quarta-feira, 8 de novembro de 2017

AS RAÍZES DE NOSSA NACIONALIDADE SÃO LUSITANAS



Exmo. Senhor Desembargador PAULO ROBERTO HAPNER, presidente deste INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO PARANÁ na pessoa de quem cumprimento todos os presentes.





As raízes de nossa nacionalidade são lusitanas.
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E porque não lembrar, ao invés de esquecer, os LUSÍADAS de Luís de Camões: - As armas e os barões assinalados, / Que da ocidental praia lusitana, / Por mares nunca dantes navegados, / Passaram ainda além a Taprobana, / E em perigos e guerras esforçados / Mais do que prometia a força humana, / E entre gente remota edificaram, / Novo Reino, que tanto sublimaram; Cessem do sábio grego e do troiano / As navegações grandes que fizeram; / Cale-se de Alexandre e de Trajano / A fama das vitórias que tiveram / Que eu canto o peito ilustre lusitano, / A quem Neptuno e Marte obedeceram; / Cesse tudo que a Musa antiga canta, / Que outro valor mais alto se alevanta.
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Com essa têmpera o colonizador português construiu ao longo de 324 anos (1.500 / 1.824), os alicerces de um Brasil, aonde apenas encontraram autóctones cuja cultura estava flagrantemente distanciada da civilização.
Nessa etapa, dita colonial, os portugueses expandiram nossos limites territoriais  impostos pelo TRATADO DAS TORDESILHAS fixados pelo Papa ALEXANDRE VI que favoreciam a Espanha, então potência hegemônica. Nessa fase embrionária da nacionalidade contou com o concurso do brasileiro paulista o insigne ALEXANDRE GUSMÃO, argumentando o “ut possidetis, ita possideatis”, (quem possui de fato deve possuir de direito).
Esta oração que vos saúda, jovens estudantes,  visa enaltecer o centésimo vigésimo oitavo (128º), aniversário da PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA (1.889 / 2.017), coroado pelo símbolo maior: A BANDEIRA BRASILEIRA, sacramentado pelo decreto nº 4, de 19 de novembro de 1.889. Esclarece o insigne ERNANI COSTA STRAUBE em sua obra Símbolos – Brasil, Paraná e Curitiba – Histórico e Legislação, “Após a Proclamação da República, é adotada oficialmente, pelo Decreto nº 4, de 19 de novembro de 1.889, a atual Bandeira, assemelhada à Bandeira Imperial, constituída de um retângulo verde, um losângulo amarelo, separado do retângulo, e uma esfera azul central cortada pela faixa branca com os dizeres “Ordem e Progresso” e pontuada com 21 estrelas, representando os vinte estados e o distrito neutro (Distrito Federal), sede do Governo. O projeto vencedor entre os diversos outros projetos apresentados foi o de autoria de RAIMUNDO TEIXEIRA MENDES, sendo a parte artística do pintor DÉCIO VILARES. O autor justificando o seu trabalho, assim se expressa: “o círculo azul traz à memória a esfera armilar e portanto o período do Brasil-Reino. As cores azul e branca lembram a fase Colonial; as estrelas representam o céu do Brasil na madrugada histórica de 15 de novembro. O verde e o amarelo caracterizam o conjunto das produções da natureza viva e da natureza morta”.(citado por COIMBRA, 1.972, p. 320). Em 1.892 propôs-se a eliminação dos dizeres “Ordem e Progresso”, lema positivista. Em 1.908, foi aprovada a proposta da comissão, da qual participava Olavo Bilac, para a comemoração do “Dia da Bandeira” em 19 de novembro, data do decreto de sua criação. Em anos posteriores, a Bandeira sofreu a inclusão de novas estrelas, até atingir o número atual de 27”.
A somatória de esforços para a constituição do ESTADO BRASILEIRO  até os dias de hoje, tendo como marco inicial o descobrimento, poderá ser dividida em quatro etapas: - a primeira com os já mencionados 324 anos, demonstra a  tenacidade lusitana após o TRATADO DE MADRI de 1.750  ao defender o BRASIL COLÔNIA contra as potências europeias; - a segunda com o fracasso da INCONFIDÊNCIA MINEIRA, liderada por JOAQUIM XAVIER DA SILVA, executado em 21 de abril de 1.792 – tentativa contra Portugal pela Independência; - a  terceira  com a proclamação da independência em 7 de setembro de 1.822 e consequente outorga da CARTA CONSTITUCIONAL de 1.824 por Dom PEDRO I que prevaleceu, com a emenda de 1.834, regendo o Império,  até a PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA em 1.889, e finalmente - a quarta etapa dita REPUBLICANA,  com o advento da CONSTITUIÇÃO de 1.891 a qual perdurou até  o golpe de 1.930, originando a única revolução em que o povo  levantou-se em armas através da REVOLUÇÃO DE BRASILIDADE PAULISTA DE 1.932, pondo paradeiro á ditadura getulista com a convocação de CONSTITUÍNTE originando a CARTA  de   1.934, seguindo-se as de 1.937, 1.946, 1.967/ 69 e a atual de 1.988.
A República brasileira vem ao longo destes 128 anos de existência lutando para consolidar-se democraticamente, procurando aperfeiçoar suas instituições, tendo por norte o símbolo maior glorificado no soneto de DOM AQUINO CORREA  “À BANDEIRA DA PÁTRIA” (anexo 01).

Caberá aos Senhores, hoje jovens estudantes alimentá-la nesse sentido e entre as medidas que se fazem necessárias transformá-la de federativa em confederativa o que propiciaria atualização do ORDENAMENTO JURÍDICO de cada unidade confederada, aos dias de hoje.  




Oração verberada em sessão solene - homenagem à PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA e DIA DA BANDEIRA, pelo Adv. Mariano Taglianetti, Membro do INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO PARANÁ – IHGP.

Curitiba, 07 novembro de 2.017.





À BANDEIRA DA PÁTRIA


             
Salve! bandeira do Brasil querida,
Toda tecida de esperança e luz!
Pálio sagrado, sob o qual palpita
A alma bendita do país da cruz!


Salve! Bandeira!  Quando ao sol desfralda,
De ouro e esmeralda o teu manto real,
Nossa alma em voo, pelo azul se lança,
Nessa esperança de dourado ideal!


Salve! Bandeira! O teu aceno imenso
É como o lenço de uma mãe que diz,
Saudando o filho e lhe apontando o norte:
-“Sê nobre e forte e me fará feliz!”


Salve Bandeira! Como tenda arfante,
Que se levanta no deserto nu;
Tu nos sorris e toda a dor desfazes,
Há sempre oásis, onde afloras tu!


Salve! Bandeira! A nossa vida é barca
Que singra e arca com um mar fatal.
Tu és a vela, que jamais se perde,
Vela auriverde, a demandar o ideal!


Salve! bandeira! Que é suave e justa!
Mortalha augusta para os bravos teus;
Mas como a túnica de Nesso, ardes
Para os covardes, para os vis e os réus!

Salve! mil vezes, ó gentil Bandeira!
Pura, fagueira, fulgurante, audaz!
Salve!  Nas ondas e na firme terra!
Salve! Na guerra e na dourada paz!


D. Aquino Corrêa






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