terça-feira, 25 de outubro de 2016

PLANEJAMENTO DE GESTÃO PARA OS NÚCLEOS BASE NAS MÍDIAS/REDES SOCIAIS - MEUS CUMPRIMENTOS AO PRESIDENTE DO NÚCLEO-MMDC NORTE "GENERAL EUCLYDES FIGUEIREDO"

Sociedade Veteranos de 32 – MMDC

Planejamento de gestão para os Núcleos Base nas mídias/redes sociais

Sociedade Veteranos de 32 – MMDC
Fundada em 7 de julho de 1954
Monumento Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 32
Praça Ibrahim Nobre, São Paulo/SP, Tel: (11) 3105-8541
Utilidade Pública pela Lei Estadual 5.530 de 14/1/60 e pelo Decreto Municipal 8.790 de 23/5/70

Escopo
Este projeto visa organizar e potencializar os trabalhos dos Núcleos Base da Sociedade Veteranos de 32-MMDC, posicionar corretamente as diretorias destas variantes de sucursal, especialmente em sua adequação às mídias e redes sociais, isto é, organizá-los na rede mundial de computadores, à semelhança dos Núcleos de Correspondência. Também com o fito de obter bons resultados nos aspectos de imagem da Sociedade e seus núcleos, aumentando a credibilidade dos mesmos, com estreitamento de relacionamento com os associados e não associados, manutenção de uma reputação positiva, identificação do público e expansão do quadro de associados, sobretudo, produtivos no que concerne o bem da instituição, e o que é mais importante, o culto à Revolução Constitucionalista de 1932.
REDE OU MÍDIA SOCIAL?
Importante explicar que a definição de “mídias” ou “redes” sociais, podem variar. Mas há opinião consensual entre os profissionais da área e que interpretam ser “mídia social” os sites na internet que tem a finalidade de colaborar com conteúdos e informação sobre, por exemplo algum produto, informações sobre alguma coisa, ex: Youtube, site do governo do estado de São Paulo,  site de empresas etc. E que “rede social” seriam as páginas onde o foco é o relacionamento, reunião e pessoas que querem expor seu perfil,  expor sua vida,  interagir com outras pessoas, ex: Facebook, Myspace, Orkut, Google-Plus. Então é evidente que a Sociedade Veteranos de 32 -MMDC possui as duas plataformas, redes e mídias sociais.
QUAIS AS MÍDIAS/REDES DA SOCIEDADE?
Sem dúvida, o maior e melhor trabalho que a Sociedade tem em mídia social é o blog Memórias do Ventura, criado e administrado pelo nosso presidente, Cel PM Mário Ventura desde agosto de 2009 e que já ultrapassou incríveis dois milhões de acessos,  vêm adicionando todas as informações sobre o MMDC. Há outros colaboradores que na medida do possível, de certa maneira, também administram redes e mídias sociais da Sociedade MMDC ou que a citam, alguns são associados e outros amigos não associados, uma vez que publicando fotos de nossos eventos e citando o nome da instituição na internet em alguma rede/mídia.
Importante expor que, segundo o site http://www.cgi.br/ (Comitê Gestor de Internet no Brasil), aponta os dados subsequentes: 95% dos empreendimentos brasileiros tem presença online; 102 milhões de brasileiros usam as redes sociais via celular, o mesmo que 52% de todos os brasileiros sendo que, 89% via celular; 40% via computador; 19% via tablete; 13% via televisão e 8% via videogame. Com isso, o Brasil conquista a quarta posição entre os países que países que mais acessam a internet.
Atualmente não temos colaboradores que sejam profissionais em marketing de mídias/redes sociais, ou seja, um Analista, contudo, obtendo diretrizes de um profissional da área, José Cardoso do Grupo Newcomm, consultado pelo professor Rodrigo Gutenberg, podemos executar melhor nossos trabalhos nos canais considerados oficiais, que atualmente são (Se houver mais algum canal que seja da Sociedade e não consta na lista, favor informar):

REDES SOCIAIS E MÍDAS DA SOCIEDADE MMDC

1. Blog Memórias do Ventura –

2. Novo site Oficial da Sociedade Veteranos de 32 – MMDC

3. Facebook Oficial Sociedade Veteranos de 32 – MMDC

4. Youtube Oficial da Sociedade Veteranos de 32 – MMDC - https://www.youtube.com/channel/UCjo_NGD6Dg0CmoFf5m69TAw

5. Relação dos blogs de Núcleos de Correspondência - http://mmdc.itapetininga.com.br/rela_nc.htm

6. Site do Núcleo MMDC Atibaia “Soldado Bento Soares”

7. Blog do Núcleo MMDC Norte “General Euclydes Figueiredo”http://mmdcnorte.blogspot.com.br/

8. Site do Núcleo MMDC Ribeirão Preto – “Sgt João da Costa Machado” - http://mmdcribeirao.com/

9. Amigos Sociedade Veteranos de 32 MMDC - Grupo Facebook - https://www.facebook.com/groups/374142165988813/?fref=ts

10. Site do Núcleo MMDC Leste “Juventude Constitucionalista” - http://www.mmdcleste.com.br/site/

11. Facebook do Núcleo MMDC Bauru “Voluntário Joaquim Zagui” - https://www.facebook.com/mmdcbauru

12. Amigos do MMDC – Grupo Facebook - https://www.facebook.com/groups/303505056659569/

13. Antigo site oficial da Sociedade Veteranos de 32 – MMDC – http://www.sociedademmdc.com.br/


COMO PROMOVER OS NÚCLEOS BASE NA INTERNET?
Vale lembrar que o presente trabalho servirá para as melhorias administrativas das páginas já existentes e vindouras dos Núcleos Base. Seguindo os passos dos Núcleos de Correspondência, fica proposto que os Núcleo Base que ainda não tenham um site ou blog vigente, crie na plataforma Blogger da Pyra Labs - Google, sua própria página. O atual presidente do Núcleo MMDC Norte, professor Rodrigo Gutenberg, disponibiliza-se em dar todo o suporte para a que cada Núcleo Base tenha seu próprio blog e assim possa compartilhar suas informações, registro de seus eventos, e até mesmo pesquisas históricas, ajudando a cultivar os trabalhos dos de Núcleos de Correspondência. Se o Núcleo optar pela criação de um site e não de um blog, também será aceito, entretanto, o Núcleo será o responsável pela formação. A criação de páginasfd no Facebook também é muito importante, mas a existência de um blog ou site seria fundamental. Já há um layout escolhido e seria a ser usado pelos Núcleos Base. Trata-se de um design simples e de fácil manutenção, vide o blog do MMDC Norte.
A união dos Núcleos de Correspondência forma um grupo importantíssimo da Sociedade Veteranos de 32 – MMDC a organização deste deve ser seguida pelos Núcleos Base, que atualmente encontram-se totalmente desconexos, e é algo a ser solucionado urgentemente, haja vista o nascimento de importantíssimos Núcleos Base e que não tem sequer uma página na internet, com exceção de alguns já citado.

SUGESTÕES DE AÇÕES

Uma vez criadas as páginas dos respectivos blogs os Núcleos Base fica sugerido adotar as seguintes condutas:

·         Padronizar as páginas aos moldes da página do Núcleo MMDC Norte;

·         Fazer um histórico do patrono (se tiver) do respectivo Núcleo;

·         A manutenção da página periodicamente é muito importante, pois manterá uma audiência fidelizada;

·         Todo o conteúdo gerado deve conter imparcialidade e ética, respeitando o estatuto da Sociedade Veteranos de 32 – MMDC;

·         Zelar pela imagem da Sociedade V. 32 - MMDC é fundamental;

·         Criar e manter página no Facebook aos moldes dos existentes, pois isso aumentará a exposição do respectivo blog, reciprocamente;

·         Os Núcleos base devem manter online a ficha de inscrição da Sociedade V. 32 – MMDC e associar o máximo de pessoas à instituição;

·         Auxiliar na divulgação das mídias e redes sociais correlatas à Sociedade V. 32 – MMDC;

·         O Núcleo Base poderá optar por um site profissional ao invés de um blog;




CONCLUSÕES FINAIS

O presidente do Núcleo MMDC Norte, professor Rodrigo, disponibiliza-se para contribuir para que os futuros sites, blogs, páginas de Facebook entre outras, dos Núcleos Base, possam ser criadas e mantidas e atualiazadas, pois é de extrema urgência a organização na internet dos referidos núcleos, exceto os que já tem e fazem este importante trabalho.
Como já falado anteriormente a internet poderá contribuir e muito na divulgação da imagem da Sociedade e dos próprios núcleos e a História da Revolução Constitucionalista de 1932.  




*Professor Rodrigo Gutenberg
Núcleo MMDC Norte – “General Euclydes Figueiredo”


CARÍSSIMO RODRIGO

Furtaram o meu celular da mesa de trabalhos no Museu Militar, em 20 de outubro
Isso me deixou profundamente chateado, em considerando que na sala somente entra
pessoas da PM. Além de levar o celular, o ladrão furtou dois vales-refeições, demonstrando
seu lado perverso e bandido.
Gostei do seu trabalho, aprovo e parabenizo pela iniciativa. Pode pode em prática a partir de agora.
Vou colocar em meu blog.

CORONEL PM MARIO FONSECA VENTURA
PRESIDENTE DA SOCIEDADE VETERANOS DE 32-MMDC
MONUMENTO MAUSOLÉU AO SOLDADO CONSTITUCIONALISTA DE 32
PRAÇA IBRAHIM NOBRE
FONE: 3105 8541  

A BATALHA DE CURUPAYTY - ÚLTIMA PARTE - GENERAL TASSO FRAGOSO.

A BATALHA DE CURUPAYTY - O desastre aliado na Guerra da Tríplice Aliança - Parte III (última) Completando o ciclo de edições referentes à batalha de Curupayty, O Tuiuti traz nesta edição o estudo do maior historiador brasileiro sobre a Guerra da Tríplice Aliança, o General Augusto Tasso Fragoso. Seu livro, em cinco volumes, é o melhor clássico sobre a guerra. A abordagem sobre a derrota está no volume III. Completando, temos a opinião do historiador Professor Doutor Francisco Fernando Monteoliva Doratioto, inclusive as consequências do insucesso aliado que foi, principalmente, a nomeação de Caxias para Comandante das tropas brasileiras. Os preparativos para o ataque a Curupaiti No dia 13 de Setembro, o chefe da comissão de engenharia do 2° corpo, major Rufino Enéas Galvão, fez um reconhecimento da posição inimiga, levando consigo dois de seus oficiais e, como elemento de proteção, o 29° batalhão de voluntários (tenente- -coronel Astrogildo Pereira). De regresso, apresentou a Pôrto Alegre1 um esboço da mesma posição, que lhe aparecia como formada de dois fortes extremos, ligados por uma cortina, e nos quais flutuava a bandeira paraguaia. No dia 15, Mitre e Pôrto Alegre executaram pessoalmente outro reconhecimento, acompanhados do 1 Tenente-General Manoel Marques de Souza – Conde de Porto Alegre. major Rufino Enéas Galvão e de outros oficiais. No dia seguinte (16), foi o major Galvão, com o comandante do corpo provisório de artilharia a cavalo, escolher uma boa posição para a artilharia, levando outra vez de proteção o batalhão já referido. Nesse mesmo dia começou-se, ao escurecer, a construção de um espaldão para 12 bocas de fogo, no lugar que se reputou mais adequado. Trabalhou-se até o amanhecer de 17. Uma descoberta do inimigo aproximouse, mas foi repelida pelo batalhão que protegia as obras naquele momento (o 36° de voluntários). Segundo Tamandaré, só no dia 17 estavam as forças prontas para o ataque, "em consequência - diz ele - das ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DAS ATIVIDADES DA ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL/RIO GRANDE DO SUL (AHIMTB/RS) - ACADEMIA GENERAL RINALDO PEREIRA DA CÂMARA - E DO INSTITUTO DE HISTÓRIA E TRADIÇÕES DO RIO GRANDE DO SUL (IHTRGS) 150 anos da 1ª Batalha de Tuiuti – 400 anos da fundação de Belém do Pará ANO 2016 Outubro N° 186 O TUIUTI 2 delongas que "resultaram de um movimento tão considerável de tropas". Mas, na madrugada de 17 sobreveio forte temporal e desde às 9 da manhã deste dia começou a chover copiosamente; o aguaceiro continuou nos dias 18 e 19 até a manhã de 20. A 20 e 21 restabeleceu-se o bom tempo. Os trabalhos do espaldão continuaram na noite de 18 e nessa mesma noite ficaram prontos. Mitre, Flores e Tamandaré reuniram-se em junta de guerra e decidiram que o ataque se fizesse no dia 22. O generalíssimo faz alusão a este contratempo em sua carta a Marcos Paz (Vice-Presidente) de 20 de Setembro: "Tudo estava pronto no dia 16 - escreve ele - combinou-se o ataque para 17, conforme o plano de que lhe remeto cópia. A 17 choveu e o almirante achou que isso era um inconveniente para o bombardeio, o qual, segundo o convencionado, devia preceder o ataque, como era natural. Desde então até esta noite (de 19 para 20) tem chovido quase sem interrupção; achamo-nos sobre um lodaçal e com os caminhos perdidos. Isto interrompeu a nossa operação. Espero, todavia, que os caminhos melhorem rapidamente para prossegui-la segundo o que se combinou ou para modificá-la se sobrevierem circunstâncias e for conveniente" 2. 2 Na mesma carta alude Mitre a vacilações de Pôrto-Alegre, em vista dos informes dados por um trânsfuga paraguaio, que dizia haver em Curupaiti nove batalhões, cinco regimentos e de 40 a 50 peças de artilharia. Parecia ao comandante do 2° corpo do exército brasileiro que o ataque deveria ser iniciado por Polidoro nas linhas de Tuiuti. Mitre dissentia. Achava que López reforçara, sem dúvida, Tuiuti, mas deixara suas reservas em uma posição equidistante de Curupaiti e de Tuiuti, de modo que pudesse acudir a qualquer destes pontos. Dominado por essa ideia, manteve-se firme na decisão A esquadra lançou alguns projetis contra Curupaiti nos dias 16, 17, 19 e 21. "Apesar de não terem sido ineficazes os bombardeamentos "que fiz com a esquadra, por diversas vezes, até mesmo de noite, "os paraguaios aumentaram considerávelmente as fortificações "de Curupaiti durante os 19 dias decorridos depois da tomada de "Curuzu..." (Parte de Tamandaré). No dia 22 de Setembro - dia do ataque - a colaboração da esquadra tinha de assumir extraordinária importância. Cabia-lhe a missão de primitiva. Pôrto Alegre e Tamandaré afinal concordaram "embora não se manifestando animados da mesma fé e brios ‘anteriores’, o que Mitre atribuía, não só à sua natural indecisão, ‘senão também aos zelos que lhes causava a sua presença e a das tropas argentinas em Curuzu, pois ambos são muy pequenos e nisso não se parecem "nem com Osorio, nem com Polidoro’". E refletia: "Este ofício de general em chefe dos exércitos aliados, em que é necessário ter energia e inteligência por todos, e em que nenhum general ‘colabora nem com iniciativa, nem com resoluções, é um verdadeiro ofício ‘de condenado, no qual se esterilizam os esforços mais vigorosos, ficando ‘para mim a responsabilidade do que não se fez, além dos desgostos que ‘daí promanam’". E mais adiante: "A posição inimiga é forte, porém, com os bombardeios da esquadra temos meios suficientes de conquistá-la, embora perdendo, como é natural, alguma gente. É pena que não houvéssemos feito o ataque a 17 porque tudo estava perfeitamente disposto e teríamos colhido um dia glória se o almirante Tamandaré cumprisse o que ofereceu; Eu tinha dúvidas quanto a esta parte, embora ele se mostrasse então muito decidido. De qualquer modo, porém, teríamos ido para a frente. O tempo perdido fez-nos muito mal, mas trataremos de recuperá-lo". 3 bombardear previamente a posição inimiga, acometendo-a sobretudo pela frente fluvial, de modo que os seus tiros enfiassem a trincheira terrestre. À esta ação naval devia correr paralelamente uma outra da artilharia de terra. Só depois dessa preparação preliminar, as tropas aliadas partiriam ao ataque. A operação desenrolar-se-ia, de modo geral, mais ou menos como em Curuzu. Também aqui parece não ter havido nenhuma ordem escrita; tudo se limitou com certeza a meras combinações verbais. - O ataque a Curupaiti - Na manhã de 22, o almirante iniciou a ação naval. Foram estes os navios que nela tomaram parte: Encouraçados: Brasil, Barroso, Lima Sarros, Baía e Tamandaré; Bombardeiras: Pedro Afonso e Forte de Coimbra; Chatas bombardeiras: N. l, N. 2 e N. 3; Canhoneiras: Beberibe, Magé, Parnaíba, Belmonte, Ivaí, Mearim, Iguatemi, Araguari, Araguaia, Ipiranga, Henrique Martins e Chuí. Às 7 e meia estavam fundeados em determinadas posições. O almirante mandou que os encouraçados Baía e Lima Barros avançassem "até descobrir o forte de Curupaití e rompessem ‘fogo contra ele’”. Ao mesmo tempo “a linha de trincheiras do inimigo” era bombardeada pelo Brasil, Barroso, Tamandaré, Ipiranga, Belmonte e Parnaíba, bombardeiras Pedro Afonso e Forte de Coimbra e chatas ns. l, 2 e 3. Os demais navios da esquadra foram tomando sucessivamente posições convenientes abaixo de Curupaiti, "das quais ‘bombardeavam o campo adverso sem estarem expostas aos ‘fogos do forte’". O laconismo da parte de Tamandaré e dos seus subordinados não faculta uma reconstituição precisa dessa fase importante do bombardeio. Colhese, todavia, a impressão de que os navios tomaram posição à jusante de Curupaiti e daí dispararam as suas peças. Só os dois encouraçados Baía e Lima Barros acercaram-se mais do inimigo. Ao meio dia, porém, os encouraçados Brasil, Barroso e Tamandaré subiram, por ordem do almirante, romperam uma estacada posta no rio e foram colocar-se em frente à trincheira fluvial. Daí atacaramna a curta distância (cerca de uma amarra). Ao mesmo tempo o Lima Barros, o Baía, a Parnaíba, a Beberibe (com a insígnia do Barão de Amazonas, chefe de estado-maior de Tamandaré) e a Magé, todos "colocados do lado do Chaco obliquamente à bateria inimiga" descarregavam sobre ela a sua artilharia. Nessa ocasião - diz Tamandaré - mandei convergir "todos os fogos para o forte, porque já avançavam os assaltantes, e o fogo de artilharia e fuzilaria era geral em toda a extensão das trincheiras. As canhoneiras fundeadas à margem esquerda começaram "a trabalhar somente com o rodízio de proa. Em dado momento (ao que parece, cerca do meio día), a Beberibe içou o sinal convencionado com o exército para o ataque. Consistia na bandeira brasileira desfraldada no tope grande. Içado o sinal, cessaram os navios de atirar para os entrincheiramentos e convergiram os seus fogos para a frente”. A preparação feita pela artilharia da esquadra durara cerca de quatro horas e meia. Vejamos agora como Mitre se lançou contra a posição inimiga. Segundo Rio Branco, Pôrto Alegre dispunha de 10.580 homens, inclusive 4 uns 200 enfermos. Seu efetivo depois do ataque a Curuzu era de 3.500 infantes, 3.400 cavaleiros e 680 artilheiros. Total, 7.500. Recebeu ainda 500 homens de sua cavalaria que haviam ficado em Tuiuti e Polidoro mandou-lhe do 1° corpo, no dia 4 de Setembro, o 12° batalhão de voluntários (500 homens), e, no dia 12, a brigada Paranhos (cinco batalhões, com 2.000 homens). O efetivo do 2° corpo passou assim a cerca de 6.000 infantes, 3.900 cavaleiros e 680 artilheiros. Quanto ao exército argentino, já vimos que Mitre declarou a Pôrto Alegre levar consigo para Curuzu 9.500 a 10.000 homens (32 batalhões) e duas baterias de artilharia raiada. O efetivo brasileiro era, pois, aproximadamente igual ao dos argentinos. A força disponível para o ataque devia orçar em 20.000 homens. Mitre avaliou-a na sua parte em mais de 18.000 conforme já referi. Às 8 horas da manhã a artilharia brasileira foi ocupar o espaldão que lhe havia sido preparado "a conveniente distância do entrincheiramento inimigo". Seguiram oito peças raiadas de quatro e quatro estativas de foguetes do corpo provisório de artilharia a cavalo (major Lobo d'Eça) e dois canhões obuses (um e 12 e outro de 14, dos tomados em Curuzu) e dois obuzes de montanha do 4° batalhão de artilharia a pé (major Rego Monteiro). Abriu-se o fogo logo que a cerração se dissipou (cerca das 0830), afim de contrabater a artilharia das trincheiras inimigas e preparar o ataque.3 3 Lobo d'Eça conta que apontou para as peças do inimigo. Sinto não poder explicar claramente o modo por que atuou a artilharia argentina. Mitre escreve em sua parte que o ataque foi apoiado por duas baterias, uma brasileira e outra argentina "que obraram cruzando seus fogos a partir dos flancos da frente do ataque". Para se apossar do objetivo que tinha em mira, o generalíssimo organizou um dispositivo de ataque em quatro colunas, duas brasileiras à esquerda, e duas argentinas à direita. Passemo-las rapidamente em revista: A primeira coluna da esquerda (divisão brasileira da esquerda) era comandada pelo coronel Augusto Caldas e compunha-se destas unidades: 2ª Brigada (tenente-coronel Barros Vasconcellos): - 5° batalhão de voluntários (major Raimundo de Souza); - 8° batalhão de voluntários (major Rufino Campelo); - 12° batalhão de voluntários (tenentecoronel João José de Brito); e - 11° batalhão de linha (major Carlos de Macedo). 3ª Brigada (tenente-coronel Landulfo Machado): - 18° batalhão de voluntários (tenentecoronel Antônio Amorim Rangel); - 32º Batalhão de Voluntários (Capitão Fabricio de Matos); e - 36° batalhão de voluntários (capitão Hipolito Mendes da Fonseca). 7a brigada (cavalaria) (tenente-coronel Albino Pereira): - 7° corpo provisório da Guarda Nacional (capitão Manuel Rodrigues Lima); - 8° corpo provisório da Guarda Nacional (tenente-coronel Nunes de Sousa); e - 9° corpo provisório da Guarda Nacional (major Aureliano de Andrade). Por outro lado, lê-se em Garmendia: "Em frente à esquerda do adversário estabeleceu-se uma bateria "de campanha às ordens do general Védia, comandada pelo 1° tenente Domingos Viejobueno". Infere-se daí que a bateria argentina postou-se à direita das tropas atacantes e em frente à esquerda da posição inimiga. Naturalmente ela procedeu de modo análogo à bateria brasileira. 5 Total: 6 batalhões e 3 corpos de cavalaria a pé. A coluna brasileira da direita (divisão da direita) era comandada pelo general Albino de Carvalho e contava com estas unidades: Brigada Auxiliar (Tenente-Coronel Paranhos): - 6° batalhão de infantaria de linha (major Genuíno Sampaio); - 10° batalhão de voluntários (major João Barreto); - 11° batalhão de voluntários (major Ignacio Ribeiro de Lima); - 20° batalhão de voluntários (tenentecoronel Carlos de Castro); e - 46° batalhão de voluntários (major Aniceto Vaz). 1ª brigada (tenente-coronel Maia Bittencourt): - 29° batalhão de voluntários (capitão Sousa e Melo); - 34° batalhão de voluntários (major Francisco de Lima e Silva); e - 47° batalhão de voluntários (tenentecoronel Luís Albuquerque Maranhão). 4a brigada (tenente-coronel Piquet): - 1° corpo de caçadores a cavalo (major Teixeira Lopes); - 2° corpo de caçadores a cavalo (major Tranquilino Veloso); e - 5° corpo de caçadores a cavalo (major Manuel Rodrigues Júnior). Total: seis batalhões de infantaria e três corpos de cavalaria a pé. Além destas duas divisões, Pôrto Alegre dispunha mais de uma terceira (coronel Lucas de Lima), formada de corpos de cavalaria a pé e assim constituída: 6a brigada (tenente-coronel Vasco Alves): - 4° corpo provisório de cavalaria da Guarda Nacional (major Manuel de Oliveira Alvares); - 5° corpo provisório de cavalaria da Guarda Nacional (major Gomes de Carvalho); e - 10° corpo provisório de cavalaria da Guarda Nacional (major Joaquim Rodrigues Candié). Brigada ligeira (tenente-coronel Astrogildo Costa): - 13° corpo provisório de cavalaria da Guarda Nacional (major Nuno Pereira da Costa); - 14° corpo provisório de cavalaria da Guarda Nacional (major Bento Gonçalves da Silva4); e - 15° corpo provisório de cavalaria da Guarda Nacional (major Antônio Alves Pereira). 8ª brigada (tenente-coronel Balbino de Sousa) - 11° corpo provisório de cavalaria da Guarda Nacional (tenente-coronel Teófilo de Sousa Matos); e - 12° corpo provisório de cavalaria da Guarda Nacional (major Antônio Rodrigues da Fonseca). O comandante do 2° corpo brasileiro guardou as unidades acima como reserva. A coluna argentina da esquerda era formada pelo 1° corpo (Paunero) e a da direita pelo 2º corpo (Emílio Mitre). E de mais três divisões cuja composição exata não me foi possível saber. Logo que se deu a ordem de avançar (ao meio-dia, segundo Mitre), as colunas de ataque lançaram-se contra a posição inimiga. O primeiro obstáculo que se lhes deparou foi a primeira trincheira. O inimigo a tinha guarnecido a princípio com artilharia, mas depois retirou-a quase toda para a trincheira principal. Os aliados abordaram e transpuseram esse primeiro objetivo. A artilharia brasileira, que havia suspendido o fogo durante o assalto, mudou de posição e aproximou-se da referida primeira trincheira. "A pequena trincheira - diz Centurión - que servia de avançada para defender os trabalhos da linha 4 Filho do Bento Gonçalves da Silva da Revolução Farroupilha. 6 principal, foi abandonada, às 1030 horas, sob o fogo das baterias inimigas. Algumas peças que aí se encontravam foram levadas para dentro daquela linha. No momento em que as tropas se recolhiam, uma bomba de morteiro de 150 derrubou uma parte do parapeito; as terras desprendidas lançaram ao solo e soterraram um oficial". Restava a trincheira principal. Os aliados arremetem contra ela cheios de entusiasmo e decisão, mas o terreno está semeado de obstáculos e é varrido pelo fogo dos defensores. As unidades desviam-se, buscam caminhos mais favoráveis e se acercam da linha de abatizes. As dificuldades que esta linha apresenta são consideráveis, pois ela cobre uma faixa de mais de 30 varas, escreveu Mitre. Os abatizes, conta ainda o generalíssimo, são formados de árvores espinhosas enterradas pelos troncos. Busca-se rapidamente abrir brecha nesse emaranhado, para alcançar o fosso, enchê-lo com faxinas e montar as escadas que tinham sido levadas de prevenção. O fogo, porém, é terrível; o defensor permanece sereno e abrigado no seu posto, e fuzila impiedosamente quantos se lhe apresentam à vista. O malogro é completo. Ninguém logra penetrar na posição inimiga. O ataque é puramente frontal. Desta vez López tomou todas as precauções para não ser torneado pela esquerda, como em Curuzu. O plano de Mitre era atacar pelo centro com as duas colunas interiores e submergir os flancos ou, melhor, as alas com as duas outras extremas. "Estas marchariam para forçar os flancos da linha inimiga que se apoiava à direita no rio Paraguai, coberta por um tríplice recinto e um bosque; e à esquerda em dois lagos, com uma dupla linha coberta por um bosque e dois esteiros impenetráveis, que se prolongavam para a retaguarda de nossa direita, e onde se haviam estabelecido algumas baterias de flanco e de revés”. "Salvados por la coluna argentina - continua Mitre textualmente - las espressadas baterias de flanco y de revés, á cuyo frente si dejó una quarta linea de observación, que á la vez de cubrir nuestro flanco, apoiaba Ia tercera linea de reservas generales, se estabelecio alli una bateria argentina para contrabatirlas, no siendo possible flanquear por alli la posición enemiga por ser los esteros y el bosque de todo punto impenetra- "bles." "Nestas condições - pondera ainda Mitre - tendo-me posto de acordo com o Barão de Pôrto Alegre, e vendo que não era possível forçar com vantagem a linha de abatizes para executar o assalto geral, salvo se comprometessemos as nossas últimas reservas, e também que, uma vez dominada a trincheira, não se obteriam os frutos dessa vitória parcial desde que se não conservassem tropas suficientes para penetrar com ordem no interior das linhas e ali fazer frente às reservas do inimigo, combinamos mandar retrair simultaneamente e em ordem as colunas comprometidas no ataque, reunindo previamente todos os nossos feridos e trazendo-os para as nossas reservas. E assim se fez depois das 2 horas da tarde, recolhendose os batalhões com as suas bandeiras desfraldadas para a retaguarda de nossa linha de reservas, a qual formou a 400 varas da linha inimiga, dentro do seu tiro de metralha, para proteger esse movimento". Lancemos agora rápida mirada a cada uma das colunas de ataque, começando pelo flanco esquerdo. 7 A divisão brasileira que atacou pela beira do rio parece ter sido a única que encontrou caminho relativamente favorável, graças à vegetação da margem. Ocupou a base de partida que lhe havia sido prescrita, a saber a boca de uma picada. Daí partiu ao ataque contra a direita inimiga levando estendidos em linha os batalhões da 2a brigada e da 3a . A sua outra brigada (a 7a) ia a principio em segundo escalão, como apoio; mas logo depois entrou em acção com as duas primeiras. A divisão transpôs facilmente a primeira trincheira e dirigiu-se célere à segunda. Empregou toda a sorte de esforços para transpô-la, sem o conseguir; o tiro de metralha e a fuzilaria inimiga eram terríveis e dizimavamna. Elementos do 12° batalhão de voluntários pretendem ter transposto o fosso da trincheira principal, embora houvessem sido depois repelidos. Todos os nove corpos da divisão empenharamse no assalto. A divisão brasileira da direita ocupou uma base de partida junto a um capão que ficava ao nordeste do acampamento. Foi daí que ela destacou o 20° e o 46° de voluntários para proteger a artilharia. Ao sinal do ataque, a divisão avançou cerca de 300 braças até chegar à primeira trincheira, que transpôs. O inimigo dominava-a da trincheira principal e cobria-a com intenso fogo. Vencido esse primeiro obstáculo, a divisão teve de pender para a extrema esquerda do inimigo, sem dúvida por causa das dificuldades que o terreno lhe oferecia5. Aproximou-se assim da trincheira principal; fez esforços sobre- 5 Durante o ataque da posição principal, os membros da comissão de engenheiros junto ao 2° corpo do exército brasileiro, auxiliados por 170 pontoneiros, fizeram uma ligeira ponte sobre o fosso da primeira trincheira e obstruíram-na em vários lugares. (Rio Branco.) humanos para a conquistar, sendo sempre repelida. Alguns elementos do 29° de voluntários e do 11° pretendem tê-la galgado. Durante o assalto, Pôrto Alegre lançou mão da sua reserva geral (3a divisão - Coronel Lucas de Lima), para reforçar a coluna da direita. Das suas três brigadas, empenharam-se a 6a (tenente-coronel Vasco Alves) e a brigada ligeira (tenente-coronel Astrogildo Pereira da Costa). Cada uma era formada de três corpos de cavalaria a pé. Os brasileiros empenharam, por conseguinte, quase todas as suas forças. "Em presença, pois, de tantos e tão poderosos obstáculos - escreveu Pôrto-Alegre na sua parte - foi impossível levar de “assalto tão forte posição, na qual o inimigo havia concentrado a maior parte de suas forças... Encontrando a coluna argentina no seu ataque as mesmas insuperáveis dificuldades a vencer, não obstante a galhardia com que avançou, ordenei a retirada, de acordo com o general Mitre, a qual se operou na melhor ordem possível, fazendo carregar, não só os feridos, como os mortos, sem que um só dos inimigos ousasse sair da sua linha de fortificação, para nos vir dar um tiro, posto que só cessasse o fogo da sua artilharia às 1530horas, quando a força que cobria a nossa retirada ficou fora do alcance dela." A terceira coluna de ataque (1° corpo argentino, do comando de Paunero) dispunha de quatro divisões. Empenhou, em primeiro escalão, duas: a 4a e a 1a , ambas sob o comando do coronel Rivas. Atrás delas seguiam, como reserva, a 2a e a 3a , sob a direcção imediata de Paunero. Acometeu-se a trincheira principal sem resultado. Os batalhões avançaram debaixo de um fogo mortífero de bombas, metralha e fuzilaria; muitos elementos ocuparam o 8 fosso, sem poderem vencer o parapeito e penetrar no interior da posição inimiga. Paunero empenhou a 2a divisão em auxílio de Rivas logo que este lhe reclamou reforço. A 3a divisão ficou postada a 300 metros da linha inimiga e protegeu a retirada. A quarta coluna de ataque (2° corpo argentino, do comando de Emílio Mitre) tinha 4 divisões. Seu comandante as dispos inicialmente deste modo: a 4a divisão (Cel Martínez), composta de duas brigadas (8a e 7a) e 6 batalhões, pronta para o assalto; a 3ª (Cel Pablo Díaz) à distância conveniente como reserva da 4ª; a 2ª (Cel. Agüero) paralela à bateria "que o inimigo tinha estabelecido no flanco direito do proncadis (sic) do caminho que as colunas de ataque tinham de percorrer para chegar a Curupaiti; e a 1a (Cel Bustillo) cobrindo a aberta no mato que, partindo de Rojas-Cué, vinha sair na direita do acampamento argentino". Ordenado o ataque, Emílio Mitre empenhou os 3 batalhões da 8a brigada à direita do 1° corpo. Estas unidades investiram contra a trincheira, e bateram-se com valentia, mas também sem nada conseguir. Parece que toda a força restante do 2° corpo serviu apenas para proteger a retirada. Dos seus 32 batalhões, afirma-se que Mitre apenas empenhou 17. Foram sensíveis as perdas dos aliados no ataque a Curupaiti. Os brasileiros tiveram: Mortos........Oficiais (51); Praças (360); Feridos e contusos...Oficiais (150); Praças (1.390); Extraviados....Oficiais ( - ); Praças (10); Total...Oficiais (201); Praças (1.760). O chefe do serviço de saúde do 2° corpo era o coronel cirurgião do exército Christovam José Vieira. Em sua parte, diz ele que organizou 6 turmas de médicos para atender ao serviço e que foram recebidos e tratados no hospital de sangue 466 feridos (brasileiros e argentinos), dos quais 309 com ferimentos graves e 157 com ferimentos simples. Fizeram-se entre aqueles 69 amputações e uma desarticulação do humerus. Os demais feridos, em consequência da falta de pessoal e da impossibilidade de demorar-se os seus curativos, sob pena de risco de suas vidas, foram remetidos para diversos vapores que se achatam contituídos em hospitais de sangue. Na esquadra houve um marinheiro morto, 4 oficiais e 30 marinheiros e soldados feridos; e no batalhão que estava no Chaco 15 homens fora de combate. Somando todos estes algarismos, chega-se a esta perda total: 205 oficiais, 1.806 praças, isto é, 2.011 homens fora de combate. Os argentinos tiveram 163 oficiais e 1.919 praças, isto é, 2.082 homens fora de combate. Total de argentinos e brasileiros: 4.093 homens. Morreram vários oficiais superiores e comandantes de corpos. Dos argentinos sucumbiram: os coronéis Roseti e Charlone, os comandantes Fraga e Alejandro Díaz, o sargento-mor Lúcio Salvadores e muitos outros oficiais. Os brasileiros perderam 6 comandantes de batalhão: Souza Barreto, Antunes de Abreu, Fabrício de Matos, Hipólito da Fonseca, Sousa e Melo e Castilho dos Reis, e dois fiscais : Machado Lemos e Mariano da Rocha Medrado, afora muitos outros oficiais. "Ficaram prisioneiros de López um tenente argentino e 82 soldados argentinos e brasileiros, todos feridos. Em consequência dos maus tratos foram morrendo quasi todos e dias depois estavam reduzidos ao tenente e 28 soldados argentinos e 10 brasileiros. É 9 impossível precisar as perdas dos paraguaios; foram com certeza diminutas comparadas com as do atacante. Thompson fala apenas de 54 homens, entre mortos e feridos, vítimas principalmente dos tiros de fuzil do batalhão brasileiro que estava no Chaco. Centurión diz que não passaram de 92. Em seu depoimento declarou Resquin: o exército paraguaio perdeu no ataque a Curupaiti apenas 250 homens e nunca se afastou de detrás das trincheiras". No dia seguinte ao do combate (23), López mandou sair alguns batalhões para enterrar os mortos. "Quando se fizeram os trabalhos da fortificação - narra Centurión - abriram-se fossos ou sangas ao longo das margens das lagoas em frente a Curupaití para tolher a passagem dos aliados e, por conseguinte, para que não lhes fosse possível fazer o mesmo que em Curuzu. Deitaram-se os cadáveres nessas sangas até atulhá-las; o resto foi lançado ao rio Paraguai. Um dos batalhões incumbidos desta triste e pesada tarefa foi o 36°, composto de 600 praças. Calcula-se que só ele atirou ao rio e enterrou mais de 2.000, dos que se encontravam dentro da nossa posição; os que se achavam mais longe ficaram para ser presa de Ias aves de rapina, como nos tempos de Homero”. Sobre este assunto convém ainda citar um trecho da parte do major Enéas Galvão, chefe da Comissão de Engenheiros : "Alguns feridos que ficaram, por terem caído dentro do elevado macegal e do mato, consta que o inimigo teve a barbaridade de matá-los, e, no dia 24, tivemos que presenciar outra cena de selvageria, que, como aquela, revela a sua ferocidade. Ao amanhecer daquele dia, principiaram a descer, passando entre os navios da esquadra, os cadáveres de nossos bravos, que não pudemos trazer por terem ficado encobertos, sendo a maior parte desses corpos ligados por cordas de dois a dois, e em completo estado de nudez. S. Exa. o Sr. general em chefe mandou reunir esses cadáveres e dar-lhes sepultura". Diversos navios da esquadra sofreram avarias com os tiros dos paraguaios. Tamandaré pretende que eles visaram, de preferência, depois do meio dia, os que estavam do lado do Chaco, sobretudo o Brasil e o Tamandaré, os quais ficaram com a couraça de boreste seriamente arruinada. O Brasil teve duas peças desmontadas e recebeu grande número de balas, que entraram nas casamatas pelas portinholas. "Os navios formados do lado do Paraguai receberam algum "fogo de metralha e fuzilaria, e algumas balas que o inimigo atirava por elevação, mas não sofreram avaria alguma" (Tamandaré). O almirante informa ainda que a sua artilharia desmontou três peças de 68 da bateria inimiga. A ocasião é oportuna para interpolar uma informação de Rio Branco quanto às perdas dos aliados desde o começo da guerra até o ataque de Curupaiti (22 de Setembro de 1866). Compulsando todos os documentos que pôde haver à mão e não levando em conta as perdas dos brasileiros na campanha do Estado Oriental (de Dezembro de 1864 a 20 de Fevereiro de 1865), chegou o nosso ilustre patrício a esta conclusão: 10 Mortos: Oficiais brasileiros (228); Praças (2.486); Oficiais argentinos (79); Praças (1.206); Uruguaios: nenhum. Ele (Rio Branco) avaliava ainda que até esse momento os paraguaios haviam perdido, aproximadamente: Mortos: 13.110; Feridos: 17.190; Prisioneiros: 7.853; Total: 38.153. Quanto à perda dos brasileiros, de Dezembro de 1864 a 20 de Fevereiro de 1865, computava-a (Rio Branco) deste modo: Mortos: 109; Feridos: 439; Extraviados: 1. A opinião do Dr. Francisco Doratioto (p. 243/247) Em 22 de setembro, o ataque a Curupaiti começou sem alteração no plano original dos aliados. A esquadra bombardeou essa posição, e Tamandaré procurou cumprir sua promessa de "descangalhar em duas horas" a artilharia inimiga. O ataque dos navios foi ineficaz devido à altura da fortificação superior a nove metros, que obrigava os canhões brasileiros a utilizarem ângulo de tiro que fazia as bombas caírem além das posições inimigas, sem que Tamandaré o soubesse. Acreditando que tinha preparado suficientemente o terreno, a esquadra deu o sinal para as forças terrestres atacarem as posições paraguaias. Como fora planejado, pouco depois das 12 horas, quatro colunas paralelas, duas argentinas, à direita, e duas brasileiras avançaram, sendo que o ataque principal caberia às duas centrais, uma de cada nacionalidade, com comando dos generais Paunero e Albino Carvalho, enquanto as laterais eram lideradas pelo general Emilio Mitre e pelo coronel Augusto Caldas. Eram 20 mil aliados, em que os efetivos de argentinos e brasileiros eram praticamente equivalentes. Segundo testemunho paraguaio, os aliados avançavam com vistosos uniformes e bandas de música, para cadenciar o avanço da infantaria; os oficiais montavam cavalos e, devido a seus "reluzentes uniformes de gala", constituíram alvos fáceis para os atiradores paraguaios. "Era impressionante vê-los avançar com muita galhardia, como se fossem para uma festa ou um desfile militar, causando a impressão de estarem seguros da vitória. Retardados pelo barro e enfrentando a artilharia paraguaia, que Tamandaré comunicara ter destruído, o Exército do general Porto Alegre começou o ataque à esquerda. Após algum tempo, Mitre enviou dois ajudantes para ver a verdadeira situação da tropa brasileira, que lutava valorosamente, e eles voltaram dizendo que Porto Alegre tomara a trincheira. A informação não era verdadeira, pois esses ajudantes confundiram o primeiro fosso, que fora ultrapassado pelos atacantes, com a trincheira principal. Com base nessa informação equivocada, Mitre ordenou o segunto ataque, de forças argentinas, para auxiliar a suposta vantagem obtida por Porto Alegre, que estaria necessitando de reforço. As colunas atacantes fizeram investidas sucessivas, nas quais soldados e oficiais se portaram com bravura. As tropas de assalto, apesar de surpreendidas pela violência inesperada do fogo inimigo, que dizimava suas fileiras, e pelas inúmeras armadilhas, continuaram a avançar, tropeçando nos corpos dos companheiros caídos, e chegaram a alcançar o fosso da trincheira principal. Após horas de combate, os soldados aliados voltaram as costas a Curupaiti e começaram a fugir, o que obrigou Mitre a recorrer às forças 11 de reserva, que saíram dos montes onde estavam escondidas e retomaram o ataque. Mitre comandou o ataque sob o alcance das bombas inimigas e teve que trocar de cavalo, devido a ferimento causado no primeiro animal por um estilhaço. Em outro momento, o comandante-em-chefe ficou respingado de barro, resultante da explosão próxima de uma bomba. Em outros momentos da guerra, os demais chefes máximos aliados, Flores, Osorio, Porto Alegre, Caxias, Paunero, Emílio Mitre e o conde d'Eu também se expuseram ao fogo inimigo, em contraste com Solano López que evitava ficar ao alcance dos tiros. Em Curupaiti impressiona - e isso foi destacado por espectadores paraguaios do combate - o sangue-frio dos soldados aliados que, durante horas, marcharam adiante, para preencher claros dos companheiros mortos, cônscios de que muito possivelmente também eles morreriam. Em Curupaiti tombaram expoentes argentinos e brasileiros, de cuja perda o Exército aliado se ressentiria; pereceram jovens da elite portenha, como, entre outros, Domingo Fidel Sarmiento - Dominguito - filho do futuro presidente Domingo Faustino Sarmiento, e Francisco Paz, filho do vice-presidente Marcos Paz. A dramaticidade do combate é exemplificada no relato de José Ignacio Garmendia que, no final da ação, ao ver, ensanguentado, Martin Vinales, do lº Batalhão de Santa Fé, perguntou-lhe se estava ferido e a resposta foi: "não é nada, apenas um braço a menos; a pátria merece mais". O sol já se punha em Curupaiti e quase não havia mais reservas aliadas que pudessem ser utilizadas, quando Mitre ordenou o toque de clarim de retirada. A ordem apenas ratificava a situação de fato, pois havia uma debandada dos atacantes, que Porto Alegre, "transfigurado de raiva", tentava, em pleno campo de batalha, conter, com vistas a fazer novo assalto. Ao se retirar, Porto Alegre disse a Arthur Silveira da Motta: "eis aqui o resultado do governo brasileiro não ter confiança em seus generais e entregar os seus Exércitos aos generais estrangeiros", e fez uma série de imputações a Mitre, responsabilizando-o pelo desastre. Na verdade, se o ataque tivesse ocorrido no dia 17, como fora planejado, provavelmente o resultado teria sido favorável aos aliados. Nesse momento, a construção das novas trincheiras paraguaias estava longe de ser concluída e o terreno por onde marchariam os atacantes não estava tão encharcado; os aliados não teriam encontrado, àquela altura, obstáculos intransponíveis. A esquadra não teria, é verdade, atuado no dia 17 contra Curupaiti, pois para Tamandaré ela encontraria dificuldades de atuar eficientemente sob chuva, mas, de todo nesmo sob tempo bom foi nulo o efeito do bombardeio que fez sobre esse forte. Não eram, na realidade, as condições meteorológicas que comprometiam a ação da esquadra mas, sim, o desconhecimento das posições paraguaias e, sobretudo, a falta de comando à altura dos novos desafios militares. As estatísticas oficiais, normalmente citadas por historiadores da Argentina e do Brasil, indicam que no ataque a Curupaiti os brasileiros tiveram 2011 homens fora de combate, dos quais 411 mortos, enquanto os argentinos tiveram 1357 baixas, das quais 587 mortos. O coronel brasileiro Cláudio Moreira Bento, porém, ao escrever em 1982, fala em 4 mil soldados imperiais mortos, número repetido por um observador neutro, o representante espanhol em Buenos Aires em 1866. Azevedo Pimentel, participante do combate, diz que foram 2 mil mortos brasileiros e outros 2 mil argentinos. Os paraguaios perderam 54 homens 12 segundo Thompson, que afirma terem as perdas aliadas chegado a 9 mil homens, enquanto para Centurión apenas os mortos aliados seriam de 5 mil. José Maria Rosa e Arturo Bray chegam ao extremo oposto dos números oficiais argentinos e brasileiros, e afirmam que foi de 10 mil o número de atacantes mortos. Os cadáveres aliados foram jogados nas fossas abertas para montar armadilhas contra os atacantes; cheias essas covas, os demais corpos foram jogados no rio Paraguai . Segundo Centurión, apenas um dos batalhões encarregados desse trabalho, o de número 36, enterrou e jogou ao rio mais de 2 mil cadáveres. Terminada a batalha, um batalhão saiu das trincheiras de Curupaiti para recolher as armas e despojos deixados no terreno pelos aliados, bem como para aprisionar os feridos. Os soldados paraguaios perguntavam aos argentinos e brasileiros feridos se podiam caminhar e matavam aqueles que respondiam negativamente. Poucos podiam andar, do contrário teriam recuado ao encontro de seus companheiros; os prisioneiros foram, assim, apenas "uma meia dúzia". Os soldados do batalhão paraguaio retornaram à trincheira vestidos com os uniformes argentinos, com relógios dos mortos e libras esterlinas, pois os aliados haviam recebido o soldo há pouco. Essas libras foram "compradas" por Elisa Lynch com papel-moeda paraguaio. Vários batalhões paraguaios foram vestidos com os uniformes dos aliados mortos e armados com os 3 mil fuzis capturados. Desde o início da guerra os soldados paraguaios andavam seminus e descalços, assim, para eles os uniformes aliados manchados de sangue eram verdadeiro prêmio. A falta de vestuário era tão grave que o governo paraguaio baixou, em fevereiro de 1866, um decreto que determinava, sob a justificativa de que o bloqueio naval brasileiro impedia a importação de tecidos, "uma contribuição de vestuários para o serviço do Exército". Tratava-se, de fato, de confisco e coube aos chefes policiais e juízes determinarem, na região sob jurisdição, a cota de uniformes que cada família deveria dar. Os atacantes de Curupaiti não receberam reforço das forças dos generais Polidoro e Flores. Este tinha ordens de fazer um movimento de flanco, diversionista, com sua cavalaria de cerca de 3 mil homens, mas se afastou tanto das trincheiras paraguaias que não chegou a ter contato com o inimigo. Polidoro recebera ordens de Mitre para fazer, simultaneamente à operação principal contra a fortaleza, um reconhecimento "o mais vigoroso possível", não só para distrair o inimigo, mas para, oportunamente, transformá-lo em ataque formal. Esse general brasileiro, porém, permaneceu inerte e, mais tarde, justificou sua inação afirmando que a esquadra, mais precisamente a embarcação Iguaçu, não içara, conforme o combinado, o sinal de ataque, uma bandeira vermelha com cruz branca ao centro. Arthur Silveira da Motta, contudo, afirmou que o sinal foi dado por ordem de Tamandaré e " transmitido por mim: eu o vi desfraldo no Patacho Iguaçu". A inação de Polidoro foi "inexplicável", tendo sido esse general responsabilizado de forma ostensiva pela derrota, em ordem do dia de Tamandaré. Já o ministro da Marinha à época, Afonso Celso, escreveu que não foi dado o sinal combinado para que Polidoro iniciasse a ofensiva. Acusado pelo malogro do ataque a Curupaiti, inclusive pela imprensa, Polidoro solicitou declaração de Mitre sobre quais eram os deveres que ele, como comandante do 1º Corpo de Exército, deveria ter cumprido naquela ação e fosse emitido um juízo sobre o seu procedimento. A resposta foi 13 ambígua, pois se não o responsabilizou pela derrota, apontou erros consideráveis em sua ação. Mitre afirmou que o resultado do ataque não resultara "do que V E.x fez ou deixou de fazer nessa ocasião, ainda quando isso pudesse haver influenciado o quadro geral". Segundo o comandante-em-chefe, sua resposta era a mesma que dera na Junta de Generais e em conversa amistosa com Polidoro, ou seja, de que o reconhecimento que este comandou sobre o flanco inimigo não fora tão “vigoroso” como poderia ter sido, e que viabilizasse, oportunamente, um movimento decisivo de ataque. Declarou, porém, compreender que o comandante do lº Corpo de Exército estava querendo reservar seus esforços para um ataque à posição paraguaia, pois "um reconhecimento mais profundo que o praticado não poderia dar-lhe um resultado melhor para tal efeito". O desastre aliado em Curupaiti teve grandes repercussões. No plano militar tornou ostensiva a divisão do comando aliado: de um lado, Tamandaré e Porto Alegre, ambos pertencentes ao Partido Liberal no Brasil, hostilizando Mitre e, de outro, Polidoro, membro do Partido Conservador, e Flores, solidários com o comandante-em-chefe. Mitre escreveu a Rufino de Elizalde que não contava mais com a esquadra imperial para nada e que ela viria a reboque dos acontecimentos. O relacionamento entre Tamandaré e o comandante-em-chefe argentino ficara irremediavelmente abalado, e pôs em risco a própria condução da guerra. Mitre afirmava que "não posso, não quero, nem devo entender-me com o almirante Tamandaré, o qual considero inadequado em todos os aspectos para oposto que ocupa e inimigo da aliança por motivos pessoais, para cujo sentimento arrasta a seu primo Porto Alegre. Para Mitre, O marechal Polidoro é velho (64 anos), está doente e me parece fatigado, sobretudo da hostilidade que lhe dirigem Porto Alegre e Tamandaré, que são primos, e primos até na falta de juízo e fizeram um pacto de família para monopolizar, de fato, o comando da guerra, tomando o primeiro o mando de todo o Exército de terra para subordiná-lo às operações da Esquadra. Tenho razões para crer que se Polidoro pede demissão ou fica doente, tem instruções para passar o comando dos dois Exércitos a Porto Alegre. É impossível imaginar uma nulidade militar maior do que este general, ao que se acrescenta a má influência, dominante, sobre ele de Tamandaré e o espírito negativo de ambos em relação aos aliados, devido a paixões e interesses mesquinhos. Com o conhecimento profundo que tenho dessa situação, posso assegurar que tal comando [único de Porto Alegre] será funesto não só para as armas do Brasil, como para a continuação, prática e eficaz, dos objetivos da aliança [...] Comentários gerais Após essa derrota, o governo argentino quis “conceder a paz” a López, proposta recusada pelo Império. Dom Pedro II recusou alegando que a Argentina queria “uma paz que nossa honra não nos permite”. Este, tinha receio de que a Argentina rompesse o Tratado. A vitória em Curupaiti fortaleceu López no plano interno e provocou “péssimo 14 efeito” (Doratioto, p. 252) no Brasil. Dom Pedro ameaçou abdicar se os deputados não o atendessem no seu desejo de continuar a guerra (Idem). Em 10 Out, Caxias foi nomeado para Cmt das forças brasileiras. A guerra mudaria de rumo. Ela pode ser dividida em duas partes: antes de Caxias e depois de Caxias. Este, chegou a Itapirú em 17 e assumiu o comando em 19 Nov 1866. Caxias reorganizou e fortaleceu a posição do Exército, tornou mais eficientes as tropas e ampliou sua autonomia em relação ao governo para ter agilidade de ação (Doratioto, p. 278). A partir daí, a Força Terrestre passou a ter identidade própria, dissociando-a [...] do estado monárquico para associá-la à nação (Idem). Esta condição permanece até hoje, 150 depois, e deverá permanecer sempre, posto que as Forças Armadas não são instituições “de governo” e sim “de estado” . Em agosto de 1867, decidido o “forçamento” da passagem de Curupayty, a esquadra brasileira obteve pleno sucesso, isolando assim a posição paraguaia que nos tinha causado graves perdas e liberando o acesso a Humaitá, tudo sob o seguro comando de Caxias. Fontes: FRAGOSO, Augusto Tasso. História da Guerra entre a Tríplice Aliança e o Paraguai. Rio de Janeiro: Imprensa do Estado-Maior do Exército, 1934, cinco volumes. DORATIOTO, Francisco Fernando Monteoliva. Maldita Guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. https://pt.scribd.com/doc/293916660/A-Historia-Da-Guerra-Da-Triplice-AliancaContra-o-Paraguai EDITOR: LUIZ ERNANI CAMINHA GIORGIS, Cel Presidente da AHIMTB/RS lecaminha@gmail.com Acesse nossos sites: www.ahimtb.org.br www.acadhistoria.com.br

A BATALHA DE CURUPAYTY - 3ª PARTE - NA VISÃO DE JOSÉ BERNARDINO BORMAN.

A BATALHA DE CURUPAYTY O desastre aliado na Guerra da Tríplice Aliança Parte III José Bernardino Borman nasceu em Pelotas, Rio Grande do Sul, em 4 de maio de 1844. Mãe gaúcha e pai, Wilhelm, de origem alemã. Lutou na Guerra do Paraguai como alferes do 5º Batalhão de Voluntários da Pátria. Foi Ministro da Guerra na primeira década do século XX. Em 1897 lançou a obra “História da Guerra do Paraguay” (Curitiba: Editores Jesuino Lopes - Impressora Paranaense, 346 páginas). É Patrono de Cadeira na FAHIMTB, cujo detentor é o Gen Luiz Carlos Rodrigues Padilha. Este é o seu depoimento sobre a derrota em Curupayty, constante das páginas 231 a 239 da sua obra acima referida (grafia atual). Tinha-se combinado realizar o ataque no dia 17 (Set 1866), depois de um grande bombardeamento da esquadra; um temporal, porém, muito forte, prolongou-se até a manhã de 21, impossibilitando qualquer operação. Entretanto, a nossa esquadra, desde o dia 10, bombardeava, a longos intervalos, o nosso objectivo: Curupaity. A 21 estavam os paraguaios com suas obras (fortificações) concluídas e fortemente artilhadas. O terreno, muito encharcado das águas da chuva, e, em muitos pontos muitíssimo alagado, concorreu para se adiar de 21 para 22 o ataque. Agora também nada importava a demora e bem felizes seriamos nós se o ataque por ali tivesse sido indefinidamente adiado. No dia 16, o chefe da comissão de engenheiros e o comandante da artilharia haviam escolhido uma posição para assestarem as baterias. Ali construiu-se um espaldão com 9 canhoneiras. As forças assaltantes foram divididas em quatro grandes colunas: três brasileiras e uma argentina. Duas brasileiras investiriam pela esquerda e centro de Curupaity e a argentina pela direita; aquelas e uma de reserva, sob o comando do General Porto Alegre e a argentina sob o do general em chefe Bartolomeu Mitre. Ia vigorar o plano de investir Curupaity, Sauce e Riojas, caso visse o general Polydoro Jordão probabilidades de conseguir bom êxito, ou fosse prevenido de que deveria atacar estes dois últimos pontos, enquanto Flores ameaçaria o flanco esquerdo do sistema geral das fortificações inimigas então completamente no ar, isto é, aberto, sem apoio sério, penetrando até onde fosse possível, para o que cumpria-lhe marchar de Tuyuty e manobrar de modo a apresentar-se em Tuyu-Cué. Às 7 horas da manhã do dia 22 a esquadra rompe terrível fogo contra Curupaity. O inimigo responde com vigor, mas pouco depois prefere convergi-lo para as colunas de ataque que se começam a mover do acampamento para as posições que lhes foram assinaladas. Os estampidos dos canhões de ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DAS ATIVIDADES DA ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL/RIO GRANDE DO SUL (AHIMTB/RS) - ACADEMIA GENERAL RINALDO PEREIRA DA CÂMARA - E DO INSTITUTO DE HISTÓRIA E TRADIÇÕES DO RIO GRANDE DO SUL (IHTRGS) 150 anos da 1ª Batalha de Tuiuti – 400 anos da fundação de Belém do Pará ANO 2016 Setembro N° 185 O TUIUTI 2 grosso calibre dos nossos vasos de guerra e os dos que defendem as posições inimigas vibram a atmosfera com tão pouco intervalo, como se milhares de nuvens se chocassem constantemente, produzindo hórrido e incessante trovão! Esse trovejar vai aumentar porque para o espaldão marcha o corpo de artilharia a cavalo, apenas com oito peças raiadas de calibre quatro, e quatro estativas de foguetes de guerra. Ao lado deste corpo segue o 4° batalhão de artilharia a pé com dois canhões obuses de montanha, tudo sob as ordens do bravo comandante Lobo d'Eça. As colunas de ataque, ao verem desfilar esses bravos que vão ferir com os canhões inimigos um duelo de morte, irrompem em vivas e aclamações entusiasticas aos artilheiros. Messe preciosa ia fazer a morte naquelas colunas: os vivas e acclamações entusiasticas eram o sorriso fraternal, o último aperto de mão daqueles que não sabem se cairão no turbilhão do fogo da batalha; mas, compreendem satisfeitos a extensão dos sacrifícios que devem à Pátria. As fortificações de Curupaity compunham-se de duas linhas de entrincheiramentos. A primeira, a mais avançada, era formada de um parapeito com um fosso de 2,62 m de largo, e 2,2 m de profundidade; nessa linha havia 28 canhões de campanha. A segunda linha, em terreno mais elevado do que a primeira, compunha-se de altos parapeitos com um fosso de 5,94 m de largura e3,96 m de profundidade, tendo na frente imenso e profundo banhado, e linhas de abatises nas proximidades da contra-escarpa. Quarenta canhões de grosso calibre estavam no segundo entrincheiramento que, pela diferença de nível, podiam jogar por cima do primeiro. Ao todo, sessenta e oito canhões estavam apontados para o exercito; do lado do rio, trinta atiravam sobre os nossos vasos de guerra. Contra entrincheiramentos tão formidavelmente artilhados ia bater-se a nossa pequena bateria de campanha! Foi difícil chegar ao espaldão em que a devíamos assestar, porque, conquanto o assalto não tivesse começado, o caminho que percorríamos já estava juncado de feridos e mortos. Tão mortífero era o bombardeamento do inimigo! Vencida a dificuldade do trajeto, a nossa bateria, com indescritível entusiasmo, rompe o fogo contra os canhões da primeira trincheira. A alma rude e selvagem do inimigo parece comover-se ante o heroísmo dos nossos bravos artilheiros: o fogo da trincheira cessa. O nosso recrudesce e cada granada que silva nos ares vai detonar na bateria inimiga, desafiando-a e arrancando-a da espécie de torpor em que a temeridade dos nossos bravos a lançara. Então trava-se violento combate; da segunda e primeira trincheiras chovem projetis sobre a pequena bateria. O espaldâo é arrasado e combatemos, cobertos de sangue, à peito descoberto. Oficiais e soldados de artilharia caem mortos ou feridos. Os batalhões de infantaria, que nos protejem, sofrem horrivelmente; atrás da nossa bateria está um montão de cadáveres! Nada arrefece o furor dos nossos artilheiros, e hora e meia depois de um duelo cruel, a artilharia inimiga abandona a primeira trincheira com as suas guarnições dizimadas! Os nossos artilheiros haviam cumprido temerária e admiravelmente o seu dever, obrigando uma bateria muito superior em canhões a retirar-se. Era-lhes, porém, impossível com tão reduzido numero de bocas de fogo, e de tão pequeno calibre, emudecer a terrível bateria da segunda trincheira. No entanto, o duelo continua travado com ela, até que pouco depois de meio dia aparece ordem de cessar o fogo, que rompera às 8 horas da manhã. Ia começar o assalto. As colunas movem-se rapidamente de suas posições e avançam, formando força superior a 46.000 combatentes. A direita inimiga vai ser atacada por 40 batalhões de infantaria sob o comando do coronel Francisco Caldas (voluntário da pátria); o centro por três brigadas da mesma arma, sob o comando do general Albino de Carvalho; e a esquerda por um corpo de exército argentino sob o comando do General em chefe Bartolomeu Mitre e Paunero. Porto Alegre, commandante das forças brasileiras, conserva uma reserva para as emergências possíveis, e apenas começa o movimento, o heróico general, seguido de um brilhante estado-maior, onde vê-se o cirurgião Paraiso, o Larrey brasileiro, na virtude, na ciência e no valor, galopa ao longo das mesmas colunas, animando-as com as suas palavras e a sua figura homérica. O fogo da esquadra cessa; só o do inimigo continua. Uma linha de atiradores começa a hostilizar outra que o inimigo apresenta, e enquanto isto sucede, as colunas vão-se estendendo em linha de batalha. Porto Alegre percorre-a, elevando vivas ao imperador, à nação brasileira e aos aliados, e depois de tudo disposto, manda retirar todos os atiradores. Então ouve-se o clarim dar o sinal de avançar. Um alarido medonho e espantoso parte do inimigo; os nossos soldados respondem com o rugido do leão. As colunas avançam a passo acelerado, e então 58 canhões paragaios vomitam sobre elas uma saraiva de granadas. Quando isto sucede, o almirante ordena que os couraçados Bahia e Lima Barros se aproximem da bateria inimiga para metra- 3 lhá-la, secundados pelo Brasil, Barroso e Tamandaré, e varias canhoneiras, o que se realiza, mas com pouca eficácia, porque a barranca onde está ela construída é muito alta, e o rio estreito. Estes três últimos couraçados, Brasil, Barroso e Tamandaré rompem, pouco depois, a estacada, que o inimigo colocara de uma margem para a outra e assim procuram metralhar de mais perto a bateria paraguaia. No entanto, os assaltantes que avançam sempre, apesar do fogo abrir profundos claros em suas fileiras, estão ao alcance da metralha. A canhonada e a fuzilaria inimigas tomam então imensas proporções. Troveja o canhão sem cessar e os nossos soldados caem às dezenas sobre o campo de batalha; mas, os que sobrevivem avançam, avançam sempre e tomam a primeira trincheira. Debaixo de mortífero fogo as colunas se organizam de novo e investem a segunda trincheira, conduzidas pelo próprio Porto Alegre, cujo valor e coragem eletrizam os assaltantes. Cinquenta bravos ali pela nossa esquerda, todos brasileiros, conseguem penetrar na formidável posição e apoderar-se de quatro canhões; encontram morte gloriosa ao lado de suas presas. A coluna do centro depara com um banhado profundo; atira-se a ele para vadeá-lo e para ali converge o inimigo grande parte de seus canhões. Alguns minutos depois centenares de destroços humanos flutuam nas águas do banhado, que enrubescem. É impossível vadeá-lo. Os que escapam ilesos ladeiam para a nossa esquerda a reunir-se à coluna que por ali ataca e que nessa ocasião avança por uma picada. O inimigo fulmina essa coluna. Na nossa direita os argentinos não podem avançar porque encontram obstáculos insuperáveis e, como as nossas fileiras, as suas se acham dizimadas pela metralha. As reservas avançam e nelas lá segue a cavalaria rio-grandense, sob o commando do bravo Lucas de Lima; mas está a pé, o que não obsta a que os valentes clavineiros pratiquem prodígios de valor. No ponto mais renhido da peleja está o ilustre e intrépido Porto Alegre, que anima os seus bravos comandados. A bateria de artilharia a cavalo marcha e, tomando posição na primeira trincheira do inimigo, joga metralha contra a segunda. O fogo é terrivelmente mortífero; os nossos batalhões, não obstante, não desanimam. Dezenas de vezes investem a trincheira e outras tantas são repelidos. Por toda a parte o campo está juncado de mortos e feridos. As tentativas para escalar aquela formidável posição vão-nos custando centenares de vidas. Chega um ajudante de campo do general em chefe e por ordem deste declara a Porto Alegre que é preciso retirar. O general brasileiro, que previra o desastre, porque vira que o inimigo havia transformado Curupaity, nos 19 dias de inação, em uma posição impossível de assaltar-se com bom êxito, recebe o ajudante com péssimo humor. No entanto era preciso retirar-se com as relíquias do 2º corpo de exército daquelas paragens de morte e extermínio; Mitre já havia executado esse movimento e recolhera-se a Curuzú. Começa, pois, a retirada; são 4 horas da tarde. E essa operação militar tão grave, fazemo-la admiravelmente. O protótipo do valor cavalheiresco, o intrépido Porto Alegre, volta à testa dos bravos que não sucumbiram, com bandeiras e estandartes desfraldados, rasgados pela metralha, mas cobertos de glória ainda na derrota! O inimigo, impressionado pelo heroísmo desenvolvido no assalto, contempla então, mudo, silencioso por algum tempo, de seus entrincheiramentos, os heróicos defensores da causa da civiliza- ção. Como já dissemos, as posições inimigas deviam ser atacadas pelo Sauce e Riojas, previamente avisado para isso o general Jordão, se antes não viesse oportunidade, enquanto Flores ameaçasse por Tuyu-Cué. Entretanto o general Polydoro Jordão não atacara, nem Flores aparecera nesse ponto onde apenas um troço pequeno de sua cavalaria mostrou-se rapidamente. Diziam uns que havia-se convencionado fazer um sinal de um navio estacionado na lagoa Pires para indicar ao general Jordão a occasião em que devia investir Sauce e Riojas, e que semelhante sinal não se fizera; outros que tal signal fora feito, mas não visto pelo quartel-general do lº corpo de exercito. Com efeito havia essa combinação de sinais; mas, o único feito pela esquadra foi o primeiro convencionado, que significava: a esquadra principiou o atague de Curupaity. Estes sinais deveriam ser feitos da esquadra para o patacho de guerra Iguassú, ancorado na Lagoa Pires e daí para o mangrulho ou observatório do general Jordão, no potreiro Pires. Perante a historia, nenhum valor tem semelhante questão, porque o ataque de Sauce e Riojas tornaria a hecatombe humana ainda maior; o desastre duplamente sensível. Se Sauce e Riojas não puderam ser tomadas nos dias 16 e 18 de Julho, como poderiam se-lo dois meses depois, quando mais artilhadas e defendidas com todos os recursos que a arte da guerra possui? Curupaity, Sauce e Riojas estão próximos, e uma reserva de 16.600 homens tinha o marechal Lopez, alem da força que defendia 4 estas posições, para acudir a qualquer ponto por onde os aliados penetrassem. O que é incontestável é que a demora injustificável do general em chefe Bartolomeu Mitre em atacar Curupaity foi a causa do nosso revés. Porto Alegre previra-o e comunicara ao ministro da guerra seus receios. O intrépido general, como os fatos provaram, julgava passada a ocasião desse empreendimento. O ataque sério deveria ser por Tuyu-Cué, esquerda inimiga, então completamente aberta; por essa razão o ditador Lopez, como mais tarde foi publico e notório, dissera que a manobra do general Flores lhe inspirara sérios receios; mas, vendo depois esse general dirigir-se para S. Solano, tranquilizara-se; quanto ao assalto de Curupaity, desejava ardentemente que se realizasse, pois era certa a derrota dos aliados. Não se deve atacar de frente as posições que se podem tomar flanqueando-as. A preterição desse princípio foi a causa do espantoso revés. “A honra da bandeira brasileira ficou ilesa”, como bem disse o general brasileiro. Com efeito, atos de valor, de abnegação, de temeridade, e heróica coragem foram praticados pelos nossos oficiais e soldados, e seria longo enumerá-los. Camerino, voluntário da pátria, sergipano, poeta, no começo da ação é gravemente ferido; conduzem-no para o hospital de sangue e ali os cirurgiões reconhecem a necessidade de amputar-lhe os dois braços. Principiam essa operação; Camerino, pela perda de sangue, está palido, mas risonho; não quiz cloroformio. A operação caminha e também a morte; Camerino sorri sempre, recitando poesias heróicas; mas, a sua palidez cresce. De repente, fita os olhos sobre os montes de pernas e braços humanos que estão por ali espalhados; depois, olha para o céu com a expressão das estátuas tumulares: está em um êxtasis... mas êxtasis da morte. Os seus lábios abrem-se e o herói, concentrando neles os últimos alentos da vida, recita as, estrofes seguintes do poema Dom Jayme: Até porque meu Jayme a guerra amortalha as dores de inexequíveis amores; e ou morre o homem na lida, feliz, coberto de glória; ou surge o homem com vida mostrando em cada ferida o hino de uma vitória ! E Camerino expira. Resumindo, diremos que se um campo de batalha fosse um teatro destinado à ostentação de estóico heroísmo; se a vitória se aferisse pelo maior ou menor desenvolvimento de energia, coragem e abnegação; a historia militar registraria o assalto às linhas de Curupaity como um dos mais esplendidos triunfos militares. Mas não sucede assim. Os campos de batalha modernos só se conquistam por luminosas combinações da inteligencia, contra as quais os ímpetos do valor mais esforçado, a mais patriótica abnegação, são frágeis e infrutíferos recursos. Curupaity foi para nós terrível desastre! Os exércitos brasileiro e argentino investiram galhardamente as posições inimigas, defendidas por imensos e profundos fossos, florestas de abatizes, banhados e outros obstáculos naturais; ostentaram estóico heroísmo, incrível coragem e energia, virtudes dos bravos; mas, a inteligência que deveria ter regulado, combinado, e revisto tudo, para evitar sacrifícios inúteis, não correspondeu desgraçadamente às forças da alma dos soldados aliados. Tal foi, ligeiramente descrito, o famoso ataque de Curupaity. Sangrenta; mas heróica, gloriosa catástrofe! As descrições da batalha de 24 de Maio, dos combates de Curuzú, Curupaity, 16 e 1 8 de Julho e de alguns outros não são inéditas. Em varias épocas elas foram publicadas na imprensa do Rio de Janeiro, do Rio da Prata e de Lisboa; aqui, porem, elas aparecem um pouco mais ampliadas. Dito isso, prossigamos. Depois dessa espantosa carnificina, retirou-se o general Bartolomeu Mitre com os fragmentos de seu exército para o Campo de Tuyuty, magoado com o almirante brasileiro por não ter querido que os seus colegas generais representassem o papel de súditos de sua ilustre pessoa, não aceitando até os navios que o almirante pôs à sua disposição. Começaram, então, recriminações entre os chefes dirigentes; cresciam as desinteligencias, e cada qual procurava lançar sobre o outro a responsabilidade do desastre. No Rio da Prata, os turibulários (aduladores), os eternos incensadores do general em 5 chefe não esqueceram, ainda desta vez, o bravo, brioso e patriótico Tamandaré. Sobre ele lançavam principalmente a culpa, alegando não ter sido o combate precedido alguns dias de vigoroso bombardeamento às posições de Curupaity e só se ter feito isso algumas horas antes do assalto. Outras acusações, filhas da consternação e do luto que tais catástrofes produzem, mas que não são por isso justas, cifravam-se em não se haver colocado no Chaco uma bateria para se bater de flanco a posição de Curupaity. A não se ter reforçado o 2° corpo de exército quando ele demandou Curuzú para se investir logo Curupaity e ali poder conservar-se; não se tendo feito isso também logo depois da tomada daquela posição, até o dia 9, no máximo, gastando-se, pelo contrário o tempo em conferências; nenhuma outra operação teria executado um general hábil, a não ser um decidido e vigoroso ataque pela esquerda do inimigo, então sem defesa séria, como já dissemos. O que se receiava para não se levar isso a effeito? Um ataque à nossa base de operações em Tuyuty e Paso de la Pátria? Seria para o exército aliado uma imensa felicidade, porque as forças inimigas, fora de suas trincheiras, seriam derrotadas e essas forças não poderiam ser numerosas, porque o marechal Lopez teria que ir com fortes contingentes conjurar o cataclismo que lhe ia cair em um flanco, ainda bem fraco e, assim, embora Tuyuty ficasse desfalcado de tropas com a marcha das que tivessem de operar nessa bela empresa estratégica, de brilhantes consequências, em todo caso, ficaria numero suficiente para enfrentar com o inimigo que ali se apresentasse. Não se fez isso e só se realizava o que era justamente mais difícil, mais condenado. Flanqueáveis como eram as posições do Sauce e Riojas, o ataque de Curupaity não deveria ter lugar quando mesmo o efetivo do exercito aliado fosse maior do que era realmente, uma vez que se deixou o inimigo levar as suas obras de defesa até onde quis. Alegar que não se conhecia para uma operação de flanco o terreno como se alegava e, ainda hoje se diz, é uma razão inadmissível, inaceitavel, porque era o primeiro dever do general em chefe ter logo e logo, sem perda de tempo, mandado proceder a reconhecimentos por oficiais hábeis e mesmo com eles marchar em pessoa, para ter ciência exata do que era isso que se estendia à sua direita. Frederico o Grande, rei; Bonaparte, já imperador; todos os cabos de guerra, desde tempos os mais remotos; enfim, as mais altas intelectualidades militares, até os chefes mais medíocres, procuravam e procuram viver às claras a tal respeito, fazendo até pessoalmente tais reconhecimentos. Passar meses e meses na barraca ou a trotar pelos acampamentos, vivendo em absoluta ignorância do terreno inimigo que se estende por qualquer lado do campo, é realmente o cúmulo da indiferença! Durante o comando em chefe do general Mitre estávamos infelizmente condenados a ver o inimigo imprudentemente, sem a menor precaução, levantar trincheiras, assestar atrás delas as suas baterias e só então, da direção suprema da guerra, partia o toque de: Avançar! Se não fossemos testemunhas oculares de tão singular proceder, nos pareceria tudo isso uma fantasia. Estas considerações não são feitas depois de longos anos; depois dos fatos consumados. Annis post multis. Não; não são. Oficiais superiores do exército brasileiro externaram naquele tempo, em substancia, as mesmas ponderações; mas, infelizmente não exerciam os grandes comandos e se os seus planos chegavam ao conhecimento do quartel-general em chefe, sem que previamente se fizesse um estado sério deles, eram condenados por aquela congregação, como heterodoxos, e assim iam para o Index. Enfim, a posição de Curupaity, que poderia ser tomada ainda a 9 de setembro por uma coluna de 20.000 homens que ali se sustentaria e repeleria um ataque de todas as forças do marechal Lopez, quando mesmo não se fizesse nenhuma demonstração pela nossa direita, esquerda do inimigo; só o poderia ser a 22 daquele mês por um exército de 60.000 homens, atacando-se ainda energicamente por Tuyuty. Esse desastre, segundo computou-se oficialmente, custou aos aliados 4.318 homens fora de combate; sendo o tributo dos argentinos de 2.082, destes 30 oficiais e 557 soldados mortos; o nosso 2.266, sendo mortos 48 oficiais e 364 soldados. Os feridos argentinos foram, pois, em número de 1.495, incluídos 132 oficiais ; os nossos 1.854, dos quaes 153 eram oficiais. Infelizmente, o número dos mortos excedeu em poucos dias ao cômputo oficial feito logo depois da ação.

6 Inauguração de quadro (pintura) na Argentina Em agosto, o nosso acadêmico Cel Pedro Paulo Cantalice Estigarribia, participou da inauguração de um quadro seu sobre a Batalha de San Lorenzo em Buenos Aires. Presentes, além das autoridades argentinas, o Gen Edson Leal Pujol, Comandante Militar do Sul, acadêmico emérito da FAHIMTB. O contexto da batalha foi o das lutas pela independência da Argentina. A batalha foi em 03 Fev 1813, nas proximidades do Convento de San Carlos de Borromeo, atual localidade de San Lorenzo, Província de Santa Fé, na qual tropas independistas venceram as tropas espanholas. O patrono do Exército Argentino e pai da pátria argentina, General Jose de San Martín, participou da batalha como comandante e está presente na pintura do Cel Estigarribia. Abaixo, aspecto da cerimônia com o quadro ao fundo vendo-se, da esquerda para a direita, o Adido do Exército na Argentina, Cel Mendes, a sua esposa, o Cmt do Exército Argentino Major-General Suñe, o Cel Estigarribia, a sua senhora Dona Ione e o Gen Pujol. Editor: Luiz Ernani Caminha Giorgis, Cel Presidente da AHIMTB/RS lecaminha@gmail.com Acesse os nossos sites: www.ahimtb.org.br e www.acadhistoria.com.b