72 a. da inauguração da
USINA SIDERÚRGICA MANNESMAN,
“POVO DE MINAS GERAIS !
As minhas preocupações com o bem público não me deixam fugir ao
dever, onde quer que tenha de ser cumprido. E eu cumprirei até o fim.
Espalhando o gérmen da discórdia, procurando subverter a força e o prestígio da
autoridade, falseando os fatos e fantasiando as intenções, há um propósito de
gerar a confusão pela mentira, para levar o país à desordem, ao caos e à
anarquia. Para o bem de nossa pátria, podemos confiar nas reações saudáveis da
opinião pública e no sentimento de patriotismo e disciplina das Forças Armadas.
As classes armadas, sobre as quais repousa o sossego e a tranquilidade da
nação, manterão a ordem e assegurarão o pleno exercício das instituições
democráticas, a justiça cumprirá o seu dever com independência e o povo, nas
próximas eleições, manifestará livremente a sua vontade.
Empenharei a autoridade e a honra do governo para que a ordem seja
mantida, as garantias constitucionais asseguradas e as próximas eleições
realizadas num clima de ordem e tranquilidade. As injúrias que me lançam, as
pedras que me atiram, a objurgatória, a mentira e a calúnia não conseguirão
abater o meu ânimo, perturbar a minha serenidade, nem me afastar dos princípios
de amor e humildade cristã por que norteio a minha vida e que fazem esquecer os
agravos e perdoar as injustiças. Por outro lado, não terei condescendência para
aqueles que se fazem agentes do crime ou instrumento da corrupção.
No governo represento o princípio da legalidade constitucional,
que me cabe preservar e defender. Dela não me separarei e advirto aos eternos
fomentadores da provocação e da desordem que saberei resistir a todas e
quaisquer tentativas de perturbação da paz e da tranquilidade pública”.
Vivamente aplaudido e por diversas interrompido por gritos de
apoio, o presidente GETÚLIO VARGAS, após a cerimônia, participou do almoço
oferecido no Palácio da Liberdade e, por sugestão de JUSCELINO, acabou
pernoitando em MINAS GERAIS, onde pôde descansar e se afastar momentaneamente
do torvelinho da capital do País.
Estudantes mineiros puseram luto e fizeram o enterro simbólico do
presidente, mas nada que empanasse o brilho da visita de GETÚLIO VARGAS às
ALTEROSAS.
Ainda pela manhã, CARLOS LACERDA foi novamente ao quartel da
Polícia Militar para fazer mais um reconhecimento dos demais membros da
ex-guarda pessoal do presidente, que pudessem estar envolvidos no atentado do
dia 5 de agosto e que não haviam comparecido à prova realizada anteriormente,
não logrando nenhum resultado prático.
No início da noite, no RIO, houve agitação na Avenida RIO BRANCO
com tentativa de depredação da sede do PTB. A polícia tentou, por meios
brandos, afastar os manifestantes, mas, sem êxito, teve, então, que serenar os
ânimos com jatos d´água. A reação foi a
fuga dos envolvidos, causando tumulto no centro da cidade. Foram disparados
tiros para o ar, o que acabou provocando mais confusão, correrias, vários
feridos e a interrupção do trânsito por várias horas. A Rádio Patrulha foi
substituída pela Polícia Militar.
Em comício, com a participação de milhares de pessoas, em praça
pública, na cidade de SALVADOR, que contou com a presença do ex-governador
baiano, OTÁVIO MANGABEIRA, dos deputados federais, NELSON CARNEIRO e NESTOR
DUARTE, foi pedida a renúncia de VARGAS. O jornal de LACERDA, TRIBUNA DA
IMPRENSA, como sempre aconteceu durante o episódio de TONELERO, divulgou que
dois depoimentos tinham sido prestados na polícia em que se revelou, pela
primeira vez, o nome de outro membro da guarda pessoal, JOSÉ ANTÔNIO SOARES,
que fuga, por ordem do Palácio do CATETE, a CLIMÉRIO. Esta revelação foi feita
pelo jornalista POMPEU DE SOUZA, após depoimento de um casal que residia ao
lado de SOARES, na Rua PADRE NÓBREGA, em CASCADURA, no RIO. Como não poderia
deixar de ser, o grande culpado era GETÚLIO VARGAS.
O ex-presidente MARECHAL DUTRA falou que “a renúncia do presidente
da República viria tranquilizar o país”. Na Câmara, o deputado ALIOMAR
BALEEIRO, afirmou, em discurso, que “GETÚLIO é um espectro que não mais
governa”. Reagiram os dirigentes sindicais da oposição contra as manobras
“queremistas” de alguns pelegos. Completaram-se sete dias do atentado sem que
fossem capturados os criminosos que o ministro da Justiça prometeu prender em
24 horas. O descontentamento da opinião pública brasileira era total.
Os generais, reunidos no Ministério da Guerra, exigiram a punição
dos criminosos. A reunião durou duas horas, terminando com a expedição de uma
nota lacônica à imprensa. Após a reunião, o ministro ZENÓBIO DA COSTA
dirigiu-se à VILA MILITAR, zona norte do RIO, onde visitou diversas unidades
aquarteladas e falou às tropas e às esposas dos oficiais, pedindo: “colaborarem
para evitar atitudes extremadas de seus maridos na atual conjuntura política”.
Foi instaurado o Inquérito Policial Militar (IPM) sob a presidência do CORONEL
JOÃO ADIL DE OLIVEIRA, tendo como sede a BASE AÉREA DO GALEÃO, situada na ILHA
DO GOVERNADOR.










































































































