quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

55 ANOS DA EMANCIPAÇÃO DO JABAQUARA - 28 DE FEVEREIRO DE 1964.



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Jabaquara

Como bairro, o Jabaquara pode ser considerado relativamente novo (está completando 41 anos), porém é uma região habitada desde o século XVII. Existe controvérsia sobre a data do aniversário do bairro. No arquivo da Biblioteca Paulo Duarte, que funciona no Centro Cultural Jabaquara, há um decreto publicado no Diário Oficial do Estado de 17 de janeiro de 1964 criando o Subdistrito do Jabaquara. Mas os dados do Arquivo Histórico Municipal registram a emancipação em 28 de fevereiro de 1964. A denominação Jabaquara vem do tupi-guarani YAB-A-QUAR-A, que significa rocha e buraco. Nos tempos da escravidão era uma mata deserta que servia de abrigo aos escravos fugidos e que pertencia a uma das inúmeras sesmarias do Padre José de Anchieta, da Companhia de Jesus.
O local também servia como ponto de descanso para viajantes que se dirigiam a Santo Amaro e a Borda do Campo, até o início do século XVII. Nessa época começou a ser procurado por fazendeiros e sitiantes que ali abriram estabelecimentos agrícolas e comerciais. Somente no fim do século XIX a região se popularizou, depois que a prefeitura resolveu instalar um logradouro público: o Parque do Jabaquara, para passeios e piqueniques. 
A chegada dos trilhos dos bondes, em 1930, e a inauguração do Aeroporto de Congonhas, em 1940, deram um grande impulso ao desenvolvimento do bairro. Mas o marco decisivo para o crescimento foi a construção da Paróquia São Judas Tadeu, em 1940, a pedido do arcebispo metropolitano Dom José Gaspar Afonso e Silva. A devoção ao padroeiro do bairro trouxe novos moradores e motivou os antigos habitantes. Atualmente, a Paróquia de São Judas conta com duas igrejas e recebe cerca de 250 mil fiéis no dia 28 de outubro (dia do santo), 80 mil pessoas nos dias 28 de cada mês e 10 mil em dias normais. 
Das famílias mais importantes da região, duas se destacam na história do Jabaquara: os Rocha Miranda e os Cantarella. Esta última dona do famoso Sítio da Ressaca, que fica ao lado do Centro Cultural Jabaquara. A Casa do Sítio da Ressaca é um dos pontos históricos da região. Seu nome vem de um córrego ao lado que posteriormente chamou-se Córrego do Barreiro. 
A construção do sítio é do século XVII, como está escrito nas portas das principais residências. O local foi tombado em 1972. A restauração foi feita em 1978 e retomada em 1986, após um incêndio. No mesmo local está o Acervo da Memória e do Viver Afro-Brasileiro, que reúne objetos referentes à presença dos negros em São Paulo. O Sítio da Ressaca está aberto diariamente para visitação ao lado do Centro Cultural do Jabaquara. 
No alto do Jabaquara, os engenheiros Hugo e Arthur Brandi, imaginaram um plano para lotear aquela vasta propriedade. 
O loteamento fora todo delimitado, para que não precisasse acabar com as árvores que cobriam o lugar e davam um toque especial para a paisagem. O lugar tornou-se um parque residencial muito calmo. Os lotes nunca eram menores que 1500 m² e os moradores, quase todos de descendência alemã, plantavam árvores das mais diversas espécies, inclusive as ornamentais e frutíferas.
A casa mais famosa da região era a “Chácara das Mimosas”, cujo proprietário era o respeitado cirurgião de São Paulo Luiz do Rego. Sua propriedade era coberta das mais diversas espécies de plantas e também muitas essências nobres no Brasil, como as acácias e flores miúdas e amarelas envoltas em pólen. Outra propriedade famosa que fez história no bairro foi a Ibiraparaó, que em tupi-guarani quer dizer “Casa dos Arcos”. 
Alguns anos depois, muita gente se mudou do Jabaquara e os novos proprietários passaram a relotear a terra em metragens cada vez menores. Depois que o dono morreu, a Chácara das Mimosas desapareceu e transformou-se no antigo Parque do Jabaquara. As outras chácaras que foram tombadas viraram bairros e levaram o nome de seus donos, como a Cidade Vargas e Cidade Ademar. 
Uma curiosidade da região é que a maioria das ruas leva o nome de árvores que existiam nas casas coloniais. É o caso das ruas Buritis, Jatobás, Jequitibás, Grumixamas e Casuarinas. Essas ruas pertenciam a uma só fazenda. Seus donos protegiam os escravos fugitivos de outras fazendas e ao longo dos anos a região ficou coberta por um cemitério de escravos.
Casa do Sítio da Ressaca
A casa sede do Sítio da Ressaca foi construída em 1719, conforme atestam as inscrições nas telhas e na verga da porta principal. Localizada no caminho para Santo Amaro, a sua denominação é atribuída ao fato do sítio estar banhado pelo Córrego do Barreiro, também chamado Córrego do Ressaca. Tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, manteve seu uso rural até 1969, quando o restante da área sofreu sua última desapropriação para a construção do metrô. Em 1978, integrando o projeto de reurbanização da região, a casa começou a ser restaurada para que, em conjunto com um novo edifício, integrasse o Centro Cultural do Jabaquara. É desde 1990 sede do Acervo da Memória e do Viver Afro-Brasileiro, vinculado à Coordenadoria das Casas de Cultura da SMC.
Parque Lina e Paulo Raia
O Parque Lina e Paulo Raia fica em local próximo à Estação Conceição do metrô e foi inaugurado por volta de 1980, graças ao Projeto CURA (Comunidades Urbanas de Recuperação Acelerada). A Escola de Iniciação Artística, que atende crianças de 5 a 12 anos, faz parte das instalações do parque.
Algumas residências foram desapropriadas quando da construção do parque, e muitos jardins e pomares foram preservados, o que garante a flora da região: gramados, jardins e bosques, com destaque para as paineiras, óleos-de-copaíba, abacateiros, jabuticabeiras e araribás-rosa. A fauna que predomina no parque é formada em sua maioria por pássaros (sabiás, cambcicas, sanhaços, tico-ticos. bem-te-vis).

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