domingo, 5 de março de 2017

MARIA HELENA DE TOLEDO SILVEIRA MELO: "UMA PEQUENA HOMENAGEM À MULHER PAULISTA E VOLUNTÁRIAS DA REVOLUÇÃO DE 32 - ROL

Maria Helena de Toledo Silveira Melo: ‘Uma pequena homenagem à mulher Paulista e Voluntárias da Revolução de 32’

05/03/2017 16:25

Maria Helena e Toledo Silveira Melo:
‘Uma pequena homenagem à mulher Paulista e Voluntárias da Revolução de 32’


 Maria Helena de Toledo Silveira Melo
Presidente do Núcleo de Correspondência
Trincheiras Paulistas de 32 de Jaguariúna

Objetiva-se publicar biografias, histórias de vida e de batalhas relativas à Revolução de 1932. Caso saiba de algo, entre em contato. Para maiores informações envie mensagem à malusim53@yahoo.com.br.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Mulheres de 32 – I

Durante as comemorações do “CINQUENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932”, foi promovida pelo Governo do Estado de São Paulo junto com a Secretaria de Educação e Comissão Estadual de Moral e Civismo, uma série de conferências, dirigida à Rede Estadual e Municipal de Ensino e ilustres convidados, com o tema Revolução de 32, a s quais foram realizadas em novembro de 1981. Destaco nesta publicação a palestra, “A Presença da Mulher em 32”, proferida pela Professora Carolina Ribeiro, nome de destaque na educação paulista e também como Voluntária na Revolução de 32.
É uma explanação longa onde a Professora conta o que fez e como fez, também dá sua opinião sobre vários aspectos da Revolução de 32 e sobre a sociedade e cultura paulista.
Destaco, a seguir, alguns trechos de sua palestra em relação à Revolução:
“A presença da Mulher em 32” por Professora Carolina Ribeiro.
[…] “Vocês me perguntam que é que fez a mulher paulista em 32?
Mas nós fizemos tudo! … a fraqueza transformando em força, ânimo, vigor; cada mulher sendo mãe, esposa, irmã, simplesmente namorada, dizia a cada rapaz: vai! mantendo os olhos enxutos, comprimindo o coração, para que não fraquejasse, indo depois chorar sozinha, escondida, aquela ausência; rezar com fervor para que preservasse aquelas vidas, preciosas para São Paulo…”.
[…] “Partiam os jovens às centenas: precisavam de roupas, agasalhos, precisavam até de coisas que pareciam supérfluas; precisavam de bandagens, de medicamentos, e nós mulheres assumimos esta parte.”
[…] “Foi criada a Comissão de Mulheres, que deveriam cuidar não só de roupa e de agasalho, mas também de acudir a infraestrutura, […]”
Era necessário acudir as famílias dos Soldados mais carentes.
“Foram montados em São Paulo, vinte e seis postos de assistência às famílias. […]
“Eu me alistei às nove horas da manhã de Nove de Julho. […] .”
“Como educadora, como Paulista, como educada no respeito à Lei e ao Civismo: lá fui. […] o “Posto” ficava ali defronte ao Pátio do Colégio. Depois passou para a esquina da rua Consolação, e depois estabeleceu-se, até o fim, na Praça da República.
O grupo constituído na ocasião, por mim, junto ao M.M.D.C. e a Liga das Senhoras Católicas: Alaide Borba, […] Nini Vergueiro Steidel, Zuleica Martins Ferreira, […]; Alice Meireles Reis.
Nós chefiávamos este posto, mas nos vinte e dois postos distribuídos pela cidade inteira, voluntárias, mãos que tiraram as luvas para cortar bacalhau ou carne seca, ou o que houvesse no dia para distribuir, dentro d’uma tabela. Nós no Centro, matriculávamos. Havia um grupo de jovens que se incumbia da parte de escrituração, de fazer o alistamento das famílias.”
Tudo muito bem estruturado e organizado, com as tarefas divididas entre as voluntárias e os postos.
[…] “Era uma recessão branca. Cada mulher poupava, cada mulher economizava, cada mulher restringia o seu dia – a- dia de alimentação, para que sobrasse coisas, alimentos, para os que iam combater. Porque de fora nada vinha, só vinham balas, só vinha bazucas, só vinha canhão, e os aviões que eles chamavam “gafanhotos”, gafanhotos perigosos.
Economizávamos tudo dentro de casa. Porque se havia dias em que vinha do interior um caminhão de frangos, ou de carne, batatas, oh! que maravilha, cada posto ganhava, um, dois, três frangos; outras vezes, vinha um caminhão de aboboras; outras vezes vinha um caminhão de metades de porco, mas tudo isso tinha que ser controlado e estava centralizado em mãos de mulheres, para estar bem, bem dirigido.”
[…] “Nós (os paulistas), fabricando tudo que era possível, e as mulheres dando assistência e de comer às famílias; as mulheres fabricando as bandagens necessárias para os feridos, porque logo começaram a vir os primeiros feridos, e eu vi ser levado a subir a R. da Consolação o primeiro morto.
Era preciso fabricar, era preciso inventar.”
Ao tomar conhecimento da cessação das hostilidades por intermédio de um soldado, o qual entregou-lhe o comunicado do Governador Pedro de Toledo, foi tomada de grande comoção.
[…] “nós no nosso posto de trabalho, recebíamos a visita do Tenente Coronel Moia, que ia dizer que nós teríamos uma semana para entregar as nossas fichas, os nossos relatórios, tudo aquilo que tínhamos feito. Chamou-nos, as cinco que estávamos chefiando o trabalho para perguntar: as senhoras vão continuar?
Eu disse: – Não! Voltou-se para Alayde Borba: – Não!
Voltou-se para Zuleika Martins Ferreira: – Não!
Voltou-se para Nini Steidel e para Alice Meireles: – Não!
Disse eu: – não trabalho para a ditadura. […]”
E a Prof. Carolina Ribeiro terminou seu depoimento com a seguinte frase:
“Nós estamos de pé, continuamos, eu com a proximidade dos meus noventa anos, digo: quero, apenas, morrer de pé, educadora, cristã, paulista.”
 
Publicação das Conferências realizadas no Clube Piratininga.
(Arquivo pessoal).
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