sexta-feira, 21 de junho de 2019

189 ANOS DO NASCIMENTO DE LUÍS GONZAGA PINTO DA GAMA - LUÍS GAMA - 21 DE JUNHO DE 1830


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189 a. nasce LUÍS GONZAGA PINTO DA GAMA – LUÍS GAMA – no dia 21 de junho de 1830, filho bastardo de homem branco, de origem portuguesa e mãe africana. Destacou-se em SÃO PAULO como jornalista e patrono de centenas de escravos alforriados, além de outros cativos com direito à liberdade. Não era formado em Direito, nem teve qualquer educação escolar, na infância, visto que aos dez anos fora vendido pelo próprio pai, em circunstâncias humilhantes, a bordo do patacho “SARAIVA”. Ele quis ser bacharel em ciências jurídicas e sociais, sendo mal acolhido pela mocidade acadêmica de seu tempo, a ponto de afastar-se de companhia dos moços, “horrorizado pela benevolência dos eruditos”, como recordou o malogrado RAUL POMPÉIA, seu amigo, num artigo póstumo dado a lume em 1884, na “GAZETA DE NOTÍCIAS”, do RIO DE JANEIRO.  O historiador AMÉRICO PALHA, lhe atribui o almejado grau acadêmico (equivocadamente), pois o futuro paladino da abolição, após desligar-se da GUARDA NACIONAL da Capital, em 1854, no modesto posto de “cabo de esquadra graduado”, viu-se indicado para servir de ordenança do CONSELHEIRO FURTADO DE MENDONÇA, na época chefe de polícia e professor de Direito, em cuja biblioteca amealhou conhecimentos suficientes para ocupar, mais tarde, o cargo de escrivão de cartório, seguido da conquista de uma provisão de solicitador, para atuar no foro judicial. Foi o primeiro passo na prática forense, com vistas a obtenção, posterior, da CARTA DE PROVISIONADO, para advogar no foro da Capital e noutras cidades do interior, chegando a oferecer seus serviços profissionais sem retribuição alguma, no auge da perseguição que lhe moviam os donos de escravos, “por defender africanos ilegalmente escravizados”, a princípio com escritório à Rua 25 DE MARÇO nº 99, e depois na Rua da IMPERATRIZ, nº 10, hoje XV DE NOVEMBRO. Impedido de cursar a “VELHA ACADEMIA DO LARGO DE SÃO FRANCISCO”, por estudantes preconceituosos, o episódio magoou profundamente o espírito do provisionado, que passou a demonstrar, sem rebuços, desdém pelos pergaminhos dos doutores. Além do mistério que perdura, ainda hoje, acerca da verdadeira paternidade de LUÍS GAMA, que ele sonegou piedosamente, “a fim de poupar à sua infeliz memória uma injúria dolorosa, segundo ressaltou na carta endereçada a LÚCIO DE MENDONÇA, paira o mesmo mistério em torno de sua mãe, a preta liberta LUIZA MAHIN, que recebeu do filho-poeta comovida homenagem na segunda edição das “TROVAS BURLESCAS”, cujo paradeiro procurou, em vão, ao tempo da revolução do DOUTOR SABINO, na BAHIA, bem como na Corte, em diversas ocasiões, sabendo-se que ela era refratária ao batismo cristão e que fora expulsa do País, por volta de 1862, acusada de envolver-se em movimentos subversivos. LUÍS GAMA foi co-fundador da LOJA AMÉRICA (1868), juntamente com os maçons ANTÔNIO RIBEIRO DE ANDRADA, RUY BARBOSA, SALVADOR DE MENDONÇA além de AZEVEDO MARQUES e os irmãos AMÉRICO e BERNARDINO DE CAMPOS, entre outros, tendo se tornado nessa época redator do jornal “RADICAL PAULISTANO” e colaborador assíduo do “CORREIO PAULISTANO”. Foi, ainda, proprietário e redator da revista “O POLICHINELO”, semanário humorístico publicado aos domingos (1876), tendo sido fundador, juntamente com ÂNGELO AGOSTINI (1864), de outro semanário da mesma natureza, denominado “DIABO COXO”, desaparecido depois de breve circulação, bem como sócio, ao lado de outros companheiros, do período humorístico “O CABRIÃO”, (1866), o mais apreciado pelos leitores da Capital. A morte de LUÍS GAMA a 24 de agosto de 1862, abalou a população de SÃO PAULO, cujo féretro, revestido de extraordinário acompanhamento, saiu de sua residência no BRÁS, até alcançar, à noitinha, o CEMITÉRIO DA CONSOLAÇÃO, onde está sepultado, recebendo incontáveis homenagens póstumas em toda a província de SÃO PAULO e no resto do IMPÉRIO.
A negra LUIZA MAHIN permaneceu esquecida por largo tempo, tendo o então prefeito municipal MÁRIO COVAS, por decreto de 6 de março de 1985, atribuído seu nome à uma pequena praça situada na VILA CARDOSO, subdistrito de BRASILÂNDIA, nesta Capital, junto da ESTRADA DO SABÃO, altura da Rua SALDANHA DE OLIVEIRA. (essas informações foram extraídas de um artigo do falecido desembargador EMERIC LÉVAY, antigo coordenador do Museu do Tribunal de Justiça de SÃO PAULO – professor de Direito da Universidade MACKENZIE e membro da ACADEMIA PAULISTA DE HISTÓRIA e do CONSELHO DE HONRARIAS E MÉRITO. Foi também sócio-titular do Instituto Histórico e Geográfico de SÃO PAULO.

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