Nasceu na localidade de Santa Teresinha distrito de
Bom Princípio, no estado do
Rio Grande do Sul. Era o décimo segundo filho de Pedro Scherer e de Ana Oppermann Scherer.
Em
1914 ingressou no Seminário Menor em
São Leopoldo. Concluiu o curso secundário nas disciplinas gerais. Preparou sua entrada no Seminário Maior. Estudou
Filosofia com os expoentes da
Companhia de Jesus, conquistando o primeiro lugar em todas as disciplinas.
No dia
30 de dezembro de
1946, foi elevado a dignidade de
Arcebispo de
Porto Alegre[2], cargo que ocupou durante 35 anos. Em
23 de fevereiro de
1947, na matriz de São Geraldo,
Dom Carlo Chiarlo, Núncio Apostólico no Brasil, lhe conferiu a ordenação episcopal, juntamente com os co-ordenantes:
Dom José Baréa e
Dom José Newton de Almeida Baptista. Na tarde do mesmo dia, na cripta da Catedral, o investiu nas funções de arcebispo de Porto Alegre. Escreveu uma Carta Pastoral (a única do seu episcopado) com o título:
A Restauração Social - O V° Congresso Eucarístico Nacional, com 50 páginas.
| “ | Eu me sinto como um cardeal saindo da gaiola! | ” |
Desenvolveu com carinho a obra das Vocações Sacerdotais e, apesar do desmembramento da Diocese de
Santa Cruz do Sul e de outras alterações de limites diocesanos, compreendendo zonas vocacionalmente muito abençoadas, em
1971 se matricularam 45 teólogos e filósofos em Viamão, 134 seminaristas em
Gravataí(3ª a 7ª séries) e 120 em Bom Princípio (1° e 2° anos). Também fundou o Instituto de Teologia da
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, a
PUCRS.
Sagrou 15 bispos, ordenou 493 sacerdotes e fundou 105 paróquias.
Dom Vicente Scherer, foi o primeiro bispo do
Brasil a organizar a previdência social do clero, instituindo, em
28 de fevereiro de
1961, a Sociedade Fraterno Auxílio, destinada a proporcionar assistência aos sacerdotes diocesanos, que lhe sejam associados, inválidos por enfermidades ou velhice. Os associados têm direito a assistência médica, farmacêutica e hospitalar completa.
Construiu e organizou, em
Viamão, o Lar de Menores, para recuperação de menores transviados. Criou em
1º de janeiro de
1957 o secretariado de Ação Social da
Arquidiocese de Porto Alegre. Erigiu a Escola Rural Estrela da Manhã, para formação de professores rurais.
No seu governo e sob seus auspícios nasceu e atuou diante da Frente Agrária Gaúcha, movimento de agricultores cristãos que fundou e incrementou o sindicalismo rural do
Rio Grande do Sul, na época com mais de 400 mil membros associados em 225 sindicatos de pequenas propriedades e assalariados rurais.
Incentivou a aquisição e ampliação da Casa Marta e Maria que a Ação Católica da Arquidiocese de Porto Alegre destinou a retiros espirituais e a cursos de formação de líderes cristãos.
Reformou o prédio do antigo seminário, adaptando-o as suas funções de residência episcopal e sede da Cúria Metropolitana de
Porto Alegre.
A Vila Betânia teve a princípio o nome de
Aracelli, e era reservada para descanso dos sacerdotes da
Arquidiocese de Porto Alegre. Em
31 de julho de
1948, Dom Vicente Scherer, com Mons. Elio Pereira e
Côn. Cláudio Colling, adquiriram um prédio e mais terreno, para um local de retiros espirituais. A abertura oficial foi por ocasião do V Congresso Eucarístico Nacional de
Porto Alegre, a
27 de outubro de
1948. Em 27 de abril foi inaugurada na mata de propriedade da Vila Betânia uma gruta de Nossa Senhora de Lourdes.
O conselho arquidiocesano de leigos, foi criado no dia
24 de novembro de
1979. O conselho era constituído por presidentes de movimentos e associações de leigos; por membros eleitos pelas áreas de pastoral e por membros nomeados, representativos dos diversos meios ou associações de classes.
Em
30 de maio de
1971, em missa celebrada pelo Cardeal Scherer, foram inauguradas simbolicamente as duas torres.
Em
26 de março de
1972, o bicentenário da Paróquia de Nossa Senhora Mãe de Deus, o jubileu de sagração e de investidura de Dom Vicente Scherer, nas funções de Arcebispo Metropolitano e o bicentenário da fundação de
Porto Alegre foram comemorados no recinto da nova Catedral, já com a cúpula concluída. E em
1987houve a inauguração solene da
Catedral Metropolitana de Porto Alegre.
Desde sua sagração em
1947, Dom Vicente foi fiel ao lema
Evangelizare misit me, que caracterizou o seu episcopado por intensa atividade pelos meios de comunicação social e seus pronunciamentos por intensa atividade pelos meios de comunicação social e seus pronunciamentos marcaram a presença da Igreja em momentos delicados e sobre problemas palpitantes da vida nacional, como liberdade de ensino, reformas sociais, ideologias extremistas e outros temas.
A partir de
5 de junho de
1961, sem falhar uma semana, proferiu todas as segundas-feiras, na Rádio Difusora, a
Voz do Pastor. Aquela forma moderna de evangelização assumiu relevância extraordinária e alcançou repercussão nacional, quando nas terças-feiras, sua mensagem era difundida pelos principais jornais de
Porto Alegre e, resumidamente, em importantes órgãos de imprensa do
Rio de Janeiro e de
São Paulo. Foram no total: 1095 alocuções.
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul[editar | editar código-fonte]
A partir de
1947, Dom Vicente Scherer abraçou a causa das Faculdades Livres, em
Porto Alegre, para conseguir a equiparação de universidade. Em
9 de novembrode
1948, o arcebispo passou a ser chanceler da Universidade Católica de Porto Alegre.
Sob a orientação do Arcebispo Dom Vicente Scherer, que procurou responder às necessidades pastorais da Igreja em sua época, foi criada a Pastoral Orgânica. Nos áureos tempos da Ação Católica, tanto geral, quanto especializada, os movimentos apostólicos de leigos atingiram pujança impressionante, e quando o
Concílio Vaticano II abriu horizontes novos para o apostolado, Dom Vicente logo se empenhou na aplicação concreta de seus textos. À luz do concílio, nasceram o Conselho de Presbíteros, o Conselho de Pastoral e o Secretariado de Pastoral. Dom Vicente convocou o Sínodo do Povo de Deus, no início da década de
1970.
Dom Vicente participou desde a sua fundação da Comissão Central da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a
CNBB; tendo dirigido o Secretariado Nacional do Apostolado dos Leigos, ocupou o cargo de vice-presidente e interinamente o de presidente.
Designado membro da Comissão de Doutrina para a Fé e os costumes que trabalhou na preparação de alguns dos mais importantes esquemas do
Concílio Vaticano II, foi confirmado na mesma, por eleição dos padres conciliares, aos
16 de outubro de
1962, tendo assistido a quase todas as suas reuniões.
Durante as sessões do Concílio Vaticano II, o Cardeal Scherer, fez também parte das subcomissões, respectivamente para a revisão da Constituição dogmática
Lumen Gentium e da Constituição pastoral
Gaudium et Spes. No 1° Sínodo dos Bispos em
1967, foi o único representante latino-americano escolhido diretamente pelo Santo Padre, o
Papa Paulo VI.
Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.
No mesmo mês que transmitiu o cargo do governo da
Arquidiocese de Porto Alegre, cedendo a inúmeros convites e apelos, Dom Vicente Scherer aceitou assumir a direção da
Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre que se encontrava em difícil situação financeira e funcional. A posse realizou-se em
1º de janeiro de
1982. Dom Vicente, como provedor encaminhou com a colaboração do governo do estado e de uma equipe de administradores as soluções que levaram a Santa Casa a vencer a maior crise de sua história.
No início de sua trajetória na transformação da Santa Casa, diversas pessoas se incorporaram aquele grande desafio, destacamos: João Polanczyk, Olímpio Dalmagro, Jaques Bacaltchuk e José Sperb Sanseverino.
As necessidades do complexo hospitalar eram infinitas. Não havia alimentação adequada, medicamentos, roupas, higiene, e muito menos equipamentos. Havia, no entanto, o fundamental entre os médicos, enfermeiros, funcionários de diversas áreas que, assim como seu provedor; acreditavam na instituição.
No dia
27 de março de
1969 chegou o seguinte telegrama à Cúria Metropolitana: "
Cras ephemerides patefacient Summi Pontificis animam te in supremum Ecclesiae Senatum kalendis maii cooptandi. Sebastiano Baggio - Núncio". ("Amanhã a imprensa publicará que a benevolência do Sumo Pontífice te escolheu para integrar, a primeiro de maio, o supremo senado da Igreja").
Brasão Cardinalício do Cardeal Vicente Scherer.
Brasão arquiepiscopal de D. Vicente Scherer.
Dom Vicente ao longo de seu episcopado teve dois Brasões. O primeiro, desde a sua ordenação até o cardinalato; e o segundo, o brasão cardinalício. O lema sempre foi o mesmo.
Descrição: Escudo eclesiástico, cortado: o 1° de blau com uma palma e um ramo de oliveira cruzados, ambos de argente, sobrepostos por uma coroa real de jalde com suas pedras preciosas; o 2° partido de argente e goles, com três rosas colocadas duas e uma, sendo a primeira de goles, a segunda de argente e a terceira intercambada. O escudo, assente em tarja branca, na qual se encaixa o pálio branco com cruzetas de sable. O conjunto pousado sobre uma cruz trevolada, de dois traços, de ouro. O todo encimado pelo chapéu eclesiástico com seus cordões em cada flanco, terminados por quinze borlas cada um, postas: 1, 2, 3, 4 e 5, tudo de vermelho. Brocante sob a ponta da cruz um listel de argente com a legenda: EVANGELIZARE MISIT ME, em letras de sable.
Interpretação: O escudo obedece as regras heráldicas para os eclesiásticos. O 1º campo, de blau (azul): significa: justiça, serenidade, fortaleza, boa fama e nobreza. A coroa real simboliza o Reino de Cristo, Rei do Universo, e sendo de jalde simboliza: nobreza, autoridade, premência, generosidade, ardor e descortínio. A este Reino se chega através do "martírio", de sangue ou de espírito, cujo símbolo é a palma, que ocupa aqui o lugar de honra (banda), sendo que a palma indica que o apostolado tem a vitória assegurada pela promessa e a presença de Cristo; e o desejado fruto desse Reino é a Paz, prometida aos homens de boa vontade e aqui é simbolizada pelo ramo de oliveira. Por seu metal argente (prata), os dois ramos simbolizam: inocência, a castidade, a pureza e a eloqüência, virtudes essenciais num
bispo. O campo de argente (prata) tem o significado deste esmalte, já descrito acima, e o campo de goles simboliza: o fogo da caridade inflamada no coração do bispo, bem como valor e socorro aos necessitados. As rosas simbolizam a Santíssima Virgem, a Rosa Mística, que sob a invocação de Mãe de Deus, é a Padroeira da
Arquidiocese de Porto Alegre, sendo em três, as rosas têm significado especial: A de goles (vermelha) traduz que Maria é a Filha do Pai Eterno; a de argente (prata), que é a Esposa do Espírito Santo; e a rosa intercambada, que é Mãe do Filho Redentor. Maria, em todas as lutas pela Paz de Cristo no Reino de Cristo, é vida, doçura e esperança nossa. O presente escudo é, pois, segundo as regras heráldicas, uma síntese de altos conceitos de teologia e de programa pastoral. O lema também faz referência a ao mandato de Jesus: Enviou-me a evangelizar". O escudo não é histórico, de família, mas simbólico e programático; denotando uma estreita conexão ideológica entre o lema e a representação gráfica; pois realmente, a obra de evangelização tem por objetivo a propagação do Reino de Cristo sobre a terra.
Memorial Dom Vicente Scherer em Bom Princípio.
No dia
5 de fevereiro de
2003, durante as celebrações do Centenário de Nascimento do Cardeal Arcebispo de Porto Alegre, foi inaugurado em sua cidade natal,
Bom Princípio, um largo com o busto de Dom Vicente e o Memorial que é uma réplica da casa onde nasceu em
1903.
Dom Vicente Scherer ordenou os seguintes bispos:
- João Cláudio Colling (1950, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
- Luís Victor Sartori (1952, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
- Luís Filipe de Nadal (1955, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
- Alonso Silveira de Mello, SJ (1955, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
- Edmundo Luís Kunz (1955, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
- Augusto Petró (1958, na Paróquia Sagrada Família, em Porto Alegre)
- Alberto Frederico Etges (1959, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
- Aloísio Lorscheider, OFM (1962, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
- José Ivo Lorscheiter (1966, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
- Érico Ferrari (1971, na Catedral de Santa Maria)
- Frederico Didonet (1971, em Rio Grande)
- Henrique Froehlich, SJ (1974, na Catedral de Santa Cruz do Sul)
- Urbano José Allgayer (1974, na Catedral Metropolitana de Porto Alegre)
- Jacó Roberto Hilgert (1976, em Camaquã)
- Aloísio Sinésio Bohn (1977, na Capela do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, em Viamão)
Dom Vicente foi coordenante na ordenação episcopal dos seguintes bispos:
- Dom Frei Antônio do Carmo Cheuiche, OCD
- Dom Domingos Gabriel Wisniewski, CM
- Dom Romeu Brigenti
- Dom Frei Ângelo Domingos Salvador, OFMCap
- Dom Frei Boaventura Kloppenburg, OFM
- Dom Aloísio Roque Oppermann, SCJ
- Dom José Mário Stroeher
- Dom Thadeu Gomes Canellas
- Dom Adélio José Tomasin, PSDP
- Dom Dadeus Grings