domingo, 9 de julho de 2017

LEMBRANDO O 9 DE JULHO DE 1956 (MEMÓRIAS DO VENTURA)

61 a. passagem do 24º aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932 – 9 de julho de 1956. Desde as primeiras horas da manhã o povo esteve nas ruas participando das homenagens prestadas à memória dos heróis que tombaram em defesa da legalidade democrática. Em todos os locais em que se realizaram as solenidades cívicas, o homem do povo foi visto, numa demonstração eloqüente de sua veneração por aqueles que deram o se sangue em holocausto à Lei. Com o mesmo entusiasmo cívico que caracterizou o movimento armado de 1932, os paulistas reverenciaram os despojos dos cinco heróis que repousarão eternamente no Monumento Mausoléu do PARQUE IBIRAPUERA, símbolo da gratidão do povo de PIRATININGA ao soldado constitucionalista.
Várias cerimônias foram realizadas hoje em comemoração à passagem do 24º aniversário da Revolução Constitucionalista. Na Assembléia Legislativa foram hasteados o pavilhão nacional e a bandeira paulista, por componentes da Guarda Civil. Em seguida, o presidente da Câmara, os membros da Mesa e demais parlamentares rumaram para a Catedral Metropolitana, onde assistiram à missa solene celebrada pelo bispo auxiliar de SÃO PAULO, dom PAULO ROLIM LOUREIRO.
Às 9 horas, o CLUBE PIRATININGA realizou uma romaria ao cemitério de SÃO PAULO, em cuja capela foi celebrada missa por intenção das almas dos combatentes que tombaram durante a revolução. Foi oficiante o cônego LUÍS DE ABREU, ex-capelão do Exército Constitucionalista. Em seguida, os diretores do Clube, entre os quais o seu presidente, senhor ARMINDO LACERDA GUARANÁ, rumaram para o local onde estão os túmulos de vários soldados e voluntários constitucionalistas. Estiveram presentes veteranos da revolução, membros das famílias dos heróis e numerosos sócios do CLUBE PIRATININGA. Sobre as sepulturas, viam-se as coroas fúnebres enviadas pelo governador do Estado.
Dom PAULO ROLIM LOUREIRO, bispo auxiliar de SÃO PAULO, celebrou a missa solene às 10 horas na Catedral Metropolitana. As urnas contendo os restos mortais do GENERAL ISIDORO DIAS LOPES, CABO JOSÉ BENEDITO SALINAS e combatentes FERNÃO MORAIS SALES, ÁLVARO DOS SANTOS MATOS e CÉSAR PENA RAMOS, estavam ao pé da escada que conduz ao altar-mor do templo, guardadas por escoltas de honra da Polícia Especial da Força Pública. No corredor central, em ambos os lados, formavam veteranos de 32 e oficiais das três armas. Na PRAÇA DA SÉ, em frente à Catedral, estava formada uma unidade do BATALHÃO DE GUARDAS da FORÇA PÚBLICA.
O ato religioso foi assistido pelo povo em geral, membros das famílias dos heróis e todos os veteranos de 32. Altas autoridades civis e militares estiveram presentes, entre os quais o senhor JÂNIO QUADROS, governador do Estado; o GENERAL PORFÍRIO DA PAZ, vice-governador do Estado; o senhor RUI DE ALMEIDA BARBOSA, presidente da Assembléia Legislativa; o senhor VLADIMIR DE TOLEDO PISA, prefeito da Capital; o GENERAL FALCONIERI DA CUNHA, Comandante da Zona Militar do Centro; o BRIGADEIRO NETO DOS REIS, Comandante da Quarta Zona Aérea; e o GENERAL LEVY CARDOSO, chefe do Estado Maior da Zona Militar do Centro.
Terminada a cerimônia religiosa, o presidente da Sociedade Veteranos de 32-MMDC, senhor MÉRCIO PRUDENTE CORREIA, fez a chamada dos mortos e em seguida convidou personalidades presentes para conduzir os despojos até às carretas que as aguardavam em frente à Catedral. À saída das urnas, os soldados do BATALHÃO DE GUARDAS prestaram as homenagens fúnebres, dando três salvas de tiros de fuzil. Enquanto os despojos eram colocados nas carretas que os transportariam ao IBIRAPUERA, a Banda Musical da FORÇA PÚBLICA executou a marcha fúnebre de CHOPIN.
Milhares de pessoas, que se encontravam na PRAÇA DA SÉ, assistiram, contritos, à saída dos carros do Corpo de Bombeiros que rumaram para o IBIRAPUERA, conduzindo as urnas dos cinco heróis da Revolução.
O cortejo chegou às 11:30 horas no Parque. Logo depois, chegava o governador do Estado acompanhado de altas autoridades civis e militares. À entrada do Parque, ao longo da alameda que conduz ao Monumento Mausoléu, formavam tropas: do Exército, Aeronáutica e Força Pública, as quais prestaram as continências de estilo.
Em frente ao Monumento, os veteranos de 32 formavam em duas alas, tendo ao centro o catafalco. Colocadas as urnas sobre a Eça, dom PAULO ROLIM LOUREIRO procedeu a encomendação dos despojos, após o que os populares presentes fizeram orações pelos heróis mortos. Em seguida, o poeta GUILHERME DE ALMEIDA recitou um poema de sua autoria, composto especialmente para as comemorações de hoje. Pela terceira vez, os tambores rufaram e foi executado o toque de despedida por um veterano de 32. 

Depois da bênção do túmulo, por dom PAULO ROLIM LOUREIRO, as urnas foram conduzidas para o interior do Monumento. O senhor ANTÔNIO BENEDITO MACHADO FLORENCE convidou as personalidades presentes para segurar as alças das urnas. A primeira a dar entrada no Mausoléu foi a do herói ÁLVARO DOS SANTOS MATOS, conduzida pelo Presidente da Assembléia Legislativa, representante do MMDC, presidente do Tribunal Eleitoral de SÃO PAULO e um representante da família. A urna do GENERAL ISIDORO DIAS LOPES foi conduzida pelo Governador do Estado, JÂNIO QUADROS; pelo comandante da Zona Militar do Centro, o comandante dos Portos do Estado de SÃO PAULO e o cadete ISIDORO DIAS LOPES NETO, representante da família do herói.  Os restos mortais dos outros três heróis seguiram aos dos já citados.

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