas sempre imediatas respostas e trabalho magnífico.
A PRÓ-PM - Associação Beneficiente Pró-Saúde Policial Militar do Estado de São Paulo,   inestimável pilar de sustentação na aquisição de equipamentos e exames subsidiários de excelência para os Centros.
A Associação dos Oficiais de Saúde, nosso ente representativo, pelo suporte técnico, inclusive na realização desta solenidade, juntamente com a Sociedade Veteranos de 32, escola do verdadeiro patriotismo.
Com certeza omiti vário nomes importantes neste agradecimento, e peço que me perdoem esta falha.
Muito obrigado e Muita Saúde, que é o que interessa!

Quartel em São Paulo, 25 de novembro de 2016. Assina a nota Coronel Médico PM Roberto Rodrigues Junior Diretor de Saúde

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