domingo, 23 de julho de 2017

85º ANIVERSÁRIO DO FALECIMENTO DO GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO

  85 a. falece o GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO. Em 1932, ele era COMANDANTE GERAL DA FORÇA PÚBLICA e apoiava a Revolução desencadeada em SÃO PAULO. Num acidente com o experimento de uma bombarda, num campo de SANTO AMARO, morreu com a carótida seccionada, no dia 23 de julho de 1932. Ele nascera em PINDAMONHANGABA, a 1º de julho de 1890. Ingressara na Força Pública de São Paulo em 1907, galgando à custa de estudos e esforço, um a um os degraus da carreira. Sua promoção a GENERAL deveu-se a decreto do governador PEDRO DE TOLEDO.
O Capitão ALFREDO FEIJÓ, Comandante do Regimento de Cavalaria de RIO PARDO assim se expressou: “Camaradas! A desgraça, hoje pela manhã, baixou o véu negro da dor sobre nossos corações. Morreu tragicamente o Comandante JÚLIO SALGADO. Desaparece o homem que SÃO PAULO neste instante tanto precisava, para defesa de sua causa, da causa brasileira! Esperemos por entre as lágrimas que vertemos sobre o ataúde do morto querido, que o seu sucessor tenha a mesma fé, o mesmo credo, o mesmo pulso másculo para nos guiar e guiar a Força Pública na trilha da redenção nacional. Deus receba no seu reino varão tão forte e de tanta fé democrática. Esses são os meus votos e de todos quantos se encontram empenhados nesta arrancada”. No dia 24 de julho, o Regimento fez a guarda e acompanhou o enterro do CORONEL JÚLIO MARCONDES SALGADO até o Cemitério SÃO PAULO, fazendo juramento e recebimento da bandeira, sobre o corpo do bravo e leal soldado. “A nobre figura do CORONEL JÚLIO MARCONDES SALGADO, que ora tomba no turbilhão destes dias agitados e angustiosos de nossa pátria, arrastada à guerra civil, simboliza para nós uma como repetição do juramento das responsabilidades, do sacrifício, do sofrimento sabido e suportado, do destemor, da fé inquebrantável na vitória, da imperturbável confiança no direito de um povo que não quer ser constituído de escravos. SÃO PAULO que os inimigos tentam em vão intimidar e humilhar, levanta-se como uma fortaleza intransponível para a defesa de sua dignidade e de sua honra. Levantemo-nos orgulhosos da nossa missão, tornemos realidade os anseios de toda uma população desejosa de liberdade, expulsemos da pátria ludibriada, desconsolada e abatida, os abutres e os pigmeus ditatoriais que a deslustram e lhe sugam o sangue, para que a nossa terra, a terra brasileira, seja reintegrada no civilizado regime da Lei e da Justiça.”   
Posteriormente seus restos mortais foram transladados para o Monumento Mausoléu de 1932, onde entre outras coisas, há uma lápide de mármore com um poema imortal de GUILHERME DE ALMEIDA onde se pode ler entre outros versos: “ESTA É A TRINCHEIRA QUE NÃO SE RENDEU, QUE NÃO PERDOOU, QUE NÃO TRANSIGIU”. A banda da Polícia Militar esteve presente e ouviram-se entre outros o “PARIS BELFORT”, hino oficial da revolução constitucionalista de 1932.
FORÇA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO – QUARTEL GENERAL Boletim Nº 168 – 1ª Parte
DOLOROSA OCORRÊNCIA
 É com o mais profundo pesar que comunico à Força Pública a dolorosa ocorrência havida hoje às 10.40 minutos, em Santo Amaro, por ocasião de ser feita uma experiência de tiro, dando-se então o falecimento do Comandante Geral da Força, o Exmº Sr. General Júlio Marcondes Salgado, ficando feridos o Exmº Sr. General Bertholdo Klinger, o sr. Tenente-Coronel Salvador Moya, levementes e o sr. Capitão José Marcelino da Fonseca, gravemente e levissimamente o sr. Capitão Heliodoro Tenório da Rocha Marques, alem de um sargento e de alguns civis.
Passa a responder pelo Comando da Força Pública, em caráter interino, o senhor tenente-coronel Herculano de Carvalho e Silva, que já foi chamado do front. Onde se acha, pelo Governador do Estado.
Esse boletim está assinado pelo Capitão HELIODORO TENÓRIO DA ROCHA MARQUES, por ordem do MAJOR EUCLYDES MARQUES MACHADO.
Ainda nesse boletim o senhor tenente-coronel José Anchieta Torres, comandante do 4ºB/C/P, em ofício nº 103, comunicou que em data de 11, tudo do corrente, conforme determinação do Q/G, transferiu a sede daquele batalhão para o prédio nº 152, da Rua Major José Bento – Cambuci.
Na 4ª Parte – Hospital Militar – baixa estraordinariamente ao H/M, por terem se agravados os ferimentos recebidos por ocasião do incêndio no prédio do Q/G, no dia 16 do corrente, o 1º sargento da escolta José Machado de Oliveira. Seja essa baixa compreendida nas vantagens do artigo 30 das instruções para pagamento de vencimentos.    
“O Doutor Pedro de Toledo, Governador do Estado de São Paulo, por aclamação do Povo Paulista, do Exército Nacional e da Força Pública.
Considerando que o Coronel Júlio Marcondes Salgado, Comandante Geral da Força Pública do Estado de São Paulo, no decorrer de sua vida militar, através de todos os postos e de todas as armas, sempre se revelou um militar exímio, sereno cumpridor dos seus deveres, o que lhe valeu a estima dos seus comandantes e de todo o povo paulista;
Considerando que, neste momento histórico da vida paulista, representou papel de singular relevância, pelo que bem mereceu as considerações e honras com que foi distinguido, prêmio de um trabalho realizador e fecundo, no qual revelou a tempera do velho caráter bandeirante;
Considerando que encontrou a morte no dia de hoje, quando cuidava de dar às forças do Exército Constitucionalista novos meios de eficiência e de garantia da vitória da nobre causa por São Paulo abraçada;
RESOLVE,

Nos termos do decreto 5.602 de 23 de julho de 1932, considerar promovido ao posto de General Comandante da Força Pública do Estado de São Paulo o Coronel Júlio Marcondes Salgado."


  43 a. Senhora OFÉLIA SALGADO, em companhia do CORONEL ANTÔNIO ERASMO DIAS, secretário de Estado da Segurança Pública; vários oficiais da Polícia Militar, entre eles seu comandante, CORONEL FRANCISCO BATISTA TORRES DE MELO, e de inúmeros veteranos de 32, assistiu às 10 horas do dia 23 de julho de 1974, missa em memória de seu marido, GENERAL JÚLIO MARCONDES SALGADO, falecido a 23 de julho de 1932, numa manhã fria e garoenta, quase igual à de hoje, quando a missa se realizou, no altar do Monumento Mausoléu do IBIRAPUERA, ao lado do túmulo do poeta de SÃO PAULO, GUILHERME DE ALMEIDA. Estavam presentes vários civis e militares, entre eles um representante do sr. PAULO MALUF, secretário de Transportes do Governo. Pelo CLUBE PIRATININGA, compareceu o jornalista J. L. BARROS PIMENTEL, e pela SOCIEDADE VETERANOS DE 32-MMDC, os senhores CORONEL HELIODORO TENÓRIO DA ROCHA MARQUES e BENEDITO CAMPOS.

Padre LUÍS MARCOS BARBOSA, Capitão Capelão da Polícia Militar, se encarregou do ofício religioso, contando com a preciosa ajuda do coral da PM, com 27 figuras, comandado pelo SARGENTO PM JOSÉ MENCHUP.  

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