segunda-feira, 10 de junho de 2019

INSURREIÇÃO FEDERALISTA - PELO DOUTOR MARIANO TAGLIANETTI.

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INSURREIÇÃO FEDERALISTA denominada erroneamente revolução...


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MarianoTaglianetti

Anexosdom, 9 de jun 18:01 (há 1 dia)
 para eu
Caríssimo Cel. VENTURA, boa tarde !
Revisando a matéria para deslinde da palestra que proferirei no IHGP na próxima terça-feira ( 11 ),
do andante : " A LUTA PELO PROGRESSO - A REPÚBLICA E A LAPA" encontrei este feito HERÓICO
da Força Pública Paulista ao libertar Curitiba em PRIMEIRO DE MÁIO DE 1.894, pondo em debandada
a tropa caudilhesca maragata de Gumercindo Saraiva que houvéra sido apoiada pela revolta da Armada
do Contra-Almirante Custódio de Melo, em oposição ao presidente CONSTITUCIONAL Mal. Floriano.
Fraternal apreço, MT.



VERDADE HISTÓRICA...

O 2º BATALHÃO DA FORÇA PÚBLICA DO ESTADO DE  SÃO PAULO E SUA HERÓICA PARTICIPAÇÃO NA RETOMADA DE CURITIBA OBRIGANDO OS INSURGENTES MARAGATOS A RETIRAR-SE EM DEBANDADA.

Com a retomada do poder pelas forças legais, o 2º Batalhão da Força Pública de São Paulo teve a mais ingrata missão no Paraná. Essa unidade paulista veio de Santos, a bordo do vapor São Salvador, até Paranaguá, aquartelando-se no palacete do Visconde de Nácar.
Paranaguá, nesta ocasião, estava deserta, guardando um aspecto de cemitério meio abandonado. Toda a sua população estava foragida, desde que os revoltosos tomaram a cidade. Por toda parte notava-se a passagem dos vândalos maragatos. Casas destruídas pelos tiroteios, portas arrancadas, mostrando vestígios de saque. No palacete onde se acomodara o batalhão, via-se, nos muros dos compartimentos internos, manchas ainda rubras de sangue, ali deixadas pelos degoladores e pelos seviciados. Apesar do abandono da cidade, as sepulturas, recentemente fechadas no cemitério, demonstravam que não faltaram vítimas para alimentar a sanha dos invasores. Estava paralisado o tráfego na estrada de ferro. Os trilhos foram danificados em vários trechos pelos revoltosos, após sua retirada para Curitiba, levando consigo todos os trens.
Foi providenciada a obtenção de uma máquina para arrastar alguns carros de lastro, a fim de transportar o batalhão para Curitiba, onde os revoltosos estavam ultimando os preparativos para a fuga.
Exatamente às dezenove horas do dia 1º de maio de 1894, depois de uma viagem cheia de peripécias pela íngreme serra da Graciosa, a unidade entrava em Curitiba, em cuja gare a população inteira aguardava a sua chegada, que fora noticiada com antecedência. No trajeto até o vetusto quartel localizado na rua 13 de maio, foi dignamente saudado. De toda parte, lançavam-se flores em profusão sobre as colunas que desfilavam. Era intenso o entusiasmo das famílias curitibanas pela entrada dessa força. Senhoras acompanharam-na sobraçando cestas de flores para atapetar o calçamento em que pisavam os soldados paulistas. E todas, delirantemente, aplaudiam e levantavam vivas  ao Estado de são Paulo.
Coube a esse batalhão a glória de ter sido a primeira tropa florianista a ocupar a capital paranaense, antes de ser restituída ao regime legal. Os revoltosos, com a aproximação dos milicianos, debandaram, tomando rumos diversos. As colunas de Gumercindo e Aparício, depois de transposto o rio Pelotas, retrocederam para os campos de Palmas, penetrando de novo no Paraná. A de Juca Tigre, passando o rio Cavernoso, dirigiu-se para Laranjeiras. Diante deles, tomando-lhes o passo, estava a Divisão Norte do Rio Grande do Sul, pronta para entrar em ação.
Somente no dia 6 de maio, entrava em Curitiba a vanguarda da Divisão sob o comando do coronel Fernando Pires Ferreira e com ela veio o governador do Paraná, Dr. Vicente Machado. Foi brilhante e entusiástica a recepção que lhe fizeram os curitibanos.
No dia 9 de maio, chegavam os últimos elementos da referida divisão e, com a sua vinda, foi mandado de novo para Paranaguá o  2º Batalhão da Força Pública de São Paulo, sendo confiado a sua guarda diversos presos políticos. Dali, forneceu o batalhão guarnição para Morretes, Antonina e Restinga Seca. Essa unidade ficou incumbida de guarnecer o litoral paranaense. Depois de algum tempo, foi chamada de volta a Curitiba, a fim de seguir para o extremo sul, fazendo parte da 3ª Brigada comandada pelo tenente-coronel Dantas Barreto.  Antes, porém, de se retirar de Paranaguá, teve o desgosto de receber ordens de fazer fuzilar os presos que estavam sob sua guarda. E junto ao muro do cemitério parnanguara foram passados pelas armas o major do Exército João Antônio Colúmbia e o major PM Pedro Nolasco Alves Pereira.
Pouco tempo antes haviam sido executados o Barão de Serro Azul e outros presos políticos que, do comboio que os conduzia, foram laçados num despenhadeiro, no quilômetro 65 da serra da Graciosa. O oficial que comandou essa barbara execução, o alferes João Leite de Albuquerque, assistiu ainda ao fuzilamento a que se procedia nos muros do cemitério de Paranaguá.
O 2º Batalhão da Força Pública de São Paulo pouco se demorou em Curitiba.  No dia 20 de maio, marchou para a Lapa e, dois dias após, chegava a Restinga Seca, partindo em seguida para Porto Amazonas, onde embarcou em várias lanchas e balsas com  destino a União da Vitória, estacionando ali, na vigilância das estradas de São João e Campos Novos. Dali, regressou o 2º Batalhão em dezembro para, finalmente, retornar a São Paulo, onde chegou em 14 de janeiro de 1895. Era a última tropa que se recolhia. Todas as demais já haviam regressado ao seu ponto de estacionamento.
O comandante da 3ª Brigada do Corpo de Exército, da qual o BTI passou a fazer parte, assim se expressou quanto ao seu procedimento no campo de luta:
“Devo declarar, possuído da maior satisfação, que o 2º Batalhão da Polícia de São Paulo, não sendo uma corporação do Exército, sujeita aos rigores das nossas leis, soube entretanto colocar-se na altura da sua missão, como força pública de um grande Estado, já pela disciplina com que se houve, já pela correção do seu procedimento.
O pessoal desse distinto batalhão, que honra ao Estado de são Paulo, sente,  pelo que observei, essa paixão que leva o soldado aos mais arrojados cometimentos militares e por isso tornou-se digno de minha inteira confiança, logo nos primeiros dias da sua incorporação às forças desta brigada.
Sua oficialidade distinguiu-se em geral pela educação civil e militar, pelo conhecimento dos seus deveres, pelo amor ao seu estado e à causa que defende.
À frente desse batalhão, acha-se o tenente-coronel Alberto Júlio de Barros, que nunca me opôs dificuldade alguma no serviço. Habituado a vida penosa da guerra, porquanto é um daqueles brasileiros distintos que lutaram valorosamente pela honra da Pátria nos campos do Paraguai – é o mais seguro elemento da sua disciplina, da sua moralidade  e correção”.
Ao elogiar nominalmente outros oficiais do Batalhão, pelo interesse que tomaram em várias diligências à captura de revoltosos, refugiados nas florestas e esconderijos nas margens dos rios Iguaçu, Negro, Butingá e Timbó, concluiu dizendo:
“Esses oficiais, se não infligiram mais uma vez rigoroso castigo a esses bandidos que andam de terra em terra na prática de roubo e do assassínio, é porque eles, desmoralizados e carregados de remorsos, fugiam espavoridamente e para lugares ainda mais distantes, desde que tinham conhecimento da aproximação da nossa força”.

Apud:  - ASSOCIAÇÃO DA VILA MILITAR EPISÓDIO DA HISTÓRIA DA LAPA – Historiador CAP. RR JOÃO ALVES DA ROSA FILHO  – Epopéia da LAPA - VOLUME III – epígrafe “ O 2º BATALHÃO DA FORÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO” - Ação heroica da Polícia Militar do Paraná em Defesa do Regime Republicano – obra editada em 1999.

Curitiba, 04 junho 2.019.




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