domingo, 11 de junho de 2017

NO DIA 11 DE JUNHO DE 1906 (HÁ 111 ANOS ATRÁS) O SARGENTO JOSÉ RODRIGUES DE MELLO ATIRA NO TENENTE-CORONEL RAOUL NEGREL (DA MISSÃO FRANCESA) NO QUARTEL DA LUZ (HOJE 1º BPChq "TOBIAS DE AGUIAR", MAIS CONHECIDO COMO QUARTEL DA ROTA)

EXTRAÍDO DAS MEMÓRIAS DO CORONEL PM MÁRIO FONSECA VENTURA

111 a. do crime ocorrido no quartel da LUZ (hoje 1o. BPChq) quando o 2o.Sgt. JOSÉ RODRIGUES DE MELO atirou, de fuzil, no Tenente-Coronel francês RAOUL NEGREL, no dia 11 de junho de 1906. O oficial faleceu em 14 de junho de 1906. No pátio interno do QG, um contingente do 1º Batalhão, sob a direção de oficiais do mesmo corpo, fazia manobras de acordo com as orientações do novo comando. Às 14:30 horas do dia 11 de junho de 1906, os oficiais da missão francesa, tenente-coronel RAOUL NEGREL e o tenente LABROUSSE, chegaram para inspecionar o armamento. No dia anterior, a tropa regressara de JUNDIAÍ, onde estivera para reprimir uma greve de ferroviários. A inspeção não havia começado e os dos oficiais acompanhados pelo tenente-coronel PEDRO ARBUES e o capitão PEDRO DIAS DE CAMPOS, ambos do 1º Batalhão, assistiam às evoluções. Repentinamente, do lado oposto, foi disparado um tiro de carabina que alcançou o tenente-coronel francês, ferindo-o na altura da orelha esquerda. O oficial cambaleou e foi amparado pelo tenente LABROUSSE. Vendo o agressor, que se preparava para outro tiro, deixou o ferido no chão para não ser atingido. O estampido do primeiro disparo provocou correria entre os praças e também alarmou o alferes MANUEL DE MORAES MAGALHÃES. Ao sair da sala de Arrecadação do 2º Batalhão, em direção ao pátio, ele foi atingido pelo segundo tiro. Com a ajuda de soldados, o tenente LABROUSSE deteve o assassino. Os dois feridos receberam socorro imediato: o alferes MAGALHÃES foi removido para o Hospital Militar e o oficial francês levado para a Sala de Comando do 2º Batalhão, transformado em enfermaria. MAGALHÃES morreu às 16:40 horas, vitimado pelo projétil que o atingiu no lado esquerdo do peito, fraturando a quinta costela sobre o pulmão e saindo na região dorsal. Do hospital, o corpo foi removido para a casa de sua família. O Tenente-Coronel NEGREL ficou internado durante três dias. A 13 de junho a situação de NEGREL começou a piorar. Às 23 horas, os médicos consideraram o caso como perdido e às 4:30 horas da madrugada o oficial francês morreu. O criminoso era o sargento JOSÉ RODRIGUES DE MELLO, um pernambucano de BOM JARDIM, nascido a 2 de agosto de 1874. Filho de um soldado do Exército, ainda jovem fugiu de casa, ingressando como marinheiro na Marinha Mercante. Ainda estava no nordeste quando resolveu acompanhar um grupo de recrutas que pretendia ingressar na FORÇA PÚBLICA – o que aconteceu em 1º de janeiro de 1893. Como militar foi um misto de herói e vilão. Em 1894 participou da CAMPANHA DO PARANÁ, lutou em CANUDOS contra ANTÔNIO CONSELHEIRO e seus seguidores e participou de diversas diligências pelo Estado. Foi preso inúmeras vezes por embriaguez e desordem. Ao ser ouvido, MELLO limitou-se a dizer que matara por causa dos maus-tratos. Embora não soubesse precisar a natureza dessas ofensas, no decorrer das apurações ficou evidente que o criminoso, certa vez, foi advertido pelo Tenente-Coronel NEGREL por estar embriagado e não executar bem as manobras. Em 17 de junho de 1907, depois de expulso da milícia, o sargento estava recolhido em uma cela da Repartição Central de Polícia, onde foi ouvido por um repórter. Lamentou-se bastante de sua situação e ao despedir-se disse “o meu consolo é que sou brasileiro”. Seu julgamento ocorreu em 1º de agosto de 1907, tendo como defensor o advogado BRAZ ARRUDA, que desconhecia o fato. Como chegou a dizer, estava viajando na época dos acontecimentos e só com a leitura do processo, durante a audiência, pôde se inteirar do assunto. MELLO acabou condenado a 30 anos de prisão. Recorreu, e, em 24 de abril de 1908, viu-se novamente condenado à mesma pena. Em 25 de novembro do mesmo ano, dava entrada na Penitenciária do Estado. Durante os 22 anos em que ali esteve, sempre foi considerado um bom preso. Prestou à direção do presídio inúmeros e valiosos serviços, auxiliando no tratamento de doentes, nas cerimônias fúnebres e nos ofícios religiosos de seus companheiros mortos. Em agosto de 1936 estava definitivamente livre da pena. Morreu de infarto em 26 de julho de 1944.          

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