quinta-feira, 13 de agosto de 2026

72 ANOS DO DISCURSO DO PRESIDENTE GETULIO VARGAS EM BELO HORIZONTE, NO DIA 12 DE AGOSTO DE 1954.

 


  72 a. da inauguração da USINA SIDERÚRGICA MANNESMAN, em BELO HORIZONTE, pelo PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS, em 12 de agosto de 1954. Durante as festividades, o presidente fez um duro e inesperado discurso, acusando e desafiando os adversários:

“POVO DE MINAS GERAIS !

As minhas preocupações com o bem público não me deixam fugir ao dever, onde quer que tenha de ser cumprido. E eu cumprirei até o fim. Espalhando o gérmen da discórdia, procurando subverter a força e o prestígio da autoridade, falseando os fatos e fantasiando as intenções, há um propósito de gerar a confusão pela mentira, para levar o país à desordem, ao caos e à anarquia. Para o bem de nossa pátria, podemos confiar nas reações saudáveis da opinião pública e no sentimento de patriotismo e disciplina das Forças Armadas. As classes armadas, sobre as quais repousa o sossego e a tranquilidade da nação, manterão a ordem e assegurarão o pleno exercício das instituições democráticas, a justiça cumprirá o seu dever com independência e o povo, nas próximas eleições, manifestará livremente a sua vontade.

Empenharei a autoridade e a honra do governo para que a ordem seja mantida, as garantias constitucionais asseguradas e as próximas eleições realizadas num clima de ordem e tranquilidade. As injúrias que me lançam, as pedras que me atiram, a objurgatória, a mentira e a calúnia não conseguirão abater o meu ânimo, perturbar a minha serenidade, nem me afastar dos princípios de amor e humildade cristã por que norteio a minha vida e que fazem esquecer os agravos e perdoar as injustiças. Por outro lado, não terei condescendência para aqueles que se fazem agentes do crime ou instrumento da corrupção.

No governo represento o princípio da legalidade constitucional, que me cabe preservar e defender. Dela não me separarei e advirto aos eternos fomentadores da provocação e da desordem que saberei resistir a todas e quaisquer tentativas de perturbação da paz e da tranquilidade pública”.

Vivamente aplaudido e por diversas interrompido por gritos de apoio, o presidente GETÚLIO VARGAS, após a cerimônia, participou do almoço oferecido no Palácio da Liberdade e, por sugestão de JUSCELINO, acabou pernoitando em MINAS GERAIS, onde pôde descansar e se afastar momentaneamente do torvelinho da capital do País.

Estudantes mineiros puseram luto e fizeram o enterro simbólico do presidente, mas nada que empanasse o brilho da visita de GETÚLIO VARGAS às ALTEROSAS.

Ainda pela manhã, CARLOS LACERDA foi novamente ao quartel da Polícia Militar para fazer mais um reconhecimento dos demais membros da ex-guarda pessoal do presidente, que pudessem estar envolvidos no atentado do dia 5 de agosto e que não haviam comparecido à prova realizada anteriormente, não logrando nenhum resultado prático.

No início da noite, no RIO, houve agitação na Avenida RIO BRANCO com tentativa de depredação da sede do PTB. A polícia tentou, por meios brandos, afastar os manifestantes, mas, sem êxito, teve, então, que serenar os ânimos com jatos d´água.  A reação foi a fuga dos envolvidos, causando tumulto no centro da cidade. Foram disparados tiros para o ar, o que acabou provocando mais confusão, correrias, vários feridos e a interrupção do trânsito por várias horas. A Rádio Patrulha foi substituída pela Polícia Militar.

Em comício, com a participação de milhares de pessoas, em praça pública, na cidade de SALVADOR, que contou com a presença do ex-governador baiano, OTÁVIO MANGABEIRA, dos deputados federais, NELSON CARNEIRO e NESTOR DUARTE, foi pedida a renúncia de VARGAS. O jornal de LACERDA, TRIBUNA DA IMPRENSA, como sempre aconteceu durante o episódio de TONELERO, divulgou que dois depoimentos tinham sido prestados na polícia em que se revelou, pela primeira vez, o nome de outro membro da guarda pessoal, JOSÉ ANTÔNIO SOARES, que fuga, por ordem do Palácio do CATETE, a CLIMÉRIO. Esta revelação foi feita pelo jornalista POMPEU DE SOUZA, após depoimento de um casal que residia ao lado de SOARES, na Rua PADRE NÓBREGA, em CASCADURA, no RIO. Como não poderia deixar de ser, o grande culpado era GETÚLIO VARGAS.

O ex-presidente MARECHAL DUTRA falou que “a renúncia do presidente da República viria tranquilizar o país”. Na Câmara, o deputado ALIOMAR BALEEIRO, afirmou, em discurso, que “GETÚLIO é um espectro que não mais governa”. Reagiram os dirigentes sindicais da oposição contra as manobras “queremistas” de alguns pelegos. Completaram-se sete dias do atentado sem que fossem capturados os criminosos que o ministro da Justiça prometeu prender em 24 horas. O descontentamento da opinião pública brasileira era total.

Os generais, reunidos no Ministério da Guerra, exigiram a punição dos criminosos. A reunião durou duas horas, terminando com a expedição de uma nota lacônica à imprensa. Após a reunião, o ministro ZENÓBIO DA COSTA dirigiu-se à VILA MILITAR, zona norte do RIO, onde visitou diversas unidades aquarteladas e falou às tropas e às esposas dos oficiais, pedindo: “colaborarem para evitar atitudes extremadas de seus maridos na atual conjuntura política”. Foi instaurado o Inquérito Policial Militar (IPM) sob a presidência do CORONEL JOÃO ADIL DE OLIVEIRA, tendo como sede a BASE AÉREA DO GALEÃO, situada na ILHA DO GOVERNADOR.      

CORREIO BRAZILIENSE - 13 DE AGOSTO DE 2026 - QUINTA-FEIRA.

 

BRASÍLIA, DISTRITO FEDERAL, quinta-feira, 13 DE agosto DE 2026

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