quarta-feira, 26 de julho de 2017

23 DE JULHO DE 1913 NASCIA O GENERAL CARLOS DE MEIRA MATTOS - PERFIL DE UM HERÓI

104 a. nasce o GENERAL CARLOS DE MEIRA MATTOS em 23 de julho de 1913. Falece no dia 26 de janeiro de 2007. Estudou no Colégio Nossa  Senhora do Carmo, dos Irmãos Maristas, em SÃO PAULO. Aos 19 anos lutou como revolucionário paulista na REVOLUÇÃO DE 1932 e no ano seguinte ingressou, em março, na Escola Militar de REALENGO, sendo declarado ASPIRANTE A OFICIAL em janeiro de 1939. Em 1940-1941 foi instrutor da referida Escola sendo promovido a capitão em setembro de 1942. Integrou o Estado Maior da FEB como oficial de ligação da FEB com o IV Corpo de Exército dos EUA, tendo tomado parte no Combate de MONTE CASTELO como comandante da 2ª Companhia do 1º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria.
Ao retornar ao BRASIL integrou a Comissão de Repatriamento dos nossos mortos na FEB. Foi Instrutor Chefe do Curso de Infantaria da atual AMAN. Em 1946 cursou a ECEME. Promovido a MAJOR foi instrutor da ECEME, 1951-1954, sendo a seguir nomeado Adido Militar na BOLÍVIA. Promovido a TENENTE-CORONEL em abril de 1957. Foi nomeado instrutor da ECEME e cumulativamente, a partir de 1959, instrutor de Geopolítica da ECEM da Aeronáutica.
Foi Oficial de Gabinete do Ministro da Guerra GENERAL JOÃO SEGADAS VIANA, de 1961 a 1962 e, neste último ano, Chefe da 2ª Seção do EME. Promovido a Coronel em agosto de 1963, foi comandar em 1964 o 16º Batalhão de Caçadores em CUIABÁ, tendo participação destacada na Contra Revolução de 1964.
MEIRA MATOS assumiu o cargo de interventor de GOIÁS sendo substituído cerca de dois meses após por governador eleito pela Assembléia Legislativa.
Depois foi nomeado subchefe de Gabinete Militar do presidente CASTELLO BRANCO. A seguir, comandou o Destacamento Brasileiro – o FAIBRAS, da Força Interamericana da OEA na REPÚBLICA DOMINICANA. E ao retornar dessa missão comandou o Batalhão de Polícia da Capital Federal, sendo que em 19 de novembro, depois da decretação do ATO INSTITUCIONAL NÚMERO DOIS, recebeu ordem de cercar o Congresso para dele retirar deputados cassados, oportunidade em que teve áspero e rápido diálogo com o Presidente da Câmara. Em 1967, o CORONEL MEIRA MATOS cursou a ESG e nela ocupou o cargo de Adjunto para Assuntos Militares. De 11 de janeiro de 1967 a 8 de abril de 1968 presidiu comissão, para emitir parecer sobre reivindicações estudantis, tendo produzido o RELATÓRIO MEIRA MATOS, com diversas sugestões para melhorar o Sistema Educacional Superior no BRASIL. O ano de 1968 foi assinalado por graves agitações estudantis pelo mundo e, em especial, na FRANÇA.
Promovido a GENERAL-DE-BRIGADA foi nomeado comandante da AMAN em 1969. Em 1971, foi comandar em NATAL – RN a 7ª Brigada de Infantaria. Escreveu o livro “AS BATALHAS DOS GUARARAPES ANÁLISE E DESCRIÇÃO MILITAR”, um primor de clareza e objetividade. Em 1972, foi nomeado Diretor de Vias de Transportes. GENERAL-DE-DIVISÃO em novembro de 1973, foi nomeado Vice-Chefe do EMFA e a seguir, em 1975, Vice-Diretor do Colégio Interamericano de Defesa. E, ao retornar, em 1977, passou para a Reserva, com 44 anos de serviço e 64 anos por haver atingido idade limite.
Em 8 de junho de 1986 inaugurou o Colégio Acadêmico da AHIMTB ao ser o primeiro acadêmico a ser empossado, honraria que a seguir foi dispensada aos acadêmicos GENERAL PLÍNIO PITALUGA e GENERAL TÁCITO THEOPHILO GASPAR DE OLIVEIRA.
Em sessão de 7 de março de 2005, na cerimônia de comemoração dos dez anos da AHIMTB, no CLUBE MILITAR, MEIRA MATOS recebeu em nome da AHIMTB, o novo acadêmico LUIZ GONZAGA SHOROEDER LESSA. Sua produção literária é vasta cabendo destacar os seguintes trabalhos sobre GEOPOLÍTICA: PROJEÇÃO MUNDIAL DO BRASIL (1960); A EXPERIÊNCIA DA FAIBRAS NA REPÚBLICA DOMINICANA (1967); DOUTRINA POLÍTICA DE POTÊNCIA (1976); BRASIL GEOPOLÍTICA E DESTINO (1975); GEOPOLÍTICA – PROJEÇÕES DE PODER (1977) e UMA POLÍTICA PAN-AMAZÔNICA (1980). Marcou presença nas revistas do Clube Militar, A Defesa Nacional, Revista do Exército e na imprensa, especialmente, na Folha de São Paulo.
Junto com o CORONEL JARBAS PASSARINHO formava uma dupla considerada uma das maiores de abalizados escritores castrenses, sempre lidos com muito proveito.     
A Capela do Cemitério SÃO JOÃO BAPTISTA era pequena para todos que vieram dar o último adeus ao GENERAL MEIRA MATTOS. Espalhando-se pelo corredor, antigos camaradas da FEB, ESG, IGHMB, AHIMTB. Alguns foram ministros, outros tantos governadores, empresários, outros ainda soldados, irmãos de armas, amigos, admiradores, alunos. Todos expressando um sentimento único. Foi uma grande perda, não só para o Exército, mas para o BRASIL.
Ao longo de seus quase 94 anos (nasceu em 23 de julho de 1913), a trajetória do Cadete do Realengo nascido em SÃO CARLOS foi extensa e relevante, destacando-se sua contribuição à Geopolítica, das mais relevantes, coroando uma carreira profícua. Nela se desempenhou com esmero das mais diversas lides castrenses, seja em ação na FEB, nas FORÇAS DE PAZ em SÃO DOMINGOS, seja no ensino na AMAN, ESG, seja em funções de governo na Presidência da República e no EMFA, entre tantas missões sempre bem cumpridas.
Aos 70 anos, doutorou-se em Ciência Política pela Universidade MACKENZIE, onde teve GILBERTO FREYRE como examinador de sua tese. Paladino das teses do BRASIL Potência, Civilização nos Trópicos, Herança, Destino, Projeto Nacional, sua palavra ponderada e opinião esclarecida era ouvida com atenção nos diversos fóruns a que comparecia, quer pessoalmente quer na mídia, onde ainda há poucos dias publicou uma última contribuição na FOLHA DE SÃO PAULO sobre os destinos da AMAZÔNIA, onde com grande lucidez preconizava a necessária postura nacional.
Pontualmente às 17 horas, Cadetes da AMAN que o General comandara conduziram o caixão envolto na Bandeira Nacional, seguidos em cortejo pelos presentes, formando extensa fila ao longo das aléias do SÃO JOÃO BAPTISTA. A tarde não foi tão quente como pronunciava. O Sol escondeu-se atrás das nuvens, como que desejando permitir também aos velhos soldados, ex-combatentes dos campos da ITÁLIA, acompanhar o General até o Mausoléu da FEB, onde seria sepultado conforme sua vontade.
No Mausoléu, inaugurado em 13 de novembro de 1982, repousam para sempre o Comandante da FEB, MARECHAL MASCARENHAS DE MORAES e sua digníssima esposa, dona ADDA BRANDÃO, cujos restos mortais para lá foram trasladados ao cumprir-se o Centenário de Nascimento do Marechal. Como Oficial de Ligação do QG/ I DIE, o então Capitão iniciou uma amizade com o comandante da FEB, que duraria muitas décadas.
Aquele Capitão do 6º RI se destacaria ainda em MONTE CASTELO, tendo sido agraciado com a BRONZE STAR, nesta que foi a maior epopéia das forças brasileiras no Teatro de Operações Italiano. Uma Companhia do I Btl da PE, BATALHÃO ZENÓBIO DA COSTA, Unidade Febiana cuja denominação reverencia o Comandante da Infantaria da FEB, desincumbiu-se das honras fúnebres, ao longo do trajeto que levava ao Mausoléu.
As vozes de comando entrecortadas pelas salvas regulamentares de mosquetão trouxeram um pouco para perto dos presentes os sons da guerra, ao percorrerem a alameda ao longo da fileira de soldados. Nestes breves momentos, aos veteranos veio a lembrança daquele dia cinzento em MONTE CASTELO, quando superando forças mais experientes, entrincheiradas nas alturas e arrostando o frio inclemente e chuvas torrenciais que impediam o avanço mecanizado e o apoio aéreo, nossos bravos pracinhas colheram brilhantes vitórias na dureza daqueles combates. Se hoje temos a democracia sob este sol tropical, certamente a devemos também aqueles valentes soldados, dos quais derradeiros remanescentes agora levam para a última morada um de seus grandes expoentes.
À beira da sepultura, um amigo de longa data faz a última saudação. A voz do GENERAL OCTÁVIO COSTA ecoa na amplidão do campo santo, destacando o patriotismo lúcido e o carinho do companheiro que partiu. Em palavras candentes e emotivas, diante das dezenas de assistentes, afirma o exemplo do General, carreira digna de servir como paradigma às futuras gerações.
Dois soldados descobrem a Bandeira Nacional do caixão, dobram-na e entregam aos parentes. O corneteiro executa o toque de Silêncio. É um toque pungente que envolve a todos, especialmente familiares, cujas lágrimas refletem a dor daquele momento. Destacando-se contra o céu azul, a estrutura do Mausoléu associa-se a silhueta do Cristo no Corcovado, como se Ele, o contemplando do alto, eternamente enviasse sua bênção aos heróis que nele repousam
Ao final da cerimônia, o céu agora assumiu um tom metálico brilhante, graças aos reflexos do Sol por trás das nuvens brancas, como a querer também prestar uma última e significativa homenagem ao velho General. Deus disse a Adão: “Retornarás ao solo, pois é do solo que foste feito” (Bereshit 3:19). Dizem nossos sábios, a alma é eterna, apenas migra para outra dimensão, e assim eleva-se aos Jardins do Éden, atravessando o Portal do Paraíso. Os presentes vão se dispersando, até que mais ninguém está por ali.

Apenas restou a sepultura, recoberta por inúmeras corbeilles. Mas para sempre perdurarão as boas e valiosas lições que o irmão CARLOS DE MEIRA MATTOS nos ensinou, antes de passar agora para o OLAM HAEMET (MUNDO DA VERDADE).  (trecho escrito por ISRAEL BLAJBERG, com o título de PERFIL DE UM HERÓI).

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