quarta-feira, 26 de julho de 2017

PUBLICAÇÃO NO JORNAL "O ESTADO DE SÃO PAULO" EM 26 DE JULHO DE 1932


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  85 a. publica o jornal “ESTADO DE SÃO PAULO”, em 26 de julho de 1932, notícias sobre o andamento da revolução constitucionalista. A Milícia MMDC anuncia que do dia 10 ao dia 23 de julho de 1932 foram aproveitados grande número de voluntários reservistas de 1ª e 2ª categorias e alguns de 3ª num total de 8.313. Os restantes 10.287 estão concentrados nos vários postos, recebendo instrução. SÃO PAULO exige a Constituição, porque outro meio não existe de garantir-lhe os direitos essenciais. Sem ela corre perigo a unidade nacional; e, consciente de suas responsabilidades na formação territorial e nacional, o povo paulista não permite que a Ditadura continue na sua obra nefanda de criar incompatibilidades entre os Estados irmãos e fomentar a desagregação do país. Enquanto não realizar esse ideal sacrossanto não deporá as armas. No jornal vemos uma foto de um esquadrão de cavalaria paranaense que veio para SÃO PAULO para lutar do nosso lado.

Na terça-feira, 26 de julho de 1932, o General Góis Monteiro, comandante do I Exército, começaria a cumprir sua meta: ocupar a cidade de Buri, ponto estratégico por suas ligações ferroviárias e rodoviárias com São Paulo e outras regiões importantes do Estado. As tropas federais acirravam o tiroteio, que se estendeu pelos próximos dois meses. Nem o trem blindado, arma poderosa dos paulistas, conseguiria impedir a façanha. O relato consta do livro Guerra das Elites que o engenheiro João Brazílio Ramos Júnior lançou em Buri, sua terra natal. A história da Revolução brasileira de 1932, também conhecida como Revolução Constitucionalista, acaba de receber um nova luz com o lançamento de “Guerra das Elites”, de J. Brazílio. A apresentação dos fatos históricos não só ganhou com a riqueza de detalhes de quem conviveu com personagens populares que participaram diretamente dos conflitos como se reveste de uma amplitude jamais vista antes, uma vez que o autor retrocede aos antecedentes do episódio como a queda da monarquia, a instalação da república e as várias revoltas como a de Canudos, da Chibata, a Guerra do Contestado, além de movimentos políticos como a Coluna Prestes, manifestações sociais como as primeiras grandes greves e agitações culturais, como a dos modernistas de 22, que compõem o cenário em que vão se desenrolar as revoluções de 30 e 32. A compreensão do que realmente significou a Revolução de 32 para os paulistas e para os brasileiros ganha com a imparcialidade da visão do autor sobre o debate das idéias antagônicas que precederam o conflito como pela sua objetividade na narração dos principais acontecimentos que levaram ao derramamento de sangue de irmãos brasileiros. Nascido em Buri, município do interior paulista que viria a se tornar um dos principais palcos dos confrontos entre tropas gaúchas e paulistas, o autor recupera a memória viva de quem carrega ainda hoje as cicatrizes dessa página ímpar da história brasileira. Protagonistas como Getúlio Vargas, General Klinger, Luís Carlos Prestes e Juarez Távora compartilham o cenário com personagens populares que viveram a revolução debaixo dos tiros de fuzis, uma narrativa desapaixonada que trata de um tema apaixonante. O autor de “Guerra das Elites”, J. Brazílio – João Brazílio Ramos Júnior – é engenheiro civil e tem 69 anos. Nasceu em Buri (S. Paulo), a 25 de Fevereiro de 1937, onde cursou as primeiras letras no grupo escolar local. Prosseguindo seus estudos, concluiu o ensino médio – curso científico – no Instituto de Educação Peixoto Gomide, em Itapetininga (SP). Trabalhando e estudando, transferiu-se para São Paulo, onde fez o preparatório ao vestibular no Curso Anglo Latino e ingressou na Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie. Formou-se no ano de 1973. Profissionalmente, militou por 33 anos no ramo ferroviário até sua aposentadoria. Atualmente, dedica-se à administração de sua propriedade rural. No mundo das letras, como escritor e historiador é iniciante, sendo este “Guerra das Elites” seu primeiro trabalho. Diz João Brazílio: “O lugar onde eu nasci e vivi minha primeira infância - Fazenda do Tesouro, Bairro Chapeuzinho, em Buri, município mártir da Revolução de 1932 -, havia sido, cinco anos antes de eu vir ao mundo, palco dos mais violentos combates do chamado movimento constitucionalista de São Paulo. Garoto, vivia colecionando cascas de balas de fuzil, mosquetes, metralhadoras, etc; procurando capacetes - que eram usados como vasos - e ouvindo casos, muitos casos, a respeito desse conflito. Talvez por isso, sempre me interessei por essa trágica página de nossa história, página essa que, apesar de vários historiadores já terem se ocupado em reproduzir, nada impede que eu, a meu modo, apresente minha versão, com um ar talvez mais familiar, pela convivência com o ambiente e pessoas envolvidas. Meu intuito, contudo, não é outro senão o de difundir uma página verdadeira de nosso rude passado e suas sequelas, tentando de alguma forma contribuir para um futuro melhor”.

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