domingo, 26 de agosto de 2018

VELÓRIO DE GETÚLIO VARGAS EM 26 DE AGOSTO DE 1954

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MEMÓRIAS DO VENTURA



  64 a. do velório de GETÚLIO VARGAS em SÃO BORJA (RS), no dia 26 de agosto de 1954. Durante toda a noite e madrugada, a população foi se despedir de seu filho mais ilustre, o presidente da República GETÚLIO VARGAS. A temperatura havia caído bastante, mas não foi motivo para que as filas, formadas em torno da prefeitura, diminuíssem. Às 11 horas, após uma breve oração e a bênção do padre da paróquia local, o caixão coberto com a bandeira do BRASIL deixou o salão nobre do executivo de SÃO BORJA em direção ao cemitério municipal, nos ombros de amigos e de correligionários de GETÚLIO. Mais uma vez, a família dispensou as honras militares.
Uma multidão calculada em 40 mil pessoas acompanhou o corpo do presidente, cantando várias vezes, durante o trajeto, o HINO NACIONAL. Compareceram representantes oficiais de vários estados e de municípios gaúchos. Por cessão do presidente JUAN DOMINGO PERÓN, um avião do governo da ARGENTINA trouxe o embaixador brasileiro em BUENOS AIRES, ORLANDO LEITE RIBEIRO, que apresentou os pêsames à família enlutada. À beira do túmulo, o deputado JOÃO GOULART, presidente do PTB, foi o primeiro a discursar. Começou lendo a “CARTA TESTAMENTO” dirigida ao povo brasileiro, que lhe havia sido entregue por GETÚLIO após a última reunião ministerial, ainda na madrugada do suicídio. Seu juramento final ecoou dramaticamente no silêncio e tranqüilidade do pequeno cemitério: “Ela há de ser também o hino do povo, que recebe com lágrimas o sangue que deste por ele”. Aos prantos, JANGO abraçou o caixão do presidente. Logo após, falou o deputado RUY RAMOS: “GETÚLIO, aqui estamos para empunhar a espada que legaste ao povo...”
O ministro OSVALDO ARANHA proferiu o mais inflamado e emocionado dos discursos. Com lágrimas nos olhos e de punhos cerrados, iniciou sua oração: “Saímos juntos daqui e não voltamos juntos porque tu poupaste a minha vida. Juntos, vivemos juntos sonhamos. As tuas decisões foram sempre as melhores. Olhando para ti, estou olhando para o BRASIL. O que será de nós neste transe que se abre? Nós te continuaremos na morte, mais fiéis do que na vida ...Costuma-se dizer que, para escrever a História do BRASIL, é preciso molhar a pena no sangue. No futuro, dir-se-á: quando se quiser escrever a História do BRASIL,  é preciso molhar a pena no teu coração, GETÚLIO”.
As palavras do ministro da Justiça, TANCREDO NEVES, não foram menos candentes: “MINAS aqui está a seu lado, presidente, como sempre esteve. Foi de MINAS que partiu o primeiro tiro da Revolução que o conduziria ao poder. Foi em MINAS, presidente, que o senhor recebeu a última e consagradora manifestação popular, quando há dias ali esteve, plantando mais uma usina, para a emancipação econômica do nosso país... A morte do Senhor GETÚLIO VARGAS separou o BRASIL em dois grupos – de um lado, os vendidos ao capital colonizador, que suga o sangue do povo; de outro lado, aqueles que querem que o BRASIL seja dominado por brasileiros. Matou-te a plutocracia reacionária, acumpliciada com alguns traidores. Diante de tua memória juramos que teu sacrifício não foi inútil. Não te faltaremos depois de morto”. Finalizando, disse: “A bandeira de VARGAS é hoje a bandeira do que o nosso povo possui de melhor, mais puro, mais heróico”.
Usou a palavra, ainda, o governador do Estado do RIO GRANDE DO SUL, ERNESTO DORNELLES: “VARGAS será, através dos tempos, o líder do povo”. O representante do governador do PARANÁ, deputado federal do PTB, PARAÍLIO BORBA, falou: “A energia do PARANÁ está pronta para a luta” e ANÍBAL DI PRIMIO BECK, secretário de Estado das OBRAS PÚBLICAS DO RIO GRANDE DO SUL e vice-presidente da Comissão Executiva Estadual Gaúcha do PTB, que afirmou: “Teu túmulo será o santuário dos trabalhistas”.
Às 11:50 horas daquela fria manhã, ao som do HINO NACIONAL BRASILEIRO, cantado por milhares de vozes emocionadas, o esquife do presidente VARGAS desceu ao túmulo da família, construído em 1920, onde estavam sepultados seus pais, dona CÂNDIDA DORNELLES VARGAS, falecida em 1936, e o general MANOEL DO NASCIMENTO VARGAS, morto em 1943.
As emissoras de rádio de PORTO ALEGRE não puderam transmitir o sepultamento em virtude dos acontecimentos verificados no dia 24 de agosto, quando diversos prédios foram depredados na capital gaúcha e a companhia telefônica foi obrigada a permanecer fechada por vários dias.

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