domingo, 23 de abril de 2017

HISTORIA DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO - PELO CORONEL CLÁUDIO MOREIRA BENTO

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO LEALDADE E CONSTÂNCIA -SÍNTESE

Cel CLÁUDIO MOREIRA BENTO Presidente e Fundador da Federação de Academias de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB),do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS) e da Academia Canguçuense de História (ACANDHIS) e sócio benemérito do Instituto de História e Geografia Militar e História Militar do Brasil (IGHMB) e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e integrou a Comissão de História do Exército do Estado- Maior do Exército 1971/1974. Presidente emérito fundador das academias Resendense e Itatiaiense de História e sócio dos Institutos Históricos de São Paulo ,Rio de Janeiro e Sorocaba. Foi o 3º vice presidente do IEV no seu 13º Encontro do IEV em Resende e Itatiaia que coordenou o Simpósio sobre a Presença Militar no Vale do Paraíba, cujas comunicações reuniu em volumes dos quais existe exemplar no acervo da FAHIMTB doado a Academia Militar das Agulhas Negras.É Acadêmico e Presidente Emérito fundador das Academis Resende e Itatiaiense de História,sendo que da última é Presidente emérito vitalício e também Presidente de Honra.Ex-comandante do 4º Batalhão de Engenharia de Combate em 1981-82, quando redigiu esta plaqueta,por solicitação de seu amigo e Chefe no EM-2º Exercito em São Paulo , o Gen Bda Arnaldo Braga que então assumia o comando da Policia Militar de São Paulo,em epoca coincidente com o seu Sesquicentenário em 1981. Digitalização de Artigo plaqueta original para ser colocado em Livros e Plaquetas no site da FAHIMTB www.ahimtb.org.br e cópia impressa no acervo da FAHIMTB ,na AMAN em levantamento. para disponibilizá-lo na Internet no sistema do Exército de levantamento do acervo de suas bibliotecas. 

POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO LEALDADE E CONSTÂNCIA Capa da plaqueta encadernada , colocada pelo autor para melhor preservá-la e capa original da plaqueta impressa no Museu da Policia Militar de São Paulo em 1982, pelo historiador da PMSP Cel Edilberto de Oliveira Mello 2 Dados do autor em 1982 colocados pelo editor Cel Eng QEMA Cláudio Moreira Bento Membro da Comissão de História do Exército (1971-74). Membro da Academia Brasileira de História.Cadeira 14 Gen Div AugustoTasso Fragoso Membro dos Institutos de História e Geografia Militar do Brasil. —Membro dos Institutos Históricos e Geográficos de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. DEDICATÓRIA EM MEMÓRIA DOS HERÓIS DA CORPORAÇÂO QUE TOMBARAM DESDE 1831,EM DEFESA DA PÁTRIA, DA ORDEM, DA LEI E, DA SOCIEDADE PAULISTA, NA LUTA CONTRA O CRIME. INTRODUÇÃO A Polícia Militar do Estado de São Paulo completou, em 15 de dezembro de 1981, 150 anos de bons serviços à preservação da paz, da tranquilidade e da segurança individual e patrimonial da grande Família Paulista. Suas origens remontam a criação, em 15 de dezembro de 1831, do CORPO DE GUARDAS MUNICIPAIS (a pé e a cavalo) quando o Conselho do Governo de São Paulo, dirigido pelo Presidente da Província — Brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar —, decidiu organizar efetivamente aquele corpo, em cumprimento à Lei de 10 de outubro e Decreto de 22 do mesmo mês, baixados pela Regência Trina, destinado a MANTER A TRANQUILIDADE PÚBLICA E AUXILIAR A JUSTIÇA. Ao ser criado o Corpo de Guardas Municipais, herdava uma rica tradição de milícia dos paulistas e equivalentes, acumulada em quase três séculos, no reconhecimento e expansão do território, na preservação da Unidade, Integridade e Soberania do Brasil, no Nordeste, Oeste e Sul e na conquista e preservação da própria Independência do Brasil. O Corpo de Guardas Municipais teve por primeiro comandante o Alferes do Exército Imperial, José Gomes de Almeida, comissionado no posto de capitão. Por transformações, incorporações, fusões, evoluções e mudanças de denominações sucessivas, a partir de 1969, passou a denominar-se Polícia Militar do Estado de São Paulo. De 1831 a 1969 esta Corporação, conforme registram seus invejáveis anais, impulsionada e fiel às tradições militares paulistas de seus antepassados, prestou relevantes serviços militares, nas lutas internas e externas que se fez representar ou participou, na preservação da Integridade, Soberania e Unidade nacionais e na manutenção da Ordem e da Lei e da tranquilidade da família Brasileira, além das fronteiras paulistas e brasileiras e, na própria FEB, na Itália. Orgulhosos e embalados por estas gloriosas' tradições de bem servir e defender a Família Brasileira, os policiais militares de São Paulo, espalhados por 571 municípios, com dignidade, abnegação, competência e elevado espírito público, apesar de às vezes incompreendidos, de- 3 dicam-se sem desfalecimentos, à nobre tarefa de prover Segurança e Tranquilidade à Família Paulista, a qual orgulhosamente pertencem. O presente ensaio objetiva interpretar a contribuição desta histórica corporação paulista, cujo batismo de fogo teve lugar em 1842, no combate de Venda Grande, ao comando de Duque de Caxias, atual Patrono do Exército Brasileiro, na época barão, e realizando a sua segunda obra pacificadora das quatro que o fizeram reconhecido e consagrado por seu povo como "O Pacificador". SOB O ESTÍMULO DE UMA GLORIOSA TRADIÇÃO Ao ser criado, em 1831, o Corpo de Guardas Municipais da Província São Paulo, herdava as gloriosas tradições militares paulistas, acumuladas em três séculos que tomaram parte ativa nos seguintes fatos da História Militar do Brasil: Na expulsão dos franceses do Rio de Janeiro, pondo fim nos os sonhos de Willegaignon de ali estabelecer a França Iquinocial, ao participarem do ataque ao Forte Coligny, local da atual Escola Naval do Brasil. Na obra ciclópica dos bandeirantes que, transpondo o meridiano das Tordesilhas percorreram o Sul, o Centro-Oeste, o Sudeste e Norte e reconheceram e conquistaram as vastidões territoriais no Ocidente do referido meridiano. Conquista legitima reconhecida no Direito Internacional, pelo Tratado de Madrid, de 1750. - Na épica marcha de João Ramalho, de Natal a Salvador, ao comando de Raposo Tavares, através de território dominado pelo invasor holandês. Na expedição partida do Rio de Janeiro que libertou Angola do domínio holandês. Na Guerra de 1763-77, no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso. No Sul, já desde 1722, através de contingentes sucessivos de milicianos paulistas e da Legião de Voluntários Reais de São Paulo (1775-78). Todos desempenharam papel militar notável de 1722-1778, no reconhecimento, exploração, conquista, povoamento, defesa e definição do destino brasileiro do Rio Grande do Sul pelas forças das armas. No Oeste, contribuindo para a ereção e defesa dos fortes N.S. do Iguatemi, de Coimbra e Príncipe da Beira, que tiveram papel decisivo para a definição do destino brasileiro do Mato Grosso, ao garantir a conquista dos bandeirantes reconhecida pelo Tratado de Madrid. Na incorporação dos Sete Povos das Missões, em 1801, no Rio Grande do Sul, onde, entre os 40 heróis qüe participaram daquela luta ,14 pelo menos eram paulistas, como o sorocabano Gabriel Ribeiro, o segundo em comando e a seguir o tenente de Milicias paulistas Antônio de Lara a frente de 12 conterrâneos paulistas e o mais graduado daquela histórica empresa. Na expedição enviada pelo Príncipe-Regente D. João, que conquistou Caiena, na atual Guiana Francesa, em represália a Napoleão. Como integrantes da Legião de São Paulo, formada por dois batalhões de Infantaria e dois de Cavalaria e duas companhias de Artilharia, que lutou e guarneceu o 4 Rio Grande de 1811 a 1824, cobrindo-se de glórias no Exército Observador e após Pacificador da Banda Oriental, nas guerras contra Artigas, de 1816-1820, na incorporação da Província Cisplatina e na guerra de Independência do Brasil naquela Província. Legião na qual iniciou sua fulgurante carreira militar, em 1824, em Salto - Uruguai, como voluntário de sua Cavalaria o mais tarde intrépido, legendário e líder de combate sem igual na guerra do Paraguai — o Marechal Manoel Luiz Osório, Marquês do Herval, atuai Patrono da Cavalaria. Foram as milícias paulistas que forneceram o primeiro historiador militar, da primeira luta externa do Brasil- nação, na condição de Reino Unido — o Ten Cei de Infantaria da Legião de São Paulo, Diogo Arouche de Moraes Lara, autor da Memória sobre a Campanha de 1816. Este bravo escritor soldado, tombou morto à frente de seu Regimento de Cavalaria Guarani, sob seu comando, no .Povo de São Nicolau, em luta com artigúenos que o haviam invadido em 1820. Nota: Diogo era, presumo, filho do Tenente-General José Arouche de Toledo Rondon, que fez brilhante carreira nas milícias paulistas e foi um dos fundadores e primeiro diretor da Escola de Direito do Largo do São Francisco, local por ele escolhido, tudo em 1827. . Paulistas que integrando o Corpo Leais Paulistanos, composto de 1.000 paulistas,que seguiu para o Rio de Janeiro,em janeiro de 1822 ,á disposição do Príncipe-Regente D. Pedro. Corpo que iria ter papel decisivo na conquista da Independência proclamada em 7 de setembro de 1822, às margens do Rio Ipiranga, em São Paulo e na sua consolidação, particularmente na Bahia. Paulistas Integrantes do 3.° Regimento de Cavalaria Ligeira de São Paulo que participou com destaque da Guerra Cisplatina 1825-1828 e que, na Batalha de Passo do Rosário ou Ituzaingó, se cobriu de glórias, integrando, ao lado do atual Regimento Osório do Rio Grande do Sul (2.° RCG), a Ala Esquerda da 1ª Divisão de Infantaria do General Crisóstomo Calado. Esta unidade, com a Independência, havia herdado por transformação as tradições da Cavalaria da Legião de São Paulo na defesa da Integridade e da Soberania do Brasil, no Sul, de 1775-1824. A Cavalaria da Legião de São Paulo, por transformações sucessivas, é o 5.° Regimento de Cavalaria, sediado em Quaraí, no Rio Grande do Sul. Unidade que possui, além da gloriosa traição de nela ter ingressado no Exército, em 1824, como voluntário, da Cavalaria da Legião de São Paulo, o Marechal Osório — Patrono da Cavalaria do Exército. A FIDELIDADE DA PMSP A UMA TRADIÇÂO Criado o Corpo de Guardas Municipais, em 15 de dezembro de 1831, somente em 5 de julho de 1832 foi concluída a organização de sua Cavalaria, representada hoje pelo Regimento de Cavalaria 9 de Julho. Foi seu primeiro comandante o capitão de Milícias Pedro Alves Siqueira. O núcleo inicial do Corpo de Guardas Municipais foi de 130 homens. Seu uniforme foi regulado por Decreto da Regência Trina, de 29 de dezembro de 1831. 5 Durante os 138 anos do Corpo de Guardas Municipais até sua transformação em Polícia Militar do Estado de São Paulo, esta Corporação foi fiel às tradições de seus maiores, e construiu uma solida tradição na defesa da Integridade, Soberania e Unidade Nacional. Quer atuando em São Paulo,quer no Brasil e mesmo no exterior em ações de guerra. Nos anos de 1839-41, alguns de seus membros integraram a Divisão Paulista da Serra que atuou em 1839 contra os farroupilhas em Santa Catarina, ao comando do Brigadeiro Francisco Xavier da Cunha e,em 1840,no Norte do Rio Grande do Sul, ao comando do Marechal Pedro Labatut. Seu batismo de fogo teve lugar na Revolução de 1842, em São Paulo, no combate de Venda Grande, ao comando do então Barão de Caxias. Fiel à defesa da ordem, da lei e dos poderes constituídos, teve de lutar contra seu organizador — o Brigadeiro Tobias de Aguiar. Apôs a luta, Tobias de Aguiar foi forçado a deixar São Paulo e dirigir-se para Vacaria, no Rio Grande do Sul, para juntar-se aos farroupilhas. Criador de cavalos, para lá levou suas manadas. Estas, em contato com cavalos do Rio Grande do Sul, de outra raça, deram origem a uma cruza de pelagem diferente, que desde então, cassou a denominar-se Tobiano, derivada do nome Tobias. Durante a Guerra do Paraguai, 1865-70, a Corporação lutou no Sul e no Oeste. No Oeste alguns de seus membros integraram a coluna encarregada de invadir o Paraguai, episódio conhecido mundialmente por Retirada da Laguna, graças ao livro publicado por um dos seus integrantes — o Barão de Tau-nay, pai de Afonso de Taunay —, consagrado historiador das Bandeiras e da cidade de São Paulo.Contingentes da Corporação, embarcados na Divisão Naval ao comando do Almirante Barroso, participaram da vitoriosa Batalha Naval de Riachuelo. Entre muitos bravos da corporação naquela guerra, registre-se o então alferes Francisco Alves do Nascimento Pinto, mais tarde general honorário do Exército, em reconhecimento à sua destacada atuação naquela luta externa. Durante a Revolta na Armada e Revolução Federalista de 93, a Corporação cumpriu destacado papel na defesa da lei, da ordem e dos poderes constituídos. Seja na defesa do porto de Santos, seja na luta no Paraná, onde atuou como 2.a Brigada, ao comando do coronel João Teixeira da Silva Braga, integrando a 1.a Divisão do Corpo de Exército, ao comando do general Ewerton Quadros em operações contra o caudilho Gumersindo Saraiva. - Durante a Guerra de Canudos, no sertão baiano, a Corporação tomou parte da última expedição, ao comando do General Arthur Oscar Andrade Guimarães. Representou-a o seu 1.° Batalhão de Infantaria, ao comando do valente e enérgico major José Pedro de Oliveira. Como lembrança desta participação o Batalhão Tobias de Aguiar, até hoje, conserva a bandeira da Unidade usada naquela luta. . Em 1904, o 1º Batalhão de Infantaria atuou no Rio de Janeiro, ao comando do tenente-coronel Pedro Arbues R. Xavier, para reprimir os amotinados da Revolta do Quebra Lampião. 6 Na Revolução de 1922 contingentes da Corporação se fizeram presentes na fronteira de Mato Grosso, ao comando do major Januário Rocco. Integraram tropa ao comando do general Tertuliano Potiguara, encarregado da defesa daquela fronteira, contra revolucionários provenientes de Mato Grosso. — Na Revolução de São Paulo de 1924, a Corporação foi quase toda controlada em sua fase inicial pelo revolucionário major Miguel Costa. A cidade de São Paulo chegou a ser dominada pelo mesmo. E o comandante da Corporação foi preso. No meio desta confusão, foi nomeado para comandar o que restava da Corporação a figura providencial do coronel Pedro Dias de Campos. Este, por sua atuação como guerreiro, administrador e grandes iniciativas, tornou-se um dos maiores vultos da História da Polícia Militar de São Paulo, que viveu com ele seus maiores e gloriosos momentos de 1924-1930. Nesta fase, a Corporação, através de seus 1.° e 2.° Batalhões, se fez presente na perseguição à Coluna Miguel Costa -Prestes. 0 1.° Batalhão, ao comando do coronel Joviano Brandão, atuou no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso, até 4 de agosto de 1825. 0 2.° Batalhão, ao comando do tenente-coronel Afro Marcondes de Rezende, atuou no Paraná, incorporado a tropas do Exército e participou com destaque nos combates SERRA DO MEDEIROS, ROCINHA, ADELAIDE e CATANDUVAS, nas quais tombaram mortos muitos de seus bravos. Nas campanhas do Norte e em Goiás, 1926, tendo como objetivo a perseguição da Coluna Miguel Costa Prestes, os 3.° e 5.° Batalhões, respectivamente, ao comando do tenente-coronel Arthur Godoy e coronel Arthur da Graça Martins, operaram no Interior cearense e baiano, por cerca de sete meses. Ali pereceram muitos de seus bravos, como o tenente coronel Arthur de Godoy, capitão Joaquim Pires de Souza e tenentes José Ferreira da Silva e Pedro Fernandes Lopes. Em 21 de julho de 1926, sob o comando do bravo coronel Pedro Dias Campos, comandante da Corporação, partiu de São Paulo, com destino a Vianópolis, em Goiás, uma expedição de 2.400 homens da então Força Pública de São Paulo. Compunha-se a expedição de Infantaria, Cavalaria, Aviação e Sapadores. Posteriormente, o PC da força deslocou-se, em 14 de agosto, para a cidade de Formosa. A expedição organizou, então; uma longa linha de espera e vigilância da Coluna Miguel Costa Prestes, balizada pelas localidades de SÃO DOMINGOS, POSSE, ARRAIAS, CONCEIÇÃO NATIVIDADE e PALMA. Entrou em contato, em 6 de setembro, em ARRAIAS, com os revolucionários. Estes, em consequência, marcham para se internarem no Mato Grosso pela Serra do Cafezal. Em perseguição à Coluna Miguel Costa- Prestes, em Mato Grosso, um batalhão foi enviado para Campo Grande e dois outros para Três Lagoas. Em 24 de outubro de 1926, finda a Campanha de Goiás, o comandante da Corporação, coronel Pedro Dias de Campos, retornou a São Paulo, desfrutando merecida fama e conceito militar Pedro Dias de Campos é filho de Araçoiaba da Serra. Na revolução de São Paulo, de 24, nomeado comandante da Corporação em seu momento mais crítico, conseguiu impor, aos revolucionários que dominavam a paulicéia, a sua vontade e a consequente retirada. Em 28 de julho de 1924, conquistou os quartéis em poder dos revolucionários. 7 Conseguiu soerguer a então Força Pública e faze- la presente por todos os rincões "do Brasil em perseguição à Coluna Miguel Costa -Prestes. Sob seu comando a Polícia Militar de São Paulo conheceu período de grande progresso e crescimento. Herdando-a dividida por uma revolução, organizou-a, equipou-a e a instruiu em moldes dos mais modernos da Europa, com apoio em experiências auridas como observador militar na Europa e concurso de Missão Militar Francesa. Introduziu a Esgrima estudou o escotismo e o implantou no Brasil. É obra sua a Cruz Azul, modelar organização de assistência social da PMSP. Sob seu comando foi dinamizada e prestigiada a Esquadrilha de Aviação que prestou valiosos serviços nas revoluções de 24, 26 e 30. Sob seu comando, a Esquadrilha contribuiu para o pioneirismo da Aviação. Foi um de seus membros, o tenente João Negrão, que pilotou o hidroavião JAHU em seu épico feito. O Jahu, em 28 de abril de 1927, alçou vôo da Itália para sua vitoriosa travessia do Atlântico. Feito que culminou com sua amerissagem na Represa Santo Amaro, na Paulicéia, em 1º de agosto. Antes, a Corporação já havia fornecido, em 1º de novembro de 1925, o primeiro paraquedista brasileiro, o então tenente Antonio Pereira Lima,.escalado para saltar no Campo de Marte, em festividade destinada a angariar fundos para a construção da Cruz Azul. Para substituir a para-quedista francesa Janerte Caillé, que adoeceu à última hora e para não devolver-se a entrada de 5 mil réis cobrada pelo espetáculo, o coronel Pedro Dias de Campos escalou um "voluntário" para resguardar o nome da Corporação. E a escolha recaiu no tenente Lima, que tinha visto um para quedas somente na véspera. E este bravo cumpriu bem a missão, sem incidentes. O coronel Pedro Dias era poliglota, editor de jornais e revistas e produziu alentada obra histórica. Foi o comandante-historiador. Reconhecido como tal, foi membro dos institutos históricos e geográficso ou equivalentes de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Piauí e Amazonas. Produziu muitos trabalhos de História Militar, entre os quais registre-se: O Espírito Militar Paulista, A Revolução de 1924 em São Paulo, Os Quartéis da cidade de São Paulo, A gente Sorocaba na Revolução de 1842, Uma Carta de Osório e a História da Força Pública de São Paulo, todos publicados na Revista do Instituto Histórico e Geográfico dé São Paulo, conforme se conclui da leitura do índice da mesma. Sua presença na Casa da História de São Paulo foi marcante como historiador militar, sem rival na época em que ali prestou o concurso de sua inteligênci a. Na Revolução de 30, a Corporação atuou com destaque, subordinada à 2.a Região Militar. Atuou em diversas frentes, particularmente na frente de itararé. Ali, destacou-se nos ¡combates de SENGES e MORUNGAVA. No último, morreu em combate o tenente Francisco Martins. No litoral, no setor do Iguapé, morreu lutando bravamente, o tenente coronel Pedro Arbues Rodrigues Xavier, após haver respondido com estas palavras à ultimação de rendição: "Um velho soldado da Força Pública morre mas não se entrega". Foi fiel à sua verdade e legou um exemplo de grande amor à sua Corporação e de fidelidade à missão recebida. 8 Na Revolução de 32, a Corporação tomou parte ativa no movimento ao lado de tropas do Exército e batalhões civis. Suas unidades atuaram com valor e bravura no Vale do Pararaí. Campinas, Itararé, Ribeirão Preto, Santos, Bauru, Serra do Cubatão. Logo no início do movimento, passou pela dor de perder, num acidente com um morteiro, o seu comandante, o coronel Júlio Marcondes Salgado, promovido post-mortem no mesmo dia, ao posto de General da Força Pública de São Paulo. Na Revolução de 64, a Corporação, fiel às suas tradições de bem servir São Paulo e ao Brasil, cerrou fileiras em torno das forças que a promoveram. De lá para cá tem prestado valioso j concurso na conquista dos objetivos da Revolução de 64, iniciado na cidade de São Paulo com a Marcha com Deus pela Liberdade, de iniciativa da mulher paulista. Na onda terrorista que tentou parar a cidade de São Paulo, a Polícia Militar de São Paulo contribuiu decisivamente para erradicar esta agressão solerte à vida e ao patrimônio da Família Paulista. Nesta luta traiçoeira, muitos de seus integrantes tombaram no cumprimento do dever, em defesa da Democracia contra o Comunismo. Exemplo de sacrifício entre muitos nesta fase foi o do heróico capitão PM Alberto Mendes Júnior, assassinado por terroristas, a coronhadas, na véspera do Dia das Mães, em 1970, nas matas do Vale do Ribeira, após salvar doze companheiros que puderam comemorar o seu Dia das Mães e, contribuir com o sacrifício da própria vida para erradicar o Terrorismo rural que lá tentava estabelecer suas bases. BIBLIOGRAFIA - As fontes abaixo possuem outras indicações sobre o assunto abordado nesta interpretação: 1)— BENTO, Cláudio Moreira, Ten Cel. Participação de São Paulo e Paraná na guerra de Restauração do Rio Grande do Sul (1775-1773). RIHGGParaná, 1978. 2) .______. A presença militar paulista na conquista do RGS. Diário de São Paulo, São Paulo, 24 Abr 74. 3._______. Bicentenário da Restauração do Rio Grande - RIHGMB,v. LVIII-1 ° sem 1977. 4) - CANAVÓ FILHO, José e MELO, Edilberto de Oliveira. PolíciaMilitar - Asas e Glórias de São Paulo. São Paulo, PM SP, 1977. 5)- CAMPOS, Pedro Dias, Cel. A Força Pública de São Paulo. ~ RIHGSP. 14°, 251 e 16.°, 485 e 487. 6) - CAVALCANTI, Américo Neto do R. Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar - Sesquicentenário do nascimento. RIHGSP. 44.° - (2.° p,375 e 394. 7)- ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO. História do Exército Brasileiro. Rio Janeiro, Sergraf - IBGE, 1972. v..1 p 217-232, 293-299, 307-311 e 371-382. 8) — LARA, Diogo Arouche de Morais. Memórias da Campanha 1816.RIHGB nº 26 e 27. 1845. 9) — LINS, Maria de Lourdes Ferreira. A Legião de São Paulo no Rio Grande do Sul - Tese de doutoramento na USP 1976. 9 10)-MALVASIO, Luiz Sebastião, Maj PMESP. Resumo Histórico da Polícia Militar de São Paulo. São Paulo, PMESP, 1971. 11) — REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO GEOGRÁFICO DE SÃO PAULO (Seus primeiros 60 números possuem muitas refe rências ao assunto e indicações em seu n.° 60 - índice). NOTA: O Tenente Antonio de Almeida Lara, que tomou parte na Conquista dos Sete Povos das Missões, em 1801, fez carreira militar atingindo o posto de brigadeiro em Cuiabá-MT. (Ver crônicas de Cuiabá, na RIHGSP). ATUALIZAÇOES EM 2016 no 20º ANO DA FUNDAÇÃO DA FAHIMTB Em 1º de Março de 1996 criamos em Resende, ao abrigo de instalações externas da Academia Militar das Agulhas Negras, a Academia de História Militar Terrestre do Brasil,(AHIMTB) destinada a desenvolver a História das Forças Terrestres do Brasil (Exército, Fuzileiros Navais, Infantaria da Aeronáutica e Policias e Bombeiros Militares). E logo recebemos a solidariedade da Policia Militar de São Paulo, estabelecendo na Associação dos Oficiais da Reserva da PMSP a Delegacia Coronel PMSP Pedro Dias de Campos que foi inaugurada pelo falecido Coronel PMSP Hermes B. Cruz ,como seu Delegado e que assumiu a cadeira especial Cel Pedro Dias de Campos no CPOR-SP junto com os historiadores Hernani Donato e Adilson Cézar .Com o falecimento do Coronel Hermes assumiu a Presidência da Associação o Cel PMSP Edilberto de Mello, na qual a AHIMTB viveu grandes momentos e onde em sua Biblioteca foram entronizadas as fotografias de 3 icones da PMSP consagrados como patronos de cadeiras especiais da AHIMTB, dedicadas à PMSP: Cel Pedro Dias de Campos e Generais Miguel Costa e Julio Marcondes Salgado. E nestes 20 anos foram diversas as posses de acadêmicos da PMSP , realizadas no CPOR -SP, na Associação de Oficiais da Reserva de São Paulo, no Regimento de Cavalaria 9 de Julho e em Sorocaba,na Circunscrição do Serviço Militar. Todas as posses estão registradas em volumes próprios na sede da hoje FAHIMTB.Neste ínterim produziram livros expressivos sobre a História da PMSP os coronéis Eldiberto de Oliveira Mello, hoje também consagrado patrono em vida de cadeira da FAHIMTB destinada a PMSP, pelo volume de sua obra e também o Delegado da hoje FAHIMTB na Policia Militar, o Coronel Telhada, ex-comandante da Rota, cuja História resgatou em livro bem como a História dos integrantes da PMSP que formaram a Policia Militar na FEB.E o acadêmico Major Helio Tenório dos Santos publicou livro com o nosso Prefacio sobre Ordem Unida.Em 28 de março de 2013, em decorrência da transformação da AHIMTB em Federação de Academias de História Militar Terrestre do Brasil (FAHIMTB) foi instalada em Sorocaba a sua AHIMTB SP , sob a presidência do acadêmico Adilson César, cerimônia na qual foi empossado como seu 2º Presidente de Honra , o Comandante da PMSP Cel Benedito Roberto Meira que foi representado pelo Cel PMSP Nelson Never Camini, por ter sido chamado a Brasília.om O presente trabalhos apresenta falhas decorrentes da digitalização e da idade de seu autor hoje com 84 anos digitando,digitalizando,formando e ilustrando seus trabalhos com falhas de correntes de seus limitados conhecimentos de Informática. E assim espero que esta contribuição seja apreciada pelos integrantes da PMSP interessados em sua bela História

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