terça-feira, 8 de agosto de 2017

A JOVEM HEROÍNA MARIA ORTIZ QUE IMPEDIU A CONTINUIDADE DO DESEMBARQUE E A INVASÃO DOS HOLANDESES NA CIDADE DE VITÓRIA, NO ESPÍRITO SANTO.

A invasão holandesa no Brasil durou trinta anos, de 1624 a 1654. Neste período, muitos acontecimentos marcaram as ações agressivas e intolerantes dos neerlandeses sobre os nossos habitantes e colonos. Ao cabo de 30 anos, vencidos, tiveram que abandonar os seus objetivos e sair definitivamente do território. Destacamos as vitórias das duas batalhas dos Guararapes e a do Monte das Tabocas. Muitas vezes, pessoas desavisadas insistem em dizer que “seria melhor” que os batavos ficassem por aqui, nos colonizando, e que o Brasil “seria melhor” com eles. Cabal engano. As diferenças eram gritantes, culturais principalmente. Calvinistas, eram eles intolerantes em relação à religião católica. As fontes de consulta sobre as causas da Insurreição Pernambucana indicam diversas ações de depredação, por eles realizadas, das igrejas em Pernambuco e em outros lugares. Em 1625, o General Piet Heyn tentou invadir Vitória, capital do Espírito Santo. Não esperava ele a reação. O texto abaixo, baseado nos sites indicados, traz informações sobre o que aconteceu em Vitória. Existem controvérsias e versões, mas parece bem claro que a jovem Maria Ortiz impediu realmente a continuidade do desembarque e a invasão da cidade pelos holandeses. Submetemos o assunto ao julgamento dos pesquisadores e diletantes. Sites: https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Ortiz https://asminanahistoria.wordpress.com/2017/01/29/maria-ortiz-a-mulher-que-expulsouinvasores-holandeses/ http://www.gazetaonline.com.br/especiais/capixapedia/2015/07/cafetina-ou-heroinaconheca-a-verdadeira-historia-de-maria-ortiz-1013901573.html Maria Ortiz, ou Maria Urtiz (Vitória, 1603 - Vitória, 1646) é considerada uma heroí- na brasileira. Era uma jovem de origem espanhola que vivia na colônia portuguesa da capitania do Espírito Santo. ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DA ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL/RIO GRANDE DO SUL (AHIMTB/RS) - ACADEMIA GENERAL RINALDO PEREIRA DA CÂMARA - E DO INSTITUTO DE HISTÓRIA E TRADIÇÕES DO RIO GRANDE DO SUL (IHTRGS) 280 anos da chegada do Brigadeiro José da Silva Pais a Rio Grande -100 anos da entrada do Brasil na I GM ANO 2017 Julho N° 226 O TUIUTI INFORMATIVO A JOVEM HEROÍNA QUE VENCEU O ALMIRANTE HOLANDÊS INVASOR 2 Juan Orty Y Ortiz e Carolina Darico chegaram à capitania do Espírito Santo, no Brasil, em 1601, em uma das imigrações promovidas por Felipe II, rei da Espanha, que, à época da União Ibérica (1580-1640), dominava Portugal e suas colônias. A filha do casal espanhol, Maria Ortiz (ou Urtiz), nasceu, dois anos depois, em 14 de setembro de 1603, na vila de Nossa Senhora da Vitória - hoje a cidade de Vitória. A família residia na parte mais estreita da ladeira do Pelourinho - hoje Escadaria Maria Ortiz -, que era a via de comunicação entre as partes baixa e alta da Vila, num sobrado branco, no qual no térreo seu pai negociava com vinho e mantinha uma taberna. Na época em que a Holanda era inimiga mortal da Espanha, que, por sua vez, dominava Portugal, as colônias portuguesas passaram a ser alvo da ânsia de domínio da Holanda em uma onda de ataques que se iniciara em Salvador (BA), em 1624. Assim, o famoso capitão holandês Piet Pietersz Heyn (1577-1629) aportou em frente à Vitória, em março de 1625, aguardando o momento propício para o desembarque. A vila começou a se preparar para resistir ao invasor com as poucas forças que tinha. O ataque decisivo foi no dia 14 de março, através da rampa de acesso à parte alta da Vila, que era a Ladeira do Pelourinho. Maria Ortiz, nossa primeira heroína, contava com 21 anos de idade. Na manhã do ataque, o pai de Maria, ao sair de casa e fechar a taberna para participar, como escrivão da câmara, de uma reunião de guerra convocada às pressas, recomendara cuidado à mulher e à filha. Finalmente, os invasores, após chegarem à terra, em frente à Ladeira do Pelourinho, e afugentarem a pouca resistência encontrada, lançam-se morro acima, buscando atingir o paço municipal, onde se encontravam os defensores e o seu armamento bélico, para se apossar da vila, e se estabelecer por lá. Mas, ao atingirem pouco mais da metade da empreitada, num local onde a ladeira se afunilava, justamente em frente ao sobrado de Maria Ortiz, foram surpreendidos pelos ataques da jovem, que lhes jogava água fervendo, enquanto empolgava os vizinhos a lhes jogarem paus e pedras de suas janelas. Ao mesmo tempo, Maria Ortiz, aos gritos, incitava os que se encontravam na parte alta ao prosseguimento da luta. Enquanto açulava os soldados e os populares, com um tição à mão, pôs fogo à peça de artilharia que estava próxima à sua casa, disparando contra os invasores. Os holandeses, pegos de surpresa e feridos, tiveram que retroceder, descendo a ladeira, enquanto os defensores, assim encorajados, foram-lhes ao encalço. Poucos foram os holandeses que chegaram ao navio sem nenhum tipo de ferimento, sendo que 38 deles foram mortos. A ação surpreendente deu tempo ao donatário da Capitania do Espírito Santo, Francisco de Aguiar Coutinho, de fortalecer as defesas da vila, organizando militares e civis para um novo confronto. Porém, os invasores derrotados, humilhados e desanimados, zarparam quase de pronto, encaminhando-se à Bahia. A ação daquela jovem corajosa fora tão decisiva, que o donatário da Capitania, destacou-a em carta-relatório enviada, em junho de 1625, ao Governador Geral do Brasil, Diogo Luis de Oliveira: “Na repulsa dos invasores audaciosos é de justiça destacar a atitude de uma jovem moça que, astuciosamente, retardou o acesso dos invasores à parte alta da vila, por eles visada, permitindo assim, que organizássemos com os homens e elementos de que dispúnhamos, a defesa da sede. Essa jovem se tornou para todos nós um exemplo vivo de decisão, coragem e amor à terra. A ela devemos esse valioso serviço, sem o qual a nossa tarefa seria muito mais difícil e penosa. O seu entusiasmo decidido fez vibrar o dos próprios soldados, paisanos e populares na defesa e perseguição do invasor audaz e traiçoeiro”. 3 Enfim, expulsos os invasores do Espírito Santo, seguiram-se as comemorações da vitória. No senado da câmara, numa sessão solene, em meio a discursos e aclamações dirigidas ao rei Felipe II e à Fé Católica, Maria Ortiz foi agraciada, por seu gesto heroico, com uma coroa de margaridas amarelas, posta sobre sua cabeça por seu pai, o escrivão Juan Orty y Ortiz. Pouco mais se sabe da vida de Maria Ortiz. Segundo Eurípedes Queiróz do Valle, a heroína veio a falecer, em Vitória, a 25 de maio de 1646, antes de completar 43 anos de idade. Em 1889, por influência do escritor Peçanha Póvoa, mudou-se o nome da Ladeira do Pelourinho para Ladeira Maria Ortiz. Mais tarde a ladeira virou uma escadaria e conservou o mesmo nome da heroína capixaba. Ainda hoje a escadaria Maria Ortiz é a principal ligação entre a parte baixa da cidade e a parte alta e Maria Ortiz também ganhou nome de escola e, nos anos 70, numa faixa de terra desocupada próxima ao manguezal, a história da heroína é perpetuada, mais uma vez, com o surgimento de um bairro, em Vitória, que também levou seu nome e que, hoje, é uma região residencial com mais de 11.500 moradores. Conforme a professora Leonor Araujo, que leciona História do Espírito Santo na UFES, muitas pessoas tentaram ofuscar o brilho de Maria, a difamando e inventando outras versões, não se sabe porquê. A professora assim se pronunciou: “A história oficial tenta desqualificar o personagem que não é o tipo ideal, homembranco-cristão. É importante explicar Maria Ortiz porque vemos poucas mulheres aparecendo na história do Brasil, e quando aparecem a gente acaba se deparando com esse tipo de tentativa de depreciação”. O desembargador e ex-presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Eurípides Queiroz do Valle, estudioso da história do Espírito Santo, pesquisou documentos da época que contam como aconteceu o contra-ataque da moça em seu livro VALLE, Eurípides Queiroz do. O Estado do Espírito Santo e os Espírito-santenses. Vitória: Penha de Vitória, 1971. Assim transcreve o desembargador um trecho de um dos documentos: "Ao atingirem o meio da ladeira são surpreendidos. Uma forte reação parte das janelas das casas altas de ambos os lados da ladeira. E sobre eles toda a visinhança animada e dirigida por Maria Ortiz lançava não só água fervente como pedras, páus, brasas e tudo que naquela emergência pudesse fazer algum mal aos invasores. O efeito foi imediato. Surpreendidos e com alguns fortemente queimados e contundidos, sem nada poder faser, retrocederam. E retrocederam diretamente e ás pressas para bordo porque já a esse tempo chegavam os soldados da milícia regular que, animados ainda por Maria, perseguem os inimigos". 

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