domingo, 9 de julho de 2017

85º ANO DO MOVIMENTO CONSTITUCIONALISTA DE 1932 - EXTRAÍDO DAS MEMÓRIAS DO VENTURA









85 a. MOVIMENTO CONSTITUCIONALISTA DE 1932. Uma das canções mais expressivas exaltando a revolução, traduzindo a história de uma mãe que perdeu seu único filho, imolado nas duras refregas do TÚNEL, é a canção intitulada NA SERRA DA MANTIQUEIRA. O jovem havia se alistado para defender os ideais constitucionalistas dos Bandeirantes. Muitas outras mães choraram seus filhos mortos na cruenta revolução, que vitimou brasileiros dos dois lados, num total de 830 (630 do lado dos paulistas e 200 do lado dos ditatoriais). Ei-la:
Na Serra da Mantiqueira                         Eis porém que veio a guerra
Sob a fronde da Mangueira                    abalando toda a Serra
Que ela em moça viu plantar                 Com o rugido do canhão
Sentadinha no seu banco                       Mãe Maria amargura
Traçando o cabelo branco                      Vê seu filho lá na estrada
Mãe Maria vai sonhar                              Se sumir no batalhão

Dos amores do passado                         Segurando seu rosário
Só lhe resta um filho amado                   No seu banco solitário
Que lhe dá felicidade                               Mãe Maria reza agora
Ela é todo o seu encanto                         Pede a Deus ardentemente
Alegria o fruto santo                           Que lhe mande o filho ausente
Da longínqua mocidade                      Que já tanto se demora

E nas nuvens que correndo                E numa tarde ao sol poente
E vão no céu aparecendo                               Ela escuta de repente
Pra no ocaso descansar                      A voz meiga do rapaz
Ela vê seus belos dias                         Que lhe diz tal como em vida
De venturas e alegrias                          Muito em breve Mãe querida
Que jamais hão de voltar                     Lá no céu me encontrarás

 (Essa canção foi publicada nas CLARINADAS DA TABATINGUERA, jornal da AORRPM, por iniciativa do Coronel Ref EDILBERTO DE OLIVEIRA MELO.). No dia 6 de julho de 2009, em magistral cerimônia da comemoração dos 77 anos da Revolução Constitucionalista, com a entrega do COLAR CARLOS DE SOUZA NAZARETH, o CORAL BACARELLI executou essa canção. Novamente o mesmo Coral executou a canção durante sessão solene na Assembléia Legislativa em 2 de julho de 2012.
Palavras de EUCLIDES FIGUEIREDO: “Apesar de fria a noite, abrimos as janelas da limousine em que viajávamos, para facilitar qualquer reação. Eram sete homens decididos a arrostar tudo para chegar a tempo aonde nos levava a palavra empenhada: o CAPITÃO RIBEIRO DA COSTA; TENENTES JOSÉ LOBO, JOAQUIM CAMARINHA e MARIO GOULART; os civis JOÃO DARÉ e MÁRIO CABRAL. Na manhã seguinte (quer dizer, 9 de julho) partiram de trem o CORONEL PALIMÉRCIO, Doutor LUÍS GUIMARÃES, deixados para trás com a missão de avistar outros companheiros que com a pressa não puderam ser alertados. No mesmo trem ainda sem se falarem viajavam outros oficiais integrados na causa, o civil FRANCISCO ANTUNES JÚNIOR e o meu filho mais velho GUILHERME, que iludira na madrugada a vigilância dos policiais que já cercavam a minha casa. Primeiroanista de Direito, ia receber sua melhor aula de Direito Público e de amor à democracia.”
Às quatro horas da madrugada daquele mesmo dia, em que logo a noite se cobriria de glória o comandante da arrancada de “9 de Julho”, iniciava a ronda pelas guarnições do Norte do Estado, que horas depois estariam sob suas ordens. Avistou-se com o CAPITÃO LUÍS DE ANDRADE FARIA, comandante do 1º Batalhão do 5º RI, em PINDAMONHANGABA, deixando recado ao MAJOR QUINTILIANO DE CASTRO E SILVA, em CAÇAPAVA, manteve longa e decisiva conferência com o CORONEL JOSÉ JOAQUIM DE ANDRADE, que desempenharia função de relevo no VALE DO PARAÍBA. Conclui FIGUEIREDO: “Dali (CAÇAPAVA),s em mais preocupações sobre aquele ponto importante, urgia continuar para a capital do Estado, onde os mais sensacionais acontecimentos nos aguardavam. E lá chegamos por volta das 9 horas da manhã do dia 9 de julho, sem pensar que naquele mesmo dia eu seria chamado a desempenhar o saliente papel que a confiança dos camaradas de armas e dos civis nossos amigos, secundados pelo povo do heróico Estado me reservava: o de fazer eclodir e comandar o mais brilhante movimento cívico da história do Brasil republicano.”
No segundo trem noturno do dia 9 de julho, embarcou na Estação do RIO DE JANEIRO, o GENERAL JOSÉ LUIZ PEREIRA DE VASCONCELOS, novo comandante da 2ª RM, em SÃO PAULO. Desembarcava em CAÇAPAVA e aderia à Revolução Constitucionalista. A FORÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO, braço forte do Exército Constitucionalista, era comandada pelo CORONEL JÚLIO MARCONDES SALGADO. As tropas paulistas no VALE DO PARAÍBA foram comandadas pelo CORONEL FIGUEIREDO, que contava com três destacamentos: o do CORONEL ANDRADE, o do CORONEL PAIVA SAMPAIO e do CORONEL ABÍLIO DE RESENDE. A FRENTE NORTE esteve a cargo da FORÇA PÚBLICA (DESTACAMENTO ROMÃO GOMES) e a FRENTE SUL a cargo do DESTACAMENTO BRASÍLIO TABORDA.
A respeito do MOVIMENTO CONSTITUCIONALISTA disse MENOTTI DEL PICCHIA – “O MAIS BELO E COMOVENTE MOVIMENTO DA HISTÓRIA DAS AMÉRICAS E QUIÇÁ DO MUNDO”.
MARTINS FONTES disse, enfático: “Em GUANABARA, sob o sol que amamos / Rebradaremos, com bravor febril / Nós, de SÃO PAULO, rebrasilizamos / Os Estados Unidos do BRASIL.”
GUILHERME DE ALMEIDA, poeta da Revolução, proclamou: “Bandeira que é o nosso espelho / Bandeira que é a nossa pista! / Que traz no topo vermelho / o coração do Paulista!”

A disciplina, no dizer do GENERAL CADORNA,”é a pedra angular de toda formação militar” e “deve pela colocação em segundo plano da tropa a preocupação individual, criar a cooperação de todos, colimando um fim único: a vitória”. Essa disciplina foi amplamente notada na Revolução Constitucionalista de 1932.

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