Caríssimo Cel. VENTURA, boa noite !
Peço lançar em "MEMÓRIAS..." o esboço / texto da palestra proferida no CENTRO DE LETRAS DO PARANÁ,
em homenagem ao 102º aniversário de nacimento de NEWTON SAMPAIO precursor do MODERNISMO,
nestas plagas, prematuramente falecido aos 24 anos contra o qual paira esquecimento proposital,
comentado por DALTON TREVISAN: " O MAIOR CONTISTA DO PARANÁ FOI UM MOÇO CHAMADO NEWTON
SAMPAIO E CONTRA NINGUEM, NESTE PARANÁ, SE FEZ TÃO GRANDE GUERRA DE SILÊNCIO, É QUE ELE
TEVE,EM VIDA, A CORAGEM DE RIR DOS TABUS DA PROVÍNCIA E ISSO ELES NÃO PERDOAM QUANDO
O INFIEL... CAI MORTO...
Grato ! Mariano.
M.D. Professora NEUMAR CARTA WINTER, Presidente do Centro de
Letras do Paraná; PREEMINENTE E NOBRE DESEMBARGADOR LUÍS RENATO PEDROSO,
ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná e ex-presidente desta
CASA, por 14 anos; patriotas CARLOS MORITZ VICENTE GOMES e
ISAAC CARREIRO FILHO e Magistrado DARIO
LIVINO TORRES, meu companheiro de lides acadêmicas, minha consorte MARIA HELENA
MUNHOZ DA ROCHA TAGLIANETTI que paciente e exaustivamente nos dá apoio
secretariando minhas jornadas de trabalho; Senhores e Senhoras que nos dão a
honra de estar aqui conosco:
Esta singela homenagem está sendo possível em vista dos
trabalhos de Neusa Sampaio, Lilian Guinski e Pedro Sampaio, e do ilustre Dalton
Trevisan, através dos quais tomei conhecimento do expoente NEWTON SAMPAIO,
prematuramente desaparecido.
Iniciemos esta palestra a qual intitulamos: “NEWTON SAMPAIO,
precursor do Modernismo no Paraná – sua vida e legado” com a ideia do que nos
transmite este cultor das letras, dando-nos o que de mais precioso sob o
aspecto de intelectualidade, pode oferecer à posteridade um escritor –
SENSIBILIDADE NO TRATO DOS TEMAS ABORDADOS nos quais a tônica porfia em
traduzir valoração no contexto da literatura.
Assim identificaremos no perfil literário de NEWTON SAMPAIO
essa tônica, espraiando-se por toda sua obra, ressaltada na coletânea de contos
IRMANDADE, obra que mereceu o primeiro premio da Academia Brasileira de Letras
de 1.938, quando abordaem “O CÂNTICO”, nos oito primeiros versos, sua maneira
de ser.
Proponho que assimilemos:
I
Eu amo a luta, transfiguradora e fecunda, em seus agudos
instantes de plenitude.
Eu amo, Eu amo a luta como se me apresenta, quando a vida me
sorri, e quando a vida me castiga. Porque a luta tem beleza intrínseca, como a fonte
tem a água e o sol tem a lua.
II
Eu não gosto do céu nessas noites em que a lua romântica vai
tecendo madrigais a seu amante milenário.
Eu gosto do céu quando o sol faz doer os olhos dos homens
atrevidos.
Eu gosto do céu quando o céu enche o mundo de claridade que
deslumbra.
III
Eu não gosto do mar quando asondas só fazem carícias à praia
brancacenta.
Eu gosto do mar quando o mar é fúria desencadeada enchendo o
ar com estrondejamentos de apocalipse.
IV
Eu não gosto do vento quando a folhagem apenas baila um bailado pequenino.
Eu gosto do vento quando os cedros descrevem curvas penosas,
e toda a floresta fica gemendo na devastação absoluta.
V
Eu vejo refrações magníficas na pele de trabalhadores que
suam em trabalhos rudes.
Eu me sinto orgulhoso quando minha própria fronte é um só
porejar abundante.
Eu bebo meu suor sem nojo, como os selvagens deglutem
religiosamente os restos de seus guerreiros mortos.
VI
Eu bendigo o rosário de inquietações que o destino me
concedeu, porque por essas contas se háde medir a força de minha mocidade.
Eu bendigo os golpes com que o mundo me faz sofrer, porque
esses golpes estão pondo à prova as energias de meu espírito.
Eu bendigo, eu bendigo a sanha dos que me combatem e a
impiedade dos que me odeiam, porque, com este ódio e com esses combates,
incendiarei substâncias novas do meu ser.
VII
Eu abomino as horas longas e largadas, porque nas horas
largadas e longas, não se erguerão as catedrais imperecíveis.
Eu fujo do silêncio porque o silêncio é mensagem da noite e a
noite é ausência do Sol.
VIII
Eu não quero morrer na posição que todos ensaiam, no fim do
dia.
Eu quero morrer varando o azul em saltos incríveis. Ou
rasgando o chão pela força de velocidades inauditas.
Ou sentindo, no fundo da vida, onomatopeias de sangue gorgolejando,
de todas as carnes se abrindo...
Adentrando no escopo que ofereceremos, nesta palestra, é
nosso intuito por primeiro definir a tônica que será desenvolvida a qual terá
por norte a vivência de NEWTON SAMPAIO, através de sua fecunda obra cuja lavra é
significativa pela sensibilidade, como já frisamos, ironia e sarcasmo nos temas
que abordou.
Portanto não nos move proporcionar uma conferência, na
acepção ampla do vocábulo, mas uma palestra em que procuraremos analisar sua
produção literária através de alguns de seus contos obedecendo à tônica de que
esgotada a nossa vida material reviveremos espiritualmente quando
relembrados...
Iniciemos por síntese biográfica que marca a trajetória
existencial de NEWTON SAMPAIO: - nascido em 10 de setembro de 1.913 na cidade
de Tomazina – Estado do Paraná, foram seus genitores os pioneiros ARTHUR PRAXEDES SAMPAIO e
TIBURCIA DOIM DE ARAÚJO.
Relembraria, já adulto, na rádio PRB2 em 9 de janeiro de
1.934 seu berço natal: “Lá, na cidadezinha humilde onde nasci, existe um rio
muito longo, muito bonito, que desce descrevendo arabescos, entre as
deselegâncias das serras que o cercam...”
Apoiado em seus estudos, por seu tio e mecenas BRASÍLIO DE
ARAÚJO, matricula-se em 1.926 no INTERNATO DO GINÁSIO PARANAENSE, para em 1.932
iniciar curso universitário na FACULDAE DE MEDICINA DE CURITIBA. Entrementes
foi FUNDADOR DA ACADEMIA ANCHIETA, colaborador do “O JORNAL” de Siqueira Campos. Apresentando, nessa fase
durante quatro anos trabalhos literários nas sessões do CÍRCULO DE ESTUDOS
ANDEIRANTES, quando entre eles analisa as obras “O QUINZE”... e “A
BAGACEIRA”... Em 1.934 preside a
ACADEMIA DE LETRAS DOS MOÇOS DO PARANÁ, iniciando colaboração efetiva no “CORREIO DOS FERROVIÁRIOS”. Transfere-se em
1.935 no quarto ano de medicina para Niterói iniciando publicação em capítulos
das novelas REMORSO e IRMANDADE. Em 1.937 forma-se em medicina em Niterói,
Estado do Rio de Janeiro. Em 1.938, saúde combalida, a sete de abril viaja do
Rio para Londrina internando-se posteriormente a oito de maio no Sanatório da
Lapa, falecendo a doze de julho nesse hospital.
MODERNISMO
Feita a necessária apresentação que dá ideia do vulto intelectual e existencial da
personalidade de NEWTON SAMPAIO nos ateremos em rápidas considerações sobre o
movimento literário denominado MODERNISMO.
Fruto da cidade cosmopolita o MODERNISMO atendeu à
necessidade das grandes aglomerações urbanas. Despertando no início do século XX, São Paulo que até então
sonolento era liderado intelectualmente pelo Rio de Janeiro. Explode o “rush”
do progresso. A transformação foi rápida e o MODERNISMO cedeu lugar ao
futurismo, apoiado principalmente pelas artes plásticas com evidência para a
“SEMANADE 1.922” realizada no mês de fevereiro (dias 12, 17 e 19) que se
transformaram nos marcos do modernismo brasileiro.
O MODERNISMO caracterizou-se pelo confronto entre a
literatura europeia fruto de vivências seculares com a nascente e faz germinar
na literatura brasileira os hábitos e costumes predominantes e já enraizados em
nossa nacionalidade.
O movimento MODERNISTA, nasua primeira fase, isto é, de 1.922
a 1.928, insuflou, aqui e ali, movimentos de cultura regional, e destes saiu o
mais original e o mais vivo de nossa literatura contemporânea.
Uma visão sobre o regionalismo brasileiro nos oferece
FIDELINO DE FIGUEIREDO insigne historiador da Literatura Brasileira: - “O
Brasil país de passado pequeno e de território desmesuradamente grande” foi
ocupado e colonizado por um processo que lhe garantiu, em meio a todas as
vicissitudes históricas, uma milagrosa unidade político-administrativa, mas
que, por outro lado lhe deu um mapa cultural de caráter acentuadamente
ganglionar: desde o século XVI se define e se acentuam por seu caracteres
diferenciadores, os nossos centros regionais de cultura: o Amazonas, o Norte, o
Nordeste açucareiro, a Bahia, Minas, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio
Grande do Sul. Todos os fatores de ordem material (geográficos, éticos,
econômicos) contribuíram para formação de tais gânglios: indefiníveis forças
raciais e morais e a língua queé uma constante política unificadora,
conseguiram em quatro séculos, dar a Nação, em que pesem suas acentuadas
diferenciações regionais, uma inegável estrutura orgânica. Tão peculiar
configuração gel-cultural explica suficientemente a razão por que no Brasil,
nacionalismo se traduz em acentuado regionalismo. Assim foi no Romantismo,
principalmente, com os romances de Alencar, de Bernardo Guimarães, de Franklin
Távora; no Realismo carioca de Machado de Assis; com o romance do Norte, de
Aloisio de Azevedo, Domingos Olimpio, Ingles de Souza. Assim foi no Simbolismo,
com os chamados romancistas regionalistas. E finalmente também desde a eclosão
Modernista de 22. Mas aqui há uma diferença a estabelecer: nunca fora o
regionalismo tão valorizado. É que a parda consciência que se formou com o
MODERNISMO de que só as legítimas peculiaridades de nossa realidade
paisagística e cultural lograriam produzir uma LITERATURA BRASILEIRA ORIGINAL,
- chegamos a conclusão (acertada ou não; isto agora não importa) de que esse
autêntico nacional estava nos meios regionais, sobretudo naqueles meios em que
se vinham formando há séculos um complexo de culturas genuinamente luso
brasileiro.
É exatamente ao descrever hábitos e costumes regionais
paranaenses, incorporando-os em nossa literatura que evidenciam NEWTON SAMPAIO
precursor do modernismo, nestas plagas.
Dada esta explanação sobre
MODERNISMO, ao qual emprestou NEWTON SAMPAIO embrionário concurso,
iniciemos pela ótica do mestre MANOEL DE OLIVEIRA FRANCO SOBRINHO sobre a obra
“CONTOS DO SERTÃO PARANAENSE”: - “este livro, reunião de contos coligidos após
a morte do inteligente escritor, é bem do Paraná, bem do nosso homem, da nossa
terra e da nossa gente.
Nele observamos esplendidamente a individualidade de NEWTON
SAMPAIO, inteiriça, trepidante, nervosa. Este livro revela em traços rápidos a figura do caboclo
paranaense, amando em tardes floridas de primavera, sofrendo na luta constante
com a natureza bruta e crente no milagre divino. A sua técnica apresenta um
sabor original. É diferente, distante, e ao mesmo tempo, mais simples que a de
um escritor da envergadura de ÉRICO VERÍSSIMO. A sua prosa é doce e suave, o
estilo cheio de luz, as imagens cheias de nuances, e aí, o grande intelectual
morto, bastante se assemelha a RIBEIRO COUTO ou MARQUES REBELO. Um mérito
incontestável possuiu NEWTON SAMPAIO; - foi o de sempre escrever com
simplicidade e clareza. Seus assuntos estão prenhes da mais bela poesia, da
poesia sem intenções, da poesia da vida. É uma poesia resignada, sem ênfase,
flexível e rica em novidades emotivas. E NEWTON SAMPAIO foi tão simples quanto
a sua obra. Os poucos defeitos que possuía (se os possuiu) desaparecem ante a
eloquência do seu esforço em sentir vitorioso o seu modesto ideal de vida.
Ficou como exemplo porque soube lutar, e nós os moços, de uma forma ou de outra,
amamos intensamente a luta, a verdadeira luta, aquela que encontra origem na
ânsia de libertação do espírito contra toda vulgaridade, contra tudo que se
prende ao egoísmo, a exploração do homem pelo homem e ao amor irrefreável do
dinheiro que faz escravos. Conclui: O NEWTON SAMPAIO que nos ficou é mais um
motivo de fé e confiança no destino próximo da inteligência.”
Nessa coletânea “CONTOS DO SERTÃO PARANAENSE” encontraremos
“O atrapalhador de noivados” e deparamo-nos com as expressões “as moças tinham uma
quebradura invencível quando dançavam com Miguel Inácio” (quebradura
invencível): - “é um poáia” (poáia); - “mas tenho pena de ver a flor bonita do
Bouqueirão cair nas mãos daquele nhengo (nhengo); e mais adiante – Como vai o
seu caboré formoso ? (caboré). Em “Pesadelo” encontraremos as expressões
viramexendo, guardamento, e treme-tremendo.
Em “REMORSO” considerado de ficção dispersa – contos
novelescos – o AUTOR – homenageia “o pessoal que tem paciência de percorrer os
escritores novos. A gente bondosa. O pessoal amigo que sabe ler
inteligentemente. Que não sabe ler maquinalmente, para afirmar não tenho
remorso da novela, porque todo esforço deve ser encarado com superioridade. Com
simpatia. Superioridade que dá visão de conjunto ao julgamento. Simpatia que
não exclui o senso da crítica”. E nos oferece “FAMÍLIA” onde sarcasticamente
ironizando a consorte Eglantina Exupério Leão estende à sogra, cunhadas e
demais membros humor atualíssimo: “Minha sogra (que tem um nome farmacológico
assaz parecido com o de minha esposa: Ergotina) é o ideal das sogras. Dona
Ergotina é muda. Dona Ergotina Exupério é completamente muda, e talvez fique
surda no próximo ano, segundo prometeu o físico (especialista em ontologia) que
a examinou. -... Minha cunhada mais velha é digna irmã de Eglantina e digna
filha de Ergotina. Não aprendeu em tempo a sinfonia das curvas (um adepto de
Schubert diria que ela é uma sinfonia inacabada. Mas eu digo. Não digo porque
acho muito besta essa piada).... A
cunhada número dois (eu tenho uma coleção delas) é flor que cresce em um
monturo. Eis que sua beleza alucina todos os moçoilos válidos do bairro. Por
causa dela, só por causa dela, a Assistência trabalhou onze vezes na rua dos
Pássaros. Isto sugeriu a um vizinho – futebolista inveterado, torcedor do Vasco
e muito crente em ser homem de espírito – a constituição de um time: o time dos
suicídios. Cuido que a ideia vingou, se não vingou por completo, permitiu ao
menos um novo bloco carnavalesco na rua dos Pássaros, o que é um grande
acontecimento. -... A terceira irmã de Eglantina é metida a moderna. Vê, nos
cinemas, as donzelas americanas morando em apartamentos, correndo nos
automóveis dos amiguinhos, tomando whisky (cocktail), “abrideiras” etc., e quer
agir como as donzelas de Tio Sam. Eu acho isso ridículo. Acho que a irmã de
Eglantina tem sobre os ombros várias toneladas de preconceitos e sobre sí pesa a cretinice de várias gerações anônimas.
Éla quer ser moderna, quer ser sabida. Mas não consegue ser outra coisa que não
uma recalcada... Há que falar dos membros masculinos da família”... querem
salvar o Brasil. Um fala mal da liberal-democracia, chama o Sr Vargas de nomes
muito feios, diz não compreender o metafísico Sr. Gustavo (o tal do Ministério
da Cultura), afirma, com o grito de quem descobriu a pólvora ou encontrou um
novo continente, que o Brasil é uma colônia de banqueiros, e anda por aí,
levantando o braço em saudações obcenas. O outro também quer salvar o Brasil.
Faz, porém, o gesto oposto do irmão (afinal de contas tudo vai dar numa questão
de gestos). E andou, até bem pouco, pichando as paredes, defendendo um capitão
sem compostura (um capitão Luiz Carlos Prestes que não tem sequer o talento do
poeta do mesmo nome), escrevendo em jornais sem conceito, berrando em comícios
terroristas. Hoje, não pode mais salvar o Brasil (o que deploro...) E sem
qualquer Marquesa dos Santos, está passando uma temporada sobre o Pedro I...
Dessa temporada poderá viver não uma duquezinha de Goiás, mas um libelo contra
os opressores de consciências...
Na coletânea “ALGUMAS VOZES DO BRASIL”, ORGANIZADA POR
Fernandez Soares encontraremos traços biográficos de vários expoentes do mundo
cultural que gravitam pela lavra de NEWTON SAMPAIO. Entre eles HUMBERTO DE
CAMPOS, TRISTÃO DE ATAYDES, AGRIPINO GRIECO, GILKA MACHADO, GILBERTO AMADO,
GRAÇA ARANHA, RACHEL DE QUEIROZ, LÚCIAMIGUEL PEREIRA, PAULO SETÚBAL, JOSÉ LINS
REGO, JOÃO DO RIO, ETC.
Destacamos nessa resenha a interpretação biográfica de PAULO
SETUBAL (1.893 / 1.937) que guarda semelhança com a passagem também terrena de
NEWTON SAMPAIO, na qual guardando percepção intuitiva de que logo O encontraria
no cosmos, pois lá estaria hum ano após 1.938, transcreve o adeus terreno de
SETUBAL: “EU TE AMO MUITO”: De todos que me beijaram / De todos que beijei / De
todos que me abraçaram / de todos que abracei / são tantos que me amaram / são
tantos que amei / Mas tu (que rude contraste) / Tu jamais beijastes / Tu que
jamais abracei / Só tu nesta alma ficastes / De todos que amei... - ... Adeus,
São Paulo ! Adeus, salões e clubes ! Adeus, amigos e noitadas ! Adeus, meu
querido e triunfante escritório de advocacia. Adeus, esforço e trabalho e
vitória da minha mocidade... (Memórias Confiteor capítulo XVIII, 1.937).
Por fim para esta singela contribuição em memória de NEWTON
SAMPAIO, entre as que houveram, comemorando o 102º de seu nascimento se faz
oportuno citar o estudo de LUIZ BUENO introdutório da edição de 2.002 da
coletânea “REMORSO” da Imprensa Oficial do Estado do Paraná o qual ressalta a
divulgação de um texto inédito no qual maltratava sem nenhuma piedade os
figurões da Academia Paranaense de Letras assinalando que DALTON TREVISAN
denunciou bradando sobre esquecimento
proposital: “O MAIOR CONTISTA DO PARANÁ FOI UM MOÇO CHAMADO NEWTON SAMPAIO.
MORREU AOS 24 ANOS, NUM SANATÓRIO EM 1.938, E CONTRA NINGUEM, NESTE PARANÁ, SE
FEZ TÃO GRANDE GUERRA DE SILÊNCIO. É QUE ELE TEVE, EM VIDA, A CORAGEM DE RIR
DOS TABUS DA PROVÍNCIA E ISSO ELES NÃO PERDOAM QUANDO O INFIEL CAI...MORTO.
Asseverando LUÍZ BUENO: “Diante desse quadro pouco definido,
todo juízo parece temerário, toda análise parece precária, de alguma forma que
a obra de NEWTON SAMPAIO entra legalmente em domínio público sem ter chegado de
fato ao domínio público, uma situação que contrasta com o interesse e a
importância que ela tem.
Estas considerações sobre a vida, obra e legado de NEWTON SAMPAIO visando
trazer um despertar mais eloquente do
público leitor no sentido de que seja divulgada sua obra atribuindo-se-lhe “a importância que ela
tem”, no contexto da literatura
brasileira.
Ao finalizar esta palestra, agradeço a PEDRO ARTHUR SAMPAIO,
ilustre e cioso curador da obra de seu irmão NEWTON, que nos presenteou com
alguns livros, possibilitando o estudo necessário a esta palestra, não olvidando haver se dedicado também a
narrativas e contos, perpetuando “O
Brasil que servindo de pano de fundo registra o País dos anos 50 e 60, em que a
metade da população vivia no campo...”, com narrativas breves em sua coletânea
NEM SEMPRE VERDADE, NEM TANTO FOLCLORE
Agradeço ao Centro de Letras do Paraná, em especial ao Des.
LUÍS RENATO PEDROSO e a todos que aqui se encontram, a oportunidade de estarem dando-me o gáudio de suas atenções.
Muito obrigado ! Curitiba, 22 / 09 /
2.015 – MARIANO TAGLIANETTI.