sábado, 31 de agosto de 2019

76 ANOS DA QUEDA DO JUNKERS PP-SPD CIDADE DE SÃO PAULO, EM 27 DE AGOSTO DE 1943. ENTRE OS MORTOS ESTAVA CÁSPER LÍBERO, O ARCEBISPO DE SÃO PAULO DOM JOSÉ GASPAR D´AFONSECA E O ARQUITETO E URBANISTA ATTÍLIO CORRÊA LIMA..



Junkers Ju52 3M.jpg







Queda do Junkers PP-SPD Cidade de São Paulo foi um acidente aéreo ocorrido no dia 27 de agosto de 1943[1].


    Aeronave[editar | editar código-fonte]

    A aeronave Junkers Ju 52, prefixo PP-SPD (batizada Cidade de São Paulo) pertencia a VASP, sendo a primeira aeronave adquirida pela empresa durante sua encampação pelo governo paulista. As duas primeiras aeronaves seriam encomendadas em Berlim pelo governo paulista no dia 24 de abril de 1936[2]. Seriam embarcadas desmontadas num navio, desembarcando no Brasil 3 meses depois e seriam montadas no Rio de Janeiro em regime SKD. Essas aeronaves seriam batizadas de Cidade de São Paulo (prefixo PP-SPD) e Cidade do Rio de Janeiro (prefixo PP-SPE).
    As aeronaves fariam o voo inaugural da 1ª rota da Vasp entre São Paulo e Rio de Janeiro no dia 5 de agosto de 1936. Nessa época, a VASP veiculava campanhas publicitárias nos jornais que atestavam sua suposta pontualidade, prometendo voos de 90 minutos de duração entre o Rio e São Paulo.

    Acidente[editar | editar código-fonte]


    Vista do Aeroporto Santos Dumont. À esquerda encontra-se a Escola Naval, localizada na Ilha de Villegagnon. O choque de uma das asas do Junkers ocorreu com um dos prédios localizados ao norte da pequena ilha (à esquerda na foto).
    No dia 27 de agosto de 1943, o Cidade de São Paulodecolou do Aeroporto de Congonhas as 7h30min, com previsão de pouso no aeroporto Santos Dumont por volta das 9h15. Transportava 18 passageiros e 3 tripulantes, sendo comandado pelo comandante Romeu Fávero. Durante a aproximação para o pouso, havia nevoeiro intenso no Rio[3] e o piloto abortou a primeira tentativa de pouso. Durante a manobra para efetuar a segunda tentativa, colidiu uma de suas asas num prédio da Escola Naval localizado no norte da ilha de Villegagnon, partindo-se em 3 pedaços (a asa cairia no mar assim como a maior parte da fuselagem,enquanto que apenas parte da cauda cairia no pátio da Escola Naval[3]), e desgovernado, acabou caindo na Baía de Guanabara, afundando poucos segundos depois[3]. Após a queda, os cadetes da escola naval iniciaram o resgate dos passageiros. Somente 3 passageiros sobreviveriam a queda. Entre os passageiros mortos, encontravam-se o arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, o jornalista Cásper Líbero, o arcebispo de São Paulo Dom José Gaspar d'Afonseca e Silva e os sacerdotes que o acompanhavam: Monsenhor Alberto Teixiera Pequeno, o padre Nelson Norberto de Sousa Vieira.[3]

    Consequências[editar | editar código-fonte]

    Esse seria o segundo acidente envolvendo a frota de Junkers da VASP, que inicialmente era composta por 8 aeronaves. Por conta da Segunda Guerra Mundial, as aeronaves alemãs passaram a voar menos por conta da falta de peças sobressalentes (apesar da VASP e da indústria paulista terem fabricado peças sobressalentes) e, após o fim do conflito, seriam gradativamente substituídos por aeronaves americanas Douglas DC-3 e C-47.[4]
    Apesar do crescimento do transporte aéreo comercial nas décadas de 1940 e 1950 no Brasil, havia pouco investimento em treinamento de tripulações e na aquisição de equipamentos para permitir voos guiados por instrumentos e em condições de mau tempo, de forma que os pilotos da época voavam em condições precárias, guiando-se por estações de rádio obsoletas (que sofriam interferências magnéticas durante tempestades) enquanto tentavam observar o solo, buscando indicações e condições visuais para facilitar pousos e decolagens. Por conta desses problemas, os acidentes aéreos se tornariam frequentes nessa época.

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