quarta-feira, 26 de abril de 2017

ESTIGMA - POR AILEDA DE MATTOS OLIVEIRA - CRÉDITOS A ÁLVARO PEDREIRA DE CERQUEIRA

Álvaro Pedreira de Cerqueira alvaropcerqueira@uol.com.br

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De: Maria Lucia <mlucia@sercomtel.com.br>
Assunto: : ESTIGMA (Aileda)
Data: 25/04/2017 16:26:45 CEST
Artigo de minha amiga Aileda que vale a pena ler.
Maria Lucia

ESTIGMA
Aileda de Mattos Oliveira
Tratando-se de Brasil, impossível falar-se em ‘povo’ como a boa sociologia ensina, hoje, também ela vítima da hipocrisia do ‘politicamente correto’. Falemos, apenas, em ‘população de um território’. A parte atuante, além de reduzida proporção, é descontínua nas suas ações, sem que persiga até o final os objetivos lançados como bandeira.
Somos relativistas; satisfazemo-nos com conquistas pela metade. As vibrantes manifestações pelo impeachment da guerrilheira, não levaram em conta a retribuição de Lewandowski à sua madrinha, ao ‘rasgar’ a Constituição. Manteve os gastos da celerada para andar pelo mundo denegrindo o país. Manteve os direitos políticos da criminosa para que venha desgraçá-lo mais ainda.
O outro lado trabalha em bloco, sem se desviar, em nenhum momento, de suas malévolas intenções. Essa é a diferença!
Ignoro os desígnios do Alto, mas nos surpreende que uma terra tão vasta e rica e de natureza exuberante tenha sido reservada para morada de um povo geneticamente sem vitalidade, de passividade doentia. Saídos desse aglomerado amorfo, indivíduos degenerados seguem a carreira política para viverem na soberba do poder à custa dos que trabalham, mas sem maiores horizontes.
É um desperdício de território para gente sem coragem de progredir! Como uma terra tão próspera pôs no seu costado gente sem mobilidade, sem ambição e governantes apátridas, sempre rendidos a mercadores estrangeiros? Mas a resposta para esse fenômeno fica restrita aos estudiosos de assuntos transcendentais que, certamente, falarão em carma, palavra-chave que abre a porta para tudo o que é inexplicável.
Vamos aos fatos. Satisfeita com a engessada rotina e mirando apenas nos possíveis benefícios, o grosso dessa gente negocia a sua ignorância em favor de mais e mais direitos, mantendo-se nos estágios iniciais de evolução intelectual e política.
É uma silenciosa troca de favores entre meros ouvintes, ansiosos pelo mais prometido em palanque, e sagazes vozes de catedráticos em tirar proveito dessa estreita visão popular. Acordo tácito que cai como uma luva nos dedos ágeis e rapinantes da desmoralizada classe política, hoje, praticamente ré de intermináveis processos de ladroagem pública.
Quanto ao covil desta bandidagem, bastava pôr uma grade em volta do Congresso e estaria diminuído o trabalho da Polícia Federal com ordinários que subtraíram bilhões e bilhões que fariam o país crescer e dar a esse povo os direitos legais e os deveres a executar. Mais robustas, porém, ficaram as contas particulares dos desclassificados representantes desta republiqueta de Pedro Malazarte. (1)
Em troca dos direitos a todas as facilidades, o governo tirou dessa gente a educação de qualidade e deu-lhe como brinde a cartilha ideológica. Para não desperdiçar tempo com explicações a quem nada sabe e nada entende, fez da Pedagogia a sua porta-voz, elegendo-a como a nova musa do sistema educacional brasileiro, e ela, por sua vez, saúda em grande estilo o seu patrono, o velhaco Paulo Freire.
Como a ideologia tem um sistema próprio de atingir as mentes, para que aprender outro sistema, o da língua? Mesmo porque, a apreensão e depreensão do sistema da língua traria problemas aos pedagogos que teriam uma nova frente a se ocupar. Quem aprendesse a língua, aprenderia a pensar e iria questionar o sistema ideológico, e isso não está nos planos governamentais.
Entra em cena, então, a Linguística que passa a ocupar, como similar, o lugar da nossa pobre, frágil ex-“flor do Lácio”, como disse um dia em tom poético o nosso Bilac, sem imaginar que ela se transformaria em flor do pântano petista-esquerdista-socialista-comunista.
Essa disciplina, introduzida no Brasil na década de cinquenta do século passado, quer assumir o lugar da Língua Portuguesa que desde o século XIII vem sendo a transmissora da produção intelectual, diplomática, documental de Portugal e do Brasil, após a chegada das caravelas.
Quer dizer que já fomos civilizados? Sim, por incrível que pareça já tivemos uma fase de desenvolvimento dos ensinos básico, médio, superior, da literatura, do jornalismo, cuja explicação para tal fenômeno pode ser fundamentada no seguinte raciocínio: não existiam, até então, o PT e o bandido que o criou.
Esta sigla amaldiçoada congrega amaldiçoados agentes que são meros entes sem alma, mas repletos do que há de mais sujo e perverso no mundo. Ordinários atores, não de uma ficção, mas de uma realidade que a acomodada gente brasileira não tem coragem de exterminar por não saber reagir.
Outra vez é o diacho do relativismo. Paremos de dizer que “ruim com este que aí está, pior sem ele!”. Este também é péssimo; quer doar o país aos gringos. Temos que escolher o melhor, quem goste do Brasil, que olhe para seu interior, que ponha essa imensidão para desenvolver, dando educação a seu povo. Isto temos urgentemente que fazer!
Que sina a deste país! Pobre Brasil que nem gentílico (2) tem! Será sempre ‘brasileiro’, eterno ‘carregador (braçal) de pau-brasil’. Mudemos para ‘brasiliano’, que ‘brasiliense’ já tem dono.
Quem sabe se a palavra, agora sim, obediente às normas da língua quanto à nacionalidade, faz desaparecer o “complexo de vira-lata”, como bem caracterizou a nossa gente Nélson Rodrigues numa de suas certeiras caricaturas verbais.
(1) Figura folclórica, mas espertalhona, da literatura brasileira.
(2) Nome que identifica o nascido num país, estado, cidade.
(Dr.ª em Língua Portuguesa. Acadêmica Fundadora da ABD. Membro do CEBRES)

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