Humberto Gouvêa Figueiredo
PORQUE DESISTI DA CARREIRA NA POLÍTICA
(*) Humberto Gouvêa Figueiredo
Quando já tinha tomado a decisão de antecipar a minha passagem para a reserva remunerada e se aproximava a data de minha aposentadoria fui procurado por um Parlamentar, cujo nome me permito omitir, que me convidou para concorrer ao cargo de Deputado Estadual, formando uma dobradinha com ele, que sairia a Federal.
Ele justificou o convite dizendo que eu era uma pessoa muito conhecida dentro da Instituição, que me manifestava bem e era muito ouvido, que tinha tido uma carreira perfeita, o que me daria credibilidade para pedir votos.
Pensei muito sobre o tema e confesso que fiquei até um pouco balançado mas, refletindo melhor e concluindo que o meu maior legado era a minha carreira e a minha história dentro da Polícia Militar e, mais ainda, que o meu maior patrimônio era o meu SOBRENOME, decidi que não seguiria por este caminho e, depois de agradecer o convite, declinei.
Não me arrependo em nada do que fiz!
Muitos dos que souberam desta história vieram me questionar dizendo que realmente as minhas chances eram grandes e que eu poderia dar uma contribuição no campo da política...também vieram com aquela conversa de que "se os bons se omitem os maus ocupam o espaço"...etc..etc..
Ontem eu confirmei que não estava errado: foi votada na Câmara dos Deputados a PEC que trata da reestruturação administrativa do Governo e, num dos pontos mais polêmicos do projeto, que era a transferência do COAF para o Ministério da Justiça, a maioria da Casa decidiu por mantê-lo no Ministério da Economia.
A votação foi muito apertada, salvo engano, por diferença de apenas 8 votos.
Pois bem! Uma parlamentar aqui de São Paulo, a Cabo Sastre, votou pela manutenção do COAF no Ministério da Economia e hoje está sendo super atacada nas redes sociais, particularmente por aqueles que votaram nela, que se apresentou representando a bandeira da segurança pública.
A ida do COAF para o MJ tinha o condão de ampliar e facilitar as investigações contra a corrupção e a lavagem de dinheiro. Quem votou na Cabo Sastre se sentiu traído pelo seu voto.
O que muita gente não sabe é que o voto da Cabo Sastre, assim como de muitos outros parlamentares do PR, foi dado por determinação do "Cacique" do seu Partido (o PR), senhor Valdemar da Costa Neto, aquele mesmo que já esteve preso envolvido com corrupção e lavagem de dinheiro e que responde a mais um monte de processo.
Tudo o que Costa Neto não quer é fortalecer o Ministro Sérgio Moro e aí ele usa os votos da sua bancada para alcançar os seus interesses.
Foi Valdemar da Costa Neto que bancou a campanha da Cabo Sastre e de tantos novos neófitos na política e no seu partido: certamente a parlamentar sabia que a fatura seria paga e chegou a hora de pagar a primeira parcela.
Não sei o tamanho do "carnê", mas certamente haverá outras polêmicas votações em que a Cabo Sastre vai ter que abandonar os seus valores, se esquecer dos seus eleitores e agir como manda o seu "Chefe".
É assim a política no Brasil, meu caros!
Por isto tudo, longe da política e com a liberdade de criticar, sou muito mais feliz e muito mais livre!
(*) é coronel da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo
Comentários
  • Diogo Teixeira Ótima como PMSP, lixo como política.
  • Mario Ventura DOU OS MEUS PARABÉNS AO CORONEL PM FIGUEIREDO. HÁ MUITOS ANOS ATRÁS, QUANDO PASSEI PARA A RESERVA, TAMBÉM FUI CONVIDADO PARA SER PREFEITO DA CIDADE ONDE NASCI. DECLINEI DO CONVITE PELOS MESMOS MOTIVOS, POIS SABIA QUE DEVERIA ME ATER AO DETERMINADO PELO PARTIDO, UMA VERGONHA PARA QUEM É OFICIAL DA PMESP.
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  • A CABO SARTRE É VÍTIMA DO SISTEMA.
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  • Diogo Teixeira Complicado meu amigo, quem se mistura com porcos farelo come.
    Triste por isso.
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