Prezados (as) Policiais Militares
“Uma polícia é consequência do seu treinamento; da qualidade dos seus professores” (Giraldi)
1. Em 1.999, quando o “Método Giraldi”® ainda não havia sido aprendido e aplicado pela tropa, embora já existisse há vários anos e, na PMESP, estivesse sendo testado e observado desde o segundo semestre de 1997, foram assassinados, no Estado de São Paulo, 318 policiais militares sendo 44 em serviço e 274 nas horas de folga. No início do ano de 2.000 a média era de um por dia, com tendência a aumentar e chegar a 450 dez anos depois.
1.1. Comprovem esse fato acessando o site www.acervo.estadao.com.br e leiam o Editorial do “Estadão” do dia 21 de janeiro do ano de 2.000, página A3, que teve como manchete: “TRISTE RECORD – Dos 318 policiais militares mortos o ano passado (1.999), no Estado de São Paulo, 44 estavam em serviço; 274 nas horas de folga”.
1.1.1. E, entre outras coisas esse Editorial destacava:
1.1.1.1. “Neste mês de janeiro (2.000), a cada dia, pelo menos um policial militar perde a vida em São Paulo”;
1.1.1.2.“Há algo muito errado no tratamento que se dá a esses homens que garantem a segurança da sociedade. Não nos referimos apenas aos seus salários (que são pífios), mas ao treinamento que se oferece eles; às táticas empregadas na condução dos trabalhos, e a própria conscientização de como devem se conduzir em situações normais e de perigo. Tudo isso precisa ser reavaliado”
1.1.1.3. “É correta a preocupação do Estado em equipar melhor os policiais militares, mas isso pouco adianta se não se treinar devidamente o policial militar para que ele saiba utilizar adequadamente esses equipamentos”;
2. A situação era tão calamitosa, não só contra os policiais militares, mas também contra a sociedade, que o governador da época (Mário Covas) ameaçou extinguir a PMESP e criar uma nova polícia;
3. Na condição de “Assessor da área de Tiro” que me foi dada à época; com minha “Autorização de Uso” (ver Bol G PM 147-03 – cópia anexa); Coordenação; Responsabilidade e Execução deu-se início ao ensino do “Método Giraldi”® para a tropa que, conforme foi retro citado, já existia, mas ainda não havia chegado à ela;
3.1. Mais de 90.000 homens e mulheres, que nunca haviam tomado contato com a nova metodologia de tiro, pela frente; toda uma estrutura a ser montada, incluindo materiais, alvos a serem caracterizados como seres humanos (PM-L-4 e PM-L74), locais de treinamento, pistas, armações fixas e móveis, barricadas de treinamento e seus suportes, formação de professores, etc. (nos primeiros anos totalmente por minha conta, incluindo os gastos, menos os da munição e, até recentemente, boa parte também ainda por minha conta); uma nova cultura a ser adotada; uma nova doutrina a ser implantada;
3.2. Antes do “Método Giraldi”® o policial militar treinava para matar, e quem morria era ele; passou a treinar para preservar a sua vida (e a vida de pessoas inocentes) e a sua liberdade; servir e proteger a sociedade e a ele próprio. Para o agressor a Lei!
4. Objetivos do “Método Giraldi”®: Ensinar o policial militar a usar a sua arma de fogo, de forma correta, com a finalidade de servir e proteger a sociedade e a ele próprio, e assim poder regressar, íntegro, ao seio da sua Família, após uma jornada de trabalho, e não para o necrotério, para uma cadeira de rodas ou para a prisão.Sua Família o espera! Para o agressor a Lei!
4.1. O “Método Giraldi”® não era, e não é uma simples instrução de tiro, mas uma doutrina do uso progressivo da força, inclusa a arma de fogo, com a finalidade de preparar o policial militar para servir e proteger a sociedade e a ele próprio, onde procedimento é regra, disparo é exceção, pois são procedimentos que, na quase totalidade das vezes, preservam vidas, a começar pela do policial militar, e solucionam problemas;
4.2. Esclareço, também, que esse nome (“Método Giraldi”) foi dado pela PMESP em homenagem ao seu único e exclusivo autor, e determinou que assim fosse chamado e registrado a fim de evitar que polícias e policiais, inclusive do exterior, dele tomassem posse, como quase ocorreu;
4.3. Esclareço, ainda, que a transição de métodos anteriores, usados pela PMESP (“System Moore”, “Pista Oito”, “Posta Zero”, etc.), e que provocaram o editorial do “Estadão”, retro, para o “Método Giraldi”®, foi lenta, mas firme, constante e altamente profissional, graças ao extraordinário trabalho e boa vontade dos (as) professores (as) do “Método Giraldi”® que, por muitos anos, além de não receberem horas aulas por esse trabalho ainda colocavam dinheiro do próprio bolso para desenvolvê-lo; fato que ainda ocorre, em menor escala, nos dias atuais;
4.3.1. Compareciam, espontaneamente, nas horas de folga, de férias, etc. para integrar os Corpos Docentes usando seus próprios veículos, coisa que ainda fazem até os dias atuais, inclusive viajando para outras cidades;
4.3.1.1. Este próprio oficial já gastou, do próprio bolso, até os dias atuais, e sem nenhum ressarcimento, em torno de R$ 140.000,00 (cento e quarenta mil reais) para a implantação do “Método Giraldi”®, na PMESP. Só de viagens, de Bauru, onde reside, para São Paulo, já fez exatas 253 (duzentos e cinquenta e três) usando seus próprios veículos (a maior parte num Corcel II) para essa finalidade; também para diversas outras cidades do interior Estado; e continua, numa menor escala, a fazê-lo;
4.3.1.2. Informo esses gastos não porque quero, mas porque sou obrigado, pois muita gente pensa que ganhei, e estou ganhando muito dinheiro com o “Método Giraldi”® quando, na realidade, só tenho gastado, e muito, mas uma só vida que tivesse sido preservada e eu já estaria muito bem pago; foram centenas...
4.3.1.3. E não sou só eu quem gastou e gasta dinheiro, do próprio bolso, sem qualquer ressarcimento, para essa finalidade, mas também professores do “Método Giraldi”®, desde o início da sua implantação;
4.3.1.4. Portanto, as dificuldades foram e ainda são enormes;
4.3.1.5. E não podemos esquecer que estou desenvolvendo esse trabalho, na PMESP, estando na reserva, portanto, com prejuízo a ela (reserva), e distanciamento da minha família mas, se fosse necessário, faria tudo novamente, da mesma forma que o fiz;
4.3.1.6. Destaco, também, o extraordinário apoio recebido do Comando e demais oficiais para a implantação do “Método Giraldi”® na nossa Instituição Policial; assim como o extraordinário apoio da tropa que, somados ao extraordinário apoio dos professores se chegou ao atual estágio; sem isso nada poderia ter sido feito;
5. Consequências da adoção do “Método Giraldi”® pela PMESP e de todo o trabalho retro especificado: A edição digital do “Estadão”, do dia 03 de dezembro de 2017, atualizada às 12:46h. teve, como destaque, o seguinte trecho: “Neste ano (2017), dos 43 PMs assassinados no Estado de São Paulo, só 3 foram mortos durante o serviço”. (ver a edição digital do Estadão retro citada);
5.1. Portanto, uma redução de 318 policiais militares assassinados, em 1.999, no Estado de São Paulo, para 43 em 2017. Projeção do início de 2.000 era a de que, em 2.017, seria em torno de 700; foram 43;
5.2. Uma redução de 44 policiais militares “assassinados, em serviço”, em 1.999, no Estado de São Paulo, para 3 (três) em 2017 (todos executados; não tiveram tempo sequer de sacar suas armas). Projeção do início de 2.000 era a de que, em 2017, seria em torno de 100; foram 3;
5.3. E de 274 policiais militares “assassinados, nas horas de folga”, em 1.999, para 40 em 2.017; o que ainda é um absurdo, mas com tendência a diminuir, principalmente com a continuidade da aplicação do capítulo do “Método Giraldi”® denominado “O Policial Militar e sua segurança pessoal” destinado aos policiais militares da ativa e inativos em todas as circunstâncias. Projeção do início de 2.000 era a de que, em 2017, seria em torno de 600; foram 40;
6. Esclareço que nesse período (1999 a 2017) os confrontos armados triplicaram; os agressores se tornaram mais bem armados, organizados, audaciosos e agressivos;
6.1. E não se esquecer de que a população do Estado de São Paulo é maior que a da Argentina, e que mais de 40% dos criminosos mais perigosos do Brasil se encontram no Estado de São Paulo;
6.2. E, nesse período, nenhum policial militar que aplicou o “Método Giraldi”® foi punido ou condenado pelas suas consequências, inclusive quando o agressor foi a óbito;
7. Conclusão: “Treinamento correto não é gasto; treinamento correto é investimento”. “Uma polícia é consequência do seu treinamento”. “O policial militar aprende aquilo que vive no treinamento, e não o que vê; o que lê; ou o que ouve; mas o que faz”.
7.1. Treinamento correto gera “heróis vivos”; falta de treinamento ou treinamento incorreto geram “heróis mortos”, ou “mortos não heróis”, ou “vivos encarcerados”;
7.2. Quanto vale uma vida preservada? Não tem preço!
7.2.1. Quanto vale centenas de vidas preservadas? Impossível calcular!
8. E a PMESP que possuía uma das piores instruções de tiro do mundo, e que causava tantas tragédias, como as retro citadas pelo Edital do “Estadão”, e tantas outras, passou a ser exemplo, modelo e referência para outras polícias, nessa área, aliás, é a área, da PMESP, que mais recebe elogios por parte de segmentos da sociedade, incluindo autoridades, especialistas, jornalistas, órgãos de divulgação como TV, etc.;
8.1. Esclareço que o “Método Giraldi”® foi oficialmente transversalizado e aprovado pelo CICV (ver anexo) cujos integrantes passaram a divulgá-lo, recomendá-lo, e ensiná-lo, internacionalmente, inclusive em língua inglesa. O CICV também patrocina cursos do “Método Giraldi”® para integrantes de polícias nacionais e do exterior;
9. Parabéns professores (as) do “Método Giraldi”®; vocês têm a missão mais nobre de um ser humano na face da Terra: Ensinar seu semelhante a preservar a sua vida e a sua liberdade. Na vida há alguma coisa mais importante que a própria vida? Depois da vida a liberdade? Foi graças ao seu incansável, perigoso, difícil e complexo trabalho que tivemos essa redução fantástica de policiais militares assassinados no Estado de São Paulo. Vocês são vencedores (as). Vocês são “heróis vivos”; vocês geram “heróis vivos”. Vocês são exemplos, modelos e referências para todos. Vocês permanecerão, para sempre, na memória dos seus alunos que serão uma continuidade de vocês próprios como um bastão que vai sendo passado de mão em mão numa corrida sem fim;
9.1. Parabéns a todos (as) aqueles (as) que lhes deram e dão apoio para atingir esses objetivos; objetivos que representam batalhas vencidas, mas não a guerra que, para vocês é eterna. Todos aqueles que os apoiaram, e os apoiam, também são “heróis vivos”; são geradores de “heróis vivos”; também são exemplos, modelos e referências para todos; esse apoio foi e continua sendo imprescindível;
9.2. Parabéns Policiais Militares que aplicaram o que aprenderam com os professores (as) do “Método Giraldi”®. Vocês são “heróis vivos” que, com seus exemplos e profissionalismo iluminam e direcionam o caminho daqueles que ainda possam estar na escuridão. Vocês honram, dignificam e dão grandeza à Polícia Militar. Vocês também são exemplos, modelos e referências para todos;
10. Não há necessidade de morrer cumprindo com o dever para ser “herói”; muitíssimo mais importante é cumprir com o dever e ser herói permanecendo vivo; isto é: ser “Herói Vivo”;
11. Embora seja do conhecimento de vocês reitero: “Trabalho de polícia é trabalho de Equipe”: “Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos”(Giraldi);
12. Prezados Professores (as); Prezados Apoiadores (as); Prezados Aplicadores (as) do “Método Giraldi”®: Continuem com o maravilhoso trabalho de vocês, mesmo com todas as dificuldades encontradas;
12.1. Mesmo com a crise financeira que também atingiu esse trabalho;
12.2. Mesmo que faltem materiais e locais adequados para as aulas;
12.3. Mesmo que haja incompreensão por parte de alguns policiais militares que preferem não aplicar o que aprenderam optando por perder a liberdade, ou serem assassinados, e não regressarem, íntegros, para o seio das suas famílias após uma jornada de trabalho;
12.4. Suas missões é ensinar, apoiar e aplicar o que é correto; caso o policial militar discorde o problema é dele, e pode passar a ser também da Justiça (que o irá condenar) ou do coveiro (que o irá enterrar) atingindo, em cheio, a família dele;
12.5. Mesmo que outros não estejam fazendo a parte deles façam as suas e tenham a consciência tranquila;
12.6. Mesmo com todas as dificuldades continuem e intensifiquem os treinamentos, pois policial militar é como jogador de futebol: Se parar de treinar volta à estaca zero;
12.6.1. Só que com o policial militar é pior, pois se parar de treinar vira “herói morto”, ou vira “um morto não herói”, ou perde a liberdade, ou passará o resto da sua vida numa cadeira de rodas, ou amparado por um par de muletas;
13. Reitero: Ninguém entra na PM para ser assassinado, ou para terminar seus dias numa cadeira de rodas, ou para perder a liberdade, mas como meio de vida e viver em paz com sua Família;
14. Policial Militar: Se você ainda não aprendeu o “Método Giraldi”® aprenda-o, pois sua “Vida” e sua “Liberdade” dependem desse aprendizado;
14.1. Se já o aprendeu continue treinando, pois o “método Giraldi”®, conforme foi retro explicado, é como jogar futebol; não basta aprender; tem que continuar treinando, intensivamente, a fim de se manter em forma e estar sempre preparado; o jogador de futebol para o jogo; o policial para o confronto armado onde sua vida e sua liberdade estarão sempre em risco;
14.1.1. Se você parar de treinar, ou reduzir o treinamento, voltará à “estaca zero”; voltará a ter chances de se tornar “herói morto”; ou “morto não herói”; ou de perder a liberdade; ou de passar o resto da sua vida numa cadeira de rodas ou amparado por um par de muletas; e aí a culpa não é do “Método”, mas sua; também de quem tem a obrigação de submetê-lo a esse constante treinamento;
14.1.2. Um jogador de futebol consegue se manter em forma sem treinar? Você consegue se manter em forma, em relação ao uso da arma de fogo com a finalidade de servir e proteger a sociedade e a você próprio, sem treinar?
14.2. E reitero: O “Método Giraldi”® é como futebol, natação, atletismo, ciclismo; só se aprende ou se mantem preparado praticando. Parte do princípio de que: “O que eu ouço eu esqueço”; “O que eu vejo eu lembro”; “O que eu faço eu aprendo”;
14.2.1. E o aprendizado e o treinamento têm que ser feitos o mais próximo possível da realidade usando os mesmos equipamentos, armamentos, munições, etc., com os quais você trabalha ou irá trabalhar; treinar de uma forma e atuar de outra é tragédia na certa.
15. “SAÚDE E PAZ EM SUAS VIDAS”!
16. Deus os (as) abençoe; abençoe também suas Famílias e trabalhos; e também abençoe nossa querida Polícia Militar, pois por nós só temos nós mesmos e Deus;
17. PMESP: Uma das melhores polícias fardadas do mundo; senão a melhor. É uma enorme honra integrá-la.
Atenciosamente.
Giraldi – “Há 64 anos combatendo o bom combate; mas ainda na corrida, e mantendo a fé”.