sábado, 23 de fevereiro de 2019

110 ANOS DO ASSASSINATO DE ARTHUR MALHEIRO DE OLIVEIRA - 23 DE FEVEREIRO DE 1909


110 a. do assassinato de ARTHUR MALHEIRO DE OLIVEIRA. Uma multidão tomava o centro da cidade ao som das marchas e maxixes naquela terça-feira de carnaval, 23 de fevereiro de 1909. Os foliões ainda ignoravam o crime que acabava de acontecer no cômodo 59 do HOTEL BELLA VISTA, perto da Rua XV DE NOVEMBRO. Passava das 16 horas. O soldado ANTÔNIO AUGUSTO FRAGATA entrou esbaforido na delegacia. O médico-legista HONÓRIO LÍBERO vestiu uma sobrecasaca para acompanhar o delegado PINHEIRO E PRADO até a GALERIA DE CRYSTAL (a entrada do hotel dava para os corredores da galeria). Ambos subiram juntos as escadarias que levavam à cena do crime. Encontraram o guarda-civil ANTENOR BOLINA na porta do quarto. A seu lado, estava um rapaz de pouco mais de 20 anos, alto e magro, de cabelos castanhos: era ELIZIÁRIO BONILHA – tinha se casado com ALBERTINA BARBOSA havia três dias. A moça continuava encostada às mesas. Estava vestida de branco, com um casaco de renda que se ajustava aos seios. ALBERTINA parecia uma noiva. Sua expressão era tranqüila. O doutor PINHEIRO E PRADO não precisou interrogá-la. A professora ALBERTINA BARBOSA identificou-se. E confessou: “Matei esse homem com dois ou três tiros, não sei. E, como o revólver não tinha mais balas, usei essa faca para cortar a garganta dele”. As armas do crime estavam sobre a mesa às suas costas. Os batuques da rua chegavam ao quarto. O festejo iria ainda até tarde: à noite haveria bailes nos teatros COLOMBO e POLITHEAMA. E o MOULIN ROUGE distribuiria prêmios para as melhores fantasias. O processo de ALBERTINA foi conturbado. Na terceira instância, depois de uma absolvição e uma condenação, o júri estava lotado. Um grupo de arruaceiros teve de ser retirado do Tribunal. Gritavam vivas ao Marechal HERMES DA FONSECA. Depois de quatro horas reunidos, os jurados concederam a liberdade à ALBERTINA. Concluíram que ela estava em “completa privação dos sentidos e da inteligência no momento do crime”. Era 19 de abril de 1910. Dois anos mais tarde, BONILHA também seria absolvido. 

Nenhum comentário: