quinta-feira, 15 de novembro de 2018

15 DE NOVEMBRO DE 1889 - PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA










“Senhor, esta noite, o 1º e o 9º Regimentos de Cavalaria e o 2º Batalhão de Artilharia, a pretexto de que iam ser atacados pela Guarda Negra, e de ter sido preso o marechal DEODORO, armaram-se e mandaram prevenir o chefe do Quartel General de que viriam desagravar aquele marechal. O governo toma as providências necessárias para conter os insubordinados, e fazer respeitar a lei. Acho-me no Arsenal de Marinha com meus colegas da Justiça e da Marinha (OURO PRETO).”
Eram cinco e meia da manhã do dia 15 de novembro de 1889, quando chegou ao Palácio Imperial de PETRÓPOLIS o telegrama com a nota de “urgente” passado pelo presidente do Conselho de Ministros, AFFONSO CELSO DE ASSIS FIGUEIREDO, o VISCONDE DO OURO PRETO. D. PEDRO II o recebeu e leu várias vezes. Resolveu, mesmo assim, fazer seu passeio matinal. O próprio Imperador foi até a estação para se informar com que antecedência devia solicitar o trem especial, recebendo como resposta que uma hora bastaria. O agente prometeu o transporte para às 11 horas.
Logo a seguir, foi à CATEDRAL DE PETRÓPOLIS, em companhia de DONA THEREZA CHRISTINA e de pessoas de sua amizade, para assistir à missa pela alma de sua irmã, D. MARIA II, rainha de PORTUGAL, pelo 36º aniversário de seu falecimento; na saída recebe novo telegrama do VISCONDE DO OURO PRETO:
“Senhor, o Ministério, sitiado no Quartel General da Guerra à exceção do Sr. Ministro da Marinha, que consta achar-se ferido em casa próxima, tendo por mais de uma vez ordenado debalde, por órgão do Presidente do Conselho e do Ministro da Guerra, que se repelisse pela força a intimação armada do marechal DEODORO, para pedir sua exoneração, e diante das declarações feitas pelos generais VISCONDE DE MARACAJÁ, FLORIANO PEIXOTO e BARÃO DO RIO APA de que, por não contarem com a tropa reunida, não há possibilidade de resistir com eficácia, depõe nas augustas mãos de Vossa Majestade, o seu pedido de demissão. A tropa acaba de fraternizar com o MARECHAL DEODORO, abrindo-lhe as portas do Quartel”.
Após ler o telegrama, inteirou-se da gravidade da situação e dirigindo-se à Imperatriz, disse:
“ – Vamos à Corte, porque não se sabe o que fez DEODORO....”
A Imperatriz pediu a seu marido que o coche passasse pelo palácio antes para pegar sua valise e sua capa, mas o Imperador respondeu que se quisesse acompanhá-lo que fosse dali para a estação ferroviária. Assim fez D. THEREZA CHRISTINA.
A preocupação da Imperatriz era com as suas jóias, que havia usado dias antes no baile da ILHA FISCAL, em homenagem aos oficiais chilenos do navio de guerra ALMIRANTE COCHRANE, que realizavam uma visita ao BRASIL. Como havia partido diretamente para PETRÓPOLIS, não tivera como guardá-las na QUINTA DA BOA VISTA, palácio localizado em SÃO CRISTÓVÃO, no RIO.
O Imperador solicitou a presença do MARECHAL DEODORO DA FONSECA no PAÇO IMPERIAL, mas os emissários voltaram e lhe informaram que ele não receberia ninguém por estar muito enfermo. Desde o dia anterior, vítima de dispnéia, ele fora obrigado a sair de casa em um coche e só então montou um cavalo para entrar no Quartel General no CAMPO DE SANTANA. De retorno à casa, sua esposa, dona MARIANINHA, trancou as portas da residência, não permitindo o contato do marido com quem quer que fosse...Mas BENJAMIN CONSTANT, o ideólogo do novo regime, seria o único a ser recebido para levar-lhe os despachos iniciais do governo, com a PROCLAMAÇÃO e a nomeação dos novos Ministros. Esses atos haviam sido lavrados no INSTITUTO DOS CEGOS, do qual era diretor.
O Imperador ainda aguardou a presença de DEODORO, que não apareceu e nem apareceria. Os jornais de todo o BRASIL já traziam em manchete o advento da nova forma de regime. O primeiro a proclamar a República foi JOSÉ DO PATROCÍNIO, durante a reunião do Conselho Municipal do RIO DE JANEIRO, quando desfraldou o pavilhão republicano e, em nome do povo, declarou extinta a monarquia. Só depois veio a proclamação escrita de DEODORO DA FONSECA.

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